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Sem planeta não tem negócio

Um convite à reflexão sobre como podemos virar o jogo e mudar rapidamente a visão e consciência a longo prazo.

Deusa Marcon · 2025-11-04 02:33 · 0 claps · 4.3 min read
#sustainability #enviromental #esg #business #social-impact
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Sem planeta não tem negócio

Um convite à reflexão sobre como podemos virar o jogo e mudar rapidamente a visão e consciência a longo prazo.

A famosa frase do filósofo britânico Mark Fisher, no livro *Realismo Capitalista: “É mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo”*, aliada ao fato de que em julho deste ano atingimos o “Dia da Sobrecarga da Terra” — data em que a demanda por recursos naturais superou a capacidade do planeta de produzir ou renovar esses recursos, ao longo de 365 dias — traz a luz o fato de que, é preciso regenerar para seguir extraindo recursos e lucrando. Neste sentido, não há outra alternativa se não, adequar os negócios e toda a sociedade ao ESG.

A crença de que o ESG é uma pauta acessória, relegada apenas à filantropia ou ao marketing é um retrocesso e engana-se quem acredita que ainda dá para seguir extraindo sem se responsabilizar por regenerar ou, que a marca pode sair fortalecida de um clássico greenwashing. Esse fenômeno da tal crença, pode ser entendido como uma espécie de miopia que persiste, mesmo diante dos acontecimentos recentes que escancaram desafios climáticos extremos, capilaridade do crime organizado por tantos setores e da desigualdade.

O melhor exemplo de que não é possível seguir extraindo sem regenerar, são as mudanças climáticas. Cada vez mais implacáveis, podem afetar cadeias inteiras. A The Economist alertou que as mudanças climáticas podem custar até US$ 25 trilhões à habitação global até 2050, colocando 9% dos imóveis residenciais sob ameaça. Os imóveis, que frequentemente servem como garantias para empréstimos e hipotecas, podem passar por desvalorização ou até a perda total de propriedades, gerando risco massivo de crédito. Isso, por si, já configura uma ameaça a estabilidade, podendo deflagrar uma crise financeira sistêmica. Neste sentido, os proprietários de imóveis podem enfrentar a desvalorização drástica dos bens e dificuldades de obter seguros ou investimentos. E, de outro lado, as seguradoras podem vivenciar uma explosão de sinistros em razão da crescente frequência e intensidade dos eventos climáticos extremos como enchentes, secas, incêndios, além do aumento exponencial dos prêmios, dificuldade em oferecer cobertura em zonas de alto risco e crises de solvência. Na outra ponta, estão os Governos com alto custo de respostas a desastres, como reconstrução de infraestrutura, realocação de populações e perda de base tributária drenam os orçamentos públicos e podem comprometer a capacidade de investimento e estabilidade fiscal. O setor de imóveis não é único. Outros diversos e cada vez mais, vêm sendo atingidos.

6 em cada 10 negócios paulistas sentem os impactos das mudanças climáticas, mas sentem também dificuldades de implantar práticas sustentáveis, tanto pelo alto custo quanto pela falta de conhecimento técnico (FecomercioSP, 2025).

Rio Grande do Sul: Mais de um ano após as enchentes

A tragédia que assolou o Estado do Rio Grande do Sul em 2024, ilustra os impactos que as mudanças climáticas podem trazer. Foram mais de 180 mortos, 25 desaparecidos e 96% das cidades atingidas.

Pesquisadores da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), em parceria com a USP e UnB, constataram que sequelas psicossociais ainda permeiam a população gaúcha.

**“A enchente afetou todo o nosso senso de pertencimento, inundou o que conhecíamos como cidade, como referencial e como tecido social”**, relata Joana Correia, vice-coordenadora do curso de Psicologia da UFCSPA que atuou em abrigos

Com relação aos imóveis, uma pesquisa do Secovi-RS mostra que, dos 10,9 mil imóveis disponíveis, 1.413 apresentaram redução de preços (saltando de um recuo de 8% em abril para quase 13% em setembro). Ao colocarmos a lente sobre as empresas e setores produtivos, dados mostram que as cheias atingiram 80% da atividade econômica do estado, segundo cálculo da FIERGS. Ao todo, o desastre afetou mais de 90% dos municípios gaúchos, o que desencadeou perdas econômicas em alguns dos principais pólos industriais do estado. No âmbito dos governos, através das Medidas Provisórias, foram destinados R$ 61,3 bilhões para a assistência ao Estado.

"Mudanças climáticas agravam a pobreza de mais de 900 milhões de pessoas no mundo" — Índice Global de Pobreza Multidimensional, PNUD, 2025.

Os mais pobres são os que mais sofrem. E os países mais ricos emitem em média 400x mais CO2 que os países mais pobres. Mas em se tratando de mudança cultural, investimento financeiro e esforço, o crescente sofrimento dos mais pobres, a preservação da vida humana, da fauna, da flora e dos recursos naturais não têm sido argumentos suficientes para garantir conscientização sobre a importância da sustentabilidade. E, neste cenário, o valor monetário que o ESG pode agregar, passa a ser um trunfo. Esse preâmbulo para dizer que, se quisermos fazer a diferença e virar esse jogo, precisamos mostrar quanto vale o show e o show é o futuro de toda e qualquer organização, é aumentar o faturamento, é ganhar boa reputação, é atrair e inspirar talentos, é deixar um legado de cuidado com a própria casa e para os próprios descendentes — não apenas, mas especialmente. Em linhas gerais, quanto mais tempo se adia a adaptação ao ESG, mais difícil será garantir a longevidade de um negócio.

"A ideia de que o lucro seja o principal meio para gerar regeneração pode parecer distopia, até causar desconforto aos colegas “regeneradores” e aos “lucradores” de carteirinha. O poder dessa abordagem, porém, reside justamente na provocação: o ESG não é negar o capitalismo. É salvar o capitalismo.**" - ***Erlana Castro.*

Um meta-estudo abrangente de Friede et al. (2015) analisou mais de 2.250 estudos acadêmicos sobre o desempenho ESG, cobrindo quatro décadas de dados (1970–2014). A conexão entre práticas de sustentabilidade e desempenho financeiro em empresas tem sido confirmada por diversos estudos análise e concluiu que o ESG se correlacionou positivamente com o desempenho financeiro corporativo em 62,6% dos estudos, com resultados negativos em menos de 10% dos casos (os demais foram neutros).

Outras pesquisas recentes mostram evolução no sentido da adoção do ESG pelas organizações e eu poderia citar diversas delas aqui. O fato é que temos ainda duas velocidades: A velocidade da destruição do planeta e a velocidade a que a sociedade se adapta para minimamente regenerar o que precisa extrair. Até encotrarmos o compasso entre as duas velocidades, perderemos muito como seres humanos, sociedade e lideranças.

"Negócios que não integram o ESG estão deixando o presente, o futuro e muito dinheiro na mesa."

E você? Como acredita que podemos virar o jogo, ajustar a velocidade, a visão e a implantação do ESG a longo prazo, com estratégia e ampliação da consciência.


메타데이터
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