O mundo nas categorias de base do futebol no Brasil
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O mundo nas categorias de base do futebol no Brasil
Por Cauã Romano, Rhaony Reis e Viktor Cury, alunos do JOS1E

(Foto de Victor Moriyama/Getty Images)
Ofutebol no Brasil é indiscutivelmente o esporte mais praticado por crianças e jovens, que em sua maioria almejam ou já sonharam tornarem-se atletas profissionais. Com isso, este meio acaba se tornando algo muito disputado em suas categorias de base, fazendo com que muitos desistam de se tornar jogadores profissionais ou busquem atuar em profissões distantes do meio esportivo.
A vida de um jogador de futebol aparenta ter uma trajetória simples e fácil para quem observa de fora dos gramados, porém pouco se fala das dificuldades enfrentadas pelos atletas durante toda sua estrada nas categorias de base até se tornar um profissional no esporte. Muitos acabam ficando longe de suas respectivas famílias e amigos para seguir seu sonho, sendo a maior parte moradores de centros de treinamentos em seus clubes, muitas vezes localizados em outros estados ou até fora do território brasileiro.
Para nos aprofundar neste assunto e sabermos o que realmente passa um atleta em desenvolvimento profissional, fomos até o centro de treinamento do Sfera Futebol Clube, localizado em Jarinu, São Paulo, para entrevistarmos o atleta João Rafael Leonel, que atua na categoria sub-20 daquele clube.
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O meio-campista também nos contou um pouco sobre as dificuldades enfrentadas até chegar ao patamar em que está hoje, relembrando o início de sua trajetória, em que sua mãe não concordava com sua escolha de levar o futebol com seriedade desde pequeno, enquanto seu pai, como um grande fã do esporte, sempre o apoiou no seu sonho:
“Tudo começou quando eu tinha 3 anos, na escolinha do São Paulo em Cotia, com um empurrãozinho do meu pai, que foi me incentivando ao longo dos anos. Já minha mãe era um pouco contra, querendo que eu focasse nos estudos. Porém, após ir me assistir em um treino, conversou bastante com meu pai e com meu treinador e tomou a decisão de me apoiar fortemente na minha caminhada”.
Com o costume de jogar futebol, os atletas de base começam a levar o esporte como um meio de trabalho e não mais como apenas um passatempo. Treinos todos os dias da semana, dois jogos semanalmente, abrir mão de compromissos familiares ou com amigos são alguns dos fatores e consequências de querer seguir carreira em alta performance. Porém, a expectativa segue grande para se tornar o que tanto almeja.
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Sabe-se que os jogadores desejam chegar ao profissional e concluir seu maior sonho, como disse Rafinha, mas, além disso, todos têm mais de um objetivo para realizar. Antes de pisar nos gramados profissionalmente como um atleta, sonhos são realizados nas categorias de base, como ganhar títulos expressivos, marcar gols, jogar em lugares que nunca imaginou, além de fazer amizades para toda a vida.
João Rafael comentou um pouco sobre sonhos que já realizou e momentos marcantes em sua trajetória até aqui.
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A vida de um técnico na base
Nos dias atuais, trabalhar no mundo do futebol é muito complicado e concorrido pelo fato da baixa demanda de serviço e um número muito alto de pessoas com interesse nesse ramo. As pessoas acham que a única maneira de ingressar no meio do esporte é se tornando jogador, pois é a função com mais visibilidade. No entanto, há profissões fora das quatro linhas que vão além do “jogar com os pés”. Para esses, as dificuldades também são grandes, levando em conta que para poderem exercer suas funções é necessária uma certa formação. Esse fator, junto ao baixo reconhecimento do trabalho, gera estes empecilhos. O técnico da categoria sub-15 do Grêmio Osasco Audax, Kaicke Garcia, enfatiza as difíceis fases que um treinador enfrenta até chegar a um cargo com maior visibilidade, tendo que começar por baixo, em cargos inferiores, até chegar à função em que ele está hoje.
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Nos dias atuais, o salário médio de um treinador de base no Brasil, segundo o site de vagas e recrutamentos Glass Door, é de R$ 2.356,00 por mês. Este valor é muito inferior àqueles que são remunerados no âmbito profissional. Por conta desses fatores, poucas pessoas têm tido interesse nesse tipo de trabalho. Devido a isso, vemos poucos nomes na nova safra de treinadores brasileiros, fazendo com que muitos clubes do futebol nacional optem por treinadores estrangeiros e com mais “bagagem”.
A importância do emocional para os atletas
(Ilustração de Dilza Santos/Perfil Psicologia e Bem-Estar)
Não é segredo para ninguém que a estabilidade mental é de suma importância para que o bem-estar se converta em atuações de sucesso dentro de campo. Nos dias de hoje, muitas pessoas acabam deixando o meio do esporte pela falta de apoio psicológico e perdem um grande futuro pela frente. Devido a isso, é nítida a necessidade deste auxílio dentro de todos os clubes e instituições esportivas, em que este nem sempre vem de um profissional graduado na área da psicologia, podendo também vir de outros profissionais do clube.
Na entrevista, o treinador Kaicke retratou sobre a relevância do trabalho psicológico nos clubes de futebol, principalmente nas categorias de base, por se tratar de uma área que necessita de mais cuidado, devido ao fato de que os atletas ainda estão em processo de formação como jogadores e principalmente como seres humanos.
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Não é apenas a passagem por psicólogos que faz a diferença, mas, em conjunto a isso, o tratamento dos treinadores com seus atletas tem grande valor.
Os jogadores de hoje em dia, em sua grande maioria, sobem da base preparados psicologicamente para lidarem com problemas no meio profissional que podem acarretar em más atuações. Assim como a fama e a ascensão precoce também podem deslumbrar rapidamente a mente do atleta. No jogo entre Palmeiras e Vasco, pelo primeiro turno do Brasileirão Série A de 2024, alguns torcedores de ambos os times comentaram sobre este assunto e mostraram a visão que têm de fora dos gramados.
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A relevância dos times de base

Time de base do Palmeiras levantando a taça de 2022 — Foto www.palmeiras.com.br
Os jogadores das categorias de base são o futuro do clube, mas não recebem a visibilidade necessária, devido à falta de transmissão das partidas em TV aberta. Os times têm grande culpa nisso, pelo fato da falta de divulgação de jogos, campeonatos e títulos. A maioria dos torcedores só consome as partidas de base durante o evento anual mais esperado pelos atletas, a Copa São Paulo de Futebol Júnior, também chamada de Copinha. Este torneio ocorre durante o mês de janeiro no estado de São Paulo, dando ênfase ao fato que os torcedores acompanham o campeonato pela falta de jogos do profissional, levando em conta que estes se encontram em pré-temporada.
Perguntamos aos torcedores palmeirenses e vascaínos sobre a visão deles sobre este assunto.
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Como esperado, a maioria não acompanha o futebol de base e acredita que este não tem a relevância que merece. Segundo eles, a culpa vem mais dos clubes e da mídia do que pelo interesse da torcida. Uma prova disso é a comparação do público presente nas finas da Copinha entre Corinthians e Cruzeiro e do Campeonato Paulista sub-20 (maior torneio estadual de base do país) entre São Paulo e Palmeiras. Estiveram no estádio 43 mil torcedores na Neo Química Arena para a final da Copa São Paulo, enquanto na final do Paulista apenas amigos, família e alguns torcedores prestigiaram a decisão.
메타데이터
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