The Mastermind: inteligências arrogadas brilhantes tropeçam em delírios de grandeza como…
Título: The Mastermind Países de origem: Reino Unido e Estados Unidos (2025) Duração: 110 minutos Gênero: crime; assalto Direção, roteiro e…
The Mastermind: inteligências arrogadas brilhantes tropeçam em delírios de grandeza como demonstração de apatia pró-coletividade motivada em novo longa de Kelly Reichardt

Pôster promocional de “The Mastermind” (Imagem Filmes e MUBI, 2025), longa dirigido, roteirizado e editado por Kelly Reichardt que integrou a seleção oficial de Cannes 2025. Foto: divulgação/Imagem Filmes e MUBI.
Título: The Mastermind Países de origem: Reino Unido e Estados Unidos (2025) Duração: 110 minutos Gênero: crime; assalto Direção, roteiro e montagem: Kelly Reichardt Produção: Neil Kopp, Anish Savjani e Vincent Savino Fotografia: Christopher Blauvelt Direção de elenco: Gayle Keller Direção de arte: Anthony Gasparro Música: Rob Mazurek Mixagem sonora: Geoff Maxwell Figurino: Amy Roth Distribuição (Brasil): Imagem Filmes e MUBI Elenco: Josh O’Connor, Alana Haim, Hope Davis, John Magaro, Gaby Hoffmann, Bill Camp
Os olhares atentos de James Blaine Mooney (Josh O’Connor) escondem entre nebulosa sobriedade a ambição de conquista devedora ao próprio brilhantismo. O vagar silenciosamente lento das sombras registradas à câmera de Christopher Blauvelt em The Mastermind (Imagem Filmes e MUBI, 2025) emula o movimento fugidio de quem, apesar de cerebral, parece não saber antecipar as óbvias chances de insucesso de uma empreitada criminosa. Oprimido às expectativas paternas que, vocacionais, pareciam trair o (branco) destino de classe, o protagonista de Josh O’Connor idealizaria o roubo de quatro obras do Museu de Arte de Framingham como saída financeira aos desmandos do juiz Mooney (Bill Camp) e, tendo sido delatado, o marido de Terri (Alana Haim) transformaria a fuga de Massachusetts em outra empresa mal-sucedida.


Oprimido às expectativas paternas de consecução do destino de classe, JB (O’Connor) idealiza o roubo de quatro obras de arte do Museu de Framingham e, porque descoberto, improvisa fuga tão ou mais atrapalhada do que o intento original. Fotos: divulgação/Imagem Filmes e MUBI.
Sob a trilha predominante de instrumentais de jazz e à semelhança contudo não idêntica da engenhosidade melódica do gênero musical, JB comprovara ter sucumbido ao improviso de sua falha inteligência em meio a uma série de crassos erros. Porque infenso às nuances da conjuntura setentista nacional, a indiferença ao drama societário estadunidense quase conseguiria afugentar a personagem da responsabilização, não fosse o encontro abrupto com os dilemas e com as injustiças do período. De maneira pouco óbvia, o roteiro de Kelly Reichardt faz do comentário sobre desejos vazios de grandeza alerta para a volatilidade do comprometimento das hegemonias sociopolíticas com o debate de soluções relacionadas ao progresso coletivo e para as consequências inter ou intragrupos desta categoria de ações pró-mobilidade social.
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