Nem todas podemos ser como Jo March, mas há sempre espaço para Amy.
Nem todas podemos ser como Jo March, mas há sempre espaço para Amy.

O universo de “Mulherzinhas” adaptado para o cinema por Greta Gerwig em 2019 é um tópico recorrente nos meus pensamentos, e por mais que sempre tenha sido comparada a Jo por aqueles próximos a mim, hoje admito que é muito mais fácil me ver em Amy.
Interpretada por Florence Pugh, a versão mais recente da personagem traz muito mais profundidade à irmã mais nova, que foi diversas vezes resumida como infantil e mimada, e prova dessa evolução é seu monólogo, adicionado ao filme por sugestão de Meryl Streep.

“Talento não é ser genial. Eu quero ser ótima ou nada.”
Grande parte da diferença que enxergo entre Amy e Jo se dá a partir do momento que essa frase é dita. Assim como sua irmã mais velha Amy tem talentos e ambições, mas suas inseguranças fazem com que ela diminua seu próprio potencial. Enquanto Jo se motiva em provar ao mundo que poderia ser escritora, Amy precisava primeiro provar a si mesma que era tão talentosa quanto.
E é isso que vejo de tão relacionável na personagem de Florence, o sentimento de reconhecer seu talento mas nunca o achar bom o bastante, a sensação de insuficiência por nunca ser a melhor e a vontade de querer ser como Jo March. Amy é para aquelas garotas que querem ser reconhecidas pelo o que fazem mas não permitem serem vistas tentando, para aquelas que se cobram demais porque sabem de seu potencial mas não conseguem ver prazer no processo. Acima de tudo, Amy é alguém que reconhece e aceita suas limitações, principalmente se tratando dos papéis que uma mulher exercia na época, mas que não se priva ou se culpa de seguir os meios que lhe permitiam chegar onde queria, porque muitas vezes só talento não é o suficiente.
Jo e Amy são, em muitos aspectos, iguais: fortes, talentosas e determinadas. A forma como decidem os riscos que valem ser corridos e as coisas pelas quais estão dispostas a abrir mão são o que as diferem.

Tradução: "Quando você se tornou tão inteligente?" "Eu sempre fui. Você só estava muito ocupada notando meus defeitos."
Dizer que nem todas podemos ser como Jo não é dizer que não alcançaremos nossos objetivos, mas sim que nossos caminhos até lá sejam, talvez, mais parecidos com o de Amy.
Finalizo dizendo que abraçar a Amy que existe em mim e entender que é preciso ser boa antes de ótima, e ótima antes de ser genial, foi essencial para que eu desse um passo a mais em direção a onde quero chegar.
메타데이터
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