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rankeando todos* os mangás traduzidos da shonen magazine atual

não vou me explicar.

luki · 2026-05-02 02:36 · 0 claps · 25.1 min read
#manga #shonen
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rankeando todos* os mangás traduzidos da shonen magazine atual

não vou me explicar.

regras:

  1. eu li pelo menos dois volumes (ou tudo que foi traduzido) de cada mangá. em alguns casos mais, mas pelo menos dois. é pouco? é. se o mangá deu uma reviravolta e virou uma obra prima depois do volume dois desculpa, mas essa ideia já é idiota o suficiente sem eu introduzir esse limite.
  2. mangás que eu já tinha lido e parado eu estou analisando de memória, a não ser que eu tenha tido disposição de reler
  3. se eu estou nos atuais estou julgando o mangá inteiro, obviamente.
  4. ahiru no sora tá em hiato faz muito tempo, não conta.
  5. no meu mundo o mangá four knights of the apocalypse não existe.

então, sem mais delongas…. do último até o primeiro…

-. Suruga Meteor

não tem scan :(. e é um dos que eu mais queria ler.

21. Yumene Connect

(capítulos lidos: 17)

Uma coisa que esse projeto me fez lidar foi uma porcentagem muito grande de mangás ecchi ruins. Consequentemente — não sei se isso é uma coisa boa ou não — , é possível notar que existe uma diferença de qualidade dentro desse subgênero trashy e de como cada mangá escreve e desenha essas cenas. E Yumene Connect foi… o pior deles.

Ele é um que tem um pouquinho mais de setup em relação a seu plot que outros, com uma história sci-fi alienigena meio Doraemon de que a menina principal vem pra terra e tem ítens pra ajudar o protagonista. Mas a premissa é tão mal explicada, a relação e motivações tão confusas, que é notável desde o capítulo um que o mangaka queria só pular pro setup completo, e fazer logo o motivo de estarmos aqui: as cenas de fanservice.

Cenas de fanservice essas que constantemente vem de situações extremamente mal-pensadas e, tediosas mesmo. Eu não vou julgar o quão ofensivas elas são, acho que você consegue deduzir isso por conta própria, mas elas são ruins, no sentido que atrapalham a comédia, o drama, e os personagens. Eu tenho uma tolerância maior que outras pessoas pra esse tipo de coisa, e mesmo assim, não deu.

De forma geral o mangá não convence no arco de personagem do seu protagonista, as várias personagens femininas que existem pro fanservice fizeram muito pouco pra se diferenciar e chamar a atenção na história, e o único plot maior desses dois volumes foi executado de forma muito lenta e cheia de empecilhos desinteressantes. Todo o contexto narrativo é muito fraco e vago. Você tem como fazer mangás ecchi de maneira melhor que essa!

20. Yowayowa-sensei

(capítulos lidos: 30)

Tem mangás ruins que você nota uma certa incompetência, mangás que no processo de leitura você pensa “ok, eu consigo imaginar uma versão melhor dessa história”. Ou que de forma geral você consegue entender o que está agradando alguém que não é você…

Mas as vezes tem umas histórias que você olha e pensa “eu não sei nem o que era pra ser gostável”, e esse é o caso de Yowayowa. Eu sei lá o que tem aqui. Mentira, eu sei, é o fanservice. E o apelo geral da premissa de “essa pessoa (muitas vezes uma professora, como é aqui) que tem uma aparência ou projeção externa séria, intimidadora, na verdade é incompetente, desastrada, fofinha, etc" existe. É uma parte de outras romcoms e aqui é a história inteira. Mas é tudo tão fraco e repetitivo… até pra quem quer a parte horny eu só fico pensando, não é possível que não tenha coisa melhor, né? Algo que seja mais constantemente criativo que um close nos peitos da menina ou algum acidente pra colocar o protagonista próximo a eles que já estava batido em 1990. Pelo menos o mangá anterior, apesar de me irritar mais, ia mais longe no absurdo. Ou sinceramente, até ter uma arte que é pelo menos um pouquinho mais interessante de olhar já ajudaria… se for pra eu elogiar alguma coisa, é que no mínimo essa série é extremamente cara de pau as vezes com seus cenários. Tem uma vibe de “tá todo mundo aqui pra isso então vamos mostrar” e não tem nem um pouco de vergonha do que tá fazendo. Tem certas horas que até os personagens parecem que já aceitaram as regras daquele universo.

Sobre o plot, bem, ele existe… é essa uma história sobre essa professora melhorando em sua relação com a sua classe e o protagonista ajudando ela a vencer sua ansiedade social, mas… Bom, vou dizer que a primeira história um pouquinho maior é sobre uma criança que é convencida a voltar pra escola pela oportunidade de apertar os peitos da professora. Eu não tenho muito mais a dizer.

19. Kanan-sama wa Akumade Choroi

(capítulos lidos: 29)

Esse é outro mangá que só me soa extremamente vazio. É mais uma história de romance com entidade sobrenatural (uma demônio) que começa com, basicamente, a menina demônio querendo comer a alma do cara mas desistindo porque ele entendeu errado, deu em cima dela com muito ímpeto e ela é fraca pra essas coisas. E não passa muito disso… eu pessoalmente não costumo ter muita paciência pra esse tipo de gimmick que é só quebrar a expectativa de uma figura “poderosa” e mostrar ela como essa menina fraca atabalhoada que fica awkward fácil etc etc, e eu não acho que Kanan trouxe absolutamente nada de novo pra você se engajar. Aparecem outros personagens, uma menina succubus que tem talvez a única cena que eu gostei do mangá (a protagonista pergunta se qualquer pessoa serve, ela fala que não, mas descreve qualidades em todo tipo de pessoa não convencionalmente atraente que é usada como contra-exemplo), uma menina anjo que quer impedir a relação… o mangá tem 170 capítulos, então mais ideias vão vir. Mas até agora a história é essa, tem essa menina tentando fingir que não gosta do cara e que ainda quer fazer as coisas de demônio dela, com todo esse gap expectativa x realidade em relação a personalidade, tem esse cara que é muito assertivo e acaba deixando ela envergonhado, as vezes tem algumas cenas bonitinhas e quase nunca é algo interessante de ler. Mas bem, esses mangás são muito baseados na força da gimmick, as vezes ela rende piadas divertidas pra alguém e vai saber. Eu tenho mangás bobos que eu gosto, esse só não é um deles.

18. Kakkou no Iinazuke

(capítulos lidos: 84)

Um dos mangás mais idiotas que eu já li, e a competição é pesada em sua própria revista. Eu até comecei gostando e estando de acordo com sua própria idiotice - acho que romcom as vezes você tem que ir na onda de uma premissa absurda e se rolar você se diverte. Existiam algumas dinâmicas divertidas, eu de fato gostava bastante da Hiro enquanto personagem… Mas é um mangá que vai ficando cada vez mais incoerente em sua narrativa de um jeito que beira o surrealismo. As ações dos personagens não fazem sentido algum, dramas são introduzidos e resolvidos como se eles nunca tivessem acontecido (teve uma sequência de capítulos próximo de quando eu dropei que eu juro, até hoje eu não sei se eu pulei alguma coisa ou não. Era do tipo, parecia que o protagonista tinha esquecido o clímax do capítulo anterior.). Eu acho que em algum momento existiu um valor de ver um trem descarrilhando ao ler, mas eu não consegui. Pra ser justo, é um dos que eu deveria reler, mas ao mesmo tempo eu gostava ok dos três primeiros volumes, então eles não iam representar meu desgosto do que essa história se torna.

17. Umine the Island Inn

(capítulos lidos: 15)

Eu acho que o Seo Kouji está escrevendo esse mangá de sacanagem. E vou dizer, eu respeito o shitposting, mas isso não quer dizer que vai render um mangá que eu vou gostar de ler. A história passa talvez metade do tempo comentando sobre sua existência enquanto uma comédia romântica ruim, o protagonista aponta tropes, oportunidades para fanservice esdrúxulo (que são, obviamente, executadas), mas ele não deixa de fazer nenhuma dessas coisas, a estupidez é apontada ao mesmo tempo que a cartilha é seguida perfeitamente. Tem um subplot que é o autor lendo um mangá do autor favorito dele e ficando puto de como é ruim, então eu sei lá. Eu acho que em parte ele sabe que o que o tá fazendo é besta.

Um detalhe apreciável é que ele alopra um pouco com a história então parte dos clichês que ele usa vem de uma backstory battle shonen (o protagonista é super forte porque treinou nas montanhas com um mestre misterioso de um estilo marcial único, tem uma personagem introduzida que é de uma família ninja e tem a missão de assassinar o protagonista, etc…). O próprio gancho narrativo é mais interessante que a média: uma caça ao tesouro perdido do avô de uma das meninas que está escondido na ilha onde se passa a história.

Narrativamente, ele segue essa estrutura padrão de começar com um capítulo focando em cada garota do harém, mas é tudo estruturalmente tão mal feito, quebrando o ritmo da premissa principal e não adicionando muito. Até o momento eu não consigo dizer quase nada sobre nenhuma das personagens que não a principal e a tal ninja. Cada capítulo tem um plot vazio, onde as já mencionadas tropes de rom-com aparecem, são comentadas mas feitas mesmo assim, e nada de relevante ou interessante acontece, as tentativas de caracterização e desenvolvimento de personagem aparecem mas são mal feitas… Tem como ser pior que isso, porque tem histórias que tem menos senso do que estão fazendo e as vezes essa auto ciência rende momentos engraçados ou bem bolados. Mas não tem como ser muito pior.

16. Kurotsuki no Yaergnatch

(capítulos lidos: 12)

Como eu julgo um mangá que tem ambições (bem ligeiramente) maiores em comparação aos nadas que vieram antes? Yaergnatch é mais um mangá que tem na constância cenas fanservice de revirar os olhos o seu principal apelo, mas… ele também está tentando contar uma história um pouquinho maior.

Não só no fato de que é um mangá de Ação com Plot, até porque essa parte ainda está indo por caminhos bem genéricos (o plot até agora é que tem esse grupo de garotas-divindades-blabla, uma delas que se aliou ao protagonista e vão vir uma por uma pra derrotar essa traidora), mas o lore e a caracterização tem um pouco mais de complexidade. Ou melhor, tenta. A relação dessas figuras divindades com o mundo e os questionamentos sobre humanidade é uma parte da história, assim como tem capítulos dedicados a momentos dramáticos da relação principal. O próprio protagonista tem um passado de dificuldades que informa os interesses e pensamentos dele, de uma forma não dissimilar ao Denji de Chainsawman (inclusive na hornyness). A relação desse grupo de meninas também foi construída de uma forma que existe potencial narrativo…

Mas isso é estar avaliando pelo mínimo do mínimo. É, tipo, essas coisas existem na história, mas que a maior parte do tempo o que a gente tem são cenas de ações genéricas, fanservice forçado, uma progressão de plot feita por decisões idiotas ; até os momentos dramáticos que eu mencionei várias vezes são formados por discursos extremamente básicos, as personagens femininas vão ser muitas vezes limitadas pelo apelo escapista fanservice de uma maneira que decisões de plot insanas são feitas para manter ou progredir esse aspecto. Existe uma chance que o mangá se focando na história maior que o mundo dele comporta faça algo bom? Existe. Mas duvido que eu esteja lá pra descobrir.

15. Kuroiwa Medaka ni Watashi no Kawaii ga Tsūjinai

(capítulos lidos: 88)

Ao contrário de outras romcoms mal posicionadas nessa lista, não tem tanto de abertamente errado com Medaka. Por um tempo foi um mangá até legal. A arte é bem bonita e agradável aos olhos, uma quadrinização bem legível e uma premissa que rendia uma dinâmica eficaz entre os dois protagonistas. O problema é em duas partes. Esse é o tipo de história que acaba dependendo de mais ou menos uma interação pra tirar humor e conflitos e muitas vezes essa premissa inicial não rende um mangá de tão longa duração assim. A outra parte é que conforme o mangá vai tentando desenvolver isso pra algo mais sério ou tentando criar novos cenário… Só vieram ideias ruins. O mangá seguiu um caminho clássico de introduzir novos interesses amorosos, normal, estou acostumado. Mas esse mangá tem algumas das piores motivações pra uma pessoa começar a gostar da outra que eu já vi, num nível que piora todos os personagens envolvidos. E essa disputa romântica em vez das interações gimmick do começo é só… tão pior escrita, os personagens não tinham muito ali pra segurar interações mais complicadas. Soma isso a um começo que em retrospecto não era lá grande coisa e acho que se torna um dos mangás mais descartáveis dessa revista, o que as vezes é pior que algo com defeitos mais claros.

14. Kanojo, Okarishimasu

(capítulos lidos: estou nos atuais)

Por um bom tempo, eu fui meio que um pseudo-defensor de Kanokari entre meu grupo de amigos. Até hoje eu ainda acho que a série tem alguns méritos que são descartados pelos memes e algumas das críticas são bem idiotas. O começo do mangá, longe de ser exemplar, me divertiu por vários momentos. O autor era bom em criar situações caóticas e testar os personagens e a situação esdrúxula do namoro falso, com personagens que apreciam pra criar barraco e complicar a cena (Mami) e deixavam a leitura instigante. Em meio a isso, havia um desenvolvimento decente na relação entre os dois protagonistas e algum senso de naturalidade no cotidiano dos personagens, existem cenas bastante bem feitas deles se abrindo um pro outro.Além disso eu acho que o Miyajima tinha, e tem até hoje, um belo domínio de quadrinização e construção de cena. Alguns dos capítulos que “não acontece nada” tem uma atmosfera bem feita e são bastante capazes de transmitir o sentimento dos personagens pelo visual.

Isso culmina em um arco realmente bom da produção do filme, com um final tocante. Lá eu estava no meu ápice de passar pano, até o Kazuya foi decente.

O problema é que fazem duzentos e cinquenta capítulos desde que esse arco terminou. E eu tenho certeza que a história avançou, tipo, o dobro nesses primeiros 150 do que em todo o resto. Todas as qualidades foram se perdendo, todos os defeitos foram se exacerbando, as idiotices inerentes a narrativa não vinham mais com uma situação bullshit divertida, era só irritante. A história andou em círculos múltiplas vezes e eu não sei quanto mais eu aguento que a única técnica de dramatização visual do Miyajima agora aparentemente é um close do rosto da Mizuhara numa página inteira fazendo uma expressão misteriosa e falando “…”.

Ainda defendo que existem coisas piores e/ou menos interessantes nessa revista, mas. Tá foda.

13. Blue Lock

(capítulos lidos: 148)

Eu acho que eu nunca li um mangá de esporte que desrespeita mais o esporte que ele retrata. Isso não é uma crítica (ou um elogio), é só um simples elemento da narrativa. Por um bom tempo eu achei isso particularmente engraçado, mas vocês podem considerar um viés em relação a meu gosto, já que futebol é algo que eu estou bem investido.

Se for pra eu transformar isso em um problema, eu acho que o absurdismo de como eram as partidas e o formato funcionava melhor no começo inspirado em death games, com cenários mais específicos ao sistema do Blue Lock, e fica bem menos interessante quando eles começam a jogar partidas 11 x 11 de verdade.

No geral eu acho que o problema é, como um todo, que ele tem uma gimmick muito chamativa em sua premissa, em seus personagens e o tom edgy e combativo de todos eles, mas que a partir de um ponto não conseguiu carregar mais a narrativa pra mim. Esse tom forçado acaba sendo… só forçado, mesmo, a escrita apelando pra esses one-liners e momentos de conflito a flor da pele uma hora cansa, porque eu não senti que tinha muito mais ali além disso. Eu poderia dizer que ficou mais idiota com o tempo, mas eu acho que não, é só que a mágica foi quebrada e eu comecei a não me divertir com esse estilo. Eu me diverti bastante por um bom tempo, mas já tive o suficiente.

12. Ura Tokyo Exorcist City

(capítulos lidos: estou nos atuais)

Esse é um battle shounen de exorcista bem genérico que acabou de começar, mas dentro do escopo de possibilidades do gênero, é até que simpático. Está seguindo batidas clássicas do tipo de história sem muitas ideias novas (protagonista “sem poder” mas com uma habilidade secreta e um mistério envolvendo ela, escola de magia com critérios estranhos, um sistema de poder de manipulação de energia, rankings de demônios, etc), mas que tem sido competente o bastante em apresentar o seu universo. Gosto da arte, especialmente da estética da cidade onde a história se passa, cheia de detalhes e movimento que passa bem a atmosfera de uma cidade misteriosa e diferente que é nova pros personagens.

Acho que os principais problemas vem, além de certas estruturas e jeitos de apresentar personagens bem batidos, uma falta de senso de ritmo na hora de introduzir conceitos ou caracterizações, certas cenas são muito expositivas ou param a história pra contar algo logo antes de ser importante… mas de forma geral conseguiu dar uma dinâmica decente entre os personagens e pelo menos a sensação que existe um mundo esperando pra ser desenvolvido. É mediano pra ok num gênero que é muito comum ser ruim.

11. Shangri-la Frontier

(capítulos lidos: 15)

É um mangá um pouco difícil de julgar pra mim, porque eu acho que ele não tá fazendo nada de muito errado. Eu consigo entender inclusive a maior popularidade em comparação a seus pares dentro desse mundo de webnovel/mmo, etc.

O mangá tem uma vibe aventuresca boa, um tom despretensioso e uma premissa mais única. Eu acho inclusive que a arte ajuda a transmitir essa vibe, com um estilo que se aproxima mais de um battle shounen clássico que “adaptação de light novel”. Tem um apelo bom em ver esse protagonista só jogando um jogo e vendo os vários cenários que podem ser apresentados, e sem os exageros ou tropes irritantes de alguns isekais modernos. É um mangá que (ao menos, até one eu sei) declarou sua intenção logo de cara e a está cumprindo. E o mundo do MMO que o protagonista joga é até interessante!

Mas… por mais que seja uma leitura divertida o suficiente, ele me cansou rápido na primeira vez e me cansou rápido na segunda vez. Eu não sei bem o que ele poderia fazer pra me chamar a atenção — eu definitivamente não quero que se torne um mangá mais sério e hiperdramático, o apelo está na desimportância inerente a premissa que ver um cara jogando um jogo. Mas ao mesmo tempo, faltou algo pra mim. Acho que parte disso é que o Sunraku não me é um personagem interessante o suficiente e é uma história carregada pelo ponto de vista dele. E o jogo, por mais que legal, também não tem um universo tão cativante assim… Infelizmente é o tipo de história, que pra mim, não consegue carregar os mais de 250 capítulos que ela possui (até o momento)

(estou ciente de um pseudo-spoiler que provavelmente aumentaria meu interesse na história, mas não quero chegar até lá)

10. Sentai Daishikkaku

(capítulos lidos: 30)

Esse é um mangá que eu respeito e gostei bastante por um tempo. Tem uma premissa única nesse comentário/subversão de super sentai que é usada pra contar essa história dramática cheia de twists e complicações. Tem uma ambição aqui, uma narrativa sobre essas várias facções e um mundo cheio de mistérios, vários conflitos, várias peças se mexendo. O autor definitivamente pegou algo com um escopo bem grande pra trabalhar. E, bem ou mal, eu sempre aprecio autores saindo da zona de conforto, então ver que após ter feito a romcom mais popular da década passada o autor decidiu ir pra uma narrativa tão diferente e mais complica me dá vontade de torcer por ele.

E eu acho que muitas vezes funcionou. Tem twists, complicações, momentos que você fica “wow onde essa história tá indo”, e talvez eu vá dar uma chance posteriormente, mas é também uma história que o autor possa ter abocanhado mais do que deveria. Alguns arcos são… desnecessariamente complicados, especialmente em alguns momentos de mais ação. Se torna uma história cansativa. Tem uma linha tênue entre essa confusão em relação ao que o mangá tá fazendo ser positiva e empolgante ou negativa e desanimadora, uma narrativa que te tira e te desengaja dos eventos. Em alguns momentos eu acho que uma maior clareza se fazia necessária, ou no mínimo que a confusão não era uma decisão estética e temática intencional. Mas eu ainda acho que existe um enredo com potencial aqui, e talvez um dia, quando o mangá terminar? eu dê uma nova chance. Vamos ver.

9. Seitokai ni mo Ana wa Aru!

(capítulos lídos: 27)

Anos atrás, existiu esse mangá na Shonen Magazine chamado Seitokai Yakuindomo, um yonkoma que durou uns 600 capítulos e ganhou duas temporadas de anime que era um mangá gag sobre os membros de um conselho estudantil cujo humor se focava em piadas sujas e diálogos de duplo sentido. E que fique claro: eu gosto muito de Seitokai Yakuindomo.

E esse mangá tem a exata mesma premissa, é quase um sucessor espiritual. Tem esse cara que tem que ir trabalhar pro conselho estudantil da escola por razões acadêmicas, ele chega lá e é um caos e os outros membros são cada um estranhos a sua própria maneira. Disso serão tiradas toda sorte de piadas pra completar um capítulo.

A diferença principal é que Seitokai Yakuindomo era… não sutil, mas usava mais do diálogo e de duplo sentidos visuais, aqui as piadas sujas acabam chegando no caminho do ecchi e do fanservice as vezes. Mas, ao contrário de outros exemplos, pelo menos aqui existem piadas, uma motivação em criar as cenas do jeito que são.

E no geral é um mangá que tem piadas legais! Tem uma arte agradável, os capítulos tem um ritmo bom, conseguindo executar as piadas do yonkoma ao mesmo tempo que contam a narrativa continua daquela edição. De forma geral o senso de humor do mangá acerta comigo e é agradável ver os personagens interagindo e situações estúpidas acontecendo. Tem uma energia caótica e a vibe de um grupo de amigos sacaneando um ao outro e lidando com a bizarrice alheia que eu gosto. Claro, de maneira inevitável pelo tema e conceito, tem momentos que o mangá me faz revirar o olho e pensar “eu preferia não ter lido isso”, mas na maior parte do tempo é uma comédia que está fazendo o suficiente.

8. Kaijin Fugeki

(capítulos lidos: 26)

Eu acho que você não lê Kaijin Fugeki, e mangás do Oh Great no geral, procurando uma história coerente, facil de entender, um plot engajante, etc. Quando eu falo isso, no entanto, não estou dizendo que é um mangá que você lê só pela arte.

Claro, a arte, toda a apresentação no geral, é obviamente espetacular, há um grande apelo estético, um mangá que dá gosto só de passar as páginas e ver a criatividade do autor em ação. São várias e várias cenas que vão te deixar embasbacado durante a leitura.

Mas para além disso, é um mangá muito bom em transmitir ideias e sentimentos por meio da arte e dos conceitos que estão sendo desenhados. Tem uma dramatização em várias sequências que é muito eficaz, tal como o foco em sequencias de dança e como isso é usado para representar conexão entre os personagens. O próprio setting do mangá, embora possa tranquilamente ser visto como mal-explicado, ainda é bastante evocativo e fascinante, com todos os temas sobre divindades e as relações dos personagens com elas, além de todas as estranhezas presentes naquele mundo. Eu acho que é um mangá que consegue transmitir coisas, mesmo que a sua própria maneira, que não segue regras muito claras. Óbvio, não é o tipo de coisa que funciona sempre, ou pra todo mundo, e várias vezes a falta de compreensão me incomoda, ou uma cena não funciona, mas é um mangá que eu respeito que exista.

7. Banjou no Orion

(capítulos lidos: 31)

Tem uma coisa que eu aprecio muito no começo desse mangá, algo não tão comum em mangás de esporte, que é a coragem em fazer o protagonista falhar repetidamente. O mangá começa com uma derrota chave do protagonista, algo que engatilha a história, e isso não é tão incomum, mas o resto do capítulo é construído pra ele se recompor, reencontrar confiança, etc… geralmente é assim que funciona. Mas ele perde de novo. E de novo. E embora o mangá não seja tão radical com isso (várias cenas existem para assegurar o leitor de que apesar de tudo, confia, o protagonista é muito bom e impressionante), acho bom que ele não sinta a necessidade de dar essa catarse antes da hora.

A história é sobre esse adolescente jogador de shogi talentoso que, por razões pessoais que vamos aprendendo aos poucos, está em uma fase ruim, querendo desistir da carreira, e esse cenário ganha mais força não sendo resolvido de imediato. A narrativa principal também é uma narrativa dupla: existe uma deuteragonista com também seus próprios problemas e inseguranças em relação ao jogo, e a progressão da história parte desse paralelo, das interações entre eles e dessa motivação mútua. É empolgante ver como cada um progride, e as etapas e barreiras inerentes ao gênero. Muitas das melhores cenas do mangá saem de diálogos calmos e reflexivos entre os dois. Também gosto de como a narrativa segura algumas informações que poderiam ser dadas desde o começo ou vir como uma exposição imediata — algumas relações implícitas entre personagens que não são explicadas ou resolvidas de imediato, certas questões que vão ser elaboradas durante a história, elementos de caracterização que são guardados para depois onde seria mais interessante

Eu tenho alguns nitpicks de ritmo, de cenas de humor mal colocadas, ou até de alguns momentos emocionais explicativos demais, o autor conseguiu construir uma história que parece ter uma direção clara a seguir, e que consegue transmití-la de maneira bem sólida e agradável. Sinceramente, é um mangá que me lembra a época boa da Shonen Magazine, com os vários mangás de esporte pouco espalhafatosos mas bem competentes. Ainda bem que temos ao menos um exemplar aqui.

6. Dream Jumbo Girl

(capítulos lidos: estou nos atuais)

É sempre bom quando você descobre um mangá legal pelo qual você não dava absolutamente nada.

Eu não vou mentir, esse é um mangá extremamente idiota, mas que se torna apreciável justamente por quão sincero ele é em sua idiotice. A história de duas meninas que ganham na loteria e a saga delas em como usar (e muitas vezes desperdiçar) esse dinheiro é um conceito muito legal, e o mangá continua criando situações esdrúxulas e portanto divertidas de se acompanhar. É uma história onde quase nenhum personagem tem mais do que dois neurônios, e acompanhar esse caos é toda a graça da história. Ele também consegue ser bem bonitinho nas várias relações que as personagens vão construindo durante a história (é um mangá sobre as duas salvando meninas de situações ruins usando o dinheiro delas, e hey. tem coisas piores pra gastar dinheiro). Eu não acho que você vai sair daqui pensando que teve um plot bem pensado (alguns dos momentos mais fraco pra mim são justamente quando se tenta fazer um arco narrativo um pouco mais tradicional, não é o forte) ou uma caracterização elaborada nem nada, mas é uma daquelas histórias com um foco bem claro no que quer fazer e que se torna muito agradável no processo.

Eu acho especialmente divertido e ao mesmo tempo angustiante acompanhar a situação financeira dessas duas imbecis. Espero que elas fiquem bem e que eu tenha muito mais mangá pra ler.

5. Mayonaka Heart Tune

(capítulos lidos: 34)

Se você simplificar, esse não é um mangá particularmente diferente dos seus pares no gênero de mangá harém. Inclusive, as inspirações que ele toma de Gotoubun no Hanayome são extremamente visíveis a cada elemento da história.

Mas… bem, eu gosto de Gotoubun, e tem muito mangá que seguiu esse padrão e que não chegou nem perto de acertar. Aqui tem a premissa de uma história de romance em que existe um mistério pra saber quem é a garota secreta que teve uma relação passada com o protagonista, e o mangá conseguiu dar a cada uma das quatro garotas atenção o suficiente e uma diferenciação em que cada uma soa de fato como um personagem de verdade, com potencial de ter esse histórico. Eu reclamei em mangás pior posicionados da estrutura de “vamos falar de uma garota de cada vez”, e embora parte dessa repetição apareça aqui, a história é escrita com muito mais competência, desenvolvendo os relacionamentos e elaborando a personalidade delas de fato. A premissa base de que cada uma tem um sonho que almeja dá um direcionamento eficaz pra história além de um objetivo a longo prazo que não é exatamente o resultado do romance (embora esteja intrinsecamente interligado, o que também é bom)

Outro fator relevante é ter um protagonista com uma personalidade forte de verdade, que tem agência no que está acontecendo e toma decisões que movem a história (além de criar momentos divertidos!). E a relação dele com o mistério central da narrativa foi bem feita, com um bom potencial de arcos e descobertas futuras. É uma história que conseguiu me deixar intrigado e ser divertida de ler (importante adicionar que a arte é excelente, e é um mangá que conseguiu criar uma estética própria em sua composição de páginas e forma de estruturar os capítulos, deixando a leitura bem satisfatória e fluida). É claro, sendo um romance de uma revista shonen que eu só li 4 volumes, é possivel que se perca em desenvolvimentos bestas e em enrolar pra avançar o enredo e responder as perguntas que levanta, mas por enquanto? Bom mangá.

4. Zero to Hyaku

(capítulos lidos: 3)

Por que um dos raros mangás que eu gosto dessa revista tem tão pouco traduzido?

Com só três capítulos acessíveis até o momento, eu tenho pouco a comentar, tirando que é o tipo de narrativa clássica de mangás de esporte (e para além do gênero, na verdade) que eu tenho muito carinho. A história fala desses dois personagens que são espelhos em personalidade e suas dinâmicas, as inseguranças de cada um, e conecta bem esse drama interno com o esporte em si, a relação que eles tem com basquete e como esse tema em comum vira o motivador pro encontro deles e o desenvolvimento da relação. É um drama bem executado e apresentado.

A obrigatória gimmick do protagonista é interessante o suficiente (ele é um ótimo arremessador, mas fraco, então tem pouco espaço durante o jogo e também não consegue arremessar de tão longe) pra criar cenários legais durante o jogo, e a arte tem um estilo clássico bem executado que consegue transmitir a ação muito bem, além de dar as cenas de drama o respiro e o impacto necessário. É daquelas histórias que você quer ver o progresso do protagonista desde o começo, que te convida a torcer por ele. Eu não acho que vou, eu acho que o mangá vai ser cancelado, mas é uma leitura muito boa enquanto estiver por aí.

3. Ao no Miburo

(capítulos lidos: 14)

Infelizmente, eu não tenho o conhecimento necessário para julgar esse mangá em relação a sua representação do período histórico dele — tanto em relação a sua acurácia quanto em relação a perspectiva da história. Contudo, o que eu posso dizer é que nesse começo, o autor conseguiu, usando essa época específica do Japão antigo, criar um cenário bem rico e palpável que os personagens habitam. Os dramas da população, as complicações que vem de decisões políticas, os pensamentos do povo, discordâncias, as dificuldades da vida do dia a dia, é tudo já muito bem demonstrado e ao menos soa verdadeiro. A arte também é excelente, e ajuda a dar essa base pra história, com designs fortes, páginas bem bonitas e cenas muito bem retratadas visualmente.

A história, desse grupo de samurais isolados e do protagonista que se junta a eles, tem muito pra onde ir ainda (e o mangá já chegou lá), mas nesse começo, o foco é na introdução dessa comunidade, das relações que estão sendo construídas, e até dos conflitos temáticos e morais que vão fazer parte da história, e de seu protagonista especialmente. E a complexidade do mundo que o mangá criou até o momento já permitiu bons momentos, situações interessantes que me deixaram investido no resultado — mesmo que algumas cenas acabassem soando simplistas. Mas no geral, é uma história que consegue equilibrar bem seus momentos de seriedade e leveza (que consegue usar ambos para caracterizar o mundo e seus personagens), e que para mim, também consegue ter uma identidade própria em seu estilo de escrita. Eu tenho alguns problemas e algumas dúvidas com onde a história quer chegar com algumas coisas, mas ao mesmo tempo bastante interesse.

2. Gachiakuta

(capítulos lidos: estou nos atuais)

Admito que é um mangá que demorou um pouco pra realmente conectar comigo.

Ele tem tudo pra cativar logo de cara: um primeiro capítulo bem dramático e potente, uma arte única e chamativa, uma premissa e um setting único… infelizmente, eu acho que ele passa muito tempo seguindo batidas muito clássicas de battle shounen pra introduzir esse setting e essa premissa tão interessantes, o que acaba tirando um pouco da força inicial.

Contudo, após esse tropeço inicial, que me parece mais uma questão da autora indo pelo caminho mais simples pra estruturar sua narrativa, vieram vários momentos interessantes. Arcos de personagens pesados tratados com cuidado, uma exploração forte dos dramas internos de boa parte do elenco e de como essas personalidades fortes entram em conflito em momentos chave, em meio a conclusões interessantes desses dramas interpessoais que passam uma boa mensagem de comunicação e compreensão.

Em meio a isso tudo, a trama vai pouco a pouco introduzindo mais e mais elementos pra esse mundo — personagens com motivações desconhecidas, mistérios em relação a como tudo ali funciona, uma história que de fato parece ter um bom sentimento de propulsão… embora ainda não tenha feito nada de espetacular (acredito que haja o potencial latente, e tiveram momentos específicos de um nível bem alto — a fase atual sendo um deles), é um battle shonen que no seu pior é sólido, cuja existência me alegra num gênero que eu gosto tanto mas que “sólido” já é uma barra tão difícil de ser alcançada.

1. Hajime no Ippo

(capítulos lidos: 15)

Tem mangás que transmitem uma sinceridade tão grande em sua narrativa que é muito difícil para mim não gostar. A narrativa de Ippo progride de um jeito tão tradicional e ao mesmo tempo tão natural, construindo a personalidade desse personagem principal e de sua motivação pra entrar nesse mundo desde o primeiro passo (heh), e o autor escreve ele de uma maneira muito fácil de simpatizar, ao mesmo tempo que deixa o espaço aberto para o crescimento dele, tanto no boxe quanto em sua personalidade.

É uma progressão muito bem executada nesses meros dois volumes, tem um cuidado nas pequenas cenas, nos momentos de catarse, nos momentos de fraqueza, nas construção desse mundo e dos personagens que vão passar a fazer parte da vida do Ippo por… 150 volumes… O autor sabe dar peso as cenas, em criar momentos que são memoráveis, pequenos marcos nessa jornada. O esforço dos personagens e o desafio é retratado de maneira bem vívida, esse drama-shounen clássico dos anos 80/90 que é combinado também com uma naturalidade, um equilíbrio em como retratar cada cena. Os personagens já soam reais, pessoas que existem como além de boxeadores, por mais que esse seja seu principal interesse, e as próprias motivações dos três personagens do boxe que conhecemos já é variada e empatizável.

E, pra terminar, desde cara o autor já era bom em desenhar lutas. Só temos uma realmente complexa até aqui, mas ela consegue ser variada, transmitir tensão em relação ao resultado, ser criativa em suas soluções, bem desenhada e de fácil compreensão.

Estou elogiando muito? Talvez. E é muito difícil que eu vá ler mais (é tão longo…). Mas fico feliz em dizer que no mínimo me baseando nesse 1% da história, eu entendo como ele virou o que virou.


메타데이터
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