← Back to list

Steven Wilson — Prog’s not dead

Detentor de um especial talento, trouxe-nos Steven Wilson na passada semana, música, mensagens e magia ao concerto que deu no Altice Arena…

Vitor Pimenta in Revista Caliban issn_0000311 · 2019-01-23 23:58 · 9 claps · 6.0 min read
#música #arte #steven-wilson #rock-progressif
Open on Medium ↗
Wiki topics: CR · CRISPR & Gene Editing 🎵 · Music & Audio

Steven Wilson — Prog’s not dead

Detentor de um especial talento, trouxe-nos Steven Wilson na passada semana, música, mensagens e magia ao concerto que deu no Altice Arena em Lisboa, no arranque da nova Tour, um ano depois de ter apresentado o seu mais recente trabalho a solo To the Bone, o seu álbum mais vendido de sempre. Lançado em Agosto de 2017, alcançaria o Top 3 no Reino Unido, o segundo lugar no Top alemão e diversos Top 10 por toda a Europa. Para além disso, espectáculos esgotados em todo o mundo, onde se destacam três data lotadas no mítico Royal Albert Hall.

[embed]

Mas quem é este multi-instrumentista londrino de 51 anos; com três décadas de carreira, mais de cinquenta álbuns editados, nomeações para Grammy e colaboração com grandes nomes do panorama musical que consegue, através do seu mais recente trabalho, rasgados elogios da crítica que consideram To the Bone como “uma inimitável toca de coelho de psicadelismo” (Planet Rock), “brilhantismo pop maravilhosamente executado” (Q) ou “um equilíbrio quase perfeito… vistoso e extravagante com melodias apaixonantes” (Mojo).

Os anos 80 marcaram o declínio do chamado rock progressivo mas não o extinguiram. Algumas bandas dinossáuricas saíram de cena bastante tarde e outras ainda estão no activo. Nas últimas três décadas, o frontman dos Porcupine Tree e detentor de uma mão cheia de projectos, como músico ou produtor de diversas bandas, foi um dos rostos mais emblemáticos do género.

Os Porcupine Tree nasceram em 1987, precisamente no período, onde já não era cool o rock progressivo, e seriam o filho favorito de Steven Wilson, com quem viriam a gravar 10 álbuns, o último em 2010 (The Incident), após o qual Steve anunciaria a vontade em se dedicar à sua própria música. É preciso mencionar a data de 2008 como o seu primeiro trabalho a solo, Insurgentes.

[embed]

[embed]

[embed]

Desde então, e até ao surgimento de To The Bone em 2017, lançaria mais três álbuns, Grace for Drowning (2011), The Raven that refused to sing (2013) e Hand cannot erase (2015).

Apenas pelo seu trabalho como autor, guitarrista e líder dos Porcupine Tree, bem como pelo impacto deste reavivar do rock progressivo, Steven Wilson já merecia um lugar de destaque na história da música pop-rock.

Embora Steven Wilson fosse a alma e força inspiradora dos Porcupine Tree, os seus trabalhos a solo apresentam algumas mudanças de sonoridade, dando lugar a formatos mais pop e mainstream, sem nunca perder a qualidade que o distingue, tendência que se acentua neste último trabalho. O que é verdadeiramente impressionante na sua música é o facto de conseguir manter a mesma na esfera do rock progressivo dando-lhe um cunho muito pessoal que não destoa, mas antes explora novas sonoridades perfeitamente compatíveis com o género.

[embed]

Para muitos também, a música de Steven Wilson não está na moda, porque vai buscar ao fora de moda rock progressivo a sua fonte de inspiração mas, quem esteve presente no Altice Arena, percebeu a razão pela qual o britânico navega nas sonoridades do prog de uma forma inebriante e cativante para qualquer ouvido sensível, experimentando toda uma liberdade musical que vagueia por entre estilos tão diversos como o rock psicadélico, metal, electrónico ou até improvisações de jazz.

Steven Wilson prometeu que o concerto iria ser “um espectáculo totalmente novo, com uma grande componente tecnológica e visual, que vai surpreender até os fãns que assistiram ao anterior espectáculo”.

[embed]

Concerto marcado para as 21.00 e a essa mesma hora teve início, mostrando logo à partida o rigor da pontualidade britânica e do compromisso para com o público. E foi ao longo de quase três horas que um jovem cinquentão nos mostrou as vantagens de quem trabalha por gosto. Entrega plena, interacção constante com o público, fosse nas palavras que lhe dedicava, fosse no simples olhar. Tudo isto acompanhado por músicos de eleição num palco onde se vislumbrava uma enorme ambição visual com cortinas para projecção laser e constantes vídeos em ecrã por detrás dos músicos, que abrilhantaram a todo o tempo e ainda mais toda a actuação.

Desde o início que Steven Wilson soube agarrar o público. Optando por não falar antes ou depois de todas as músicas, teve intervenções significativas e confiantes sem nunca perder o seu afinado “british humour”.

[embed]

A simplicidade do músico não passou despercebida, ora perguntando quem tinha estado no concerto do ano passado, ora perguntando quem era menor de 25 anos, bem como a honestidade de perguntar se o público estava a gostar dado saber que a sua música é para ouvir, faltando o movimento do público que torna mais difícil a leitura para quem está em cima do palco.

“É bom ver-vos assim tão parados, porque sei que estão a interiorizar a minha música, que a estão a sentir” disse-o e tinha toda a razão.

Interessante a intervenção central sobre o desaparecimento progressivo da guitarra eléctrica, elogiando os grandes como Hendrix ou Page que não precisam de olhar para a guitarra enquanto tocam, por oposição ao que classifica dos novos tempos em que os miúdos acham que devem tocar a mesma junto ao pescoço no máximo de notas por minuto, o que não é forma de criar música boa.

Estava dado o mote para “Same Asylum as Before” onde aproveitou para recriar o ritual do “solo sexy”, e saiu-se lindamente!

Apesar de relembrar as músicas dos Abba que a sua mãe ouvia e que de alguma forma o marcaram, pretendendo homenagear agora essa influência com as músicas mais pop e mainstream (Permanating), o alinhamento do concerto com temas dos seus trabalhos a solo, cruzou-se com o que seria impossível esquecer: Porcupine Tree.

Corajoso é o mínimo que se pode dizer de Steven Wilson, cruzar a música dos Porcupine Tree, com os seus trabalhos a solo, inserindo temas que se afastam do que sabemos ser o caminho do músico. Mas a verdade é que Wilson pode fazer o que bem entender que ninguém lhe leva a mal.

The Creator has a Mastertape, Lazarus, Sleep together dos Porcupine Tree cruzaram na perfeição com temas a solo dos quais destacamos Nowhere now, Pariah (dueto com a voz potente da israelita Ninet Tayeb), Refuge, Home Invasion, Ancestral ou Song of Unborn.

[embed]

Foi possível ao longo deste imenso desfilar de temas que são a vida musical de Wilson, sentir como as guitarras deste transmitiam a ideia de serem extensões do seu corpo, dada a naturalidade com que as manuseava e fazia delas o que bem entendesse. Momentos electrizantes na guitarra ou no piano que nos mostraram o virtuosismo do jovem cinquentão de t-shirt preta e descalço sobre o palco.

Um concerto de encher a alma que terminaria num encore que nos trouxe à memória o “velhinho” Blackfield, uma versão muito própria de Sign of Times de Prince, tudo isto antes da tempestade sónica de The Sound of Muzak (Porcupine Tree) e da despedida intimista com The Raven that refused to sing.

[embed]

Estava concluída a celebração do rock progressivo no que este mais tem de belo. Steven Wilson sabe como o fazer. Mais do que perceber o seu génio, é imperativo compreender a sua arte e Wilson é um artista cuja arte se entende, incorpora e se interioriza em nós.

Emocionalmente intenso e musicalmente exigente, foi um concerto que permitiu concluir que o rock progressivo continua a ser uma força a ter em conta. Não houve espaço para dúvidas.

Apelidado pelo Telegraph como “o músico britânico de maior sucesso de quem nunca se ouviu falar”, é apropriado para quem o conhece e gosta de ter descoberto.


메타데이터
post_id
a3e2ccdd050d
slug
steven-wilson-progs-not-dead-a3e2ccdd050d
url
https://medium.com/revista-caliban/steven-wilson-progs-not-dead-a3e2ccdd050d
canonical_url
https://medium.com/revista-caliban/steven-wilson-progs-not-dead-a3e2ccdd050d
author_url
https://medium.com/@vitorpimenta
status
ok
fetched_at
2026-09-06 19:51:51