O triste fim de menino ostra
O triste fim de menino ostra

Menino ostra, me comeu as palavras, a língua, a paciência, os nervos e a vontade. Me prendia os dedos quando eu ameaçava alcançar o que tinha de mais precioso.
Você não vai pra guerra, menino ostra. Que ironia! Você não vai pra guerra e não sustenta o que fecha em si e me leva nessa sua marola.
No filtro do tempo, a cena perdeu forma – ridícula. Você não vai pra guerra, menino ostra! Pensei, mas engoli as palavras. Encarcerei dentro de mim. A vida, absurda. Veio muito debochada: agora alguém vai!Você me fechou com isso dentro, menino ostra. Nas palavras eu me quebro e me refaço. Ciclos.
Cu de vida!
Bastou a tua marolinha, menino ostra. Rastro de maré, água fria. Levei caldo! Quase afoguei no mar de dentro. Tive medo. Fugi dos mergulhos subaquáticos que antes me eram tão naturais. Logo eu? Mulher-peixe-abissal, de luz própria – impura. Mas tão minha.
Você não me alcança.
E não vai pra guerra, menino ostra. Só vai embora. Só foge da vida.
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