Good COP, bad COP: As negociações climáticas vão frear o aumento do nídel do mar?
06 aula da Oxford School of Climate Change, com Professor Chris Stokes
Good COP, bad COP: As negociações climáticas vão frear o aumento do nídel do mar?
06 aula da Oxford School of Climate Change, com Professor Chris Stokes

Olá minha lindeza climática ❤
As aulas na Universidade de Oxford estão uma delicinha, estou amando aprender com as maiores referências do mundo em mudanças climáticas. Na quinta aula do curso, ouvimos o professor Chris Stokes, glaciologista (especialista em gelos) da universidade de Durham.
O professor começou a aula com um quiz e depois contou brevemente a história da Convenção-Quadro das Nações Unidas de Combate às Mudanças Climáticas, a famosa UNFCCC. De acordo com ele, em 1992 os 154 Estados-nações concordaram com a criação da convenção, durante o Summit da Terra, que aconteceu na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil.
O objetivo principal era “estabilizar a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera num nível que previna interferências antropogênicas perigosas no sistema climático.” Após 21 anos, as 196 nações assinaram o Acordo de Paris, para “limitar o aquecimento global até 2C e aumentar os esforços para limitar o aquecimento até 1,5C (acima dos níveis pré-industriais).”
Mas vem cá cara leitora: você acha que os governantes globais estão fazendo a lição de casa e atingindo a meta?

O 6 Relatório do IPCC (2021) destacou que a temperatura média global cresceu cerca de +1,2C, desde os níveis pré-industriais (1850–1900). Inclusive, 2024 foi o ano mais quente da história, ultrapassando a média de 1,5C! Dá uma olhadinha no gráfico abaixo:

Alguns céticos podem até falar que o clima sempre mudou, essas coisas são normais e blá-blá-blá. Mas aqui o papo é reto, os cientistas do IPCC usam uma margem de 20 anos e já chegaram a uma conclusão: os humanos estão alterando o clima da Terra e comprometendo sua própria existência!
Se nada mudar, as políticas climáticas atuais vão levar a temperatura média global para +2,6C até 2100, resultando no aumento do nível do mar para 4,5 mm/ano o
O aumento do nível do mar é causado por múltiplos fatores, mas neste artigo quero destacar principalmente a expansão térmica, armazenamento da água continental (esgotamento de água subterrânea e de represas/rios/lagos) e derretimento de pequenas montanhas glaciares e de geleiras na Groenlândia e na Antártica.
“Observações de satélites indicam que estamos atualmente perdendo 400 bilhões de toneladas de gelo por ano, mesmo com apenas 1,2C de aquecimento.” (Professor Chris Stokes)**
Diversos papers mostram que a temperatura média de 1,5C definida no Acordo de Paris, será muuuuito quente para as geleiras polares. Desse modo, projeções climáticas dizem que enfrentaremos um grande aumento do nível do mar nos próximos anos, quando a Antártica e Groenlândia atingirem seu ponto de não-retorno e seu degelo inundar diversas cidades costeiras.
Pesei o clima, eu sei rs. Mas depois de te mostrar o caos, bora falar de soluções?
Um debate que vem crescendo é sobre a geoengenharia. No entanto, ela não é uma solução viável para as calotas polares, pois:
- Há enormes desafios logísticos,
- O calor do oceano seria simplesmente desviado para outro lugar,
- Desacelerar o fluxo de gelo em uma região provavelmente aceleraria o fluxo em outra e
- Geraria impactos prejudiciais aos ambientes marinhos, principalmente em relação aos ecossistemas, gelo do mar e circulação oceânica em escala global.

A real é que a geoengenharia aparece como solução tecnológica, mas na prática não resolve um problema que é estrutural. A solução é aquela boa e velha que todo mundo conhece, mas quase nenhum país segue: aumentar a ambição climática. Para isso, precisamos diminuir a dependência dos combustíveis fósseis e promover o uso de tecnologias limpas e renováveis.
A decisão não é científica e nem tecnológica, ela é política!
Atualmente, o principal espaço de tomada de decisão é a COP — Conferência das Partes, que, basicamente, é a conferência na qual os Estados-membros se encontram anualmente para discutir os acordos climáticos. Apesar da urgência da pauta mostrada, muitos ainda não levam esse debate a sério. Na COP 30 — Belém, por exemplo, Estados Unidos, Afeganistão, Mianmar e San Marino não mandaram nenhum representante.
A COP 30 lançou o marketing para ser conhecida como a “COP da Verdade”, mas na verdade, ela foi uma das COPs mais controversas dos últimos anos. Por um lado, houve alguns avanços importantes, como a criação de um mecanismo para apoiar a transição justa que leve em conta os direitos de trabalhadores, comunidades e populações mais vulneráveis. Também foi estabelecida a meta de triplicar os recursos para adaptação até 2035 (embora muuuuuitos países defendem que isso deveria acontecer até 2030). E por fim, os países reafirmaram o compromisso de ampliar esforços para manter a temperatura média global em até 1,5°C.
Mas pasmem: pela primeira vez na história, de forma explícita, as partes reconheceram que esse limite pode ser ultrapassado!!!
E é aqui que começa o show de horrores e as diversas contradições:
Apesar de discussões iniciais sobre a criação de um plano global para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis, essa proposta simplesmente desapareceu do texto final e os combustíveis fósseis nem sequer foram citados!
No lugar, surgiu um plano voluntário (fora do processo oficial da COP) para reduzir o uso de fósseis e combater o desmatamento.

E é desse jeitinho: com verbos inativos, propostas voluntárias e falta de vergonha na cara que os líderes mundiais estão levando o planeta para a sua autodestruição. Esse ano a COP 31 será na Turquia e no ano seguinte, a COP 32 acontecerá na Etiópia. Espero que os resultados sejam mais positivos, até porque, a nossa sobrevivência depende disso.
O que achou dessa aula? Me conta suas percepções aqui nos comentários e bora conversar =)
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Amanda Costa é mestranda em Meio Ambiente e Desenvolvimento na London School of Economics and Political Science (LSE), Jovem Embaixadora da ONU e fundadora do Instituto Perifa Sustentável. Ativista reconhecida pela Forbes Under 30, é palestrante TEDx, Top Voice do LinkedIn e referência em justiça climática no Brasil.
메타데이터
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