Trabalho involuntário (I)
Eu sinceramente admiro e ao mesmo tempo não entendo aquelas pessoas que são workaholic. Quem não consegue desligar depois que o expediente…
Trabalho involuntário (I)

Eu sinceramente admiro e ao mesmo tempo não entendo aquelas pessoas que são workaholic. Quem não consegue desligar depois que o expediente acaba, trabalha nos fins de semana porque é apaixonado pelo que faz, ou porque está com o emprego ameaçado, ou não sabe o que está fazendo.
Das vezes que fui workaholic na vida, sempre foi de forma involuntária, ou trabalho culposo, quando não há a intenção de trabalhar. E foi muito antes de surgirem expressões como burnout, estresse ocupacional e outras frescuras, como se dizia na época. Então aqui vão alguns momentos Dilbert, ou The Office que já vivi.
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Uma vez, eu precisava viajar para um casamento de um amigo de infância no fim de semana. Já fui para o escritório na sexta com a mala, pois de lá iria para a rodoviária pegar um ônibus no final da tarde.
Ao meio dia, minha chefe da época entrou na sala desesperada porque o trabalho que precisava ser entregue na terça, teria que ser adiantado para aquele dia mesmo, para levar ao cliente na segunda pela manhã. Expliquei a situação, que minha passagem estava comprada, que no sábado eu tinha um casamento e era importante para mim. Ela explicou que se perdêssemos aquele cliente seria uma tragédia, se é que eu entendia. Resumindo: trabalhei até a meia noite, perdi a passagem, perdi a viagem, pedi o casamento.
Na terça pela manhã eu precisava ir com ela a visitar um fornecedor. Ao entrar no carro, vi as pastas do projeto no banco de trás e questionei:
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Você não tinha que apresentar isso ontem?
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Não, é hoje mesmo. Só quis adiantar na sexta para garantir e não perder o prazo.
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Já em outro escritório estávamos no meio de uma concorrência de um famoso banco, trabalhando a semana inteira até mais tarde. Na sexta, nosso diretor não estava feliz com nenhuma das soluções apresentadas e, no meio da reunião, ele solta:
- Pois é… Não chegamos lá ainda. Se eu fosse vocês, aproveitaria que fim de semana vai estar chovendo mesmo e não vai dar para sair de moto (só uma pessoa dentro daquela sala tinha uma Harley), e viria para o escritório tentar resolver isso. Vão ficar fazendo o quê em casa com esse frio?
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Esse mesmo diretor me ligou uma vez no meio das minhas férias:
- Cara! Entrou uma concorrência filé aqui, dessas que dão para ganhar prêmios. Tá todo mundo correndo aqui, não quer adiantar a sua volta para vir tirar umas ideias com a gente?
Falei que estava na praia, que não iria largar tudo para voltar agora, já tinha planejado essa viagem há meses. Ele só respondeu:
- Mas venha, vai ser divertido.
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O presidente da empresa estava para se aposentar e o sonho dele era ganhar um famoso prêmio internacional antes. Então mobilizou todo mundo em prol desse projeto. O meu chefe direto também tinha esse sonho para o seu currículo e viu ali uma oportunidade. Então, por meses a gente foi obrigado a trabalhar depois do expediente, ou fins de semana para criar coisas que não teriam nenhuma utilidade prática, serviriam apenas para inscrever nesse festival.
Depois de um tempo, ele não estava satisfeito e expliquei que a gente tinha uma pauta real no dia a dia, com prazos reais e que aquilo estava atrapalhando. A sugestão dele foi que a gente teria que ter um bloquinho de notas para deixar ao lado da cama, do sofá, dentro do banheiro, levar no almoço e aproveitasse esse tempo livre para ir anotando ideias.
- Quando vocês estão tomando banho, podem aproveitar esse tempo para ir pensando em alguma coisa.
Ou seja, além de trabalhar horas a mais, agora a gente teria que trabalhar cagando também.
Ele me deu um bom argumento:
- Cara, eu preciso desse prêmio.
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Ele de novo. Como prêmio não saiu, pintou um concurso para viajar à França e assistir a esse festival. O concurso era criar uma frase qualquer, sei lá. Ele chegou na minha mesa e pediu para que eu pensasse na tal frase. Fiquei uns dois dias nisso, mais de 50 frases depois, ainda não estava satisfeito. Depois, ficou me culpando por ele não ter ganho o concurso.
(Continua)
메타데이터
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