Titane: longa de Julia Ducournau metaforiza processo individuador feminino à Outrificação de…
Título: Titane Países de origem: França e Bélgica (2021) Duração: 108 minutos Gênero: suspense; terror Direção e roteiro: Julia Ducournau…
Titane: longa de Julia Ducournau metaforiza processo individuador feminino à Outrificação de sexo-gênero da governamentalidade patriarcal

Pôster promocional de “Titane” (2021) (MUBI, 2022), longa dirigido e roteirizado por Julia Ducournau vencedor da Palma de Ouro de Cannes 2021. Foto: reprodução.
Título: Titane Países de origem: França e Bélgica (2021) Duração: 108 minutos Gênero: suspense; terror Direção e roteiro: Julia Ducournau Produção: Jean-Christophe Reymond Fotografia: Ruben Impens Montagem: Jean-Christophe Bouzy Música: Jim Williams Figurino: Anne-Sophie Gledhill Distribuição (Brasil): MUBI Elenco: Agathe Rousselle, Vincent Lindon, Garance Marillier, Laïs Salameh, Bertrand Bonello
Para Julia Ducournau, sobreviver à indiferença paterna parece transformar em titânica a existência de mulheres, pois resistir à abrasividade da solidão em corpo objetificável ao desejo masculino torna-se estressor quase singular à manutenção da vida. À semelhança do metal implantado no crânio, em Titane (2021) (MUBI, 2022), Alexia (Agatha Rousselle) bioadapta-se às condições que, ambientais, elevaram a fama da dançarina profissional entre o público masculino de um salão de automóveis. Se a raiva por afã sexualizador a esforços afetivos cimentaria o sofrimento da protagonista, a série homicida desvelada à personagem de Agatha Rousselle encontraria em uma gravidez não desejada síntese da assunção de identidade outrificada à performance do teatro masculinista como estratégia de fuga ao aparato policial.



Tendo iniciado uma série homicida em resposta ao assédio sexualizador de homens e de mulheres às rotinas coreografadas em um salão de automóveis, durante a fuga à investigação policial, Alexia (Rousselle) assumirá como própria a identidade do filho desaparecido de Vincent Legrand (Landon). Fotos: reprodução.
Já na pele de Adrien Legrand, a conformação à fantasia projetada por Vincent (Vincent Landon) acerca do filho desaparecido faria do monstrificar-se shelleyano (1818) da jovem chance única de possibilidade relacional. A despeito de assédios reafirmativos, conclui Ducournau, as subjetividades agenciarão saída emancipatória ao controle e à coerção sociais de sexo-gênero sobre quaisquer expressões identitárias. A constatar-se renascidas à governamentalidade (ver Foucault, 1979) dos corpos, tarefa geracional será assumir a perpetuação inconteste de destino tirânico ou a ruptura definitiva de históricos arbítrios.
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