Uma Liturgia de Lamento para o Advento
Communion Arts
Uma Liturgia de Lamento para o Advento
Jack Bass — Unsplash
O deserto e a terra ressequida se regozijarão; o ermo exultará e florescerá como o açafrão; irromperá em flores, mostrará grande regozijo e cantará de alegria. A glória do Líbano lhe será dada, como também o resplendor do Carmelo e de Sarom. Eles verão a glória do Senhor, o resplendor do nosso Deus. Fortaleçam as mãos cansadas e firmem os joelhos vacilantes. Digam aos desanimados de coração: “Sejam fortes, não temam! O seu Deus virá, virá com vingança; com retribuição divina virá para salvar vocês”. Então, os olhos dos cegos se abrirão, e os ouvidos dos surdos se destaparão. Os coxos saltarão como o cervo, e a língua do mudo cantará de alegria. Águas irromperão no ermo, e riachos, no deserto. A areia abrasadora se tornará um lago, e a terra seca, fontes borbulhantes. Nos antros onde antes havia chacais, crescerão a relva, o junco e o papiro. Ali haverá uma grande estrada, um caminho que será chamado Caminho de Santidade. Os impuros não passarão por ele; servirá apenas aos que são do Caminho; os insensatos não o tomarão. Ali não haverá leão algum, e nenhum animal feroz passará por ele; nenhum deles se verá por ali. Só os redimidos andarão por ele. Os resgatados do Senhor voltarão. Entrarão em Sião com cânticos; alegria eterna lhes coroará a cabeça. Júbilo e alegria se apossarão deles; tristeza e suspiro deles fugirão. — Isaías 35:1–10, NVI
Ó Vem, ó vem, Emanuel!
Senhor do Advento, em nossa espera pela Tua chegada, sentimos o peso da escuridão em nosso mundo e em nossos corações. Embora tenhamos esperança de que o Cristo vindouro seja uma luz que brilha nas trevas, ainda assim, permanecemos entre essas sombras, aguardando que a luz de Cristo ilumine tudo o que está obscuro.
Enquanto esperamos neste Advento, nos encontramos em tensão. Hosanas e Aleluias estão sentadas à mesma mesa. Gritos e louvores da mesma voz. “Alegrai-vos” entoado em tom menor.
Enquanto esperamos nesta tensão do Advento, encontra-nos aqui, Senhor. Vem a nós em nossa necessidade, assim como Cristo veio sem hesitar aos humildes e pequenos. Encontra-nos aqui, curvados em nosso lamento, ansiando pela Tua chegada.
Ó Cristo, em nosso desespero, ansiamos por Tua esperança. Em nossa inquietação, ansiamos por Tua paz. Em nossas dores e tristezas, ansiamos por Tua alegria. Em nosso medo, ansiamos por Teu amor.
Assim como Teu povo esperou e lamentou, ansiando pela vinda do Messias, nós também esperamos e lamentamos, nas grandes e pequenas tristezas destes dias.
Enquanto choramos em nosso solitário exílio aqui, tudo o que temos para trazer a este Rei Menino que chega são os gritos do nosso lamento. Confiando que Tua esperança está vindo, depositamos nossas tristezas diante de Ti, Senhor, para que Tu possas guardá-las e curá-las.
Trazemos a Ti o luto pela perda de eventos importantes. A perda de celebrações, encontros e momentos especiais. Trazemos a Ti a perda dessas expectativas e alegrias, a perda de memórias que poderiam ter sido criadas e do tempo precioso com entes queridos. Deus, nós lamentamos.
Senhor, tem misericórdia. Cristo, vem depressa.
Trazemos a Ti o luto pelo tempo perdido em ambientes de aprendizagem e crescimento. Pelo aprendizado dificultoso, pela perda de comunidade, por uma série de eventos que foram planejados e nunca acontecerão. Pela perda do senso de pertencimento e do apoio que vem desses lugares, pela dor das despedidas repentinas ou da falta delas, Deus, nós lamentamos.
Senhor, tem misericórdia. Cristo, vem depressa.
Trazemos a Ti o luto pela perda de trabalho e sustento. Por aqueles afetados pela perda de emprego e oportunidades, não apenas pela perda de renda e sensação de estabilidade, mas também pela perda do propósito presente em usar seus dons para carreira e serviço. Pelo fechamento de negócios que tornam nossas comunidades vibrantes. Pelo fardo de ser dispensado ou demitido e o fardo de ter que dispensar e demitir. Deus, nós lamentamos.
Senhor, tem misericórdia. Cristo, vem depressa.
Trazemos a Ti o luto pelo caos em nossas vidas. Pelas ondas sucessivas de adversidades, pelos efeitos colaterais de crises em nosso mundo e lares de inúmeras maneiras. Pela dor e problemas que são muito maiores do que nossa capacidade de suportar. Pela ansiedade e estresse que sentimos, pelo esgotamento que vem com repensar até as menores partes de nossas rotinas e normalidade. Por aqueles que estão paralisados e tentando lidar com situações difíceis enquanto se sentem isolados, Deus, nós lamentamos.
Senhor, tem misericórdia. Cristo, vem depressa.
Trazemos a Ti o luto dos trabalhadores que enfrentam maiores riscos e pressões no cumprimento de seus deveres. Pelo medo e exaustão daqueles que servem ao público, pelas dificuldades enfrentadas pelos profissionais de saúde e suas limitações em curar, por aqueles que trabalham incansavelmente para manter nossa sociedade funcionando. Pelas igrejas, pastores e líderes, sentindo-se insuficientes nestes dias para encorajar e confortar seu povo. Deus, nós lamentamos.
Senhor, tem misericórdia. Cristo, vem depressa.
Trazemos a Ti o luto pelas dificuldades em casa, pelos lares que carecem de paz nos relacionamentos, pelas crianças temerosas, por aqueles que vivem em solidão. Lamentamos pelos idosos isolados, pelas famílias separadas pela distância. Pelos pais exaustos e crianças lutando com mudanças em suas vidas. Por todas as dores dos lares, Deus, nós lamentamos.
Senhor, tem misericórdia. Cristo, vem depressa.
Trazemos a Ti o luto pela luta em responder e atender às necessidades. Pela dificuldade de nossos líderes em liderar em tempos de crise. Pelas pessoas em situação de vulnerabilidade e comunidades que estão sentindo maior impacto enquanto trabalham para sobreviver com menos recursos. Pelas pessoas ao redor do mundo que enfrentam desafios aparentemente intransponíveis. Deus, nós lamentamos.
Senhor, tem misericórdia. Cristo, vem depressa.
Tirou‑me a paz, e esqueci‑me do que é prosperidade. Por isso, digo: “O meu esplendor já desapareceu, bem como tudo o que eu esperava do Senhor”. Lembro‑me da minha aflição e do meu delírio, da minha amargura e do meu pesar. Lembro‑me bem disso tudo, e a minha alma desfalece dentro de mim. Todavia, lembro‑me também do que me pode dar esperança: Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis. Renovam‑se cada manhã; grande é a sua fidelidade! Digo a mim mesmo: “A minha porção é o Senhor; portanto, nele porei a minha esperança”. — Lamentações 3:17–24, NVI
Assim como Tu mostraste em Tua vinda como um humilde Bebê em uma manjedoura que estás próximo dos quebrantados de coração, fica perto de nós agora.
Assim como Teu convite aos improváveis para fazerem parte do nascimento do Messias mostrou Tua benignidade aos humildes em suas dificuldades, mostra-nos Tua benignidade agora.
Cremos que Tu não temes a escuridão, mas Te apressas em direção a ela para fazer brilhar Tua luz.
Vem, ó Emanuel.
Ó Cristo, a esperança para nosso desespero; a paz para nossa inquietação, a alegria para nossas dores e tristezas, o amor para expulsar nosso medo.
Vem, ó Emanuel. Senhor, tem misericórdia. Cristo, vem depressa.
Fortalece nossa fé em Tua vinda para fazer todas as coisas como devem ser, para que possamos nos unir à Tua Igreja cantando,
Alegrai-vos! Alegrai-vos! Emanuel virá a ti, ó Israel. Cantamos em voz alta, ainda que seja em tom menor. Cantamos alegrai-vos. Senhor Jesus, vem depressa. Amém.
Original: An Advent Liturgy of Lament; © Communion Arts, 2024
A liturgia acima foi escrita em contexto de pandemia do COVID-19. O texto foi adaptado apenas referenciar o lamento por circunstâncias adversas em geral. — Daniel Vieira
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- 2026-06-09 15:37:30