Jeff Beck: Arte acima de Popularidade?
Você conhece o Jimmy Page. Claro que conhece o Eric Clapton. Mas e o Jeff Beck? E se eu te dissesse que ele é melhor do que os dois juntos?
Jeff Beck: Arte acima de Popularidade?
Você conhece o Jimmy Page. Claro que conhece o Eric Clapton. Mas e o Jeff Beck? E se eu te dissesse que ele é melhor do que os dois juntos?
Calma, é só uma farpa.

Jeff Beck é extremamente reverenciado por inúmeros guitarristas, mas por que o público em geral ainda desconhece a sua influência? Não é por acaso! (Foto: Robert Knight)
Por que fazer essa reflexão?
Tenho estado em uma fase muito Jeff Beck, principalmente a parte do fim dos anos 60-início dos 70, com o Jeff Beck Group. Nunca me foi um desconhecimento completo a respeito dessa banda, mas, voltando ao passado mais uma vez, algumas percepções ficaram muito óbvias na minha cabeça: é impressionante a qualidade musical dessa fase do Beck!
A sensação é que essa banda seria tão grande quanto foi qualquer outra gigante da época, mas… por que não foi? Por que não ouvimos o Jeff Beck Group junto ao Led Zeppelin, ao Deep Purple, ao Creedence, ao T-Rex, ou qualquer outra que você queira imaginar?
E isso me leva a questão:
Até onde a arte deve ficar acima da popularidade? Até onde o artista deve considerar ser comercialmente bem sucedido sem, ao mesmo tempo, se vender às “amarras” do sucesso e da ganância financeira?
Esse é um pêndulo bem difícil de se equilibrar. Vamos falar sobre isso.

Em 1966, Jeff Beck participou do filme “Blow Up”, de Michelangelo Antonioni, junto com os Yardbirds. Na ocasião, ele encena um número rock n’ roll quebrando uma guitarra. (Foto: Rede Sociais)
Yardbirds (1965–1966)
Profissionalmente, a carreira do Jeff Beck começa nos Yardbirds, a banda que os três citados no início — Jimmy Page e Eric Clapton — começaram também. Este tempo junto à banda londrina não durou muito: talvez Beck tivesse um pensamento além do que somente ficar tocando hits das paradas para o público adolescente; visão que Clapton teve pouco tempo antes de sua entrada.
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Jeff Beck Group (1968–1973)
A próxima empreitada foi se investir como artista solo, já que tinha a fama local de ser um guitarrista acima da média. O primeiro single foi o “**Hi Ho Silver Lining” junto com o icônico instrumental “[Beck’s Bolero](https://open.spotify.com/intl-pt/album/5HyIzVed87uFCnyMhB8vfZ?si=1Z8Akvn3TjOSaUO2Exb9xw)”, que reuniu Keith Moon, John Paul Jones e, ponto importante, Jimmy Page.**
A experiência em estúdio e nos clubes rendeu o encontro com Rod Stewart e Ronnie Wood, que fariam parte da primeira formação do Jeff Beck Group, junto com Mickey Waller. Com essa line-up, a banda gravou dois álbuns: **Truth (1968) e [Beck-ola](https://open.spotify.com/intl-pt/album/5U29fXcBHWNrUrFI1ol8Oi?si=_G3ie4YNQv6w9LX7ghpmUg)** (1969). Se você parar para prestar atenção, esses dois discos nada mais são do que o primeiro do Led Zeppelin: em sonoridade, em unir o blues a improvisação, e levar isso até as últimas consequências. Parecem dois irmãos que não se encontraram na infância.
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Até a escolha de covers bateu, porque os dois gravaram “**You Shook Me” do bluesman Muddy Waters. Coincidência? Eu diria que não. Os dois estavam bem alinhados ao que estava acontecendo na época — ou o que viria depois. Mas então, o que separou o caminho do revolucionário do esquecido? Por que uma se tornou mega conhecida e a outra ficou escondida **em um tapete da história? Onde estão os irmãos que foram desunidos!?
Pois é, o Jeff Beck Group não era tão unido quanto o Led Zeppelin.

Em 1969, na turnê para promover o álbum “Truth”, o Jeff Beck Group teve, em uma das noites, a participação caótica do Led Zeppelin, recém lançando o primeiro álbum nos Estados Unidos. (Foto: David Redfern)
Primeiro, Peter Grant, um dos pilares do futuro sucesso do Zeppelin, deixou de ser empresário de Beck para investir esforços no novo grupo de Page. Uma rasteira. Segundo, Rod Stewart já estava começando a se incomodar de ser somente um “vocalista contratado” de Beck. Claro, ele também queria ser estrela do espetáculo. Terceiro e o mais importante: talvez Beck já tivesse se “cansado” do tipo de som que estava sendo feito.
Ponto de virada (1970)
A soma desses fatores fez com a banda ficasse fora de combate durante todo o ano de 1970, voltando para o ano seguinte diferente — sem Rod Stewart. Para os próximos álbuns, os dois últimos da banda, o Jeff Beck Group contou com Bobby Tench no vocal. Não somente isso, a abordagem musical mudou consideravelmente, sendo muito mais funky, com influências da música americana, principalmente do selo Motown.
Particularmente, é a fase que eu mais gosto, composta pelo “**Rough and Ready” e o autointitulado “[The Jeff Beck Group](https://open.spotify.com/intl-pt/album/05EXIH9FUzc1QflLQelO9D?si=Hfl7Xtg_R669cbjOv4uiMQ)*”. Mas assim, na teoria, não era o caminho mais racional a se fazer, visto que as bandas britânicas cresciam com uma sonoridade hard rock*, seguindo a esteira do Led Zeppelin. Mas… seguir isso para quê? A arte não deveria falar mais alto?
Não fazia sentido. Bom, pelo menos para o Jeff Beck não fazia sentido.

A fase pós “Blow by Blow” é, por muitos, o crème de la crème da carreira de Beck, incluindo seu maior sucesso comercial “Cause We’ve Ended as Lovers”. (Foto: Paul McAlpine)
Beck, Bogart & Appice (1973–1974)
Coincidentemente, ou não, os trabalhos mais aclamados viriam nos anos seguintes, quando Beck começou a fazer somente músicas instrumentais. Antes disso, porém, teve um outro projeto: mais uma demonstração que o “cansaço” de Jeff já tinha chegado até mesmo com a segunda formação do Jeff Beck Group. Todo cansaço reorganizado pode ser tornar inspiração.
Em 1973, montou um supergrupo com o baixista Tim Bogert e com o baterista Carmine Appice, ambos antigos Vanilla Fudge e Cactus. O trio rendeu um único álbum, “**Beck, Bogert & Appice**” (1973), que dá continuidade ao estilo fusion já inicialmente introduzido nos dois últimos álbuns com o Jeff Beck Group. Foi interessante — não comercialmente.
Fase Jazz Fusion (1975-Presente)
Finalizado o experimento, voltaria a carreira solo e lançaria a sequência “**Blow by Blow” (1975), “[Wired](https://open.spotify.com/intl-pt/album/0vo9nZNFMaFASINLCzmzcU?si=K_e4bHKFRYKsAVkSWXIxBw)” (1976) e “[There and Back](https://open.spotify.com/intl-pt/album/78t12uSwuovbPej9QbW2ir?si=3fNO1QjXTvKqBi3_l1Aetw)**” (1980): de longe, os trabalhos mais conhecidos da carreira de Beck. Chega ser curioso, não precisou pronunciar uma palavra sequer para ser mais notado, visto que são três álbuns instrumentais fantásticos. Dá para escutar sozinho.
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Daqui em diante, Beck seria conhecido como esse virtuose incansável, que seguiu um tipo de aclamação completamente diferente dos seus parceiros Clapton-Page. Por conta disso, eu diria, que talvez não seja tão reconhecido, principalmente fora do Reino Unido, como os outros dois.

Em 2023, a revista Rolling Stone colocou Jeff Beck em quinto lugar na lista dos cem melhores guitarristas da história, somente atrás de Eddie Van Halen, Jimmy Page, Chuck Berry e Jimi Hendrix. (Foto: Simone Joyner)
Consideração final
A conclusão é: o Jeff Beck não fez questão de ser conhecido durante toda a sua carreira. Eu não digo por falta de vaidade, mas por escolha própria. Ele preferiu colocar os instintos à frente na hora de saber para onde a música dele iria, e isso fez ele fechar muitas portas, naturalmente. Deveria ser mais valorizado? Talvez. Mas isso não tira nada da grandiosidade dele.
É aquela frase, “no meio de três filhos, sempre tem um que é mais diferente”. E honestamente, que bom que seja assim! Eu não queria mais um Clapton ou mais um Page no mundo — eles são únicos — assim como é o Jeff Beck. O rock deve muito a ele, assim como a música como um todo.
Obrigado, Becks.
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메타데이터
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