Hiperfoco em escrita: meu relato pessoal
Escrever sempre fez parte de quem eu sou. Além de ser uma ferramenta principal de conseguir comunicar melhor as minhas ideias, a escrita…
Hiperfoco em escrita: meu relato pessoal

Escrever sempre fez parte de quem eu sou. Além de ser uma ferramenta principal de conseguir comunicar melhor as minhas ideias, a escrita, literalmente, muitas vezes, me salvou. Eu comecei com os diários, parti para as redações da escola — sim, eu mandava tão bem ao ponto de ser elogiada. As aulas de língua portuguesa eram as minhas favoritas. Qualquer novo autor que eu conhecia, eu partia para a biblioteca logo em seguida pra procurar a obra e ler.
Eu li todos os clássicos da literatura quando era criança. Aprendi a ler logo no pré. Meu nome também, quando aprendi a escrever, foi uma alegria sem tamanho. Parti para os blogs, para a escrita de livros, estudei letras e toda a comunicação. Sempre me fascinou a forma da escrita e como esse exercício me fazia bem.
Eu já escrevi poemas chorando, textos tão dolorosos que pareciam que tava puxando da minha mente os sentimentos ruins, as crises. Enquanto alguns mexem as mãos, rodam, etc., eu escrevo. Costumo dizer que a escrita é minha ferramenta de conforto, meu hiperfoco, e acabei usando ela também para trabalho. Eu tenho facilidade de escrever, sai naturalmente como uma fala de bom dia; é como se eu pensasse em letras, e quando elas saem da minha cabeça fazem uma fila pra formar frases.
Se eu pudesse colocar em imagem o que é ter hiperfoco em escrita ou em qualquer outra coisa, eu diria que é isso aqui:
Mas, como todo hiperfoco, também tem suas desvantagens. Às vezes, eu também tenho ócio criativo. Agora, imagine pra uma pessoa que usa a escrita como regulação não conseguir escrever uma palavra: é como se a minha mente fosse uma panela de pressão prestes a explodir. É como se eu precisasse fazer isso e só isso pra me regular e me sentir bem e segura. É cansativo!
Nessa vertente, eu tenho outros trabalhos relacionados à escrita, como Mães que Escrevem. Eu só sei fazer isso, escrever, nada mais. Não me peça pra fazer uma conta simples, eu vou precisar de ajuda; não me peça pra seguir um mapa, eu não sei. Eu me perco na rua, eu choro porque me sinto burra. Eu amo as formas das letras, amo coisas escritas a mão — nossa, me fascinam. Eu me perco em tudo relacionado a letras: museus, revistas, livros… Ir a festivais literários, bibliotecas e editar os textos da revista, por exemplo, me fascinam.
Mas ter hiperfoco em escrita me faz querer escrever sobre tudo e ser uma gênia da gramática? Não mesmo. Eu tenho dificuldade em criar personagens — aliás, criar não, criar cenários. Eu tenho contos de, no máximo duas personagens num mesmo cenário. Escrever um romance, descrevendo cada coisa e pessoa, pra mim, é contraproducente. Me dou bem com crônicas, microcosmos e poesia.
Até a escrita acadêmica me coloca num rolo mental; isso porque não segue a mesma linha de raciocínio que eu uso pra escrever qualquer coisa, como esse texto por exemplo! Não tem previsibilidade do que vem a seguir, o que me trava! Assim como criar textos publicitários: eu crio conceitos criativos, mas preciso de um tempinho a mais para conectar todos os cabos da minha mente pra finalmente a lâmpada acender, rsrs.
Ser uma autista com esse hiperfoco me faz bem, ao mesmo tempo que me prende num círculo vicioso de palavras que precisam, a todo momento, correr por entre os meus dedos.

O que diferencia um hiperfoco de um hobby?
Falei pra IA diferenciar hiperfoco de hobby, e essa foi a resposta! Concorda? Eu concordo e muito. As pessoas estão deturpando o uso da palavra, colocando meros interesses como se fossem um hiperfoco. Como por exemplo, gostar muito de comer maçãs, estudar matemática ou ir a parques, a diferença disso, em resumo, é que um dá prazer, o outro é como se fosse uma espécie de “Obrigação”! Veja mais detalhado:
Hobby: atividade de lazer que você escolhe fazer por prazer, relaxamento ou diversão.
- Natureza: Voluntária e recreativa.
- Intensidade: Moderada. É algo que você gosta, mas não domina seus pensamentos.
- Controle: Você controla o hobby. Você decide quando começar, quando parar e por quanto tempo se dedicar.
- Função: Alívio do estresse, socialização, desenvolvimento de uma habilidade de forma descontraída.
- Flexibilidade: É fácil de colocar de lado se outras responsabilidades (trabalho, família, sono) surgirem. Não gera ansiedade ser interrompido.
Exemplo: “Estou com vontade de pintar um quadro neste fim de semana. Que relaxante!” Se você não pintar, fica tudo bem.
Hiperfoco: Uma necessidade neurológica
O hiperfoco é um estado de concentração intensa, imersiva e involuntária em um interesse específico. É uma necessidade profunda, quase um impulso.
- Natureza: Compulsiva e absorvente. Muitas vezes não é uma escolha consciente.
- Intensidade: Extrema e exclusiva. É como se o cérebro ligasse um “modo laser” e desligasse o mundo ao redor.
- Controle: O hiperfoco controla você. É muito difícil desligar, parar ou mudar para outra atividade, mesmo quando necessário.
- Função: Muitas vezes é uma forma de regulação para o cérebro autista. Oferece previsibilidade, controle e sentido em um mundo caótico. Pode ser a principal ferramenta para processar emoções e informações.
- Inflexibilidade: Ser interrompido pode causar extrema frustração, ansiedade e até crises de meltdown. A atividade não é facilmente colocada de lado; ela exige ser feita.
Exemplo: “Preciso escrever AGORA. Não consigo pensar em mais nada. Vou esquecer de comer, dormir e do mundo até que essa necessidade passe.”
Por mais que ainda haja bastante romantização sobre esse tema, até mesmo da minha parte, escrever ainda é o meu único jeito de por pra fora a loucura que é aqui dentro.
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