Registros do fim de um tempo 2: a resistência aderindo ao sistema no audiovisual e nas “redes…
A gente que é da comunicação, do audiovisual e dos estudos de mídia fala que é importante continuar nas plataformas digitais — e não, não…

“Atores vão ser substituídos por IA? Medo toma conta de Hollwood” Fonte: https://olhardigital.com.br/
Registros do fim de um tempo 2: a resistência aderindo ao sistema no audiovisual e nas “redes sociais”
A gente que é da comunicação, do audiovisual e dos estudos de mídia fala que é importante continuar nas plataformas digitais — termo mais adequado que “redes sociais” — para ser resistência, para não entregar o jogo de mão beijada.
Sabemos que a maior parte do que é produzido em toda a internet há algum tempo já é produzido por robôs: a inteligência artificial vem atuando nem tão na surdina há anos. Mas agora ela é mainstream. Agora ela está se tornando o que foi a internet nos anos noventa — dizem os entendidos do assunto.
Neste processo, com um universo novo de possibilidades se descortinando rapidamente, tem de tudo que se possa imaginar. As maiores bizarrices que amontoados infinitos de dados podem articular criativamente. Já pouco nos espantamos com o que vemos, seja lá o que for.
Afinal, logo em seguida vai haver algo novo e tão bizarro quanto ou mais para mudar o foco da atenção. Atenção esta que já é tão fragmentada e diluída que não se apega por muito tempo a nada.
Folgo em dizer que a minha não, ainda amo longos parágrafos e jamais tive paciência para rolar feeds de vídeos. Tento navegar o quanto posso pelo TikTok, com muita dificuldade, apenas quando preciso em função do meu trabalho. Mas não suporto aquele excesso de informações visuais e sonoras, imagens que me causam vergonha alheia multiplicadas aos montes. Não, isso não é para mim, a minha atenção ainda é minha.
Contudo, é verdade que tenho o hábito de abrir o Instagram. Não todo dia, mas com certa frequência. O que me consola é ver que ali ainda encontro conteúdos estáticos e alguns vídeos relevantes.
Qual foi a minha decepção quando, numa dessas ocasiões rolando o feed, deparo-me com um dos perfis que mais admirava como resistência e conteúdo de valor, O Parcial, postando vídeos inteiros feitos com inteligência artificial.
Por que fiquei chocada?
Há algum tempo, ficava feliz vendo O Parcial produzindo vídeos com atores locais, incluindo uma amiga pessoal. Evolução tanto para o perfil quanto possibilidade de trabalho para os atores, num cenário que sempre foi difícil no Brasil e mais ainda no Espírito Santo.
Mas foi só a IA se tornar popular, de fácil acesso, que este perfil tão crítico substituiu atores e equipe de produção repetidas vezes, ignorando totalmente as problemáticas por trás disso.
Não estou nem começando a discorrer sobre as questões ambientais que envolvem o uso de IAs em qualquer produção, principalmente as que demandam maior poder de processamento.
Até porque, neste boom de inteligência artificial, quem não se empolgou testando possibilidades aleatórias até entender melhor que o cenário não é para brincandeiras?
Nao, estou apenas focando na substituição de mão de obra criativa sem a menor necessidade para isso. E não só não há necessidade como há muitas ressalvas artísticas, culturais e éticas neste uso.
Quantos atores, roteiristas, editores, produtores e toda uma gama de profissionais do audiovisual estão se perguntando o que será do seu futuro diante dessa transformação inevitável e nebulosa que a IA promove?
Isso sem falar nas demais áreas, porque já se sabe o quanto a IA vai afetar a as profissões de todos os tipos, sejam as braçais e técnicas, sejam as criativas e intelectuais.

Fonte: https://rollingstone.com.br/
É realmente o fim de um tempo a produção de conteúdo na internet ser feita, cada vez mais, por robôs; a distribuição destes conteúdos ser feita por robôs que conhecem até a nossa alma e adesão ao sistema de quem supostamente seria resistência.
Que a vida em comunidades volte a florescer — comunidades físicas: grupos. Encontros. Eventos. Em várias partes do mundo isso já ocorre. E não, o grupo de jovens da igreja não conta, porque as instituições religiosas estão cada vez mais inseridas neste “sistema”. É hora de assistirmos V de Vingança de novo e aprendermos a ser, de verdade, a resistência do nosso tempo.
메타데이터
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