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Ninguém pediu, mas eu quis fazer: um novo formato pro Paulistão

Primeiramente o motivo: o formato atual é muito esquisito e sempre me incomodou. Eu até aceitava as justificativas, mas cheguei em um ponto…

Rodrigo Pimentel · 2024-02-20 18:55 · 0 claps · 5.5 min read
#futebol #futebol-brasileiro #regulamento
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Ninguém pediu, mas eu quis fazer: um novo formato pro Paulistão

Primeiramente o motivo: o formato atual é muito esquisito e sempre me incomodou. Eu até aceitava as justificativas, mas cheguei em um ponto que ficou impossível relevar: a falta do confronto direto como critério de desempate.

(Motivo paralelo: o estadual prejudica bastante o calendário dos times grandes, então vou tentar matar dois coelhos aqui)

Normalmente num campeonato os critérios de desempate são: vitórias, saldo de gols, gols marcados, confronto direto, cartões vermelhos, cartões amarelos e por último: sorteio. Esse pelo menos é o do Brasileirão 23 e os principais campeonatos variam um pouco essa ordem.

Esse é o do Paulistão de 23

Enfim, o que acontece é que, nesse formato que times do mesmo grupo não se enfrentam, é possível que um time tenha 100% de aproveitamento e não se classifique, assim como é possível um time ter 0% de aproveitamento e se classificar pras quartas-de-final.

É difícil? É. Muito. Mas é possível. Explico:

Suponhamos que o time A jogue 12 jogos e ganhe todos por 1x0. Ao final ele fica com 12J 12V 0E 0D 12GM 0GS +12S. Também vamos supor que esse time tenha levado 20 cartões amarelos e 5 vermelhos.

Bom, esse time fez uma campanha perfeita, certo? Porém outros 2 times do seu mesmo grupo também fizeram a mesma campanha. (Sim, eu sei, muito difícil, mas não impossível, colabora por favor). O time B e C.

O regulamento atual faz com que esses 3 times, de aproveitamento perfeito tenham que decidir no sorteio quem se classifica ou quem é eliminado.

“Mas Rodrigo, toda competição de grupos é assim”

Não não. Faltou o importantíssimo confronto direto. Colocando a mesma situação de empate geral num grupo de Copa do Mundo:

Brasil ganha todos os jogos e fica com 3J 3V 0E e 0D. Todos os outros times empatam em 0x0 e ficam com 3J 0V 2E e 1D. 2 pontos pra cada, saldo igual, mesma quantidade de cartões, etc. Aí vem o sorteio.

Houve o confronto direto e empataram. É justo depois de tudo isso um sorteio.

Regulamento da FIFA pra Copa de 2022

Regulamento da FIFA pra Copa de 2022

Resumindo: no exemplo da Copa do Mundo, houve a possibilidade de vencer o adversário. Só não foi aproveitada. No Paulistão não há. Se rolar um tríplice empate no grupo, um vai cair fora injustamente por sorteio, sem saber como seria um possível confronto com as outras duas equipes.

“Ah, mas é impossível esse empate”

Futebol acontece coisa maluca o tempo todo. Lewandowski fez 5 gols em 9 minutos, Botafogo perdeu o Brasileirão 23… Nunca se sabe. É responsabilidade da organização cobrir todos possíveis problemas. Imagina só seu clube ficando de fora no sorteio pra ver se você curte.

No segundo exemplo, 3 times do mesmo grupo perdem todas as partidas e levam o mesmo número de cartões. Nesse caso, o absurdo aconteceria: por sorteio dois caem pra A2 e o que não caísse automaticamente ficaria em segundo lugar, o que avança ele de fase. Legal né?

De novo, mesmo exemplo da Copa do Mundo, uma seleção vence os 3 jogos e as outras 3 empatam os outros 2, quem classifica? CONFRONTO DIRETO. Antes do sorteio deve existir essa chance.

Agora quero tocar no outro problema: como o Paulistão atrapalha o calendário dos times grandes.

De fato, são de 12 a 16 datas de comprometimento e sempre volta a discussão da extinção do campeonato.

Eu não sou desse time. Vejo muito valor ainda na existência da competição na formação e revelação de atletas, renda pros clubes do interior, oportunidade do torcedor ver seu time de perto, entre várias outras coisas.

MAAAS, realmente é complicado. Os times grandes tem compromissos possivelmente rentáveis e uma coisa atrapalha a outra e fica aquele papo de time reserva, lesões, poupar elenco…

Minha proposta é a seguinte: 2 grupos de 8 clubes, 2 grandes em cada grupo, turno único e, o mais importante, todos os times pequenos mandam seus jogos em casa contra os grandes.

Por que isso? Atualmente, os times do interior têm como maior renda os jogos que atraem as torcidas do visitante grande. Uso como exemplo o Mirassol. Pra receber o Botafogo no dia 16/02, os ingressos custavam de R$ 20 a R$ 80. Pra receber o São Paulo dia 20/01, o preço variou de R$ 60 a R$ 240.

Preços de Mirassol x Botafogo-SP

Preços de Mirassol x Botafogo-SP

Preços de Mirassol x São Paulo

Preços de Mirassol x São Paulo

No duelo contra o Botafogo foram 2.206 pagantes com renda de R$ 49 mil. Já contra o São Paulo foram 11.612 pagantes. (Não achei a renda oficial mas é no mínimo R$ 700 mil).

Esse valor é muito importante para a manutenção dos custos dos clubes durante o ano. No formato atual, os clubes do interior enfrentam no mínimo 3 grandes, já que um está no seu próprio grupo e só o enfrentaria caso avançasse de fase.

Desses 3 confrontos, nem sempre 2 jogos são em casa. Exemplos: o Santo André esse ano jogou em casa apenas contra o Palmeiras. O Novorizontino idem.

Caminho do Santo André no Paulistão 2024

Caminho do Santo André no Paulistão 2024

Caminho do Novorizontino no Paulistão 2024

Caminho do Novorizontino no Paulistão 2024

No formato proposto aqui seriam dois jogos em casa garantidos contra times grandes. Uma certeza maior, sem depender de sorteio, que a renda atingiria um patamar satisfatório.

Ultimamente os públicos do Paulistão de times grandes em casa contra times do interior até têm sido relevantes, mas historicamente oscilam muito.

Aí cada clube grande tem que ponderar se vale a pena a renda em relação ao excesso de datas. (Lembrando que a atual alta de público não é uma garantia pros próximos anos)

No formato que proponho, o clube do interior tem com 100% de garantia, dois jogos grandes em casa, podendo encher o cofre com um bom faturamento em cada partida. (Ou vender o mando também. É uma possibilidade, mas eu acho que precisa de algum fator pra limitar)

Voltando aos grandes, o clube compromete apenas de 7 a 11 datas. É uma redução boa de 5 datas, ou seja, de 2 a 3 semanas, que podem ser usadas como preparação, jogos treino, excursões ou alocadas no final da competição para dar mais tempo de preparo pro Brasileirão.

Outra possibilidade é espaçar as datas do Paulistão pros times que tem compromissos intercalados não ficarem atropelando datas precisando viajar, se preparar, etc.

Para completar o regulamento: 4 se classificam, 1 cai. Os quatro classificados se enfrentam nas quartas (1º vs 4º, etc), depois semis e a final. Os clássicos podem ter mando alternado ano a ano, pode ser por sorteio ou faz tudo no Pacaembú. Tanto faz.

Ah, e claro, os critérios de desempate seriam aqueles tradicionais que comentei no começo.

Um ponto negativo é a falta de garantia de todos os clássicos. No formato atual são 6 já na fase de grupos, nesse proposto são 2. Porém, são clubes que têm grande possibilidade de se encontrar nas fases finais, onde os jogos valem muito mais.

Claro que tem vários outros pontos para analisar e eu não sou o dono da verdade. Isso não seria a solução final para salvar o Paulistão… O buraco é mais embaixo e imagino que envolve mais os problemas do interesse geral do público.

Cativar não é fácil, mas acredito que problemas locais possam ter soluções locais. Promoções de ingressos, passe de temporada, facilidade de pagamento, sorteios, associação à comércios locais, etc. Mas esse é outro assunto.


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