Necromantes e os Debates Teológicos
Necromancia é uma arte mágica de trazer os mortos de volta à vida, seja em espírito ou fisicamente. Esse tipo de coisa é amplamente…
Necromantes e os Debates Teológicos

Necromancia é uma arte mágica de trazer os mortos de volta à vida, seja em espírito ou fisicamente. Esse tipo de coisa é amplamente condenada nas Escrituras, e geralmente traz à memória o relato do Rei Saul e a feiticeira (1 Sm. 28).
O que acontece é que, no mundo dos debates teológicos e de ideias em geral, há várias pessoas que gostam de praticar esse tipo de arte medonha com coisas mortas, apenas para causar mais e mais escândalo, desvio e dano à fé das pessoas. Eis os necromantes!
Nos últimos anos, essa laia vem praticando suas artes profanas mais abertamente dentro da igreja, se valendo do falso valor e virtude do “politicamente correto” e da “moderação”. Criou-se uma imagem de um cristão não-conflitivo, nem mesmo no campo da teologia e das ideias. Com isso, mata-se o combate às heresias e arrasta-se para fora de sepultura os escândalos. Os necromantes operam sua magia diante de todos.
Eles andaram bastante ocupados nos últimos anos, e poucos ficaram atentos para seus esquemas. Alguns dos escândalos trazidos de volta ao mundo dos vivos foi a questão de ministério feminino. Isso estava morto há séculos, pois ele parte de um pressuposto muito simples, que as palavras do Apóstolo Paulo e d’outros autores bíblicos são relativas ou inautênticas. Ou seja, não interessa o quanto os necromantes afirmem que confessam as Escrituras como Palavra de Deus e autoritativa, o pressuposto de uma interpretação relativa ou d’o texto ser inautêntico está lá. Contudo, o necromante ou não percebe isso ou é desonesto quanto a isso, em qualquer caso, não deveria estar ostentando o cargo ministerial, professoral ou qualquer cargo de autoridade na Igreja. Afinal, estaria sendo desonesto ou incompetente.
Isso que acima foi falado é apenas uma parte do problema… outros pontos existem, porém, eu não desejo me delongar nesse específico assunto. Outros assuntos também estão pipocando aqui e ali na igreja.
O Antinomismo é outro zumbi trazido direto das profundezas do inferno pelos necromantes na igreja. O próprio Lutero já teve que lidar com essa casta de feiticeiros, os quais tiram seu poder de uma confusão entre Lei e Evangelho. Pouco a pouco, aboliu-se dos púlpitos a pregação d’o que as Confissões Luteranas chamam de terceiro uso da lei, e abrandou-se os dois primeiros (FC-DS V e VI). Hoje os pastores tem medo ou vergonha de pregar a Lei, ou simplesmente não o sabem fazer. O motivo disso? Ensino ruim e medo de ser “legalista” igual pastores antigos ou de igrejas pentecostais, medo de voltar a um “papismo” de salvação por obras e olimpíada de boas obras na igreja (como se isso fosse parar de acontecer).
O resultado disso foi a pregação de um Evangelho que responde a um problema inexistente. Sem a Lei, não há pecado; sem pecado, o Evangelho é uma “palavra edificante” qualquer, não muito diferente daquela de um guru qualquer. O Apóstolo Paulo já nota isso em Romanos 5–6 (reflita especialmente sobre Romanos 5.20). Se a igreja já não mais denuncia o pecado e não pode prover solução a este problema, então ela precisa atrair o ser humano através de uma outra coisa. Eis que criou-se o conceito de culto como entretenimento. Então, cria-se uma apresentação, muda-se o vocabulário teológico e eclesiástico, esconde-se as partes que desagradam o ouvinte, e a igreja torna-se o lugar que você vai para “se sentir bem”.
Eu vejo alguns colegas criticando esse conceito de culto como entretenimento de maneira um pouco desfocada. O problema não está necessariamente nas questões estéticas de um culto evangelical. É preciso cortar o mal pela raiz, e esse mal é o antinomismo moderno, o monstro remendado pelos necromantes do tal luteranismo radical.
Novamente, outros pontos poderiam ser trazidos aqui, mas meu objetivo neste texto não é rebater essas coisas com profundidade; apenas denunciar, isto é, trazer as questões para o público e começarmos a pensar juntos em como defender a fé da Igreja diante dessas bestas mortas-vivas e seus necromantes.
Para isso, é importante reconhecer que muitos pastores e leigos não foram ainda ou não conseguem ir ao fundo de questões como essas, para traçar as origens dos debates e seus necromantes.
Cabe a todos nós agirmos com amor e paciência, para conscientizar as pessoas desses males e seus perpetuadores.
Mais um mal, este menos morto, pois sempre atazanou a Igreja desde sua concepção, é o gnosticismo. Irmãos, essa heresia possui vasto alcance e é muito sorrateira. Não se enganem com definições de dicionário sobre ela. O gnosticismo moderno se apresenta em muitas formas, seja na rejeição velada às palavras e aos eventos do Antigo Testamento, seja na defesa de uma espiritualização exacerbada do culto; seja numa ideia de evolução espiritual, de uma metamorfose da alma, seja na defesa de uma neutralidade ou androginia divina. Uma outra forma de gnosticismo é a rejeição da ordem da criação e da matéria (que geralmente envolve reinterpretação de Gênesis 1–3) ou a tentativa de trazer o transcendente para dentro do imanente, como Voegelin define. O pior, talvez, é que todos os outros problemas descritos acima também podem fazer parte de uma espécie de gnosticismo.
Como identificar um necromante e escapar do feitiço?
O primeiro passo é um exercício de anamnése. Pense bem e tente identificar a origem dos teus pensamentos teológicos, para que você saiba que não há nenhum feiticeiro falando através de você, direto no seu subconsciênte. Depois, quando engajar com as ideias, faça o mesmo exercício, de identificar e rastrear a origem dos pensamentos sendo defendidos. A falta de profundidade na argumentação demonstra que você está de frente a um lacaio do necromante; quanto maior a profundidade, então, maior será o nível do necromante.
Esse tipo de exercício não é novo. Uma versão dele é justamente recomendada por Tertuliano e outros Pais da Igreja, os quais traçavam a genealogia doutrinária de uma igreja pela origem do ensinamento. Em outras palavras, eles examinavam a tradição daquele que falava e ensinava na igreja.
Tenha em mente, assim como o ensino correto (Ortodoxia) vem de uma tradição, isto é, de um ensino passado de geração em geração entre bons cristãos, o ensino errado (Heterodoxia) também quer ser tradição. Mas sobre essa verdade dogmática, eu falarei outro dia e talvez em outro lugar.
Por ora, reflitam apenas sobre os necromantes da teologia e suas artes profanas, e reflitam sobre vocês mesmos e a origem das ideias.
Que Deus derrame sua graça sobre todos.
Abraão Calóvio 6 de Abril de 2025
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