COLORADO COM UM PÉ NA FINAL
O Internacional confirmou o favoritismo e saiu em vantagem na semifinal do Gauchão com uma vitória por 2 a 0 sobre o Caxias no Estádio…
COLORADO COM UM PÉ NA FINAL
O Internacional confirmou o favoritismo e saiu em vantagem na semifinal do Gauchão com uma vitória por 2 a 0 sobre o Caxias no Estádio Centenário. Apesar da gama de desfalques importantes, o colorado mostrou repertório para buscar uma excelente vantagem fora de casa e se aproximar muito de um retorno à final do estadual. Do outro lado, o grená não conseguiu encontrar um meio-termo seguro entre defender e atacar, o que pode ter custado uma eliminação. Na prática, o time de Roger Machado sai da serra gaúcha com um pé na grande decisão.
A metade inicial do primeiro tempo, dentro do esperado, foi de ataque do Inter contra defesa do Caxias. Repetindo o padrão dos times do interior que mais complicaram as coisas para o colorado neste Gauchão, o conjunto da serra optou por se fechar em um 4–4–2 com claros acompanhamentos individuais e pouca agressividade para não dar brechas nas costas. Naquele momento, a equipe de Roger Machado ainda não teve repertório na criação para superar esse sistema defensivo. O alvirrubro ficava com muita posse da pelota presa nos zagueiros, em uma espécie de 3–4–3 em que ninguém dava a opção de passe para conectar os setores. Bruno Henrique estava muito longe do trio que começava as jogadas. Deste modo, o Internacional só subia ao ataque pelos lados. Ainda assim, lento e muito pouco produtivo, apesar de algumas dobras e cruzamentos. O risco que o grená corria por não reter a bola e ficar todo retraído, além de não abrir o placar, era de cometer algum erro técnico comprometedor. Correu riscos, pois quase fez um gol contra, mas resistiu com intensidade. Nenhuma finalização no alvo foi efetuada na arrancada da partida no Centenário.
Por volta dos 25 minutos de jogo, com maior confiança pelo bom tempo passado sem sofrer, o Caxias começou a existir também no ataque. O Inter até continuava a propor as ações e ter ligeiramente mais a pelota, mas o grená mordia mais na marcação e conseguia mesclar momentos de retenção de bola e outros de contra-ataque. Com a posse, propondo ou reagindo, o time da serra era objetivo, trocava poucos passes e logo buscava diagonais ou cruzamentos, mesmo sem um homem de área. Chegou a ameaçar desta forma, em chutes de média distância e cortes providenciais feitos pela zaga colorada. Inclusive, o conjunto de Luizinho Vieira terminou a primeira etapa com três finalizações contra duas dos visitantes, uma certa surpresa. Ainda assim, era um momento em que a equipe de Roger Machado poderia ter aproveitado das subidas dos donos da casa para também explorar espaços em contra-ataques. No entanto, seguiu lento na troca de passes, pouco organizado no meio-campo, vivendo de bolas paradas. Além disso, não tinha a devida pegada na marcação, sem pressão pós-perda e com certo sobrecarregamento da zaga nas recomposições. Ao menos venceu quase todos os duelos individuais, com bom desempenho da linha defensiva, e também não sofreu para manter a ficha limpa. Deste modo, sem soluções decisivas por parte de ambos os ataques, o 0 a 0 foi inevitável na ida ao intervalo em Caxias do Sul.
No recomeço da partida no segundo tempo, quem voltou foi o cenário de ataque contra defesa visto também na arrancada da etapa inicial. No entanto, apesar de não realizar nenhuma troca de peças, desta vez o Internacional tentava algo diferente, apostando bastante em lançamentos e inversões para alguém que apoiasse ao fundo do lado oposto das jogadas. Ainda assim, continuou impreciso, mandando muitas pelotas diretamente para a linha de fundo. Apesar de permitir os novos avanços colorados, o Caxias mantinha um posicionamento seguro e dificultava estas bolas longas. Todavia, voltava a se retrair demais e ter poucas escapadas, nem mesmo passando do meio de campo com a posse naqueles minutos. Parecia que o marasmo voltaria a imperar no Estádio Centenário.
Entretanto, o confronto voltou a passar por uma mudança significativa de panorama perto dos dez minutos da segunda etapa. De um lado, o Caxias voltou a sair para o ataque. Com a intenção de obter uma vantagem em casa, voltou a adiantar linhas e, sem ser combatido pelo colorado na saída de bola, passou a ser ele quem propunha ações na prática. Do outro lado, Roger Machado finalmente fez trocas no time. Além da mexida tática de esperar mais na intermediária para atrair o grená e explorar espaços, o comandante colorado melhorou a movimentação ofensiva com a entrada de Gustavo Prado no lugar de Wanderson, recolocando Vitinho do lado direito ofensivo. Os donos da casa caíram na armadilha, atacaram de forma muito pouco organizada e os alvirrubros aproveitaram para ter constantes recuperações de posse e contra-atacar bem. Com Bruno Henrique mais perto dos defensores e Braian Aguirre liberado para subir, o colorado finalmente explorou bem os espaços rivais. E justamente com estes dois mais Vitinho no lado onde rende melhor, abriu caminhos para vencer. Aos 21 minutos, o meia lançou muito bem o lateral direito, que chegou ao fundo e passou para o ponta fintar a marcação e finalizar com muita categoria para abrir o placar. Aos 27, o lateral tocou para o meia, que deu excelente enfiada para o ponta chutar quase sem ângulo e, com certa ajuda do goleiro Victor Golas, ampliar o marcador. O Caxias pagou caro pela coragem sem estruturação. O Inter foi premiado por encontrar no lado direito o cenário ideal de transições para furar o bloqueio rival. Àquela altura, o colorado já tinha o triunfo encaminhado.
Com a vantagem e a forma que encontrou para se impor, o Inter estava em um cenário dos sonhos na reta final de partida. Podia administrar esperando no 4–4–2 no próprio campo e contra-atacar com mais espaços diante do desespero rival. O Caxias, que fez substituições para dar mais fôlego e vitória pessoal ao ataque, teve maior posse de bola e até encontrou lances de perigo em cruzamentos, mas não evoluiu significativamente na partida. O grená, na realidade, viveu em um estilo pouco elaborado, “rifador”, especulador. Não conseguiu esconder as limitações técnicas e ainda penou para se proteger de contra-ataques. Não só pela recomposição ruim, mas pela dificuldade dos homens da cobertura de se impor nos duelos individuais. Eram muitas rebatidas e botes errados. O colorado, sim, flertou com uma goleada. Teve alguns lances de igualdade numérica no campo ofensivo. Com mais capricho no acabamento das jogadas e mais intencionalidade de contragolpear, talvez tivesse aumentado ainda mais a vantagem. No entanto, já com uma equipe reserva da reserva, com direito a Ramon como ponta esquerda, ficou com o que já tinha. O que já era excelente. Triunfo dos visitantes confirmado no Estádio Centenário.
Deu a lógica na serra gaúcha. Mesmo com um time praticamente reserva diante da profusão de lesões, o Internacional é superior ao Caxias tanto na técnica quanto na tática. Apesar de um começo moroso, o colorado soube evoluir variando o estilo de jogo e se impôs com certa naturalidade. Preparou uma armadilha, atraiu o grená e castigou com muita velocidade e boas combinações pelo lado direito. Pelo que foi a partida, estava claro que só um dos lados realmente poderia vencer. E venceu. Com uma vantagem de dois gols para decidir dentro do Estádio Beira-Rio, o time de Roger Machado está virtualmente na final do Gauchão. Difícil imaginar que o conjunto serrano vá golear um time que venceu todas em casa no estadual até o momento. Seria um dos momentos mais inacreditáveis da história do futebol brasileiro. Desta vez o alvirrubro não parece que dará brechas para mais uma tragédia diante de times do interior.
CAXIAS
O grená do povo não foi capaz de encontrar uma estratégia salutar para competir em casa diante do Internacional. Sem encontrar soluções para suplantar a inferioridade técnica em relação ao adversário, o treinador Luizinho Vieira viveu um dilema: ou esperava atrás para não perder, mas também não vencia; ou arriscava para tentar vencer, se expunha na defesa e perdia o jogo. Quando optou pela primeira alternativa, de só se defender, competiu relativamente bem. Se postou bem no 4–4–2, não cedeu espaços em precipitações e não precisou de nenhuma defesa do goleiro Victor Golas. Só que, como esperado, não tinha força para contra-atacar. Já quando a escolha do time da serra foi por tentar o “algo a mais” e construir uma vantagem, se desfez no sistema defensivo e pagou caro. Arriscou adiantar as linhas, mas não teve dinamismo na construção das jogadas e foi muito castigado em contra-ataques bem armados pelo colorado. Quiçá mantendo a postura inicial, menos “corajosa”, fosse “mais vivo” para Porto Alegre. Com o 2 a 0 sofrido dentro do Centenário, não é absurdo dizer que o Caxias está praticamente eliminado do Gauchão. Só irá para a final com um milagre no Beira-Rio, onde o rival venceu todos os jogos pelo estadual até o momento.
INTER
Mesmo com a presença de apenas três titulares do time-base que vem do ano passado, o colorado soube encontrar alternativas para sair com uma excelente vantagem de Caxias do Sul. Começou com dificuldades, mas evoluiu dentro da partida e flertou até com uma goleada. No primeiro tempo, realmente encontrou dificuldades para superar a marcação segura dos donos da casa. Sem Alan Patrick e com Bruno Henrique longe dos defensores, a posse de bola vermelha era lenta, previsível e sem conexões entre os setores. O time só atacava pelos lados e sem contundência, com movimentos pouco lúcidos. Na segunda etapa, em contrapartida, soube atrair o grená para o ataque e explorar espaços em transição, aproveitando das quatro peças ofensivas velozes que tinha. Além disso, Bruno Henrique passou a iniciar mais as jogadas e Braian Aguirre, uma surpresa, se tornou peça fundamental no apoio. Mudanças providenciais que abriram caminhos. Boa leitura de jogo de Roger Machado! Desta maneira, com o ótimo triunfo na serra gaúcha, o Inter tem tudo para voltar à final do Gauchão após quatro anos de fora. Diríamos então que o Saci está com um pé na decisão?
ARBITRAGEM
Apesar da válida desconfiança na prévia, desta vez o árbitro “Vin Diesel” teve desempenho seguro. Nenhum erro relevante, ajuda à fluência do jogo com poucas paralisações e manutenção do controle emocional, sem confusões. Além disso, os auxiliares foram muito bem: corretamente validaram os dois gols colorados e anularam um do Caxias por claro impedimento de Richard. Portanto, arbitragem precisa no Estádio Centenário, como se espera em uma semifinal.
FICHA TÉCNICA
🗒️ CAXIAS: Victor Golas; Ronei (Thiago Ennes), Alisson, Lucas Cunha e Kelvyn; Guilherme Mantuan (Paulinho Souza), Vini Guedes, Tomas Bastos, Calyson (Iago) e Nicholas; Richard. Treinador: Luizinho Vieira. 🗒️ INTER: Anthoni; Braian Aguirre, Vitão, Victor Gabriel e Bernabei; Fernando, Bruno Henrique (Ronaldo), Carbonero (Lucca), Vitinho (Ramon) e Wanderson (Gustavo Prado); Enner Valencia. Treinador: Roger Machado. 🧮 Resultado: Caxias 0×2 Inter ⚽ Gols: Vitinho [2×] (Inter) 👟 Assistências: Braian Aguirre e Bruno Henrique (Inter) 🟡 Cartões amarelos: Lucas Cunha (Caxias) | Bernabei (Inter) 🔴 Cartões vermelhos: ❌ 👨⚖️ Árbitro: Jean Pierre Lima (Rio Grande do Sul) 🏟️ Local: Estádio Centenário, Caxias do Sul-RS

BOLA DE OURO DO JOGO: Vitinho/Inter | FOTO: Ricardo Duarte/S.C. Internacional
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