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Neve e Sangue

Neste lado do mundo as estações são mandatórias. É inverno, então, tudo é neve. Principalmente ao norte, onde uma vez a Princesa das Quatro…

TH · 2025-01-02 18:09 · 10 claps · 3.7 min read
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Neve e Sangue

Arte feita por VrikoLaka. Vão lá agradecer por essa maravilha e inspiração!

Arte feita por VrikoLaka. Vão lá agradecer por essa maravilha e inspiração!

Neste lado do mundo as estações são mandatórias. É inverno, então, tudo é neve. Principalmente ao norte, onde uma vez a Princesa das Quatro Estações derramou na terra suas lágrimas frias.

Hoje, onde havia uma grande mata ladeada por um rio e muitos animais se alimentando da natureza, agora estão as pegadas na neve de dois viajantes.

O grande bugbear vestido de um sobretudo vermelho e armado com um grande bastão cravejado em aço, diz para ser ouvido pelo garoto de longos cabelos pretos e armadura leve de placas vermelhas, que segurava uma espada em mãos enquanto patinava pelo rio congelado.

– Obrigado pela ajuda, jovem Sashi! Mas tem certeza de que quer ir comigo? É uma viagem difícil e muito perigosa! Você não pode ser visto pelo Oyabun, a regra diz que se isso acontecer eu devo te matar e me matar em seguida!

– Deixa disso… Uma vez minha anciã disse que para que eu alcance meu pai eu devo seguir o caminho de minha espada. E já que é uma missão perigosa, que samurai eu seria se não lhe emprestasse minha espada? Não é, Tatsuya-sensei?

– Já disse pra não me chamar disso, moleque!

Agora caminhando pelo que antes era um monte verdejante, lar de bakemonos dos mais diversos tipos, os viajantes afundam seus pés na nave enquanto sobem em direção ao topo.

O chão estremece, e dele surgem criaturas gelatinosas azuis cobertas com carapaças espinhentas de gelo. Ambos se preparam para a luta.

– O senhor não disse que os bakemonos viviam por aqui? A gente não enfrentou esses bichos lá em Selentine?

– Os bakemonos devem ter se escondido nos túneis de baixo da terra pra se proteger do frio. Agora, esses glops surgem de todo canto, como resquício de mana no ar, transformados em gelo pelo frio daqui. Tome cuidado, eles…

As criaturas irrompem na direção dos viajantes. Selvagens e ligeiras, deixam uma nuvem de neve por onde passam.

Com um salto, o jovem samurai desvia de uma lufada de vento gelado, que congela o focinho do bugbear. A lâmina da katana transforma um deles em vários pedaços, e o estrondo do tetsubo colidindo com a carapaça de gelo transforma outros em flocos de neve pelo ar.

Não dá tempo do jovem pousar de seu salto em terra firme, outras criaturas surgem do chão e colidem com o garoto, derramando seu sangue na neve.

– Senhor Tatsuya, eles não param de vir!

– Deve ter mais alguém aqui, procure!

O bugbear berrou, chamou a atenção dos glops e girou seu bastão acima de sua cabeça, distribuindo pancadas na turba de inimigos.

Apesar da dor e do corte, Sashi se encheu de vontade, não podia ver seu amigo apanhando daquela maneira. Uma aura dourada cobriu seu corpo, sua pele brilhou enquanto um par de esferas azuis e galhadas espectrais surgiam da testa, alçou voo e ao longe avistou.

Um mago. E mais ao longe, um templo.

– Senhor Tatsuya, acho que tem um mago invocando essas criaturas! — o garoto gritou.

– Vá atrás dele! Eu cuido desses aqui! — envolto em seu próprio sangue, o guerreiro quebrava outro glop com suas pancadas.

Sashi disparou na direção do mago… Sangue e neve.

– Está bem, jovem Sashi?

Arfando, Tatsuya chegou até o jovem, bebendo uma poção e entregando outra ao amigo. Que estava de joelhos ao lado do corpo do mago, um tamuraniano tomado por carapaça de gelo, envolto em mantos azuis, camuflado na neve. E morto.

– É triste toda vez… Meu coração diz para não matar…

– Na guerra nos morremos ou matamos, não tem outra alternativa. Além do mais, sua espada diz que precisa encontrar seu pai, não é? Apenas um coração forte pode empunhar uma espada que revela um caminho! Vamos?

– Sim, Tatsuya-sensei!

– Já disse pra não me chamar disso, moleque!

Revigorados, subiram até o topo do monte de neve, chegando próximo ao templo. Os viajantes trocaram olhares e Sashi se distanciou, se movendo rapidamente para trás de uma árvore de gelo.

Tatsuya se aproximou do templo, mas antes de subir suas escadarias uma figura sutil saiu de dentro dele. Baixa estatura, chapéu de cesto na cabeça, todo em mantos pretos e longos contrastando com a neve, carregando flauta e descendo as escadas em silêncio, chegando à frente de Tatsuya, que se pôs de joelhos no chão.

– Oyabun! Quanta honra encontrá-lo, devo dizer que foi uma viagem longa e difícil, agora entendo porque ninguém nunca vem visitá-lo!

Silêncio envergonhante.

– Oyabun! Eu já cumpri todos meus contratos e já paguei todas as minhas dividas com todas as famílias de que é pai. Agora peço que me permita sair desse trabalho e seguir com minha própria vida.

– Tatsuya! Você não deveria estar aqui sozinho? — voz infantil, mas raivosa.

A voz trouxe um trovão e uma tempestade que logo virou neve. O corpo da criança ganhou os céus envolto em aura dourada. Os mantos caíram revelando escamas, o corpo se alongou, os braços e penas viraram patas, a cabeça criou focinho, uma galhada frondosa surgiu da testa e uma serpente dragão se revelou.

– Imperador Tekametsu? — o guerreiro se espantou em medo, estava diante do Imperador Dragão de Tamu-ra.

Ao longe, enquanto via e ouvia como cochichos, Sashi ignorou a indagação de Tatsuya. Se encheu de alegria e dúvida. E com coragem, sua aura dourada e galhadas espectrais, voou na direção do encontro.

– PAPAI?!


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