Sehnsucht
Não sei quem és, mas sinto tua falta. Não há memórias — apenas o peso esmagador de ter-te perdido. Ou será que jamais tive o direito de…
Sehnsucht

Não sei quem és, mas sinto tua falta. Não há memórias — apenas o peso esmagador de ter-te perdido. Ou será que jamais tive o direito de chamar-te minha? Se nunca foste minha, como pode ser tão físico, tão real este luto? Que promessa te fiz para estar assim, preso a ti? Onde estás? Poderemos algum dia nos reencontrar?
Anseio pelo regresso a um momento que parece jamais ter ocorrido. Tenho uma saudade desesperada do desconhecido — ou será que, em segredo, há muito eras conhecido? Quero ver-te novamente. Quero, de uma vez por todas, viver a teu lado.
Neste mundo, suporto a angústia da minha própria companhia — um silêncio que pesa, uma presença que me sufoca. Sem ti, só persisto pela vontade cega de ter-te; és o único destino do meu movimento, a única direção que este meu vazio conhece.
Não estou completo — como é possível que eu ainda esteja respirando? Jamais serei capaz de morrer sem antes te ver. Nada que nunca esteve inteiro pode ser destruído. O que seria eu sem ti para preencher o abismo que me assola? Sem tua presença, o que há de se apreciar nesta terra, senão a sombra do que poderia ter sido? Pelo que eu estaria vivendo? Sem ti, estaria eu sequer vivendo?
Já exististe fora de mim? Que sentido faz chorar por algo que nunca ocupou o espaço da realidade? Ou será que ocupou? Talvez eu sofra por um futuro desconhecido, ofuscado por um passado perdido. Talvez a minha desgraça seja o mero desperdício dos dias neste mundo vazio, enquanto agonizo para um dia, enfim, ter-te uma última primeira vez em meus braços.
E se esse dia nunca vier, que me reste ao menos a surreal lembrança do teu cheiro, a impressão de teu toque, a ilusão do teu olhar que jamais me encontrou. Que me reste a esperança — tênue e dolorosa — de que, em algum lugar, em algum tempo, ainda possamos ser completos. Até lá, sigo perdido, percorrendo o eco de tua ausência, desejando o impossível, amando o que talvez nunca tenha existido.
메타데이터
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