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Nem calor, nem frio. Zero graus pra mim tá perfeito

Imagine ser Ângela Bismarchi, uma das mais perfeitas traduções da genial profissão “personalidade da mídia”. Ninguém sabe exatamente o que…

Pedro Figueiredo · 2025-06-11 18:00 · 0 claps · 3.2 min read
#pensamientos #apatia
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Nem calor, nem frio. Zero graus pra mim tá perfeito

Ângela Bismarchi poderia tuitar, mas preferiu fazer história (Imagem: Reprodução/Twitter)

Ângela Bismarchi poderia tuitar, mas preferiu fazer história (Imagem: Reprodução/Twitter)

Imagine ser Ângela Bismarchi, uma das mais perfeitas traduções da genial profissão “personalidade da mídia”. Ninguém sabe exatamente o que faz, do que vive, mas de que importa? O que sabemos é que sempre que ela aparece, nos presenteia com filosofias das mais impressionantes.

Imagine agora que nos idos de março de 2013, a mesma pessoa que regravou o clássico “Clima de Rodeio”, do Dallas Company, abriu o site mais disruptivo de toda internet e declarou: “Não gosto muito de calor e nem de frio. 0º pra mim tá perfeito.”

[embed]A versão icônica de uma das mais lendárias canções do countru nacional

Vejam bem, o que para alguns pode não passar de uma falácia meteorológica, para aqueles que conseguem ler as entrelinhas, se traduz em uma das mais geniais pensatas sobre um dos sentimentos mais difíceis de lidar — com o qual tenho lutado há algum tempo: a apatia.

Pois muito que bem, como já falei em outro texto (eu acho, não me lembro muito bem sobre o que já escrevi aqui), eu não sabia como era importante para mim carregar um crachá. E desde que se iniciou meu período sabático (leia-se desemprego), simplesmente não tenho conseguido encontrar uma plenitude ou me manter alegre por muito tempo.

Não produzir nada e ser um bon vivant que frequenta eventos recheados de pessoas interessantes, enquanto pode ir para a academia em horários confortáveis era o meu sonho, ou pelo menos era o que eu pensava. Vivendo isso, concluo que sim, amo estar em eventos incríveis, mas amo muito mais quando isso vem seguido por um dia útil afetado pela minha irresponsabilidade da noite anterior.

Sei que não estava no momento mais feliz da minha carreira, mas agora sinto que estou estagnado, parado no tempo e no espaço e o pior disso tudo é não poder fazer nada para resolver a minha situação. Aliás, tenho feito tudo que está ao meu alcance: me candidato à vagas, participo de processos, converso com amigos e contatos que podem me ajudar. Mas o tempo — que eu sei, resolve tudo — também é um obstáculo quando não trabalha na velocidade que gostaríamos.

Por que não podemos simplesmente trabalhar onde queremos? Escolher a empresa que nos interessa e apenas trabalhar lá. Seria lindo. A realidade, na verdade se mostra menos amigável, uma competição esquisita e o sucateamento de uma área que parece estar saturada desde que a pedra foi substituída pelo papiro.

O efeito disso é um constante estado de apatia. Não há emoções, paixões que emocionem, ou hobbies que entretenham. Existe um eterno estado de nem frio, nem calor. A vida em zero graus.

Existem, sim, os momentos em que eu me sinto animado, ou aqueles em que sou tomado por uma tristeza. E acho que a vida é meio isso para todo mundo, mas a sensação de não sentir nada é novidade para mim. E a sensação de não sentir nada por tanto tempo, não só é nova, como também um pouco estranha.

Tenho tentado me reinventar, lutar contra isso de alguma forma. Sou um homem de paixões, então é com elas que tenho tentado me salvar. Voltei a treinar, tenho tentado superar minha questão com as câmeras para gravar um roteiro que me espera já há alguns dias.

Como uma medida mais drástica, tenho considerado a ideia de ir atrás do meu amor de carnaval. Quem me conhece, sabe, sou como Adri Oficial:

[embed]A sabedoria dessa mulher

Nada disso, no entanto, tem se mostrado muito eficaz até o momento.

E como dizem os sábios “cabeça vazia, oficina do diabo.” Pois muito que bem, com tempo de sobra sentimentos como ansiedade tem sido companhia constante.

Nesses momentos em que me sinto a única pessoa da face da terra cuja vida não anda para frente ou para trás, senti que era o momento do meu rebranding periódico — ferramenta a qual recorro sempre que uma desilusão amorosa acontece.

Desmarquei todos os meus compromissos da semana, saí somente para a ir à academia (confesso que mais para não perder posição no GymRats do que por disposição) e tenho pensado em substituir qualquer peça colorida do meu guarda-roupa por algo preto.

Isso resolve algum dos meus problemas atuais? Certamente não, mas acredito piamente que a estética é um dos meus pontos fortes e se for para sofrer, que eu esteja belo.

Obs: Enquanto escrevia os parágrafos iniciais desse texto, tive a curiosidade de fazer uma breve pesquisa sobre Ângela Bismarchi, hoje, uma doutora — como escreve em seu perfil no Instagram. Com um perfil profissional que usa a classificação de “artista”, a ex-modelo e ex-atriz brasileira (aqui uso a descrição do Google), faz um breve resumo da carreira profissional e acadêmica: “Doutoranda em Ministério, Bacharel em Teologia, Bacharel Design de Moda e Psicanalista.”


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