Rio de Janeiro apresenta alta de sífilis gestacional
Mais de 75% das mulheres com o diagnóstico são pretas e pardas.
Rio de Janeiro apresenta alta de sífilis gestacional
Mais de 75% das mulheres com o diagnóstico são pretas e pardas.
Por: Ana Luísa Santos Alves e Thaís Pires Drummond

Foto: Reprodução/ Imagens/ TV Brasil
Um boletim epidemiológico divulgado pelo Observatório Epidemiológico do Rio (EpiRio) em 2023 revelou um crescimento preocupante da taxa de gestantes com diagnóstico de sífilis na cidade do Rio de Janeiro. Em 2013, a taxa era de 24.6 por 1000 nascidos vivos, e em 2023, a mesma taxa chegou a 100.1. Das mulheres diagnosticadas, mais de 75% são pretas e pardas.
A sífilis é uma doença infecciosa que pode ser transmitida por via sexual, por contato com sangue (por meio de agulhas, por exemplo) e também por via materno-fetal, de acordo com a médica ginecologista Renata Muniz de Araujo Pelinca. Sobre esse último caso, ela explica: “a transmissão é mais elevada quanto mais avançada for a gestação. Para a mãe, na maioria das vezes (a doença) é assintomática. Para o feto, pode cursar com abortamento, má formação e até óbito intra-útero”. O site oficial do Ministério da Saúde informa que a única forma de prevenir a doença é por meio do uso de preservativo masculino ou feminino.
Um dos fatores da alta na taxa de diagnósticos de sífilis gestacional por 1000 nascidos vivos origina-se do fato de que a cidade do Rio possui um grande percentual de detecção da doença em grávidas já na atenção primária. Isso leva a um número de casos mais elevados em comparação a outros municípios, diz o médico de família e comunidade Renato Cony Seródio, que atualmente ocupa o cargo de Subsecretário de Promoção, Atenção Primária e Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS-Rio).
“Quando a gente compara com municípios que não tem uma taxa de detecção tão alta, que não ofertam uma cobertura de teste rápido e de VDRL (sigla em inglês para Estudo Laboratorial de Doenças Venéreas, exame para diagnóstico da doença) adequada, obviamente o Rio vai ter uma taxa maior.” afirmou o subsecretário. “Pelos dados do Ministério da Saúde, mais de 98% das nossas gestantes fazem o rastreamento de sífilis na gestação”.
Seródio explica que o acompanhamento da mãe e do bebê na rede pública é realizado em Clínicas da Família e Centros Municipais de Saúde através de programas como o Cegonha Carioca. O projeto, implementado em 2011, atua promovendo a garantia do acompanhamento da gravidez desde o pré-natal até o parto, o incentivo a realização de exames e a redução da mortalidade materno-infantil. Através de um teste rápido com o resultado disponível em até 30 minutos o diagnóstico de sífilis é dado à paciente.
Segundo o médico, o tratamento das gestantes diagnosticadas com sífilis é feito com penicilina (benzetacil), que está disponível em todas as Clínicas da Família: “a gestante tem que usar, na imensa maioria dos casos, três doses semanais. Então, ela vem três semanas seguidas, toma as três doses e resolve o problema”.
Quando questionado sobre a porcentagem acentuada de mulheres pretas e pardas que são diagnosticadas com a doença, o subsecretário relatou:
“Depois da abolição da escravatura, levou-se muito tempo para se pensar em políticas sociais que incluíssem a população preta. Isso só foi começar a ser considerado com mais seriedade a partir da Constituição de 88 e da criação do SUS. Então, ainda há um déficit muito grande dos serviços públicos para as populações periféricas, dos quilombos e é óbvio que, consequentemente, essas populações estão muito mais suscetíveis à maior parte dos agravos.”
Seródio continua: “A gente corrige isso investindo nas comunidades. E hoje, no município do Rio de Janeiro, essas 240 clínicas estão principalmente nos locais de maior vulnerabilidade da nossa população. Então é investir em política pública para a população vulnerável.”.
De acordo com o subsecretário, o objetivo da SMS-Rio é que haja um padrão de excelência para todas as gestantes, independente da sua cor: “O que a gente faz é treinamento focado nos nossos profissionais na discussão principalmente do racismo institucional. (…) a gente também tem um comitê de saúde da população negra, que foi instituído esse ano no gabinete do secretário e que promove uma série de materiais, escreve materiais e promove treinamentos para a nossa rede.”
As Unidades de Atenção Primária do Rio de Janeiro disponibilizam a testagem para sífilis e outras ISTs (infecções sexualmente transmissíveis) para toda a população. Para ser atendido, basta comparecer a um Centro Municipal de Saúde ou a uma Clínica da Família portando documento de identidade. É possível conferir mais informações no site da prefeitura.
메타데이터
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