Brothers Again — Show com disfarce intimista marca o retorno do Brothers of Brazil
No primeiro solo de guitarra, João jogou a plateia para o alto. Os olhos pulsavam com cada acorde, lembrando uma cena típica de desenho…

Mais do que irmãos, brothers
Brothers Again — Show com disfarce intimista marca o retorno do Brothers of Brazil
No primeiro solo de guitarra, João jogou a plateia para o alto. Os olhos pulsavam com cada acorde, lembrando uma cena típica de desenho animado. Pelo menos foi a minha sensação, potencializada pelo Bourbon Mule, logicamente. Foi o primeiro momento que fitei os cantos do Blue Note, querendo pescar alguma pessoa que em um ato de pequena rebeldia se levantaria da cadeira e dançaria.
Não aconteceu, mas foi por um triz. Disso tenho certeza.
Vamos começar do principio. A chegada ao Blue Note foi um misto de curiosidade, lembranças e embaraço. Curiosidade e embaraço pelo simples fato de que não havia ainda conhecido a casa. Lembranças porque em outrora o segundo andar do Conjunto Nacional servia de refúgio para casais sem grana que buscavam um pouco mais de intimidade na Paulista.
Uma daquelas coisas que quem viveu, viveu.
Agora o espaço serve o elegante e descolado Blue Note. Ao entrar na varanda do bar, demos de cara com Eduardo Suplicy.
O show marcado para começar às 22h30 atrasou em alguns minutos e começou ao apagar das luzes centrais, deixando para as velas a função de iluminar rostos curiosos.
Encarei a entrada dos irmãos com algumas questões na cabeça. Como estaria o entrosamento depois de cinco anos de hiato? Como seria a apresentação das músicas novas? O público teria uma energia mais rock”n”roll ou bossa nova?
Tudo isso foi respondido rapidamente, dando espaço para os aplausos e admiração.
O entrosamento foi dos bons. Com João comandando uma guitarra oito ou oitenta. Momentos do mais puro rockabilly, passando pelo punk e dançando com sutileza na Bossa Nova e MPB. Com Supla sendo sempre o próprio show, não apenas pela figura que ele tão bem construiu e reconstruiu. Com competência mais do que verdadeiras. Brothers é uma explosão caótica de dois mundos que se conversam, se distanciam, mas de alguma forma (que não saberia explicar) se misturam perfeitamente.
Seria bobeira falar de cada música, de forma técnica ou querendo dissecar grandes questões filosóficas. O grande barato aqui é que tudo parece uma grande brincadeira, feita por quem sabe exatamente o que faz. O que posso dizer é que tem letra romântica, tem crítica social, tem palhaçada das boas e toda aquela controlada insanidade.
Teve até Suplicy fazendo um cover emocionante de Blowin’ in the Wind.

O duo promete lançar um álbum em 2022 e a turnê Brothers Again promete trazer para os palcos desse país tropical esse barril de pólvora chamado Brothers Of Brazil.
Agradecemos especialmente ao Blue Note e Felipe Martinez da MM Assessoria de Imprensa por toda simpatia e boa vontade.
메타데이터
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