Ser(es) Humano(s)
Diante de uma das minhas leituras repentinas na calada do dia e no estremecer do entardecer me deparo com um parágrafo do qual não…
Ser(es) Humano(s)
Diante de uma das minhas leituras repentinas na calada do dia e no estremecer do entardecer me deparo com um parágrafo do qual não conseguiria não me conectar por completo com o mesmo.
“Algumas pessoas têm um pavor tão mórbido dos demais seres humanos que acabam desejando ver com os próprios olhos aparições cada vez mais monstruosas. E quanto mais nervosas são, quanto mais apavoradas ficam, mais rezam para que as tempestades sejam violentas. Ah! Esses pintores foram tão feridos e intimidados pelos monstros chamados seres humanos que por fim acabaram acreditando na ilusão, chegando a ver monstros em plena luz do dia, ao ar livre. Esses pintores, contudo, não enganaram ninguém com palhaçadas: eles se esforçaram por representar exatamente o que viam.”
A imaginação por sua vez torna-se figura e fundo ao mesmo tempo, a personificação se torna o palanque central desta praça.
imagino-o, relembro-o de como foi construído e modificado ao decorrer de tempos acinzentados, de horas que contava para que acabassem, não lembro ao certo de como surgiu premeditadamente a sua imagem, como uma imagem borrada que se tornou personagem principal e que se intensificava cada vez mais a sua silhueta.
Ghost: Está se referindo a mim garoto?
Uma sombra que aparentava humana (ao menos para mim parece humana) olhos vibrantes do qual toca a parte mais íntima do qual escondo dos que veem;
ouvidos profundos que escutam os meus pensamentos mais atormentados e sombrios que passam na minha caixola;
(…)
Já se tornou o que o próprio parágrafo se configura, uma imagem distorcida do âmbito social, do qual me comunico mesmo quando não quero.
Ghost: Qual seria o problema de eu ter essa imagem? ela te assusta?
Medo..
Faz tempo que não me deparo com esse sentimento, me refiro aquele medo instintivo que sentimos quando somos crianças e estamos diante de um breu, do medo de gaguejar da frente de alguém que consideramos muito importante, o medo de fracassar diante do que eu considero o meu futuro.
Me desprendo diante dessas amarras que por vezes sinto completamente a sua falta, o fio da navalha que corta a vontade e configura-se como apenas o fracasso inerente. Não, não creio em mim, então porque devo crer nos outros?
Por vezes, confundindo ele comigo mesmo, como se fizesse parte intrínseca minha, ou fosse eu afinal.
Me olhar no espelho de fato é o mais próximo de medo que posso vivenciar, um sentimento de estranheza, os olhos aprofundados, como se tivessem perdido o brilho, a obra mais verdadeira e sentimental da qual não há modificações exteriores que interfiram.
Por dias, meses, me sinto ele, como se estivesse observando a vida pacata e monótona que instaurei para mim mesmo, vejo as ações sendo feitas como um cinéfilo que acompanha uma obra deprimente, julgando por fora, criticando e principalmente, desaprovando cada decisão. Como se o roteiro não fizesse sentido ou fosse “pouco marcante”
Não tenho dons para definir o que seria bom ou ruim de um texto, busco no outro suas opiniões, e por vezes que não as considere certas, às releio a ponto de modificar totalmente a estrutura textual ou até mesmo a forma operante que rege o pensamento inicial de expor,
interrompido por uma fala de Ghost
Ghost: esta também seria uma forma de medo escondida entre os escombros? o de não ser compreendido ou aceito?
dificilmente consigo arquitetar o que se difere do pensamento dele e do meu, “ignorá-lo” torna se a resposta mais autêntica que posso dar a ele. Por suas vezes confrontados, só encontro mais destroços de algo que já achei que fosse meu (acho que ele já tomou grande parte de mim) o cansaço inerente de questionar e.. (desisto de desenvolver o resto)
“Algumas pessoas têm um pavor tão mórbido dos demais seres humanos que acabam desejando ver com os próprios olhos aparições cada vez mais monstruosas. E quanto mais nervosas são, quanto mais apavoradas ficam, mas rezam para que as tempestades sejam violentas. Ah! Esses pintores foram tão feridos e intimidados pelos monstros chamados seres humanos que acabaram acreditando na ilusão, chegando a ver monstros em plena luz do dia, ao ar livre. Esses pintores, contudo, não enganaram ninguém com palhaçadas: eles se esforçaram por representar exatamente o que viam.”
O silêncio inicial, o mais amedrontador quando não se tem conhecimento do mesmo, virou abrigo, conforto daquela sensação de inadequação acompanhado de vozes que se tornam amparo sentimental e literário.
Tenho medo do que cultivei nessa horta onde desabrocham flores imperfeitas, como se fossem regadas com a água de pior qualidade e não recebessem sol.
Os olhares que por antes eram acolhedores e reconfortantes são conflituosos, dos mais internos e massacrantes possíveis.
Na busca de um par, criei o meu, a minha pior companhia,
Ghost: A mim mesmo;
e como vamos escapar disso?
O mundo imaginativo é a realidade, me escondo em uma cama amarrotada na busca de achar a solução disso tudo, e como sou dedicado, em média, umas 16 horas de buscas incessantes, escavando e apelando a santidades para que esse tormento acabe.
Quando acordado por muito tempo, o sono se torna inexistente, a droga se torna apoio, é difícil diferenciar qual lado se é mais tendencioso, mas é algo recorrente e inevitável.
Ghost:Estamos
Dylan:cansados
Dylan e Ghost: de
Ghost:desenvolver
Dylan:mais…
메타데이터
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- 2026-06-23 03:48:11