Por vezes falta só uma caneta
queria escrever um poema cheio de suas rimas raras métrica estritamente cuidada tempo e imagens impensadas uma novidade na arte
Por vezes falta só uma caneta
queria escrever um poema cheio de suas rimas raras métrica estritamente cuidada tempo e imagens impensadas uma novidade na arte
mas não sabia rimar nem com livro de rima nem com anotação nem copiando letra de alguma canção
na métrica era todo indecente variava como um doente errava duas ou três vezes e desistia daquele batente de corrigir uma frase por meses
quanto ao tempo nem se fala ia do passado pro futuro e do futuro pro início só saindo um desperdício de frase em frase sem sentido
ora dum luar desinibido uma porta que desemboca referências ao paganismo e temas como suicídio, amor, tristeza e (no desespero) poesia
sem muita novidade perdia qualquer estilo de sua escrita e o que fazia parecia paráfrase medíocre do que já lia enfim, a maior de suas patifarias
optou então por um caminho um caminho fácil — prometeram! comprar uma caneta diferenciada uma caneta de escrita automática!
disso, é óbvio só sairia algo: um novo poema automático entre os montes de poemas no canto todos amontoados
foi então para um concurso inscreveu seu poeminha com receio de se descoberto perder a carteirinha de poeta
a disputa era longa e feroz muitos inscritos variados estilos já impensáveis agora, é claro, pensados
a banca foi intransigente selecionou com afinco como uma jovem dama que na rua perdeu o brinco
plágios foram rapidamente constatados IAs foram seguramente encontradas e ao fim proveio um grande vencedor nosso herói: e sua caneta automática
메타데이터
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