← Back to list

Estudo sobre a aula de terça feira

Freud foi responsável pela terceira ferida narcísica da humanidade ao afirmar que o homem não é dono de si mesmo. Ao colocar em questão a…

anabeatri · 2026-03-10 16:19 · 0 claps · 1.7 min read
#psicologia #duvida #dúvidas
Open on Medium ↗

Estudo sobre a aula de terça feira

Freud foi responsável pela terceira ferida narcísica da humanidade ao afirmar que o homem não é dono de si mesmo. Ao colocar em questão a ideia de um sujeito plenamente consciente e soberano sobre suas ações, ele abriu espaço para a dúvida sobre o quanto realmente nos conhecemos.

Em outra perspectiva, Foucault se perguntava: como nos tornamos o que somos? A resposta permanece indefinida, mas é possível observar que existem normas que regem a sociedade e influenciam a forma como o presente é pautado, assim como o porquê somos quem somos e agimos como agimos. No entanto, esses fundamentos que frequentemente naturalizamos não são fatos, mas verdades de um determinado presente que, por sua vez, não representa necessariamente uma evolução do passado nem uma previsão do futuro — e muito menos uma imagem 100% preservada do momento atual.

Se não somos donos de nós mesmos, e as verdades que nos moldam culturalmente e históricamente não são isentas de dúvidas, julgamentos e conceitos, como saber quem somos? E o que podemos perceber sobre as narrativas que construímos sobre o tempo? — Se as regras que estruturam a sociedade são resultado de processos históricos, não se torna também necessário questionar a maneira como interpretamos o tempo e as narrativas que construímos sobre ele?

Dessa forma, aquilo que chamamos de progresso seja, talvez, apenas uma reorganização dessas mesmas normas ao longo do tempo. A história, nesse sentido, não é uma marcha rumo a uma forma mais desenvolvida de humanidade. A história não é linear, progressiva, isenta, nem evolutiva.

Ao sair de uma visão menos geral e mais individual, a questão se mantém ainda mais forte. Como seguir a vida se o que sei sobre mim e o mundo é fruto da minha interpretação distorcida do que é a vida? E, se não sou melhor que ontem nem pior que amanhã, como seguir a vida sem pensar que o futuro guarda coisas melhores?

Talvez a resposta dessa pergunta seja apenas preservá-la ao invés de respondê-la, e abraçar a natureza lacunar da história, interior e exterior, do ser humano. Talvez a resposta dessa pergunta seja descartável, ou muito pessoal para ser respondida com certeza. Nos resta então abraçar o desconforto da dúvida.

Talvez o desconforto da dúvida não seja apenas inevitável — talvez ele seja também algo que nossa época tenta constantemente silenciar. A sociedade contemporânea tenta eliminar o negativo, o silêncio, o limite, a incertezam em nome da produtividade e da positividade constante.

Essa tentativa de eliminar a dúvida a qualquer custo empobrece a experiência humana, e o silêncio e a indeterminação são precisamente aquilo que mantém aberta a possibilidade de pensar e de existir de outras maneiras. Não melhores, e muitas vezes nem piores, mas diferentes.


메타데이터
post_id
0508640dbd43
slug
estudo-sobre-a-aula-de-terça-feira-0508640dbd43
url
https://medium.com/@biaafarah/estudo-sobre-a-aula-de-ter%C3%A7a-feira-0508640dbd43
canonical_url
https://medium.com/@biaafarah/estudo-sobre-a-aula-de-ter%C3%A7a-feira-0508640dbd43
author_url
https://medium.com/@biaafarah
status
ok
fetched_at
2026-07-12 01:44:19