Tropeçando por aí
Na minha vida nada nunca aconteceu como deveria.
Tropeçando por aí

Na minha vida nada nunca aconteceu como deveria.
Eu nasci em um lar estável, um quarto confortável e pais amorosos. E isso é bom. Muito bom. E é assim que deveria ser. Comigo. Com todo mundo.
Mas até o que aconteceu como deveria, aconteceu aos tropeços. Tipo cair, descer rolando um barranco, se machucar, bater a cabeça e, no fim do chacoalhamento, descobrir algo legal no fim.
Eu nasci com icterícia, fiquei alguns dias no hospital e o problema foi resolvido. Depois, fui acusada sem piedade de ter anemia falciforme ainda nos primeiros dias de vida, só para, depois de meses de sofrimento dos meus pais, descobrirem que o médico estava errado. Então veio o estrabismo, mas tudo bem, porque depois de 3 cirurgias e muitos (MUITOS) risos maléficos na escola, o problema foi resolvido.
Entende agora a metáfora do barranco? Sempre foi como ter que cair e rolar para chegar a uma rua bonita, enquanto tenho a fortíssima impressão de que algumas pessoas, simplesmente, ✨caminham✨.
Longe de mim querer me fazer de vítima ou dizer que sou a pessoa mais desafortunada do universo. Não sou. Mas acho minimamente engraçado, entre um choro e outro, essa eterna sensação de “bater o mindinho na mesa 30 vezes e espernear e limpar as lágrimas e depois ver que tudo se resolveu”.
Mas a verdade é que até se resolver, dói.
Me formei na escola com menos do que a média em Física no último semestre, mas era o suficiente para acumular os 60 pontos, então…por que não? Depois, me formei em Letras, fui uma ótima aluna, apesar de ter dois anos comidos pela pandemia e de esquecerem meu nome na cerimônia de colação de grau.
Também consegui um emprego de redatora, ainda antes de sair da faculdade, só para fazer parte dos cortes alguns anos depois. Mas tudo bem porque eu tinha juntado dinheiro o suficiente para fazer algo que eu sempre quis: viajar pela Europa.
Paris e Itália, até que enfim! Luzes, vinhos, canais, gôndolas, pizza e tudo o que uma comédia romântica com Julia Roberts tem direito. É claro que teria sido um filme de maior sucesso se eu não tivesse pego aquela gripe 3 dias antes de viajar ou se não tivesse perdido meu passaporte entre uma cidade e outra, mas quem se importa!
E, no momento em que escrevo, também espero por um resultado que, se der certo, seria o meu maior tropeço de todos os tempos.
E se der errado? Bom, como diria Clarice Falcão, se não desse errado, não seria eu.
메타데이터
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