Backrooms: Um Não-Lugar entrega o visual e perde a história no caminho
Não estávamos esperando pelo Halloween, mas maio chegou com uma quantidade surpreendente de filmes de terror. Alguns excelentes, outros nem…
Backrooms: Um Não-Lugar entrega o visual e perde a história no caminho

Não estávamos esperando pelo Halloween, mas maio chegou com uma quantidade surpreendente de filmes de terror. Alguns excelentes, outros nem tanto. E para fechar o mês, chegou aos cinemas Backrooms: Um Não-Lugar, inspirado em uma lenda urbana que viralizou na internet e que, pra muita gente, já era assustadora antes mesmo de virar filme.
Fui com expectativa real. A lenda dos Backrooms tem algo genuinamente perturbador: a ideia de um espaço infinito, sem saída, sem sentido. É o tipo de conceito que parece feito para o cinema.
O que funciona, e funciona bem
O visual é o ponto mais forte do filme. O “não lugar” foi construído com cuidado e entrega exatamente o que a lenda promete: uma angústia silenciosa, quase física. A produção claramente investiu nisso, e o resultado aparece na tela. Não tem como negar.
E tem um recurso que me pegou de surpresa: as cenas com câmera na mão, no estilo found footage. Inevitável não lembrar A Bruxa de Blair (1999), aquele clássico que reinventou o terror com uma câmera barata e muito desconforto. As melhores cenas de Backrooms são exatamente essas. A sensação é de estar junto com os personagens, dentro da gravação. Tem até uma nostalgia estranha naquelas imagens granuladas, de qualidade VHS. É o tipo de coisa que faz o terror funcionar de verdade: a câmera que treme, o som que some, o enquadramento que não mostra tudo.

A história que se perde
E é aí que o filme começa a sair do trilho.
O diretor aposta muito no mistério e esquece de dar sequência. Em algum momento, o filme deixa de construir e passa só a existir. As situações se repetem sem evolução. A sensação é de que ninguém decidiu onde aquilo ia terminar antes de começar a filmar.
Não defendo que todo filme de terror precise explicar tudo. Alguns dos melhores da história trabalham exatamente com o não dito. O problema é quando o não dito vira não decidido. Quando saímos do cinema sem resposta e sem a satisfação de ter vivido algo completo, o vazio que fica não é o do filme. É frustração.
Os personagens que ficam no caminho
Outro ponto que não me convenceu foi a construção dos personagens. Sabemos pouco sobre eles, e o pouco que vemos não cria muito vínculo.
Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão) vive Clark, e Renate Reinsve (A Pior Pessoa do Mundo) interpreta sua psiquiatra Mary. São dois atores com trabalhos sólidos em outros filmes, mas aqui não consegui identificar o que estava faltando. Se era roteiro, direção ou a combinação dos dois. O resultado é que, em vários momentos, eu simplesmente não me importei com o que ia acontecer com eles. E para um terror, isso é um problema sério.

Um curta que não sabia que queria ser longa
Saí do cinema com a mesma sensação de quando acordo de um pesadelo sem pé nem cabeça. Aquele sonho que não tem começo nem fim, que some antes de fazer sentido. É exatamente isso que acontece aqui.
Backrooms: Um Não-Lugar funcionaria muito melhor como curta. O conceito sustenta 20, 30 minutos com força total. Esticado até um longa, começa a revelar as costuras. O visual segura por um tempo. Mas a história não acompanha.
Um pesadelo sem pé nem cabeça que some quando você acorda.
E você: prefere filmes de terror que deixam tudo em aberto ou acha que o mistério tem limite antes de virar vazio?
메타데이터
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