Projeto Macapá com a Cru Campus
Três semanas no extremo Norte do Brasil cumprindo o IDE.
Projeto Macapá com a Cru Campus
Três semanas no extremo Norte do Brasil cumprindo o IDE.

Foto oficial no final do projeto
Um chamado à dependência
Viajar para o outro lado do país, extremo norte, hemisfério norte, sem estar trabalhando ou ter previsão de recurso próprio, foi, certamente, um chamado à dependência.
Quando Deus começou a me chamar para esse Projeto Missionário, Ele falou, desde o princípio, que eu iria levantar sustento. Diferente de outras missões que fiz com recursos próprios, Deus estava me chamando, dessa vez, a depender dEle e dos irmãos. Meu coração era orgulhoso, não queria ter que pedir nada a ninguém, queria ser autossuficiente e não incomodar ou importunar outras pessoas. Mas Deus me mostrou que a missão não é feita só por quem vai, mas também por quem fica e pode enviar. Me mostrou que quem ofertava na minha vida também estava cumprindo um chamado que Ele dava para cada pessoa e que, não querer isso, era tentar impedir o que Deus poderia fazer através dessas vidas.
Assim, esse informativo tem o objetivo de demonstrar a você, pessoa que orou, compartilhou minha carta de sustento e ofertou na minha vida, todas as coisas que os seus passos de fé contribuíram para que acontecesse.
Treinamentos

Imagem de dois dias de treinamento e da apostila
A primeira parte do projeto consistiu em vários treinamentos. Tivemos em aspectos para fortalecer a nossa fé e garantir que vivemos aquilo que pregamos, por exemplo na aula “Como Experimentar o Amor, o Perdão de Deus e uma Vida cheia do Espírito”; no aspecto de aprender a amar as pessoas que iriamos abordar e como iniciar a conversa, como em “Conectando os perdidos a Jesus e Iniciando Conversas Espirituais”; no aspecto de aprender ferramentas diversas de evangelismo e conexão, como nosso testemunho pessoal, as Quatro Leis Espirituais, o Conecta, Perspectiva e Escolhas de Vida; e também no aspecto mais interpessoal (“Padrão Bíblico para Resolução de Conflitos”), aprofundamento sobre como funciona um movimento (“Movimentos espirituais”), discipulado entre outros tantos que tornaria o texto muito longo se fosse citar um por um.
Os treinamentos foram muito importantes para mim, me deram base para que, quando fomos ao campo, eu já sabia o que fazer com mais tranquilidade. Mas não apenas isso, me deu bagagem também para trazer de volta, poder ensinar outros o que eu aprendi, ter um bom relacionamento com Cristo e com meu próximo e saber o que e como aplicar tudo isso aqui, na minha realidade, no meu campus.
Pequenos Grupos

Meu PG. Da direita pra esquerda, na linha da frente temos: Karine, Tamyres e Érica. Na linha de trás, eu e Maju.
A caminhada cristã não é uma caminhada solitária. Assim, os pequenos grupos, ou PG’s, são a forma utilizada pela CRU para que a gente possa se aproximar e se relacionar com mais profundidade com os outros estudantes. O líder de cada PG, também chamado de facilitador, era um missionário e, no meu caso, foi a Karine.
Nossa divisão em PG’s servia para vários momentos. Tivemos três momentos em que nos reunimos, uma vez em cada semana, para conversar sobre as expectativas, como estava sendo e quais as perspectivas para as aplicações futuras. Além disso, a nossa divisão para o evangelismo era baseada nos PG’s também, mas falarei mais sobre isso na seção “campus — UNIFAP”. As nossas divisões na escala da limpeza e até mesmo quando precisávamos sair era tudo baseado nos PG’s, o que auxiliava também na organização.
Poder estar mais próxima dessas meninas me ensinou muito. Cada uma, com seu jeitinho, do seu estado, com sua história, traumas e testemunhos, me marcou profundamente. Com elas aprendi mais sobre a humanidade que há por trás de cada pessoa na missão, aprendi a ser mais amorosa, tolerante com o diverso, compreensiva e que o Reino de Deus é, realmente, um Reino de amigos.
Campus — UNIFAP

Colagem com alguns momentos na UNIFAP
O campus missionário para o qual o Senhor nos chama é aquele em que estamos no momento. Se você trabalha, lá é seu campo missionário, se você é do lar, sua família é seu campo missionário, se você estuda, ali também é o seu campo missionário. Entendi que a Universidade era meu campo missionário junto com a CRU Campus e, desde 2023, estou atuando na minha universidade — Escola de Arquitetura da UFMG. Mas o Senhor pode nos chamar, também, a ir a outros lugares, permanentemente ou por um período, como foi o caso. O Projeto Macapá surge de uma necessidade dos nossos irmãos do Norte de treinamento e expansão do movimento e para isso nós fomos.
Assim, durante as manhãs e tardes da semana dois e três fomos praticamente todos os dias na Universidade Federal do Amapá — UNIFAP. Apesar de não ser a única Universidade onde tem CRU no Amapá, era a única que estava tendo aulas durante o mês de Janeiro. No primeiro dia buscamos encontrar outros cristãos e fazer com eles o que chamamos de DVC — desafio do voluntário chave. Esse desafio permite entender quais pessoas Deus já tem chamado para servir no campus, descobrindo qual sua visão e desejo para que o Reino se estabeleça ali na universidade.
Nos outros dias, o foco foi mais em evangelismo. Como mencionei antes, estávamos separados em PG’s e, como em evangelismo é sempre importante estar misturado entre homens e mulheres, cada região da UNIFAP ficou ocupada por dois PG’s: um masculino e um feminino. Nós ficamos junto com o PG do Érick e na região da área da saúde.
O cenário do evangelismo era ambíguo: quando iniciávamos as conversas as pessoas eram solicitas e se abriam muito, pudemos presenciar muitas conversas espirituais, pessoas aceitando a Cristo, pessoas que não aceitaram, mas se sentiram abertas a conversar e entender mais sobre e situações similares. Ao mesmo tempo, a medida que os dias iam passando, as pessoas começaram a “fugir” de nós para não serem abordadas. Já estavam nos reconhecendo e começavam a evitar estar pelo nosso caminho. Assim, o Senhor nos direcionou a mudar de estratégia e passamos a fazer de uma forma que as pessoas vinham até nós por curiosidade do que estávamos fazendo, através do varal de conecta — uma das ferramentas que temos que é um jogo com imagens.
Ao final de cada dia nos reuníamos para dar os feedbacks, em forma de “que bom”, “que ruim” e “que tal”. Nesses momentos podíamos ver o que o Senhor tinha feito em outras áreas do campus e nos permitia ser motivados, se não tivéssemos tido um dia muito receptivo, saber pelo que orar, ao ver a dificuldade que outros irmãos passaram ou até mesmo aconselhar e ter ideias em conjunto sobre formas melhores de agir. Em momentos assim, ouvi testemunhos de como parte da comunidade surda daquela Universidade foi alcançada, o que era algo que havia sido colocado como objetivo, em especial pelo missionário Lucas que estava liderando as ações de evangelismo e fala em LIBRAS, assim como alguns outros estudantes. Além da comunidade surda, pudemos abordar também alguns estudantes indígenas, que também é uma comunidade muito presente na UNIFAP. No fim, ainda que nosso campus foi a universidade, pudemos ver também esse ambiente transcultural.

Cenas de evangelismo, resultados em números e projetistas caminhando pelo campus.
Congregar
A Cru Campus é um Movimento Espiritual e, portanto, não é uma igreja, somos aliados e trabalhamos juntos, mas não ocupamos esse lugar. Assim, parte da programação do projeto foi nos aliar com algumas igrejas locais, tanto para que nós pudéssemos congregar no período que estivemos lá, como para apoiar a Cru Amapá. Afinal, é importante saber para onde direcionar novos convertidos e até cristãos que estão longe de casa e precisam de um lugar para congregar.
Meu PG foi para a Igreja Evangélica dos Irmãos Pacoval, uma igreja reformada que fica em Macapá. Foi uma experiência muito legal poder cultuar com irmãos de uma tradição diferente da minha. Isso nos faz refletir sobre o que é essencial no evangelho e o tanto que nos apegamos a pequenas coisas, que não são bíblicas, para nos separar de outros irmãos. A igreja tem uma liturgia muito interessante — diferente da que estou acostumada — mas muito centrada na bíblia, o que é o mais importante. Os irmãos são acolhedores e conversaram conosco como se sempre houvéssemos congregado ali. Que prazer foi estar com eles.

Fotos minhas, do meu PG e da comunhão que acontece após todo culto na IEI — Pacoval.
Evangelismo na cidade, comunhão com os estudantes e com os quilombolas
No segundo sábado do projeto tivemos a oportunidade de dar um treinamento de evangelismo semelhante ao que havíamos acabado de aprender na semana anterior. E, logo em seguida, aplicamos em um evangelismo na praça do meio do mundo. Nesse dia utilizei minhas habilidades artísticas para ficar com o grupo que falaria as crianças e pude fazer pintura facial nelas. Assim outros puderam conversar com as crianças e apresentar o evangelho na linguagem delas e até mesmo conversar e orar com os pais. Também fizemos cartazes e apresentações musicais nesse dia, como formas diferentes de nos conectar com as pessoas para apresentar o evangelho.

Momentos do treinamento e do evangelismo na cidade
No terceiro sábado teve o momento muito especial em que recebemos os estudantes da Cru Amapá no acampamento em que estávamos ficando. Esse dia eu estive doente e não pude participar tanto, mas sei que houve o envio dos missionários da família Ramos (Lucas, Raquel e suas duas filinhas Maria Luiza e Laura) que estavam acompanhando a região sul, mas que agora acompanharão a equipe Elo (a união administrativa da região Centro-Oeste e Norte da Cru Campus). Além de contarem um pouco a história da Cru no Amapá. Foi nesse dia também que o missionário Alexandre (cuja uma das responsabilidades era cuidar do louvor durante o projeto) nos apresentou a paródia que fez para representar o Projeto Nosso Norte e nos emocionou, vocês podem ver o vídeo abaixo.

Momentos dos estudantes da Cru Amapá no acampamento e envio da família Ramos
[embed]Paródia que o Alê fez e conta um pouco do que foram os 20 dias de projeto
Importante especificar que “chopp” é a forma como o macapaense chama o nosso chup-chup (ou din-din, geladinho, gelinho). Enfim, esse doce que tem muitos nomes ao redor do nosso país.
Outro dia específico e especial também foi durante a última segunda-feira do projeto. O acampamento onde estávamos fica dentro da área de um quilombo, que viemos a descobrir que foi o primeiro quilombo cristão do Brasil. Então, nesse dia, recebemos irmãos desse quilombo e fizemos um culto junto com eles. Mais uma vez Deus nos deu a oportunidade de ver como Ele fala em nossa língua, na nossa cultura e o privilégio de experimentar um pouquinho como será nos céus. Em que toda tribo, povo língua e nação estarão juntos, adorando ao Senhor.
Imersão na cultura, Descanso, Lazer e Comunhão
Uma das coisas que pude aprender durante o projeto é que a missão faz parte da nossa vida integralmente. Sendo assim, não há parte que é santa e parte que é “do mundo”, tudo, na integralidade do que fazemos, louva a Deus, inclusive quando nos divertimos. Se Deus é o criador da alegria e essa é justamente a segunda característica do fruto do Espírito, como poderia não ser algo que faz parte da missão?
Assim, tivemos muitos momentos divertidos também. Experimentamos a culinária local, visitamos os pontos turísticos como a Fortaleza, a Casa do Artesão, o Mercado Central, o Museu Sacaca, a Praça do Meio do Mundo, a Orla e o Bioparque da Amazônia. Além disso, no acampamento onde estávamos havia um igarapé (um rio de águas não correntes), em que pudemos banhar e nos refrescar da quentura que o meio do mundo é.

Algumas fotos minhas turistando
Resultados para além de números
Por fim, encerro esse informativo com uma das citações que mais me marcam do criador da CRU, Bill Brigth:
O êxito ao testemunhar consiste simplesmente em tomar a iniciativa de compartilhar a Cristo, no poder do Espírito Santo, deixando os resultados com Deus — Bill Bright.
Ainda que tenhamos tido resultados visíveis em números, sabemos que fomos bem sucedidos no simples fato de obedecer a ordem que Deus nos deu, porque sabemos que o dono da Obra é Ele. Ele quem faz, opera nos corações e transforma vidas. Não é pelo nosso muito falar, mas pela ação do Espírito na vida de cada pessoa abordada. Por isso, incentivo você que leu até aqui a também cumprir o chamado de Deus para cada um dos seus discípulos, onde quer que seja seu campo missionário, apenas diga sim.
“Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos.” Mateus 28:19,20
Para acompanhar mais fotos e vídeos dessa viagem e dos meus próximos projetos, me siga e siga a cru campus no Instagram:
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- 2026-07-13 14:13:31