Eclipse (2026), de Djin Sganzerla
Djin Sganzerla é uma artista cujo trabalho merece ser acompanhado de perto. Uma de nossas nepobabies favoritas — filha do diretor /…
Eclipse (2026), de Djin Sganzerla

Imagem: assessoria de imprensa
Djin Sganzerla é uma artista cujo trabalho merece ser acompanhado de perto. Uma de nossas nepobabies favoritas — filha do diretor / roteirista / produtor Rogério Sganzerla e da atriz / diretora Helena Ignez -, ela tem o cinema circulando em seu sangue. Exercendo as funções de produtora, roteirista e diretora, ela já mostrou potencial com seu primeiro longa, “Mulher Oceano”, e volta com mais uma obra se não prima, ao menos sensacional.
Cleo (Djin Sganzerla) é uma pesquisadora na área de astronomia que está se aproximando da metade de uma gravidez marcada por fortes enjoos. Seu companheiro Tony (Sergio Guizé) diz que ela não deve ter preocupações, mas a vida tem outros planos. Do nada, a meio-irmã Nalu (Lian Garcia) ressurge na vida dela marcando um encontro apenas para revelar que o pai de ambas, já falecido, a violentava.

Imagem: assessoria de imprensa
A revelação impacta muito Cleo, que tem a memória afetiva e efetiva do pai lhe ensinando os nomes das estrelas: o início de sua fascinação, que virou profissão, pelos mistérios do universo.
Em mais um ato de abuso, Nalu é forçada a aceitar as investidas do filho de apenas 18 anos de seu patrão. Quando toma uma decisão em relação ao pirralho insistente, ela tem de fugir das consequências. Nem na aldeia indígena de seus ancestrais ela pode se esconder, então foge para a selva de pedra que é São Paulo.
O filme ganha camadas com a descoberta de Cleo de que seu companheiro acessa fóruns de misoginia e propagação de discursos de ódio na deep web. Sua sogra Lucélia (Selma Egrei) entra no filme por volta da metade, com um problema nos rins que gera mais preocupações. A ida de Tony para a casa da mãe no interior une as duas irmãs, juntas numa investigação dos (maus) passos dele. Tem início um processo em que Cleo se “desapaixona”.

Imagem: assessoria de imprensa
Se tem uma coisa que “Eclipse” é, é salpicado. Salpicado de participações especiais: além da supracitada Selma Egrei, aparecem brevemente na tela Helena Ignez, Gilda Nomacce, Luís Melo e Clarisse Abujamra. Salpicado de temas: temos violência, misoginia, comunidades de incels, saúde da mulher, saberes indígenas, dificuldades de se conseguir fundos para a pesquisa científica. Nem todos esses assuntos são aprofundados, mas isso não impede que o filme seja um thriller completo.
A figura da onça, presente desde o início, evoca brasilidade e ferocidade. Antes do título, há uma onça. Quando Cleo está dirigindo, o rádio dá a notícia de que uma onça atacou um tratador no zoológico. Nalu presenteia a irmã com uma cabeça de onça empalhada. Isso tudo tem um motivo: Nalu diz que ouvia da avó que a onça era a guardiã do céu e das estrelas e, ademais, é a entidade que provoca os eclipses.
Desde seu primeiro crédito, em “O Signo do Caos” (2003), como “apresentando Djin Sganzerla”, ela já brilhava. Em vez de emular os estilos de seus pais enquanto cineastas, Djin desenvolveu um estilo próprio que a destaca na Sétima Arte. Se continuar no mesmo ritmo, entregando um bom filme a cada cinco anos, estamos com sorte. É o cinema brasileiro que ganha e nós cinéfilos ganhamos com ele.
A música que acompanha as sequências finais e os créditos , “Dentro de Cada Um” na voz de Elza Soares, é um verdadeiro hino pela libertação feminina. Esse libertar-se pode vir como veio para Cleo, de repente, num momento de extrema coragem. Como um bote de onça, se você preferir.
메타데이터
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