Leon Trotsky e as “jornadas de maio” de 1937 em Barcelona
Por Grover Furr (2019)
Leon Trotsky e as “jornadas de maio” de 1937 em Barcelona
Por Grover Furr (2019)

Milicia do POUM, o Partido Obrero de Unificación Marxista
*Resumo: Durante as últimas décadas evidências chegaram à luz, provando que Leon Trotsky mentiu muito para encobrir suas conspirações contra o regime de Stalin na URSS. Referências aos estudos que revelam na obra de Trotsky falsidades e conspirações estão incluídas no artigo. O presente artigo demonstra como esta evidência muda a compreensão convencional do assassinato de alguns trotskistas nas mãos do NKVD soviético e de comunistas espanhóis, durante a Guerra Civil Espanhola. Uma breve cronologia das Jornadas de Maio de 1937 em Barcelona foi anexada. *O presente artigo foi traduzido do inglês por Thiago Mackandall. O original pode ser encontrado aqui. As referência podem ser obtidas no original.
Durante as últimas décadas, surgiram evidências que provam que Leon Trotsky mentiu muito para encobrir suas conspirações contra o regime de Stalin na URSS. Em 1980 e nos anos subsequentes Pierre Broué, o principal historiador trotskista do mundo na época, descobriu que Trotsky aprovava o “bloco de direitistas e trotskistas”, cuja existência foi a acusação mais importante nos julgamentos de Moscou, e havia mantido contatos clandestinos com apoiadores, com os quais alegou publicamente ter rompido os laços. Arch Getty descobriu que Trotsky havia contatado especificamente, entre outros, Karl Radek, enquanto ele e Radek continuavam a se atacar em público. Essas descobertas provam que Trotsky mentiu indiscriminadamente em seu depoimento à Comissão Dewey em 1937. [1]
O presente artigo demonstra como essa evidência muda a compreensão convencional dos assassinatos de alguns trotskistas durante a Guerra Civil Espanhola nas mãos do NKVD soviético e dos comunistas espanhóis, por causa de seus papéis na revolta das “Jornadas de Maio” de 1937 contra os governo Republicano, e também por causa da colaboração de trotskistas e do próprio Trotsky com os fascistas contra a União Soviética.
Este artigo apresenta quatro pontos principais:
1- Agentes alemães e franquistas estiveram de fato envolvidos no início da revolta das “Jornadas de Maio de Barcelona”, de 3 a 7 de maio de 1937, contra o governo Republicano.
2- Um ou mais representantes de Trotsky estiveram envolvidos no planejamento, no início e no apoio vigoroso à revolta das Jornadas de Maio de Barcelona em 1937.
3- A descoberta na URSS da conspiração militar conhecida como “Caso Tukhachevsky” foi a faísca que desencadeou o ataque soviético determinado contra os trotskistas na Espanha.
4- Ao ocultar de seus seguidores a verdade sobre suas próprias conspirações, Leon Trotsky os colocou em grave perigo.
Andres Nin, Erwin Wolf e Kurt Landau acreditaram nas repetidas afirmações de Trotsky de que ele era inocente das acusações feitas contra ele nos Julgamentos de Moscou. Suas atividades na Espanha garantiram seus assassinatos nas mãos dos comunistas, que os consideravam colaboradores fascistas porque acreditavam que Trotsky o era.
- O PAPEL ALEMÃO NA REVOLTA DAS JORNADAS DE MAIO
Entre 1939 e 1941, Pavel Sudoplatov foi o diretor assistente da Inteligência Externa Soviética - a Primeira Diretoria (de Inteligência) do NKVD da URSS. Em algum momento de 1939, Lavrentii Beria, Comissário do Povo para Assuntos Internos, colocou Sudoplatov no comando da “Operatsia Utka”, o assassinato de Leon Trotsky. [2] Em suas memórias, *The Intelligence Service and the Kremlin*, Sudoplatov afirma o seguinte:
No interesse da situação política, as atividades de Trotsky e seus apoiadores no exterior na década de 1930 teriam sido apenas propaganda. Mas não é bem assim. Os trotskistas eram também envolvidos em ações. Recorrendo ao apoio de pessoas ligadas à inteligência militar alemã [a ‘Abwehr’], eles organizaram uma revolta contra o governo Republicano em Barcelona em 1937. Dos círculos trotskistas dos serviços de inteligência especiais franceses e alemães vieram informações “indicativas” sobre o ações dos partidos comunistas em apoio à União Soviética. A respeito das conexões dos líderes da revolta trotskista em Barcelona em 1937, fomos informados por Schulze-Boysen … Posteriormente, após sua prisão, a Gestapo o acusou de nos transmitir essa informação, e esse fato figurou em sua sentença de morte por um tribunal hitlerista em seu caso. (Sudoplatov, 1997, p. 58)[3]
O texto do Reichskriegsgericht alemão (Tribunal Militar do Reich) contra Harro Schulze-Boysen foi publicado. Schulze-Boysen era um oficial da Luftwaffe e membro da “Orquestra Vermelha” (Rote Kapelle), grupo de espiões anti-nazistas que canalizaram inteligência para os soviéticos durante a 2ª Guerra Mundial. [4] Em dezembro de 1942, ele e sua esposa Libertas foram condenados por espionagem para União Soviética e executados. O parágrafo relevante é o seguinte:
No início de 1938, durante a Guerra Civil Espanhola, o acusado soube oficialmente que uma rebelião contra o governo vermelho local no território de Barcelona estava sendo preparada com a cooperação do Serviço Secreto Alemão. Esta informação, junto com a de von Pöllnitz, foi transmitida por ele à embaixada russa soviética em Paris. (Haase, 1993, p. 105)
“Pöllnitz” era Gisella von Pöllnitz, uma recruta recente da rede de espionagem anti-nazista da “Orquestra Vermelha”, que trabalhava para a United Press e que passou o relatório à embaixada soviética. O tribunal alemão errou algumas coisas: o ano era 1937, não 1938, e a embaixada soviética era em Berlim, não em Paris, pois Pöllnitz foi presa pela Gestapo. Ela logo foi solta. (Brysac, 2000, p. 237)
Na época em que escreveu suas memórias, na década de 1990, Sudoplatov lamentou muitas das coisas que havia feito no serviço secreto soviético. Mesmo assim, ele ainda insistia que os trotskistas estavam envolvidos com os nazistas na revolta das jornadas de maio de 1937 em Barcelona.
A informação do Tribunal Militar Alemão fornece uma confirmação independente da declaração de Sudoplatov e confirma as suspeitas comunistas de que a inteligência alemã estava envolvida no planejamento da revolta de Barcelona de maio de 1937. De acordo com o general Wilhelm Faupel, embaixador alemão na Espanha, o próprio Franco afirmou que seus agentes foram também envolvido na instigação dessa revolta.
Quanto às desordens em Barcelona, Franco me informou que as brigas de rua haviam sido iniciadas por seus agentes. Como Nicolás Franco [5] me disse mais tarde, eles tinham ao todo cerca de 13 agentes em Barcelona. … um agente tinha conseguido, poucos dias depois de receber essas instruções, fazer com que três ou quatro pessoas iniciassem tiroteios nas ruas e isso produziu o resultado desejado. (Craig, 1951. №254, p. 286)
A revolta das Jornadas de Maio de Barcelona foi um levante contra o governo Republicano, durante o tempo de guerra, por anarquistas e socialistas anti-soviéticos, incluindo o pró-Trotsky POUM (Partido Obrero de Unificación Marxista). [6] O relatório de Faupel e o documento do Tribunal Militar Alemão mostram que Franco e seu aliados alemães naturalmente consideraram essa revolta muito favorável a eles próprios.
- O PAPEL DO TROTSKISTAS NA REVOLTA DAS JORNADAS DE MAIO
Na época do Segundo Julgamento de Moscou, o do “Centro Trotskista Anti-Soviético”, que ocorreu em Moscou de 23 a 30 de janeiro de 1937, a Alemanha de Hitler apoiava maciçamente as forças de Franco contra a República Espanhola, enquanto a URSS era o único apoiador significativo dos Republicanos. Durante o julgamento, a Guerra Civil Espanhola foi diretamente mencionada duas vezes. Na sessão da noite de 28 de janeiro, no decorrer de sua síntese, Andrei Vyshinsky mencionou a mensagem comovente de Stalin a José Diaz, presidente do Partido Comunista Espanhol, na qual Stalin caracterizou a causa da República Espanhola como “a causa comum de toda a humanidade.” (Relatório, 1937, pp. 508–509; Protsess. 1937, p. 206)
Karl Radek foi um dos réus trotskistas mais proeminentes. Ele tinha sido um dos principais apoiadores de Trotsky dentro da liderança soviética desde o início dos anos 1920. [7] Como outros apoiadores de Trotsky, Radek havia “capitulado” publicamente — prometeu abandonar sua lealdade a Trotsky e apoiar as políticas de Stalin — mas secretamente permaneceu um trotskista ativo. Ele e o outro réu de alto escalão no julgamento de janeiro de 1937, Yuri Piatakov, tinham ficado sabendo por Trotsky sobre sua colaboração com o Estado-Maior Alemão e decidiram que eles não poderiam manter sua lealdade a Trotsky.
Durante o julgamento, Radek apelou diretamente aos “elementos trotskistas” em outros países, citando a Espanha:
Devemos dizer aos elementos trotskistas na França, Espanha e outros países - e estes existem - que a experiência da revolução russa mostrou que o trotskismo é um destruidor do movimento operário. Devemos adverti-los de que, se não aprenderem com nossa experiência, pagarão com as suas cabeças. (Report, 1937, p. 550; Protsess, 1937, p. 231)
No Plenário do Comitê Central de fevereiro-março de 1937 em Moscou, Stalin fez dois discursos. No primeiro deles, Stalin expressou intensa hostilidade a Trotsky e seus seguidores, como era de se esperar.
A restauração do capitalismo, a liquidação das fazendas coletivas e fazendas estatais, a restauração do sistema de exploração, uma aliança com as forças fascistas da Alemanha e do Japão para aproximar a guerra contra a União Soviética, uma luta pela guerra e contra a política de paz, o desmembramento territorial da União Soviética, entrega da Ucrânia aos alemães e as províncias marítimas aos japoneses, a preparação da derrota militar da União Soviética se Estados inimigos a atacassem e, como meio de alcançar essas tarefas, a sabotagem, o diversionismo, o terrorismo individual contra os líderes do governo soviético, a espionagem em benefício das forças fascistas japonesas e alemãs - tal era a plataforma política do trotskismo atual que foi apresentada por Piatakov, Radek e Sokolnikov. (Stalin, 1937, p. 17)
Stalin e a liderança soviética consideraram a colaboração de Trotsky com a Alemanha e o Japão um fato comprovado e agiram de acordo. Graças à divulgação de documentos dos antigos arquivos soviéticos, agora possuímos muitas evidências de que Trotsky estava de fato conspirando com os alemães e japoneses. (Furr, 2017)
Em um discurso em 3 de março de 1937, no Plenário do Comitê Central, Stalin mencionou especificamente a nova Quarta Internacional de Trotsky como uma ameaça contínua:
Tomemos, por exemplo, a Quarta Internacional contra-revolucionária trotskista, dois terços da qual é composta de espiões e agentes subversivos. Isso não é uma reserva? Não está claro que esta Internacional de espiões selecionará forças para fazer o trabalho de espionagem e destruição dos trotskistas? (Stalin, 1937, p. 34)
Enfatizando o grave dano que um pequeno número de espiões e sabotadores, mesmo sem uma base na classe trabalhadora, poderia causar, Stalin, no entanto, pediu “uma abordagem individual e diferenciada” ao lidar com pessoas que tiveram simpatias trotskistas no passado.
Mas aqui está a questão - como realizar na prática a tarefa de esmagar e desenraizar os agentes teuto-japoneses do trotskismo. Isso significa que devemos atacar e desarraigar não apenas os verdadeiros trotskistas, mas também aqueles que em algum momento vacilaram em direção ao trotskismo, e então há muito tempo se afastaram do trotskismo; não apenas aqueles que são realmente agentes trotskistas da destruição, mas também aqueles que uma vez passaram por uma rua por onde um ou outro trotskista já havia passado? De qualquer forma, essas vozes foram ouvidas aqui no plenário. Podemos considerar tal interpretação da resolução a ser correta? Não, não podemos considerá-la correta.
Nesta questão, como em todas as outras questões, deve haver uma abordagem individual e diferenciada. Você não deve medir todos com o mesmo padrão. Tal abordagem abrangente só pode prejudicar a causa da luta contra os verdadeiros destruidores e espiões trotskistas. (Stalin, 1937, pp. 44–45)
Stalin passou a minimizar a importância dos trotskistas como força:
… se, apesar disso, os sabotadores trotskistas ainda têm uma ou outra reserva em torno de nosso Partido, é porque a política incorreta de alguns de nossos camaradas sobre a questão da expulsão do Partido e reintegração dos expulsos , a atitude cruel de alguns de nossos camaradas em relação ao destino de membros individuais do Partido e trabalhadores individuais do Partido, artificialmente engendra um número de pessoas descontentes e amarguradas, e assim cria essas reservas para os trotskistas. (Stalin, 1937, pp. 60–61)
No início de março de 1937, Stalin estava falando veementemente contra qualquer tipo de atmosfera de “caça às bruxas” contra os trotskistas, enquanto ao mesmo tempo alertava sua audiência sobre o perigo dos trotskistas como espiões e sabotadores - perigo reforçado pelo testemunho dos réus no julgamento de janeiro de 1937.
Poucos meses depois, tudo mudou dramaticamente sob o impacto de dois conjuntos de eventos que Stalin e a liderança soviética viram como ligados um ao outro e às conspirações admitidas pelos réus do julgamento de janeiro de 1937. O primeiro deles foi a revolta das Jornadas de Maio em Barcelona. Os soviéticos concluíram que agentes de Franco, Hitler e Trotsky estavam profundamente implicados nisso.
O segundo foi o “Caso Tukhachevsky”. Tratava-se da investigação, prisão, interrogatório, julgamento e execução de oito comandantes militares soviéticos de alto escalão que confessaram conspirar contra a União Soviética em aliança com a Alemanha de Hitler e com Trotsky.
- A REVOLTA DAS JORNADAS DE MAIO EM BARCELONA

POUM e outros republicanos marcham em Barcelona, Espanha, 1936
No início de maio de 1937, eclodiu uma revolta armada contra o governo Republicano catalão, liderada por anarquistas e pelo POUM (Partido Obrero de Unificación Marxista). O POUM é descrito de forma breve e precisa por John Costello e Oleg Tsarev:
… o grupo revolucionário catalão de marxistas que declarou guerra a Stalin, acusando o ditador soviético de trair a Revolução ao estabelecer “o regime burocrático de um traidor envenenado”. Instados por seu líder Andrés Nin, os marxistas radicais espanhóis convidaram Trotsky para morar em Barcelona, proclamando a necessidade de derrubar a “democracia burguesa” da administração da Frente Popular da República Espanhola, apoiada pelos comunistas. (Costello & Tsarev, 1993, p. 280) [8]
Um dos líderes do POUM foi Andres Nin, um ex-secretário de Trotsky. [9] Nin havia “capitulado” publicamente - rompido com Trotsky. No entanto, os soviéticos teriam sido tolos em acreditar que essa aparente ruptura foi sincera ou completa. O falecido Pierre Broué, o historiador trotskista mais proeminente de sua época, apontou que o próprio Nin considerava falsas as “capitulações” de todos os outros trotskistas. Broué escreveu:
Lev Sedov chamou o grupo Smirnov de “ex-capituladores” ou de “capituladores trotskistas”. Todos sabiam, a partir de 1929, que as pessoas do grupo Smirnov não capitularam realmente, mas tentavam enganar o aparato, e eram capazes de se organizar como Oposição dentro do partido: o fato era tão conhecido que Andrés Nin, o espanhol deportado da União Soviética em agosto de 1930 explicou isso abertamente a seus camaradas alemães da Die permanente Revolution, que publicaram sua declaração sem nenhum problema aparente. (Broué, 1990, p. 104) [10]
O pesquisador americano Arch Getty encontrou evidências documentais no Harvard’s Trotsky Archive de que os rompimentos de Trotsky com Radek, Sokolnikov e Preobrazhensky eram estratagemas para disfarçar uma conspiração secreta contínua entre eles. Os soviéticos teriam naturalmente suspeitado que o rompimento de Nin com Trotsky também era um disfarce para uma colaboração contínua.
- O POUM E TROTSKY
O POUM não era tecnicamente um partido trotskista. No entanto, foi associado de forma bastante próxima a Trotsky e os trotskistas que muitos o considerariam assim.
*O POUM foi formado a partir de um grupo trotskista e do “Bloc Obrer i Camperol” afiliado à oposição de direita.
O jornal do POUM La Batalla* condenou o primeiro Julgamento de Moscou de agosto de 1936:
Somos socialistas revolucionários, marxistas. Em nome do socialismo e da classe operária revolucionária, protestamos contra o crime monstruoso que acaba de ser perpetrado em Moscou.
A descrição do primeiro julgamento de Moscou como “crime monstruoso” sinalizou que os líderes do POUM tiraram suas análises diretamente de Trotsky.
*La Batalla também elogiou Trotsky ao lado de Lenin, ignorando Stalin propositalmente.
Trotsky é para nós, junto com Lênin, uma das grandes figuras da revolução de outubro e um grande escritor socialista revolucionário. Insultado, perseguido, expressamos nossa solidariedade a ele, sem esconder, ao mesmo tempo, nosso desacordo com algumas de suas opiniões. (Alba & Schwartz, 1988, p. 132)
*A pedido de Nin, o POUM votou para convidar Trotsky para vir morar na Espanha. De acordo com Alba e Schwartz:
Já em agosto [1936], ele [Nin] havia proposto à executiva do P.O.U.M. que, como Trotsky estava exilado na Noruega e não tinha para onde ir, tendo sido rejeitado por muitos países, o P.O.U.M. deveria sugerir à Generalitat de Catalunya que lhe fosse oferecido asilo na Catalunha. … [A] executiva acatou a sugestão … (166) [11]
Enquanto morava na URSS, Nin havia apoiado Trotsky e sido membro da Oposição de Esquerda. Depois de retornar à Espanha, Nin foi a figura chave na formação do grupo trotskista espanhol, a Izquierda Comunista de España.*
*O grupo de “autodefesa” do POUM matou o agente soviético Narvich. (Alba & Schwartz, 1988, p. 234) [12]
Esses fatos podem ser encontrados no livro de Alba e Schwartz Spanish Marxism versus Soviet Communism. Uma História do P.O.U.M. Esta é uma obra muito anti-Stalin em que os autores se esforçam para criticar os comunistas e os soviéticos a cada passo, e insistem na natureza “não-trotskista” do POUM.
No entanto, o POUM era “não trotskista” apenas no sentido formal. Se alguém puder imaginar um partido como o descrito acima e, em seguida, substituir “Stalin” por “Trotsky”, pode ver que esses são os tipos de características que teriam qualificado um partido não comunista como sendo “stalinista” ou uma “frente comunista”. Da mesma forma, o POUM poderia ser caracterizado como “trotskista” ou “frente trotskista”.
De acordo com Broué, os apoiadores de Trotsky relataram a ele em 1936 que a maioria dos “militantes” do POUM em Barcelona eram na verdade trotskistas. (Broué, 1982, p. 77) Não é de admirar, então, que Trotsky despachou Erwin Wolf como seu emissário para a Espanha.
Outra razão para associar o POUM a Trotsky foi seu envolvimento nas Jornadas de Maio de 1937 em Barcelona. Essa revolta contra a República durante sua guerra contra os fascistas foi exatamente o que os réus trotskistas no segundo Julgamento de Moscou de janeiro de 1937 admitiram que, juntos com os alemães e sob a liderança de Trotsky, havia planejado no caso de uma invasão da URSS.
Pyatakov: Por volta do final de 1935, Radek recebeu uma longa carta com instruções de Trotsky … a questão do derrotismo, das atividades militares de sabotagem, de infligir golpes contundentes durante a guerra tanto na retaguarda quanto no exército foi aqui colocada à queima-roupa. ..
Em caso de ataque militar, as forças destrutivas das organizações trotskistas que atuariam no país deveriam ser coordenadas com as forças de fora, sob a orientação do fascismo alemão. A atividade diversionista e destruidora que está sendo conduzida pela organização trotskista-zinovievista dentro da União Soviética deverá ser realizada sob as instruções de Trotsky, que serão acordadas com o Estado-Maior alemão. (Report, 1937, pp. 55–56; 65)
Agora sabemos que agentes alemães e franquistas estiveram envolvidos na instigação da revolta das Jornadas de Maio junto com o POUM e outros. Os soviéticos e os comunistas espanhóis sabiam disso então.
- O QUE AS LIDERANÇAS TROTSKISTAS ESTAVAM FAZENDO NA ESPANHA?
Vários trotskistas proeminentes foram para a Espanha, incluindo Erwin Wolf e Kurt Landau. Paul Preston é um historiador contemporâneo e imparcial da Guerra Civil Espanhola. O relato de Preston sobre os desaparecimentos de Wolf e Landau é o seguinte:
Em setembro de 1937, Orlov conseguiu eliminar Erwin Wolff, que se tornara secretário de Trotsky na Noruega. Em 1936, Wolff desempenhou um papel fundamental na refutação das acusações feitas nos Julgamentos de Moscou e foi uma figura central no Secretariado Internacional que foi o predecessor da Quarta Internacional [organização de Trotsky]. Ele veio para a Espanha para trabalhar com o grupo bolchevique-leninista de Grandino Munis. Em Barcelona, ele foi preso por atividade subversiva em 27 de julho de 1937, libertado no dia seguinte, mas imediatamente preso novamente. Ele foi oficialmente liberado em 13 de setembro, mas nunca foi visto novamente.
Outro trotskista proeminente que desapareceu dez dias depois foi o austríaco Kurt Landau. Um antigo colaborador de Trotsky, Landau tinha uma longa história de militância anti-Stalinista na Áustria, Alemanha, França e Espanha … Na Espanha, ele trabalhou em estreita colaboração com Andres Nin e conduziu a ligação entre o POUM e jornalistas e escritores estrangeiros. .. Ele havia ultrajado os soviéticos com seu panfleto Espanha 1936, Alemanha 1918, publicado em dezembro de 1936, que comparava o esmagamento dos trabalhadores revolucionários da Alemanha pelos Freikorps em 1918 à hostilidade stalinista à CNT e ao POUM na Espanha. Em conseqüência, ele foi difamado pela propaganda soviética como “o líder de um bando de terroristas” e como agente de ligação entre a Gestapo e o POUM. Kurt Landau conseguiu permanecer em liberdade até 23 de setembro de 1937, quando foi sequestrado por agentes soviéticos de seu esconderijo. Como Rein [13] e Wolff, ele nunca mais foi visto. (Preston, 2012, pp. 418–419)
Landau havia rompido publicamente com Trotsky. No entanto, Nin havia escrito que tais declarações de ex-oposicionistas eram falsas. Durante os Julgamentos de Moscou, Radek, Piatakov, Khristian Rakovsky e outros confirmaram isso. Os soviéticos também teriam considerado o rompimento público de Landau com Trotsky uma farsa.
Os escritos de Landau mostram que ele permaneceu ideológica e politicamente sob a forte influência das idéias e escritos de Trotsky. [14] O biógrafo de Landau, Hans Schafranek, mostra que Landau foi à Espanha para apoiar os trotskistas e outras forças semelhantes, principalmente o POUM, em uma tentativa de fazer uma revolução contra o governo Republicano. Erwin Wolf foi para a Espanha como emissário do Secretariado Internacional da IV Internacional, a organização de Trotsky e, portanto, como emissário do próprio Trotsky. Wolf e Landau sabiam que os soviéticos consideravam Trotsky um colaborador fascista e, portanto, os considerariam da mesma maneira.
- CONHECIMENTO PRÉVIO SOBRE A REVOLTA PLANEJADA
Costello e Tsarev tiveram acesso privilegiado aos relatórios enviados a Moscou por Alexander Orlov, chefe do NKVD soviético na República Espanhola. [15] Costello e Tsarev resumem uma parte de um dos relatórios de Orlov da seguinte forma:
Os agentes de Orlov já haviam penetrado na liderança da Federação dos Anarquistas Espanhóis e no POUM. Seus infiltrados reportaram à sede do NKVD sobre os preparativos que os dois grupos estavam fazendo para uma insurreição armada. Isso não era nada novo ou surpreendente para Orlov … Após uma visita a Barcelona, ele relatou a Moscou em dezembro de 1936 “que um levante militar está sendo preparado pelos trotskistas (POUM) em Barcelona para o início de janeiro com o propósito de penetração ativa na organização fascista exposta na fábrica Hispano Suiza”. (Costello & Tsarev, 1993, p. 281)
Em um relatório datado de 22 de fevereiro de 1937, Orlov escreveu:
Há algum tempo tem havido uma associação entre o POUM e a Federação dos Anarquistas Espanhóis tomando forma, que é direcionada à atividade anti-soviética associada ao último julgamento trotskista. (Costello & Tsarev, 1993, p. 469 n. 41)
Esta é uma referência ao Segundo Julgamento de Moscou de janeiro de 1937, durante o qual Karl Radek advertiu os trotskistas na Espanha a se retirarem. Costello e Tsarev relacionam esta revolta planejada com a relatada por Schulze-Boysen:
Essa foi a mesma insurreição independentemente relatada ao Centro pela embaixada soviética em Berlim, após receber uma denúncia anônima de seu agente Harro Schulze-Boysen. A partir de contatos no Estado-Maior da Luftwaffe, ele revelou que agentes alemães também haviam se infiltrado nos círculos trotskistas em Barcelona com a intenção de encorajar o golpe. (Costello & Tsarev, 1993, p. 281)
Em um relatório a Moscou datado de março de 1937, Orlov especifica para a inteligência do NKVD algumas das atividades anticomunistas planejadas pelo POUM:
No momento, várias pessoas foram confirmadas pelo Comitê [Comitê Central do POUM] para o trabalho terrorista. O controle da organização juvenil do POUM foi atribuído primeiro a Tedor Sans, segundo a Mendez, e terceiro a outro chefe da organização chamado Lorenzo. Todos eles têm experiência em atividades terroristas e participaram de vários ataques armados….Ficou estabelecido que o grupo de Blanco [membro da diretoria da organização juvenil do POUM] estava preparando um ato terrorista contra o ex-secretário da Komsomol [organização juvenil comunista] da cidade de Córdoba, Ramon Gorrero, e não conseguiram apenas porque Blanco foi morto no front. (Costello & Tsarev, 1993, p. 469 n.42)
Quando a revolta finalmente estourou em maio de 1937, Orlov relatou a Moscou que o planejamento havia demorado muito.
Há muito se sabe que os FAP [Fascistas, Anarquistas, POUMistas] estão se preparando para um golpe na Catalunha, provocando-o através de uma variedade de meios. (Costello & Tsarev, 1993, p. 281)
Os comunistas espanhóis e o NKVD soviético certamente teriam interpretado a presença de trotskistas importantes como Wolf e Landau como uma evidência adicional de que o levante do Primeiro de Maio havia sido planejado com antecedência e que os trotskistas estavam no planejamento. [16]
- ANDRÉS NIN

Andrés Nin (1892–1937)
Nin e Trotsky trocaram palavras duras sobre a estratégia de Nin como fundador e líder do POUM. No entanto, o mesmo aconteceu com Trotsky e Radek, entre outros, e Nin afirmou em 1930 que tal desentendimento público era um disfarce para a colaboração contínua. Nin permaneceu leal à interpretação de Trotsky sobre a União Soviética, Stalin, o papel soviético na Espanha, e leal a Trotsky pessoalmente. Os soviéticos teriam naturalmente presumido que Nin ainda era um agente trotskista.
O relato de Paul Preston é o mais recente e objetivo desses eventos. Segundo Preston, Nin e outros membros da executiva do POUM foram presos em 16 de junho de 1937, em Barcelona. Nin foi interrogado quatro vezes, mas não fez qualquer confissão de conspiração com os fascistas. Quando Nin se recusou a confessar e foi inútil para um julgamento, Alexander Orlov, chefe do NKVD na Espanha, decidiu matá-lo. Ele foi baleado, provavelmente em 24 de julho. [17] (Preston, 2012, p. 417; Costello & Tsarev, 1993, pp. 291, 470)
- O CASO TUKHACHEVSKY

Marechal russo Mikhail Tukhachevsky (1893–1937), por volta de 1935.
Após a revolta das Jornadas de Maio, mas antes da prisão e subsequente assassinato de Nin, veio à tona o “Caso Tukhachevsky” na URSS. O marechal Tukhachevsky e outros oficiais de alto escalão admitiram ter conspirado com os alemães para instigar uma guerra civil dentro da URSS no caso de um ataque alemão. Tukhachevsky também confessou ter dado planos operacionais do Exército Vermelho aos alemães.
Ao mesmo tempo que Tukhachevsky e outros confessavam, tanto Genrikh Iagoda, ex-chefe do NKVD, quanto Nikolai Bukharin confessaram ter envolvimento semelhante com Trotsky na conspiração para derrubar o governo soviético. [18] Eles também admitiram conspirar com os alemães para instigar uma guerra civil dentro da URSS [19] — essencialmente o que os rebeldes realmente fizeram na revolta das Jornadas de Maio.
Era lógico para os soviéticos presumir que o POUM era trotskista não apenas por seu apoio a Trotsky e oposição aos comunistas (= “stalinistas”, para eles), mas também em sua determinação de apunhalar a República pelas costas durante o tempo de guerra, como os trotskistas, figuras militares e direitistas como Bukharin haviam admitido que planejavam fazer dentro da União Soviética.
Em uma sessão ampliada do Soviete Militar, realizada de 1º a 4 de junho para discutir a conspiração de Tukhachevsky, Stalin afirmou que Tukhachevsky e o resto “tentaram fazer da URSS outra Espanha”. [20] Stalin estava se referindo às descrições de Piatakov e de Radek sobre o plano de Trotsky para sabotar o Exército Vermelho no caso de uma invasão por uma ou mais potências imperialistas. Ele queria dizer: criar uma guerra civil - fazer o que o POUM, os trotskistas e outros fizeram nas Jornadas de Maio em Barcelona. A revolta de Barcelona parecia ser exatamente o tipo de “punhalada pelas costas” em tempo de guerra que os réus do Julgamento de 1937 confessaram ter planejado, a mando de Trotsky, contra a URSS em caso de guerra com a Alemanha e / ou Japão.
Hoje, temos uma grande quantidade de evidências de que Tukhachevsky e os outros líderes militares julgados, condenados e executados com ele eram de fato culpados. Em 1º de junho de 1937, o marechal Mikhail Tukhachevsky escreveu à mão uma longa declaração na qual admitia conspirar contra a União Soviética com o Estado-Maior alemão. Tukhachevsky afirmou que os comandantes discutiram o planejamento de sua revolta com Trotsky.
Em 1932, em mais de uma ocasião, conversei com Feld’man, criticando a direção do exército e a política do Partido. Feld’man expressou grande apreensão sobre as políticas do Partido em relação ao campo. Eu disse a ele que isso deveria nos alertar, trabalhadores militares, para ficarmos em guarda e sugeri a ele que organizasse um grupo militar, compartilhando as visões dos direitistas, que pudesse discutir esses assuntos e dar os passos necessários.
Feld’man concordou e assim foi iniciada a criação da conspiração trotskista militar anti-soviética. Eu disse a Feld’man que já havia estabelecido ligações com Enukidze, que representava a liderança dos direitistas.
Com o retorno do Extremo Oriente de Putna e Gorbachev - Eu acho que isso foi em 1933 - eu falei separadamente com os dois. Putna admitiu rapidamente que já estava em contato com Trotsky e Smirnov. Sugeri-lhe que se juntasse às fileiras da conspiração militar-trotskista, dizendo-lhe que tinha instruções diretas de Trotsky. Putna concordou imediatamente. Mais tarde, após sua nomeação como adido militar, ele foi convidado a manter a ligação entre Trotsky e o centro da conspiração militar-trotskista anti-soviética.
Se não me engano, também por volta dessa época, conversei com I.N. Smirnov, [21] que me disse que ele, por ordem de Trotsky, estava tentando desorganizar os preparativos para a mobilização da indústria na área de cartuchos.
Por volta dessa época, 1933/1934, Romm me visitou em Moscou e disse-me que precisava transmitir as novas instruções de Trotsky. Trotsky apontou que não era mais viável restringir nossas atividades ao simples recrutamento e organização de quadros, … que o fascismo alemão prestaria ajuda aos trotskistas em sua luta contra a liderança de Stalin e que a conspiração militar deve fornecer dados de inteligência ao Estado-Maior alemão, bem como trabalhar em conjunto com o Estado-Maior japonês, realizando atividades perturbadoras no exército, preparar atos diversionistas e terroristas contra membros do governo. Essas instruções de Trotsky eu comuniquei ao centro de nossa conspiração.
Recrutei Eideman em 1932. Ao receber instruções de Trotsky sobre atividades de destruição e espionagem, Eideman pediu que recebesse instruções sobre sua atividade em Osoaviakhim.
Durante o inverno de 1935/1936, Pyatakov me disse que Trotsky agora nos pedia para garantir a [futura] derrota da URSS na guerra, mesmo que isso significasse entregar a Ucrânia aos alemães e o Primor’ye aos japoneses. Pyatakov afirmou que Trotsky levaria a cabo uma luta decisiva para infiltrar seu pessoal no Comintern. Pyatakov afirmou que tais condições significariam a restauração do capitalismo no país.
Ao recebermos as instruções de Trotsky sobre o desencadeamento de uma campanha de atividades de sabotagem, espionagem, diversionismo e atividades terroristas, o centro da conspiração … emitiu várias instruções aos membros da conspiração, com base nas diretrizes de Trotsky.
O centro da conspiração militar trotskista anti-soviética executou toda a sua atividade de destruição e trabalho diversionário exclusivamente de acordo com uma cadeia de comando, dentro dos órgãos de administração existentes dentro do RKKA …
Yakir questionou se, era mais correto, ou não, que o centro militar-trotskista anti-soviético se unisse aos direitistas ou trotskistas.
No outono de 1935, Putna veio ao meu escritório e entregou uma nota de Sedov, em nome de Trotsky, insistindo que eu atraísse com mais energia os quadros trotskistas para a conspiração militar … Além disso, Putna me disse que Trotsky havia estabelecido ligações diretas com o governo de Hitler e o Estado-Maior Alemão, e que o centro da conspiração trotskista militar anti-soviética deveria se encarregar de preparar derrotas nas frentes em que o Exército Alemão operaria.
No final de janeiro de 1936, tive que viajar para Londres para assistir ao funeral do rei britânico. Durante o cortejo fúnebre, primeiro a pé e depois no trem, o general Rundstedt - chefe da delegação militar do governo alemão - falou comigo. Era óbvio que o Estado-Maior alemão já havia sido informado por Trotsky.
Como já indiquei na primeira seção, durante os exercícios militares estratégicos realizados em abril de 1936, sobre a questão da posição operacional de nossos exércitos, troquei opiniões com Yakir e Uborevich. Levando em consideração a diretriz de Trotsky de se preparar para a derrota naquela frente onde os alemães atacariam … Propus a Yakir tornar a tarefa alemã mais fácil por meio de táticas de destruição de diversionismo … [22]
Nem Steven J. Main, que traduziu e publicou esta declaração de Tukhachevsky, nem ninguém tem qualquer evidência de que as confissões de Tukhachevsky não eram genuínas. No entanto, não é aceitável, nem “politicamente correto”, usar essas confissões como prova, porque uma verdadeira conspiração alemã e trotskista, além disso, que incluísse os réus do Caso Tukhachevsky, ameaçaria desmantelar o “paradigma anti-Stalin”, a falsa noção de que Stalin “incriminou” todos os réus. Esse paradigma é virtualmente sacrossanto na historiografia trotskista e anticomunista.
- A CONFISSÃO DE NIKOLAI BUKHARIN ACUSANDO TROTSKY

Nikolai Bukharin
Em 2 de junho de 1937, um dia depois de Tukhachevsky fazer essas confissões, Nikolai Bukharin, que estava preso desde o final de fevereiro de 1937, também confessou saber do trabalho de Trotsky com os alemães.
Falei com PYATAKOV, TOMSKY e RYKOV, com SOKOL’NIKOV E KAMENEV. Tive uma conversa com PYATAKOV no Comissariado do Povo da Indústria Pesada (aproximadamente no verão de 1932). Tudo começou com uma troca de opiniões sobre a posição geral do país. PYATAKOV me informou sobre seu encontro em Berlim com SEDOV sobre o fato de que a TROTSKY estava insistindo em uma transição para métodos terroristas de luta contra a liderança de Stalin e na necessidade de consolidar todas as forças anti-soviéticas na luta pela derrubada do “burocracia Stalinista.”… PYATAKOV insinuava o terror, mas era muito cético em relação a este método de luta, considerando-o uma conseqüência específica da fúria e amargura de Trotsky, com pouca lógica política …
No verão de 1934, eu estava no apartamento de RADEK quando RADEK me informou sobre as diretrizes políticas internacionais de Trotsky. RADEK disse que Trotsky, insistindo no terrorismo, mesmo assim considerava que a chance básica de o bloco chegar ao poder era a derrota da URSS na guerra com a Alemanha e o Japão, e nesse sentido expôs a ideia de um acordo com os alemães e o Japão à custa de concessões territoriais (a Ucrânia para os alemães, o Extremo Oriente para os japoneses). Não protestei contra a ideia de um acordo com a Alemanha e o Japão, mas não concordei com Trotsky quanto à natureza e extensão das concessões … Insisti que a impetuosidade de Trotsky poderia levar a comprometer completamente suas organizações, assim como as organizações de todos os aliados de Trotsky, incluindo os Direitistas …
No verão de 1935, eu estava sentado na varanda da dacha de Radek quando, de repente, três alemães chegaram de carro. RADEK recomendou-me a eles como professores fascistas alemães … Posteriormente, RADEK me disse que um dos alemães era BAUM, e que ele havia negociado com ele antes, por instruções de Trotsky, e que ele, RADEK, havia informado BAUM sobre o Bloco trotskista-zinovievista e sobre o dos Direitistas, mas que não queria conversar com BAUM na presença de outras pessoas …
Lembro-me de mais uma conversa importante em que RADEK insinuou que havia recebido algum tipo de novas diretrizes de Trotsky com relação à política interna e externa. Lembro que fiquei aborrecido em geral com o modo como Trotsky emitiu ordens de vários tipos, com as quais os trotskistas se relacionavam como se fossem os comandos militares de um general. RADEK deu a entender que se tratava de algum tipo de novas negociações de Trotsky com a Alemanha ou a Inglaterra, mas se limitou a falar sobre as diretrizes de Trotsky sobre sabotagem …
Além dessas … conversas, houve reuniões mais curtas e acidentais, onde trocamos pontos de vista brevemente. Destes, os exemplos mais importantes foram os seguintes:
1. RADEK me informou que a TROTSKY sempre insistiu no terror … [23]
Podemos ter quase certeza de que Bukharin estava dizendo a verdade. Bukharin passou a maior parte de seu testemunho durante o Terceiro Julgamento de Moscou de março de 1938 negando certas acusações feitas contra ele pela promotoria - algo que ele nunca teria feito se, por exemplo, sua família tivesse sido ameaçada. Mesmo assim, Bukharin afirmou sua participação no bloco trotskista de direita e as confissões descritas acima. Stephen F. Cohen, uma autoridade mundial e defensor de Bukharin, concluiu em 2003 que Bukharin não foi torturado. [24]
Agora possuímos uma grande quantidade de evidências que confirmam a realidade da conspiração militar-trotskista, incluindo sua conivência com o Estado-Maior Alemão. Para dar dois exemplos:
*Em 2012, Vladimir Bobrov e eu publicamos a carta do marechal Semion Budyonny ao marechal Voroshilov de 26 de junho de 1937. Nela, Budyonny, um dos juízes no julgamento de Tukhachevsky e os outros sete comandantes em 11 de junho de 1937, resumia as confissões no julgamento, incluindo as admissões dos réus à colaboração com Trotsky e os alemães. (Furr & Bobrov, 2012)
*Em maio de 2018, as autoridades russas divulgaram a transcrição oficial de 172 páginas do Julgamento de Tukhachevsky. Em seus depoimentos, todos os réus confessam sua culpa. Entre muitas outras coisas, Vitalii Primakov, um dos réus, confessou que Trotsky o designou, Primakov, para organizar um levante armado em Leningrado em caso de guerra. Tukhachevsky e Vitovt Putna confessaram serem aliados em sua conspiração com os nazistas e com Trotsky. [25]
Os acusados implicaram Trotsky muitas vezes durante seu depoimento. Eles confirmaram a existência do bloco de oposicionistas, incluindo os trotskistas. Sabemos que esse bloco existiu pelas próprias cartas de Trotsky e Sedov, encontradas no Harvard’s Trotsky Archive por Pierre Broué e sua equipe de pesquisadores. (Broué, 1980)
- OS PROCESSOS DE MOSCOU NÃO FORAM UMA CONSPIRAÇÃO
O POUM repetiu a linha de Trotsky de que os Julgamentos de Moscou eram armações contra homens inocentes. Trotsky afirmou que os réus os Julgamentos de Moscou, Tukhachevsky e Bukharin, foram torturados e suas confissões foram forjadas e falsas. Essa linha foi adotada por Khrushchev, Gorbachev e anticomunistas da Guerra Fria, que a repetem até hoje.
No entanto, nunca houve qualquer evidência para apoiar essa visão. Ao contrário, agora temos muitas evidências que corroboram o testemunho dos Julgamentos de Moscou, incluindo a descoberta de que Trotsky mentiu sobre eles. Esta evidência mostra que os réus nos Julgamentos de Moscou testemunharam o que escolheram testemunhar e não foram “forçados” pelo NKVD ou pelo Ministério Público. [26] Portanto, não há fundamentos racionais para não aceitar as confissões dos réus nesses julgamentos como prova. Os únicos motivos para rejeitá-los são o preconceito político.
Vista em seu contexto histórico, a repentina e inesperada campanha soviética e comunista contra os trotskistas faz sentido. O relato de Sudoplatov mostra que os soviéticos tinham evidências do envolvimento trotskista e alemão na instigação da revolta das “Jornadas de Maio de Barcelona”. A carta de Faupel mostra que o embaixador alemão acreditava que os agentes de Franco também estavam envolvidos. A declaração do Tribunal Militar Alemão mostra que o serviço secreto alemão esteve envolvido na instigação da revolta e que os comunistas souberam disso através das ações ousadas dos agentes comunistas von Pöllnitz e Schulze-Boysen.
O POUM agia como um partido trotskista. Os rebeldes pareciam estar fazendo exatamente o que os trotskistas confessaram que há muito planejavam fazer na URSS: revoltar-se contra o governo em tempo de guerra para garantir sua derrota. Os réus trotskistas disseram que Trotsky tinha algum tipo de entendimento com os alemães (bem como com os japoneses). Além disso, agora temos evidências conclusivas que confirmam a colaboração de Trotsky com os alemães e japoneses.
Este é o contexto em que ocorreu o sequestro, interrogatório e assassinato de Nin. É lógico supor que o NKVD e os comunistas espanhóis sequestraram Nin para descobrir o que ele sabia sobre a colaboração nazista / franquista / POUM, e se isso se devia à infiltração nazista ou se fazia parte da própria colaboração de Trotsky com a inteligência alemã.
- ERWIN WOLF
Um dos assessores mais próximos e de maior confiança de Leon Trotsky, Erwin Wolf chegou na Espanha diretamente de Trotsky, que havia se mudado para a Noruega. Georges Vereeken diz que Wolf estava indo para a Espanha não para lutar, mas como representante do “Secretariado Internacional”, o movimento político de Trotsky. (Vereeken, 1976, p. 171). Wolf era a ligação de Trotsky com os trotskistas na Espanha, inclusive com Andrés Nin, com quem trabalhou intimamente. Boris Volodarsky escreve:
Na segunda metade de julho [1937], logo após a prisão da liderança do POUM, Moulin (Hans Freund) organizou uma reunião na qual convidou vários trotskistas proeminentes que ainda estavam em liberdade … Os presentes na reunião foram Erwin Wolf, que estava na Espanha com seu próprio nome, posando como correspondente estrangeiro de vários jornais britânicos, a esposa de Wolf e um espanhol a quem Thalmann [Paul Thalmann, um trotskista suíço] chama de “Munez” em suas memórias, “um verdadeiro líder da os trotskistas espanhóis.”[27] Certamente era Grandiso Munis. A agenda da reunião urgente era discutir a situação política e as chances de um levante revolucionário após as jornadas de maio e as subsequentes prisões. (Volodarsky, 2015, pp. 263–264)
Depois que Wolf e sua esposa foram presos tentando deixar a Espanha, eles ficaram detidos em dois lugares diferentes. De acordo com Volodarsky, Thalmann observou que quando ele próprio foi preso “seus investigadores sempre fizeram as mesmas perguntas: quando ele esteve na Alemanha pela última vez? Quando ele conheceu Trotsky na Noruega? Onde estava o trotskista Moulin? ” (Volodarsky, 2015, p. 265).
Libertado, preso novamente, solto novamente e mais uma vez preso, Wolf foi finalmente libertado pela polícia espanhola em 13 de setembro de 1937, e imediatamente sequestrado, Boris Volodarsky presume, por pessoas que agiam por “Moscou”, ou seja, o NKVD na Espanha sob o comando de Alexander Orlov (266).
- KURT LANDAU

Kurt Landau (1903–1937)
Em abril de 1930, Landau foi um dos membros fundadores do “Bureau Internacional” de Trotsky. De acordo com sua esposa Katia, Landau acreditava na versão de Trotsky sobre o Julgamento de Moscou de 1936, assim como ela. Graças à descoberta de Pierre Broué no Harvard’s Trotsky Archive, sabemos que Trotsky estava mentindo. Trotsky e seus apoiadores soviéticos haviam de fato estado em um “bloco” político clandestino com zinovievistas, direitistas e outros oposicionistas. (Broué, 1980)
Landau supostamente rompeu com Trotsky em 1931. No entanto, sua determinação em defender os réus do Julgamento de Moscou de 1936 é o que se esperaria de um trotskista. Os soviéticos teriam suspeitado que Landau e Trotsky haviam encenado uma briga falsa e trocado insultos como uma cortina de fumaça, assim como Karl Radek e Yuri Piatakov haviam feito.
Landau mudou-se para a Catalunha em novembro de 1936 com Katia. Lá, ele “rapidamente conquistou uma influência substancial junto aos líderes do POUM ao qual se juntou”. (Volodarsky, 2015, p. 273) Segundo Hans Schafranek e Pierre Broué, Landau claramente trabalhou em estreita colaboração com Nin.
[Landau] contribuiu para La Batalla, [o jornal do POUM] e coordenou as relações internacionais do POUM, especialmente em conexão com a preparação da conferência internacional em Barcelona planejada pela liderança do POUM. Ele ainda imaginava “um novo Zimmerwald” do qual o POUM seria o eixo. (Broué, 2008; Schafranek, 1980, p. 80, 85, 86 n.112)
- UMA NOVA REVOLUÇÃO BOLCHEVIQUE?
Tanto Wolf quanto Landau consideraram as Jornadas de Maio como o prelúdio de uma revolução do tipo bolchevique. Landau escreveu que o objetivo era derrubar a República Espanhola burguesa, que ele chamou de “a contra-revolução democrática”. (Schafranek, 1988, p. 475) Os trotskistas viram a República Espanhola através das lentes da revolução de 1917, sendo o governo socialista republicano como o governo socialista de Kerensky, os comunistas espanhóis e soviéticos como os mencheviques e eles próprios como os verdadeiros leninistas, ou Bolcheviques. Eles até formaram um “governo provisório” em 5 de maio. (471)
No julgamento do POUM de outubro de 1938, Nin e Landau foram acusados de serem agentes da Gestapo. (Volodarsky, 2015, p. 278) Os trotskistas no Segundo (janeiro de 1937) e no Terceiro (março de 1938) Julgamentos de Moscou confessaram que Trotsky estava colaborando com os alemães. O mesmo aconteceu com os réus do Caso Tukhachevsky de maio-junho de 1937. Era lógico que os soviéticos e os comunistas em geral suspeitassem que Nin e Landau, trabalhando para Trotsky, também eram agentes alemães.
- TROTSKY E OS ASSASSINATOS DE NIN, WOLF E LANDAU
Os soviéticos sabiam o que Trotsky estava fazendo. Eles sabiam que os réus do Julgamento de Moscou eram culpados pelo menos pelo que haviam confessado. No entanto, Trotsky negou isso publicamente, e os trotskistas acreditaram nele. Eles não sabiam que não era Stalin, mas Trotsky que mentia, em defesa de sua conspiração.
A evidência de que Trotsky mentiu exige que rejeitemos o entendimento convencional da repressão aos trotskistas na Espanha. O ataque soviético aos trotskistas não foi paranoico nem criminoso. Os soviéticos não tinham como saber quanto das atividades conspiratórias de Trotsky Wolf, Nin e outros sabiam. Wolf viera para a Espanha diretamente de Trotsky [que estava] na Noruega, presumivelmente com as instruções de Trotsky. Seria prudente para os soviéticos presumir que Nin e Landau também o haviam feito.
Não sabemos se Nin, Wolf e Landau sabiam da colaboração de Trotsky com os alemães. Durante seu encontro secreto na Noruega em dezembro de 1935, Trotsky deixou claro para Pyatakov que seus planos reais deveriam ser mantidos em segredo de seus seguidores. No entanto, os soviéticos teriam presumido que estavam cumprindo as ordens de Trotsky. Isso foi o suficiente para torná-los agentes alemães aos olhos dos soviéticos.
Foi Trotsky, não Stalin, quem condenou esses homens. Nin, Wolf e Landau foram para a Espanha ou como representantes diretos de Trotsky - Wolf certamente, Nin provavelmente, Landau possivelmente também - ou para ajudar com a agenda trotskista de minar a política Republicana soviética e espanhola na esperança de liderar uma revolução contra o governo Republicano Espanhol.
Nin, Wolf e Landau sabiam que Trotsky estava mentindo para o mundo como, por exemplo, Radek e Piatakov sabiam? Lilia Estrina, uma das associadas mais próximas de Leon Sedov, filho de Trotsky e sua principal assistente política, disse a Pierre Broué que nenhum dos assistentes de Sedov sabia sobre os contatos de Trotsky dentro da URSS, e que apenas Sedov e Trotsky sabiam desses detalhes. (Furr, 2015, pp. 75–76) Pelo que sabemos, apenas os co-conspiradores mais próximos de Trotsky dentro da URSS sabiam do conluio com a Alemanha e o Japão. Claro, depois do Julgamento de Moscou de janeiro de 1937, o mundo também sabia. No entanto, os seguidores de Trotsky fora da URSS escolheram acreditar nas negações de Trotsky.
Landau acreditava nas alegações de Trotsky de que as acusações contra os réus do Julgamento de Moscou de 1936 eram falsas. É possível que Wolf soubesse mais, já que trabalhava diretamente com Trotsky. No entanto, parece improvável que Nin, Wolf ou Landau soubessem a verdade sobre a colaboração de Trotsky com fascistas dentro da União Soviética e com a Alemanha e o Japão. Suas ações sugerem que eles acreditavam que essa era uma acusação cínica e caluniosa. Mas o NKVD soviético sabia que essas acusações eram verdadeiras.
A fortuna política de Trotsky baseava-se inteiramente em sua credibilidade como um leninista de princípios. Seus seguidores políticos acreditavam que Trotsky era honesto e verdadeiro, e que Stalin e seu regime eram os falsificadores.
Hoje podemos provar que muitas das acusações feitas contra Trotsky nos julgamentos de Moscou eram verdadeiras. Se isso fosse conhecido na época, muitos dos seguidores de Trotsky o teriam abandonado. Trotsky sabia disso. Em sua declaração de 19–20 de dezembro de 1936, ao então chefe do NKVD Nikolai Ezhov, Yuri Piatakov descreveu o que Trotsky lhe disse durante seu encontro secreto na Noruega em dezembro de 1935:
… que nem tudo o que ele ia dizer deveria ser relatado aos seus seguidores na URSS. Ele mencionou mais uma vez a diferença entre a preparação de um golpe de Estado e uma revolta em massa e, neste contexto, muito do que ele estava a dizer não deve apenas não ser tornado público (e, portanto, não deveria estar surpreso que muito disso contradiz o que é dito em seus ‘Boletins’), mas também não deve ser divulgado a círculos mais amplos de seus apoiadores na URSS [28] (TsA FSB 1936–1937, LD 264)
Os soviéticos sabiam que Wolf era o representante de Trotsky na Espanha. Eles sabiam ou presumiam que Nin e Landau também eram representantes de Trotsky. Era razoável acreditar que eles ou outros como eles estavam em contato com os alemães quando se juntaram à rebelião das Jornadas de Maio.
Os soviéticos e os comunistas espanhóis são às vezes condenados por assassinar esses trotskistas e por falsificar documentos para incriminar o POUM. Mas os Aliados da 2ª Guerra Mundial acreditavam que não era crime em tempo de guerra assassinar agentes alemães e forjar documentos falsos para incriminá-los. Essas e outras medidas drásticas foram amplamente empregadas contra a Alemanha.
Nin, Wolf ou Landau teriam ido para a Espanha se soubessem o que sabemos hoje sobre as mentiras e conspirações de Trotsky? É possível que eles não tivessem aderido de forma alguma à causa de Trotsky. Mas eles acreditaram em Trotsky e pagaram por isso com suas vidas.
APÊNDICE: CRONOLOGIA DA REVOLTA DAS JORNADAS DE MAIO DE 1937 EM BARCELONA
- 2 de maio: Forças do governo Republicano atacam a central telefônica e os anarquistas que a controlavam.
- 3 de maio: Forças governamentais retomam a central telefônica. Anarquistas atiram neles. O POUM, os trotskistas (“Bolcheviques-Leninistas”) e os anarquistas retiram armas ocultas, acumuladas em vez de serem enviadas para a frente para lutar contra os fascistas e constroem barricadas. A guerra civil começa em Barcelona.
- 4 de maio: Unidades anarquistas e do POUM ameaçam deixar o front e marchar sobre Barcelona e Madri, mas são dissuadidas por apelos de seus líderes ou por ameaças de serem bombardeados pelas forças do governo.
- 5 de maio: a luta continua, com mortes de ambos os lados. Um “governo provisório” é formado por líderes rebeldes.
- 6 de maio: tropas governamentais de Madri e Valência avançam em direção a Barcelona. Navios de guerra republicanos convergem para o porto. As forças governamentais começam a desarmar grupos rebeldes.
- 7 de maio: A revolta termina em Barcelona e nas cidades vizinhas, com a derrota das forças anarquistas, POUM e trotskistas.
NOTAS DE RODAPÉ
[1] Trotsky teve que mentir, é claro, em defesa de suas conspirações contra o regime soviético, liderado por Stalin. A descoberta moderna das mentiras de Trotsky começou com o artigo de Pierre Broué (Broué, 1980). Durante as décadas de 1980 e 1990, Broué publicou mais descobertas das mentiras de Trotsky. Em 1986, o estudioso americano Arch Getty revelou ainda mais mentiras de Trotsky (Getty, 1986). Broué e Getty basearam suas pesquisas em descobertas no Harvard’s Trotsky Archive, aberto a estudiosos em 2 de janeiro de 1980. O presente autor estendeu o trabalho de Broué e Getty em vários livros, comparando os artigos de Trotsky em seu Bulletin of the Opposition com as fontes ele usou, e baseando-se em documentos de arquivos anteriormente secretos soviéticos, disponíveis após o fim da URSS. Para essas descobertas, e um exame atento das mentiras de Trotsky reveladas por outros estudiosos, ver Furr (2015), cap. 12–16; Furr (2017); e Furr (2019). [2] “Operatsia‘ Utka ‘”significa literalmente“ Operação ‘Pato’.” “Utka” era aparentemente um acrônimo para as palavras russas “ustranenie Trotskogo”, “remoção de Trotsky”. A melhor discussão desta operação que encontrei está em Vishliov (2001), pp. 123–140. “Utka” foi decifrado em 127–128. [3] Todo o negrito neste artigo é do presente autor. [4] Um clássico relato da Red Orchestra é Perrault (1969). [5] Nicolás Franco Bahamonde era irmão de Francisco Franco. [6] Para uma breve cronologia da revolta, consulte o Apêndice. [7] O artigo de Radek no Pravda de 14 de março de 1923, intitulado “Leon Trotsky - o Organizador da Vitória”, assinalou o início da campanha de Trotsky pela liderança do Partido Bolchevique depois que Lenin foi definitivamente afastado por repetidos golpes. [8] As frases “o regime burocrático de um traidor envenenado” e “democracia burguesa” foram tiradas de Thomas,1961, pág. 382, que cita o jornal do POUM chamado A Revolução Espanhola de 3 de fevereiro de 1937. [9] “Secretário” aqui significa “membro do secretariado”, ou seja, assistente político próximo. [10] Em um artigo subsequente, Broué corrigiu a referência do jornal onde Nin fez esta revelação: era “Die Lage der russischen Arbeiterklasse, ”Der Kommunist 12 (início de novembro) 1930. Ver Broué (1997), p. 44 [11] De acordo com o trotskista francês René Dazy, Nin fez esta proposta ao governo catalão (Generalitat) em 7 de dezembro de 1936: “Le 7 décembre 1936, Andrèu Nin proposa en conseil des ministres de Catalogne d’accorder l’asile politique à Trotski. ” Dazy (1981), p. 177 [12] De acordo com o biógrafo de Landau, Hans Schafranek, o líder do POUM Julián Gorkin admitiu em 1983 que havia dado a ordem para que Narvich fosse morto. Ver Schafranek (1988), 502 e 547 n. 400 [13] “Rein” era Mark Rein, filho de um proeminente menchevique antibolchevique. Rein “veio para a Espanha como correspondente para várias publicações anti-stalinistas, incluindo o jornal judeu de Nova York Forward. Em 9 de abril de 1937, ele deixou o hotel Continental em Barcelona e nunca mais foi visto. ” (Preston. 2012, 407) Rein era um anticomunista dedicado. Seu assassinato, porém, foi separado do destino dos três trotskistas Wolf, Landau e Nin. [14] Pelo menos um documento no Harvard’s Trotsky Archive prova que Landau permaneceu em comunicação escrita com Trotsky ainda em 1936–1937. [15] Esses arquivos foram posteriormente reclassificados, então Costello e Tsarev é o único relato que temos do conteúdo dos relatórios de Orlov. Podemos verificar o que Costello e Tsarev citaram de outros arquivos. O Arquivo Volkogonov na Biblioteca do Congresso contém fotocópias dos originais de alguns dos relatórios de Mark Zborowski para seus manipuladores do NKVD sobre Leon Sedov. Os textos desses documentos no livro de Costello e Tsarev correspondem exatamente a esses originais. É razoável supor que eles também copiaram com precisão de outros arquivos soviéticos. [16] É significativo que nem Wolff nem Landau tenham sido presos e “desaparecidos” até depois do levante do Dia de Maio. [17] Preston acredita que Nin não foi torturado. [18] As confissões de Iagoda sobre Trotsky estão em Iagoda (1997). A confissão de Bukharin é discutida posteriormente neste ensaio. [19] Eu uso a palavra “conspiração” aqui, porque Bukharin afirmou que ele nunca realmente se encontrou com Trotsky ou alemães, mas insistiu que estava envolvido com outros que o fizeram. [20] Stalin (1996) [1937], 115. Original em Khaustov & et al. (2004), p. 206; Stalin (n.d.) vol. 14, em http://www.hrono.ru/libris/stalin/14–5.html [21] Trotsky e Sedov identificaram Ivan Nikitich Smirnov como o líder dos trotskistas clandestinos dentro da URSS (Broué, 1980; Broué, 1997). [22] As únicas confissões publicadas de Tukhachevsky estão em Molodaia Gvardiia 9 (1994), 129–135 e 10 (1994),255–266. Eles estão online, como um texto, no site russo “Historical Materials” muito útil http://istmat.info/node/28950. Para conveniência do leitor, citei a tradução parcial para o inglês em Main (1997). A primeira parte de As confissões de Tukhachevsky são datadas de 1º de junho de 1937; a segunda parte não tem data, pelo menos na versão publicada, mas pode ter vindo um ou vários dias depois. [23] Bukharin (1937). Para uma edição e um exame acadêmico da primeira confissão de Bukharin, ver Furr & Bobrov (2007). [24] Koen (2003), 60–61. Para uma discussão detalhada, consulte Bobrov & Furr (2010). [25] Mais discussão sobre a carta de Budyonny pode ser encontrada no Capítulo 9 de Furr (2015). [26] Em Furr (2015) e Furr (2018), verifiquei cuidadosamente as declarações nas confissões dos Julgamentos de Moscou que podem ser verificado de forma independente. [27] A referência aqui é a Thalmann (1974), p. 198. [28] Meus agradecimentos a Vladimir L. Bobrov, de Moscou, por obter esta parte importante do arquivo de investigação de Piatakov.
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