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Por quê é bom?#2“O Brutalista(2024)”

8.5-⭐⭐⭐⭐

GabrielYoda-Cinema/Série · 2025-05-12 22:59 · 0 claps · 3.7 min read
#filmes #2024 #análise #cinema #óscar
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Por quê é bom?#2“O Brutalista(2024)”

8.5-⭐⭐⭐⭐

Um homem em busca de liberdade na dita terra da liberdade, mas que, paradoxalmente, o trata como um prisioneiro — é este o cerne simbólico de O Brutalista, uma obra que se desdobra entre dicotomias da arte,amor e significado.

Pôster customizado feito por @sebsmakesart

Pôster customizado feito por @sebsmakesart

As pessoas daqui não nos querem aqui.Existe uma descrição melhor de um cubo do que a de sua construção? — László Tóth.

Este é um filme de tensões — entre dois homens, entre visões de mundo, entre a criação e sua corrupção.

Um épico moderno que acompanha a ascensão do “herói” através de sua genialidade intrínseca, com o intento de alcançar o cume por meio da arquitetura, arte e perseverança. Porém, seu caminho é obstado pela figura antagônica interpretada com frieza por Guy Pearce. Sua presença não apenas impõe oposição, mas encarna a própria perversão do ideal artístico, servindo de veículo para uma crítica aguda ao poder corrosivo do capital — numa leitura quase anedótica do peronismo e de sua instrumentalização da estética.A obra revela-se, então, uma ruminação filosófica sobre o preço da integridade. A partir de sua segunda metade, o filme mergulha num clímax emocional em que a família do protagonista confronta o “patrão”, num gesto de catarse fleumática, acumulada após tempos de subserviência e iniquidade.

Adrien Brody expõe a genialidade de László.

Sua performance sustenta com estoicismo e profundidade esse colosso cinematográfico. A sua dor, perseverança e a avidez por transcender através da arte se manifestam não em palavras, mas em gestos, olhares e silêncios. Há uma expressividade quase ascética em sua interpretação: ele molda, com o corpo e a alma, uma figura que resiste à ruína tanto externa quanto interna. Sua visão do mundo — meticulosa, quase obsessiva — é transmitida sem verborragia, mas com a eloquência silenciosa dos grandes intérpretes. Não à toa, sua atuação foi reconhecida pela Academia com o merecido Oscar de Melhor Ator.

Brody carrega esse filme.

já é de altíssimo nível o longa,e ainda assim consegue elevá-lo. Há uma simbiose entre ator e personagem tão intensa que sentimos que só poderia ser ele.

Cores

O trabalho na coloração é digno de nota: cenas sob céus saturados evocam a esperança inicial e o idealismo do protagonista, enquanto os ambientes reclusos são marcados por alto contraste e baixa luminosidade, transmitindo uma sensação pervasiva de clausura psíquica. As roupas mais escuras — especialmente nos momentos de maior tensão — reforçam o desgaste físico e mental do personagem de Brody. Guy Pearce, por outro lado, é constantemente apresentado em posições de superioridade visual, compondo uma imagem de arrogância e domínio. Seu personagem incorpora a máxima do poder financeiro: com dinheiro, ele influi, subjuga, molda. E ainda que tente maquiar seu desprezo pelos estrangeiros com certo verniz de admiração pela genialidade de László, percebemos que a xenofobia é latente e ubíqua, e que sua deferência é apenas um disfarce obsequioso da mesma indiferença estrutural.

O tamanho é importante

A longa duração do filme não é gratuita: ela influi na experiência, permitindo que o espectador aceda à magnitude dos detalhes, às nuances de uma vida dedicada à criação. O tempo se torna cúmplice da densidade emocional e ética do enredo.

O Brutalista não trata apenas de arquitetura — trata de viver. De erguer uma existência sob as ruínas simbólicas da modernidade, enfrentando pressões díspares e onerosas: as demandas implacáveis de um patrono obsessivo, a fragilidade da esposa adoecida, o peso das expectativas sociais, e a solidão silenciosa de quem carrega o fardo de criar algo eterno em meio ao caos efêmero. Até mesmo a utopia do “mundo dos sonhos” — figurada pela Estátua da Liberdade — revela-se permeada por barreiras invisíveis e deveres que, longe de libertarem, enclausuram.

Conclusão elegante e energética

Vemos enfim a tão aguardada finalização da obra de László — momento em que, mesmo diante das ruínas emocionais, tudo será enfim apresentado com clareza: seus feitos, sua entrega, sua luta. Uma catarse edificante, onde a matéria e o espírito, por fim, se encontram.Isso vemos por cenas panorâmicas,estruturas, cinematografia e por fim discurso.

Talvez o melhor momento do filme

Talvez o melhor momento do filme


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