Qual é a sua relação com o querer?
Onde traçaram a linha até onde você pode ir, querer e pedir? Padrões repetitivos e outros tipos de autossabotagem
Qual é a sua relação com o querer?
Onde traçaram a linha até onde você pode ir, querer e pedir? Padrões repetitivos e outros tipos de autossabotagem
Um dia desses, esgotei todo um recurso do nosso time e precisava de mais. E “é só pedir mais”, mas a memória emocional que tenho de pedir mais carrega culpa e vergonha. Como se eu fosse irresponsável, não confiável ou “caro demais”.
Até para mim mesmo, parecia tão pouco, que eu não dava a devida importância. Só que: um padrão de comportamento tende a se repetir também em outros cenários. Em maior ou menor escala, mas sempre o mesmo padrão. — por isso, resolvi dar atenção a isso.
Notei que isso afetava e passava despercebido quando eu ia precificar meu trabalho. A mecânica é parecida.
Detesto incomodar os outros
Nesse meu caso específico, o que provavelmente aconteceu foi eu ter pedido mais (alguma coisa), e levei bronca por ter usado tudo; por consequência, me senti culpado e envergonhado.
Por consequência, me via como um incômodo, ou seja, detestava pedir ajuda... e por aí vai!
Desde então, meu corpo aprendeu a se defender do “pedir”. Eu associei “pedir” a “vergonha” e “culpa”!
As entrelinhas do incômodo
E essa associação não acaba por aí. Nas entrelinhas, ela entende que ou há tão pouco que eu pedir mais significa acabar de vez ou há o bastante, e mesmo assim, não há para mim.
Isso acontece porque nossa mente precisa dar sentido a tudo. Ela cria narrativas mirabolantes se for necessário, mas cria histórias. E, diferente de “histórico” — que só lista eventos — , são histórias que carregam emoções e rótulos. Que ajudam a moldar o nosso autoconceito.
Não só no contexto de Lei da Suposição e manifestação, mas também no dia a dia, afinal, queremos diferentes coisas a todo momento. E sempre vamos querer algo.
Lidar bem com o querer é saudável para cultivar bem-estar.
Ter percebido isso e dado a devida atenção me fez aprender a pedir mais e pedir ajuda sem culpa. E… é sensacional! A vida é mais leve. Recomendo demais!
Onde traçaram a linha até onde você pode ir, querer e pedir?
Este texto tem uma pergunta como título porque é um convite para ouvirmos a história que nossa mente está contando; e escolher se é a esse o papel que queremos dar vida.
Especialmente porque, essa história e esse papel foram dados a você por outra pessoa.
O que significa que você pode estar vivendo as regras e visão de alguém que tem crenças limitantes e ou interesses próprios. Não por maldade, nem nada do tipo, apenas, porque são assim, e é tudo o que elas têm.
Você não escolhe querer o que quer. Certo? Os desejos surgem no seu coração de forma espontânea.
Quando um desejo surge, como você lida com esse desejo? Como você aprendeu a lidar com um desejo?
Que você pode ou que não pode? Que tem que suar sangue ou que flui naturalmente? Que você merece ou precisa fazer por merecer?
A gente opera a partir dessas histórias, no automático, o tempo inteiro. Pensamos, sentimos e agimos a partir desse estado. Se ele for limitante…
Mas seja quais forem as suas respostas, a boa notícia é que se algo é aprendido, pode ser desaprendido.

Quando você quer alguma coisa ou quer alguém, o que acontece dentro de você?
O que acontece dentro de você quando você quer?
Você se expande ou se contrai? Se anima ou desanima?
Cuidado com como você responde a essas perguntas.
A resposta não pode vir só da mente lógica.
Não pode vir da ideia de como-deve-ser. A “resposta certa” geralmente diz “me expando” porque é como a mente lógica pensa que deve ser. Mas “como deve ser” e “como realmente é” podem ser diferentes.
Então, se sua resposta vier só da mente lógica, as chances de você ignorar o que realmente acontece dentro de você são enormes — eu fiz isso durante muuuuuito tempo. NÃO recomendo!
Você já se acostumou a pular isso tantas vezes — o que quer que “isso” seja —, que sua mente economiza energia e vai para o próximo passo a partir “disso”. Apartir desse cenário, das circunstâncias, do velho, limitado.
No meu exemplo lá do início, “isso” é “eu vou pedir, e vão achar ruim”, então, como não tenho opção, eu vou pedir (agir) me defendendo, justificando etc. Pedir a partir do medo. Que, neste caso, é “bobo”, mas imagine isso com coisas “grandes”, com manifestações, sonhos e tal!!
Quais histórias estão tocando sem que você perceba?
Saber quais histórias você repete dentro de si quando quer algo é fundamental porque é, basicamente, o ponto de partida da sua jornada em direção ao que você quer.
E dependendo de como você está se relacionando com o seu querer, você vai precisar ajustar esse ou aquele ponto, antes de manifestar — ou de se esforçar absurdamente para manifestar.
Por isso, antes de sair por aí comprando livros e técnicas para “manifestar o que deseja”, vale a pena conhecer as suas próprias regras, para desfazê-las, se necessário.
A receita de todo mundo pode não ser a sua
Nem sempre o que deu certo pra “todo mundo” vai dar certo pra você.
Não porque você está condenado a fracassar, mas porque está usando as ferramentas certas para os problemas errados.
Será mesmo que você precisa escrever uma afirmação positiva 55 vezes por cinco dias, forçando uma ideia para o seu subconsciente ou você precisa se permitir sentir essas emoções sufocadas e, gentilmente, alimentar emoções que são mais alinhadas com o seu desejo realizado?
Pergunto isso porque EU JÁ FIZ — várias vezes — , e nunca consegui. Por quê? Porque a técnica não funciona? Não! Porque eu estava fazendo a partir do medo, forçando algo com a mente lógica, com o “é o certo”, “é o que tem que ser feito”.
Querer, frustração e raiva
“Querer” sempre estará acompanhado de alguma emoção. Quer porque estamos felizes e gratos por ter realizado, quer porque aceitamos que nunca vamos ter, ou porque estamos frustrados e com raiva por não ter conseguido.
A raiva costuma sinalizar um “querer” abandonado ou rejeitado. Inclusive, para aqueles que não sabem o que querem, pode ser um ponto de partida: onde está a sua raiva?
Lembre-se: “raiva” nem sempre é uma explosão. Às vezes, ela é uma implosão. É a autocrítica exacerbada, a vergonha, a autossabotagem… Pode ser o sarcasmo ou aquela postura passiva agressiva.
Como você aprendeu a lidar com o querer?
Depende de como e do quê você aprendeu sobre seu querer. Quando você quis algo na infância e ao longo da vida, quais eram as histórias mais frequentes e ou mais marcantes em torno desse querer?
- querer não é poder
- na volta a gente compra
- ah, tá! você acha mesmo que…
- é areia demais pro seu caminhãozinho
- pode tirar o cavalinho da chuva
- não é pro teu bico
- não quer coisa nenhuma
- não me faz passar vergonha na frente dos outros
- é caro demais
- é difícil demais
- é feio
- é pecado
- não pode
Pode ser que não exista uma frase clara e explícita, mas ainda assim, havia algo nas entrelinhas, algo no olhar, no tom de voz ou mesmo nas coisas que aconteciam depois do querer, e isso criou histórias dentro de você.
Querer só um pouquinho
Eu acho que já contei isso em outro texto, mas eu cresci repetindo a história de que as coisas que eu queria era “querer demais”. Aí, já tá querendo demais.
Como se houvesse um limite, um bom senso, talvez, até onde eu poderia querer, e a partir de qual ponto eu seria folgado, abusado, ganancioso, egoísta... — percebe como surgem as crenças, rótulos, autoconceito, emoções etc.?
Minha mente associou “querer” com essas e essas emoções. E essas emoções manifestam pessoas e situações que se alinham com elas… É uma prisão invisível.
Como o querer molda nossas crenças
Cada frase dessas gerou e gera pelo menos uma emoção em você. E provavelmente gerou um autoconceito específico; regras, estratégias e mecanismos de defesa.
Algumas podem ser:
- eu não sou o bastante
- não é pra alguém como eu
- eu não posso
- eu não deveria
- é vergonhoso eu querer isso
- estou sendo egoísta
- não mereço
- é injusto da minha parte
- nunca vai acontecer
E mais: em cima disso, tem também a questão de como você aprendeu a lidar com as emoções. E talvez, até, sufocou determinada emoção ““feia”” com outra emoção, como culpa ou vergonha…
Mapa da consciência e o manual do autocuidado — onde e como
Eu gosto sempre de recorrer ao mapa da consciência do David Hawkins, e ver onde está a emoção que estou sentindo. Porque se ela for uma das emoções de sobrevivência, as chances de eu manifestar o desejo são quase nulas.
E aí, de novo, não é demonizar a emoção e tentar me livrar dela porque ela está me atrapalhando e vai me impedir de ter o que quero, mas de dar a minha atenção para essa emoção e ouvir o que ela tem a dizer. Deixar ser. Abrir mão do controle.
Depois, gentilmente, alimentar a emoção da polaridade oposta. Ou alimentar com as emoções do amor e gratidão.
Está tudo bem querer
Ensinar o corpo de que está tudo bem querer certas coisas é um processo longo. Loooongo. Mas vale a pena. É um exercício de sair um pouco da cabeça, e viver a partir do coração.
E, uma vez no coração, ver o que é preciso fazer, qual emoção liberar, qual alimentar etc.
Se eu puder dar uma dica que demorei muito tempo para aprender:
Sempre que for olhar para dentro de si, aquiete-se antes.
Relaxe. Nunca faça na pressa.
As respostas que você busca geralmente vêm do coração, e é mais fácil ouvir o coração quando a mente não está tagarelando.
Parafraseando Davi: “aquiete-se, e conheça o (seu) Eu Sou”.
Praticar meditação — entre outras coisas — ajuda (muito) a acessar esse estado de paz mais rapidamente. Afinal, “meditação” é o treino da mente. Então, procure treinar a sua para ser mais gentil consigo mesmo, com sua natureza e a sua história.
[embed]Diálogos internos, frequências e deixar ir Como lido com pensamentos obsessivoseusoumelo.medium.com
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