Acidente da chapecoense ainda tem efeitos no clube e nas famílias de vidas perdidas
Tragédia ocorreu a 6 anos em uma viagem para a Colômbia, que seria a primeira final continental do clube.
Acidente da chapecoense ainda tem efeitos no clube e nas famílias de vidas perdidas
Tragédia ocorreu a 6 anos em uma viagem para a Colômbia, que seria a primeira final continental do clube.
Por: Guilherme
A Chapecoense, clube do estado de Santa Catarina, estava prestes a viver um dos momentos mais gloriosos de sua até então modesta história, atingindo sua primeira final na Copa Sul-Americana.
A competição seria disputada em Medellín, na Colômbia, contra a até então badalada equipe do Atlético Nacional. Infelizmente o avião nunca chegou ao seu destino, a poucos minutos da aterrissagem, se chocou com o monte Cerro El Gordo, de mais de 2500 metros de altitude.
Investigações comprovaram que o motivo do acidente que matou 71 pessoas e deixou somente 6 sobreviventes foi uma pane seca causada pela falta de combustível. A Rede Globo revelou após o triste episódio, que o piloto do avião teve a opção de parar o voo e abastecer na Bolívia, mas optou por ir direto ao ponto final da viagem, ou seja, o acidente poderia ter sido evitado.
INFOGRÁFICO DA ROTA DO VÔO
Depois da tragédia, que comoveu o Brasil e o mundo, o clube de Chapecó sofreu de todas formas, além de perder jogadores, dirigentes e ser completamente dizimada financeiramente e estruturalmente, com os anos passados o time buscou sua reestruturação, inicialmente teve atletas emprestados de várias equipes do mundo, a custo zero, porém com o tempo esses empréstimos acabaram, e o clube não teve a capacidade financeira de adquirir esses atletas em definitivo, perdendo qualidade no futebol.
Com o tempo, apareceram muitos problemas, tanto como da ausência de capital, devido a indenizações às famílias prejudicadas e após os jogadores que foram emprestados voltarem aos seus antigos clubes houve mal desempenho em campo e gestão política, a Chapecoense obteve desempenho futebolístico ruim nesse ano de 2022. O time ficou em décimo quarto colocado, com 45 pontos, estando a 3 pontos da zona de rebaixamento para série C, buscando uma reformulação no elenco e no departamento de futebol para competir melhor e retornar a elite do futebol brasileiro.
Seus atuais dirigentes, em entrevista coletiva após a derrota para o Vila Nova, que impossibilitou matematicamente o acesso do time na Série A, afirmaram que o clube pode não sobreviver nos próximos anos em caso de mal desempenho. Atualmente a instituição está em constante reformulação no elenco, foram contratados 7 novos jogadores para compor o elenco em 2023, todos a custo baixo ou empréstimo, além de uma nova comissão técnica. Uma esperança para a Chapecoense prosperar financeiramente e conseguir pagar as indenizações em dia para familiares, além de investir em futebol, são as categorias de base. Em 2022 renderam mais de 25% do dinheiro arrecadado, a projeção para 2023 é manter essa porcentagem, porém com ganhos maiores em todas áreas.
Para o especialista em marketing esportivo Erich Betting, a Chapecoense deve ampliar sua marca, obtendo maior alcance financeiro. “A Chape, apesar de estar na série B, é um time conhecido mundialmente, uma solução para aumentar seus ganhos é ampliar sua marca, com promoções para sócios e não sócios, para engajar os interessados nos seus produtos”, disse. Para o especialista, além de ampliar a marca, deve fazer parcerias com outros clubes, a exemplo do Flamengo, que fez uma parceria com o Kawashima Wanderers, do Japão e, agora 25% das
suas camisetas vendidas, são localizadas na Ásia, o que aumentou significativamente a renda do time carioca, Erich acredita que a Chapecoense tem o reconhecimento necessário para realizar esse tipo de marketing.
A torcida do clube Catarinense, junto com seus sócios, que são fonte de mais de 20% de seus ganhos líquidos, sugeriu em uma reunião com membros do conselho de gestão que a Chapecoense se torne um clube empresa, seguindo os exemplos de Botafogo e Vasco aqui no Brasil.
Torcida da Chapecoense- Foto: Reprodução/ACF
Porém, isso não é possível, devido à dificuldade de negociar com os familiares das vítimas do acidente aéreo, em contato com o CEO do clube, foi dito que seria inviável o time virar SAF, pois o aporte em futebol teria que ser extremamente baixo até a quitação com as dívidas que o clube apresenta. “Seria improvável a Chape virar uma SAF na condição financeira atual, além que as famílias das vítimas dificultariam as negociações, o foco do time é subir de divisão e ir longe na Copa do Brasil para prosperar financeiramente”.
Em caso de acesso para a série A, o CEO do time da cidade de Chapecó não descarta negociações para SAF, pois o fluxo de caixa seria maior dentro da instituição, devido às premiações televisivas, além do aumento de torcedores presentes no estádio.
Já as famílias de jogadores estão sendo amparadas com cerca de 4.1 bilhões de reais, o que foi determinado pela justiça americana, são parceladas em vários anos, recentemente o clube pediu desconto nesse valor, o que foi rechaçado pelos entes das vítimas. Em julho deste ano, a instituição pagou mais 134 milhões nessas indenizações.
Uma mãe de um atleta vítima do ocorrido, dona Neide, pede para não citar o nome de seu filho, ao ser perguntada sobre a tentativa de desconto na indenização respondeu “É um absurdo, meu filho, foi um homem humilde, trabalhador, que respeitava o próximo e sempre buscou o melhor para a família dele, o clube pode se reestruturar, pagando com seus compromissos com as famílias, mas meu filho nunca mais estará do meu lado”.
A Federação Catarinense de Futebol (FCF) ao ser perguntada sobre o futuro da Chapecoense, que segundo pesquisa do portal SCFC, é o time mais conhecido do estado, afirma que acredita que a Chapecoense conseguirá se reerguer futebolísticamente, além de se voluntariar a dar o suporte necessário para o clube e para os familiares das vítimas do acidente aéreo, sempre fiscalizando os gastos do time Catarinense e revisando o portal da transparência do clube. “Nós sempre fiscalizamos os gastos de todos times do estado, com a Chapecoense não é diferente, exigimos todos os meses as instituições futebolísticas atualizarem seus portais e caso não tenha essa atualização os clubes são multados. Mas não temos dúvidas que a Chapecoense, sobre essa nova gestão, será novamente o orgulho do estado”, afirmou um dos representantes do órgão governamental. Saiba mais sobre o portal da transparência da Chapecoense.
Apesar da missão de voltar à elite do futebol brasileiro e se reerguer financeiramente seja difícil para o clube da cidade de Chapecó, sobre nova gestão política e nova comissão técnica e executiva, o torcedor condá segue esperançoso, para voltar à elite, o time deverá ter um desempenho 33% maior do que obteve nessa temporada, para garantir-se matematicamente na série A, em julho de 2023, a Chapecoense deverá pagar mais 130 milhões para as famílias dos jogadores
mortos no acidente. Cabe agora a seus novos gestores, organizar financeiramente a instituição, para arcar com suas dívidas e ainda manter um futebol competitivo, são 6 anos e 1 mês que o acidente que chocou o mundo ocorreu e, ainda é a maior meta da nova temporada da Chapecoense, arcar com a décima parcela das indenizações sem sucumbir.
메타데이터
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