Tolerância Zero ou Bandido Bom é Bandido Morto — Capítulo 8: O Começo do Fim e o Início da…
O COMEÇO DO FIM E O INÍCIO DA MANIPULAÇÃO
Tolerância Zero ou Bandido Bom é Bandido Morto — Capítulo 8: O Começo do Fim e o Início da Manipulação
O COMEÇO DO FIM E O INÍCIO DA MANIPULAÇÃO
Ruas da cidade movimentadas naquela tarde ensolarada; um rapaz caminha e fala ao celular, um outro jovem se aproxima rápido e arranca aquele celular. O rapaz roubado olha para o ladrão, coloca as duas MÃOS ABERTAS uma em cada lado de sua cabeça, ele fecha os olhos e…
Explosão! Que explosão! O ladrão cai, o jovem que acionou seu CONTROLE MENTAL sorri. Em outro pondo da cidade outro ladrão rouba uma mulher, ela também ativa seu CONTROLE MENTAL, outra explosão, corpo no chão. A rua, os arredores assim: cheio de corpos caídos, CELULARES E CORPOS DESTRUÍDOS.
Uma satisfação mórbida toma conta do senso da massa: as pessoas que foram roubadas sorriem vendo vários jovens mortos. Um desses jovens caídos de bruços, ele ainda respira, segura o celular firme, depois solta o aparelho, dá o último suspiro de bruços ainda, cena estranha.
E na sede da Bracells Celulares do Brasil se forma uma fila com muitas pessoas, a fila vai direto no escritório do doutor João Victor.
O doutor está ali na frente da fila, na frente de todos, do seu lado seu puxa-saco Faikar e do outro lado a Inteligência Artificial, sempre presente. A mesa principal do escritório cheia de caixas com novos smartphones.
Tecnologs observa tudo e em sua TELA / ROSTO um sorriso e “OLHOS ELETRÔNICOS” menores, azuis. Faikar passa caixa a caixa a João Victor que repassa uma caixa de smartphone para cada pessoa da fila. As pessoas abrem as caixas, sorriem, gesticulam, olham para o doutor e para seu staff, exclamam palavras de gratidão.
E o João Victor? O empresário abraça, beija, tira selfie com as pessoas, aperta as mãos de todos quanto pode, em outros momentos segura as mãos das pessoas com suas duas mãos, balança as mãos e sorri, ah, sorri demais.
Os olhos eletrônicos de Tecnologs agora estão grandes e vermelhos e o robô sem sorriso eletrônico algum, só observa.
Há um smartphone na mesa do doutor, há 02 telas gigantes na parede do escritório, uma na parede mais à direita, a outra na parede à esquerda. Na tela da direita o seguinte texto que fica passando sem parar: BRACELLS TECNOLOGIA À SERVIÇO DA SUA SEGURANÇA! AQUI VOCÊ NUNCA SAI NO PREJUÍZO!
Na TELA GIGANTE da esquerda o seguinte texto que passa: PESQUISA CAMPANHA PRESIDENCIAL JOÃO VICTOR 93% DAS INTENÇÕES DE VOTOS! E no SMARTPHONE começa a ser executado um podcast e ou esse locutor é um grande lambão do candidato ou é o devoto da “imparcialidade”:
- E podemos só afirmar com alegria que a tecnologia inovadora da Bracells está reduzindo drasticamente a criminalidade em nosso país. Não à toa meus amigos que João Victor deu esse salto na corrida presidencial! E é de um presidente assim que pensa na segurança de seu povo que o Brasil precisa! João Victor e a Bracells não deixam ninguém sem telefone! Um bandido à menos e um celular a mais. Precisamos é disso: segurança com tecnologia!
João sentado em sua confortável cadeira, observa o smartphone e conforme o locutor do podcast se empolga aqueles traços de sua voz equalizada se movem rápidos na tela do celular: o melhor filme que o empresário pode ver! Os olhos do canalha até brilham! E que sorriso! Ele não consegue ficar parado, fica de pé, gesticula muito, caminha na direção de Tecnologs e lógico o capitalista ferrenho necessita se vangloriar:
- Ouviu Tecnologs? Música para meus ouvidos! Essa eleição está ganha!
A Máquina olha para o doutor, olha com seus grandes olhos eletrônicos, grandes e vermelhos e extremamente irritada (sim com aqueles humanos a máquina se irrita de verdade) solta sua voz grave que faz tremer tudo que tem no ambiente, os banners, as telas, os móveis; tudo treme e João se contrai para trás com seus olhos arregalados não tem como não ouvir a Inteligência Artificial:
-
Você ainda não está com a eleição ganha! Não se esqueça que eles humanos tem livre arbítrio. Não se envolva em polêmicas. Entendeu? Nada de polêmicas!
-
Sim! De maneira alguma, agora que falta pouco… — concorda o executivo.
-
Não se esqueça que humanos ainda sabem pensar. — Afirma a Inteligência Escrota e Eletrônica.
João olha para o alto na direção da Tela/Cabeça/Rosto da máquina, ele balança sua cabeça humana em afirmativa, depois tira um cigarro do bolso de seu terno, acende o cigarro, solta baforadas no ar. O lambe botas do Faikar tosse incomodado, depois disfarça, sorri, finge para o patrão que nada que vem dele o incomoda, um homenzinho sem opinião mesmo! A fumaça do cigarro invade o ambiente e o Faikar com aquele sorriso fabricado, falsificado, sem sinceridade alguma, louco para tossir de novo, mas o bajulador aguenta firme e aspira a fumaça do ar como se o melhor oxigênio fosse, traste!
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