COPA DO MUNDO 1974: ALEMANHA, A DEMOLIDORA DE FAVORITOS
Depois de alguns anos (sim!!!!), volto a fazer os textos sobre a nossa querida e fascinante Copa do Mundo. Vamos retomar a partir de 1974.
COPA DO MUNDO 1974: ALEMANHA, A DEMOLIDORA DE FAVORITOS

Logo oficial da Copa de 1974
Depois de alguns anos (sim!!!!), volto a fazer os textos sobre a nossa querida e fascinante Copa do Mundo. Vamos retomar a partir de 1974.
A 10ª edição do torneio apresentou outro time que entraria para a história do futebol, ‘O Carrossel Holandês’. Se trata da Seleção Holandesa. Retornando a uma Copa após 36 anos, os comandados de Rinus Michels fizeram história com o icônico Futebol Total.
Porém, Johan Cruyff e cia não levaram o troféu para Amsterdã, pois do outro lado tinha a Alemanha, que assim como em 1954, desbancou a grande seleção do torneio.
Sede da Copa

Estádio Olímpico de Munique, palco da Final
8 anos depois, a Copa voltava para a Europa. Pela primeira vez, o torneio ocorreu na Alemanha. Na época, tratava-se da Alemanha Ocidental, uma vez que o país estava dividido desde 1949 entre dois blocos: Ocidental (Aliada aos EUA), e Oriental (Aliada a URSS). Divisão essa que foi acentuada em 1961, com a construção do Muro de Berlim.
Aliás, quis o destino que as duas se encontrassem naquela Copa, mas falaremos sobre isso mais tarde.
Os jogos aconteceram em Munique, Berlim Ocidental, Hamburgo, Dortmund, Dusseldorf, Gelsenkirchen, Frankfurt, Hannover e Stuttgart.
Eliminatórias e Regulamento
99 seleções participaram das Eliminatórias. Dessas disputas, 14 delas se juntariam ao Brasil (atual campeão) e Alemanha Ocidental (sede), totalizando 16 participantes.
Depois de 4 edições, houve uma mudança importante no regulamento.
Na primeira fase, o processo seguiu o mesmo. 16 times divididos em 4 quadrangulares.
Agora, ao invés do já tradicional mata-mata, os dois melhores de cada grupo formaram outros dois grupos com 4 equipes.
Os vencedores dos dois quadrangulares fariam a final da copa, enquanto os vice-líderes fariam a disputa do terceiro lugar.
Campeão
[embed]Vídeo: rluiz66
A Seleção Alemã caiu no Grupo 1, juntamente com Chile, Austrália e a Alemanha Oriental.
Desde o sorteio, esse confronto foi cercado de muita tensão e expectativa por conta da relação conflituosa dos dois países.
Antes, os ocidentais venceram o Chile na estreia por 1x0, gol de Breitner.
Na segunda rodada, vitória convincente contra a Austrália por 3x0, gols de Overath, Cullman, e o craque Gerd Muller.
Chegou a última rodada. E o tão temido e esperado encontro aconteceu: Alemanha Ocidental x Alemanha Oriental.
[embed]Vídeo: VintageHDtv
Os ocidentais já estavam classificados, enquanto os orientais precisavam de um empate para assegurar a vaga.
O jogo foi muito tenso, pegado, mas surpreendentemente limpo, sem maiores brigas.
Aos 37 do segundo tempo, o improvável aconteceu. Sparwasser abriu o placar para a Alemanha Oriental.
O placar se manteve inalterado até o fim. Vitória oriental por 1x0.
Foi um dos resultados mais surpreendentes da história das Copas, pois a Alemanha Ocidental era bem mais forte tecnicamente e tinha estrelas do quilate de Beckenbauer, Gerd Muller e Sepp Maier.
Até hoje, existem teorias da conspiração dizendo que os ocidentais perderam de propósito para não cair em um grupo mais forte na segunda fase.
Curiosamente, o grupo dos orientais acabou sendo o grupo da morte, pois estavam na mesma chave, Brasil, Argentina, e a sensação daquela copa, a Seleção Holandesa.
Bem, voltemos à trajetória dos futuros campeões. A Alemanha Ocidental ficou no Grupo B, ao lado da Polônia, Suécia e Iugoslávia.
A Alemanha passou de passagem nessa fase. Venceu a Iugoslávia por 2x0 (Breitner e Muller), goleou a Suécia por 4x2 (Overath, Bonhof, Grabowski e Uli Hoeneß), e venceu a Polônia por 1x0 (Gerd Muller).
Dessa forma, a Alemanha Ocidental chegou à Final contra a Holanda.
Mesmo jogando em casa, a Alemanha não era favorita, pois os holandeses encantaram o mundo com um futebol envolvente e inovador, o Futebol Total.
E parecia que seria um passeio holandês. Aos 2 minutos do primeiro tempo, a Laranja Mecânica abriu o placar com gol de pênalti marcado por Neeskens.
Para se ter noção do brilhantismo daquela seleção, a Holanda marcou o primeiro gol antes mesmo que os alemães tocassem na bola.
Porém, a Alemanha não se intimidou e tratou de ‘quebrar’ o carrossel. Aos 25 minutos da primeira etapa, Breitner empatou, também de pênalti.
Aos 43 do primeiro tempo, Gerd Muller virou o jogo e deu a segunda Copa do Mundo para a Seleção Alemã.
Final, Alemanha bicampeã 2x1 Holanda.
Curiosidades

Foto: VI Images via Getty Images
Após o tricampeonato em terras astecas, a Taça Jules Rimet ficou em posse ‘definitiva’ do Brasil. Pelo menos até 1983, quando o troféu foi roubado, e nunca mais encontrado.
A partir de 1974, as seleções brigariam por uma nova taça: O Troféu FIFA World Cup. Diferente da antiga, o campeão leva a taça pra casa, e outra é feita para a próxima Copa.
A Copa de 74 também teve um grande componente político, e essas tensões começaram bem antes do mundial:
[embed]Vídeo: Última Divisão
No playoff que definiria uma das vagas, Chile e URSS se enfrentaram. Na partida de ida em Moscou, 0 a 0.
O jogo decisivo seria realizado no Estádio Nacional de Santiago, no dia 21 de Novembro de 1973.
Prontamente, os soviéticos se negaram a disputar o cotejo no estádio. O Chile vivia sob a ditadura de Augusto Pinochet, e o Estádio Nacional, além de práticas esportivas, serviu como um local de detenção e torturas de opositores.
No final das contas, a URSS não apareceu, e o Chile venceu por WO.
O juiz ainda apitou o começo do jogo, e os chilenos fizeram um ‘gol simbólico’.
Essa partida ficou conhecida como o ‘Jogo Fantasma’.
[embed]Vídeo: Última Divisão
Outro drama político envolveu a seleção do Haiti, e envolve também um marco. Ocorreu o primeiro caso de doping das Copas.
Apesar da derrota para a Itália por 3x1 na estreia das copas, os haitianos fizeram uma partida bastante digna e chegaram a sair na frente, encerrando a invencibilidade de 1142 jogos do lendário goleiro italiano Dino Zoff.
Porém, após a partida, o jogador Ernst Jean-Joseph foi pego no exame antidoping.
O país vivia sob a ditadura de Jean-Claude “Baby Doc” Duvalier, herdeiro do famoso “Papa Doc”. Era um regime brutal, sustentado por corrupção, milícias e censura, mas que usava o futebol como instrumento de orgulho nacional e distração popular.
Após o exame, Joseph foi capturado pelos soldados de Baby Doc, torturado e enviado de volta à Porto Príncipe.
O pânico se instalou entre os jogadores do Haiti. Pânico esse que influenciaria no desempenho da Seleção naquela Copa, visto que nas partidas seguintes, os caribenhos perderam por 7 a 0 para a Polônia e por 4 a 1 para a Argentina.
[embed]Vídeo: reggieoneill
Outra seleção que jogou a Copa com uma arma na cabeça (literalmente) foi o Zaire (Atual República Democrática do Congo).
O Zaire venceu a Copa Africana de Nações de 1974, que na época classificava o campeão para o Mundial. Dessa forma, o Zaire se tornou o primeiro país da África subsaariana a disputar a Copa.
Por conta da conquista, o governo do país presenteou os jogadores com casa e automóvel.
Porém, o governo do Zaire era exercido por Mobutu Sese Koko, ditador implacável e sanguinário. Com certeza, ele não daria esses ‘mimos’ sem querer algo em troca.
O Zaire caiu no grupo com Iugoslávia, Brasil e Escócia.
Já no primeiro jogo, derrota para a Escócia por 2 a 0.
Na segunda rodada, Zaire sofreu a maior goleada daquela copa: 9 a 0 para Iugoslávia.
Após a partida, o ditador deu o ultimato: Se na última rodada, perdessem por 4 gols de diferença, não poderiam voltar para o Zaire, pois as consequências seriam terríveis.
O jogo contra o Brasil foi tenso. Logo aos 12 minutos, o Brasil fez 1 a 0 com Jairzinho.
Curiosamente, o Zaire conseguiu segurar o atual campeão do Mundo por boa parte do jogo.
Até que aos 21 do segundo tempo, Rivelino ampliou para o Brasil, e aos 39, Valdomiro fechou o placar: 3 a 0.
A essa altura, o pavor era claro nos jogadores do Zaire.
Em dado momento, o árbitro marcou uma falta para o Brasil. Numa atitude desesperada, o zagueiro Ilunga Mwepu saiu da barreira e chutou a bola para longe antes que Rivelino pudesse fazer a cobrança. Embora a imprensa na época tivesse considerado o episódio um simples ato de desconhecimento das regras, Ilunga alegou depois que pretendia com isso que o juiz o expulsasse pelo ato (ele levou apenas um cartão amarelo), como forma de protestar contra o terrorismo psicológico imposto pelo governo do país.
Brasil na Copa
[embed]A única coisa boa da participação do Brasil em 74 foi esse samba. Vídeo: Guia de Mídia do Brasil
De certa forma, o Brasil começou a perder a Copa de 1974 três anos antes.
Em 1971, Pelé anunciou sua aposentadoria da Seleção Canarinho. Sua última partida com a icônica camisa 10 amarela ocorreu em 18 de Julho de 1971 no empate contra a Iugoslávia no Maracanã por 2 a 2.
Aliás, dos 22 jogadores convocados para o Mundial, apenas nove participaram da campanha do tri, dos quais 6 foram reservas em terras mexicanas.
Zagallo foi mantido no cargo de técnico. Porém, claramente, a Seleção de 74 não foi nem sombra daquela que encantou o mundo em 70, e que até hoje é considerada a melhor de todos os tempos.
O Brasil foi sorteado para o Grupo 2, juntamente com Escócia, Iugoslávia e Zaire.
Os dois primeiros jogos do Brasil foram pavorosos. Dois empates sem gols contra Iugoslávia e Escócia.
A situação na Copa ficou perigosa para o atual campeão. Precisaria vencer o Zaire por no mínimo 3 gols de diferença, e torcer por um empate entre Iugoslávia e Escócia na última rodada.
Deu certo. Embora só tenha conseguido fazer os últimos dois gols na parte final do jogo, o Brasil conseguiu a vitória por 3 gols que precisava para evitar a repetição do vexame de 8 anos antes na Inglaterra, e avançou para a segunda fase. Brasil 3x0 Zaire.
Na segunda etapa do torneio, o Brasil ficou no Grupo A, ao lado da Alemanha Oriental, Argentina e o Xodó da Copa, a Holanda.
O futebol burocrático continuou. Vitória sofrida contra a Alemanha Oriental por 1 a 0, gol de Rivelino.
Na segunda rodada, vitória contra os Hermanos por 2 a 1. Embora sem apresentar evolução, a vitória trouxe um pouco de alívio, pois clássico não se joga, se ganha.
Dessa forma, o Brasil entrava em campo na última rodada contra a Holanda de Cruyff, Neeskens e cia.
Pra piorar, a Seleção precisava vencer, pois o saldo de gols era favorável aos holandeses. O empate não servia.
No primeiro tempo, o Brasil até resistiu e segurou o empate sem gols.
Mas na segunda etapa, foi inevitável. A laranja mecânica envolveu os brasileiros. Neeskens fez 1 a 0 aos 5 minutos, e aos 20, o homem da Copa, Johan Cruyff fechou o placar. Pra piorar, no fim do jogo, o grande zagueiro Luís Pereira foi expulso após uma falta dura em Neeskens. Terminou assim: Holanda 2x0 Brasil, e o sonho do tetra foi adiado.
Mas, como desgraça pouca é bobagem, o Brasil ainda teve que disputar o terceiro lugar contra a Polônia. Nem isso conseguimos fazer. Derrota por 1 a 0 para os poloneses, e o fiasco brasileiro na Alemanha estava consumado (Fiasco? Brasil? Alemanha?…. Deu até calafrios kk).
Triste, mas merecido. Talvez o quarto lugar tenha ficado até de bom tamanho.
Artilheiro

O principal marcador da Copa de 74 foi Grzegorz Lato, pela Seleção da Polônia, com 7 gols.
Melhor Jogador

O Nome da Copa
Sem dúvidas, o nome da Copa de 1974 foi Johan Cruyff. Ele não era apenas um craque técnico; era praticamente o organizador de todo o sistema tático.
Cruyff jogava como atacante, meia e armador ao mesmo tempo. Sua inteligência impressionava tanto que muitos rivais diziam que parecia haver “dois Cruyffs em campo”.
A famosa “Cruyff Turn” (“giro de Cruyff”) ficou mundialmente conhecida naquela Copa.
[embed]Vídeo: Marco Antonio Pereira
Aproveitando o gancho, vamos passar pela campanha que colocou a Holanda para sempre na história do futebol.
Na primeira fase, os holandeses ficaram no grupo 3 junto com Uruguai, Suécia e Bulgária.
Após duas vitórias contra os uruguaios (2 a 0), búlgaros (4 a 1) e um empate sem gols contra a Suécia, a Laranja Mecânica terminou na liderança e passou para a segunda fase.
O grande momento da Holanda veio nesta fase. O time venceu com extrema autoridade os três jogos. 4 a 0 na Argentina, 2 a 0 na Alemanha Oriental, e o jogo que mostrou ao mundo definitivamente o poder aquele esquadrão. Vitória categórica sobre os atuais tricampeões do mundo por 2 a 0.
Uma curiosidade, é que mesmo após a derrota na final, os holandeses foram aplaudidos pelos torcedores alemães no Estádio Olímpico de Munique e cumprimentados pelos campeões.
A história estava escrita.
Zebra
[embed]Vídeo: siteartilheiros
Além da Holanda, outra seleção surpreendeu naquela Copa. A Polônia do artilheiro Grzegorz Lato fez uma grande campanha e terminou com o terceiro lugar.
Na primeira fase de grupos, os poloneses lideraram o Grupo 4 após vencer a Argentina (3 a 2), Haiti (7 a 0) e Itália (2 a 1).
Na segunda fase, venceu a Suécia (1 a 0), Iugoslávia (2 a 1) e vendeu caríssimo a derrota para a futura campeã Alemanha por 1 a 0.
Na disputa do terceiro lugar, vitória sobre um combalido Brasil por 1 a 0.
Decepção
[embed]Vídeo: Fausto Rosas
Além do Brasil, outro finalista da Copa de 1970 foi muito mal em terras germânicas.
A Itália foi eliminada ainda na primeira fase. Conseguiu apenas uma vitória, e ainda assim com um sufoco inesperado contra o fraco Haiti (3 a 1).
A Azzurra perdeu a vaga na última rodada, após a Argentina golear os haitianos por 4 a 1, e ultrapassar no saldo de gols (+2 para a Argentina contra +1 para a Itália).
Goleada
[embed]Vídeo: fiebremundialista
Como já citado, a maior goleada da edição foi Iugoslávia 9x0 Zaire.
Zona de Rebaixamento

Haiti e Zaire foram as únicas seleções que não pontuaram. Os caribenhos ficaram na frente por terem saldo ‘melhor’ (-12 para o Haiti contra -14 para o Zaire).
Curiosamente, ambas estarão na Copa do Mundo pela segunda vez. O antigo Zaire jogará a Copa de 2026 sob o nome de República Democrática do Congo.
O Haiti, por sinal, está no Grupo C junto com o Brasil.
메타데이터
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- 2026-07-09 17:12:49