Xerém…
Xerém. Terra de Zeca Pagodinho, de…, de…. e de Fluminense. Do projeto de base do Fluminense Football Club. Pra mim, de um projeto…
Xerém…
Xerém. Terra de Zeca Pagodinho, de…, de…. e de Fluminense. Do projeto de base do Fluminense Football Club. Pra mim, de um projeto (satisfatório, inclusive) de marketing do FFC. Explico.
O Flu não é (nem nunca foi, salvo engano) o clube brasileiro que mais investe na base. Em 2013, citando um exemplo, o Flu investia menos que o Goiás. Menos que o Coritiba. Os clubes brasileiros, segundo estudos recentes (Banco Itaú BBA, 2015), investem pouco e mal em suas bases — Sem exceções.
Um projeto de base envolve vários fatores, sempre desafiadores. De prospecções ao redor do mundo a, praticamente, criação desses meninos com forte base psicológica para lidar com um mundo único e de valores completamente invertidos, o do futebol.
E qual o diferencial do tão falado projeto de Xerém? O que faz o, segundo muitos, o melhor projeto de base do país? Usar muitos jogadores da base no time principal? Vender muitos jogadores jovens, sempre muito cobiçados por times do exterior? Títulos conquistados por times jovens, ou conquistados por times comandado por jovens?
Exemplos práticos:
- Um técnico leva 20 jogadores para um jogo, sendo 12 da base. Em 90% das vezes, é porque falta dinheiro. Nas outras 10%, uma epidemia de lesões no time principal. Nenhum clube revela tanto jogador de base, em condições técnicas adequadas, de uma vez.
Me desculpem, mas colocar para jogar Hygor, Eduardo, Ayrton, Maurício, Fábio Braga, Elivélton, Tinoco, Kléver, Marlon Freitas, Marcos Júnior, Igor Julião, Matheus Carvalho, Robert, etc. não é sucesso de trabalho de base. É desespero. Insistir então, no caso específico do Marcos Júnior (que desde 2012 diz que vai deslanchar), é burrice mesmo. Ou esquema com empresário. Não enxergo outra explicação.
Quantos jogadores vindos da base de Xerém foram utilizados insistentemente no time principal sem ter a menor condição técnica?
- No futebol tem urubu para todo lado. Dá para vislumbrar um monte de empresário com seus ternos e pastinhas voando em cima do CT de Xerém, e das Laranjeiras, só observando e pensando como fazer dinheiro com esse ou aquele. E estão certos. Errado é o clube pensar do mesmo jeito.
Todo mundo vende jogador de base, de razoável para cima, para o exterior. O tempo todo.
- Não lembro de algum time atuando, com sucesso, só com jogadores da base, ou com maioria da base. Talvez o Santos, dirigido pelo Dorival, alguns anos atrás. Mas o mesmo Santos, clube que melhor usa a base do país, na minha opinião, já conquistou títulos comandados pela garotada. Títulos relevantes, por sinal.
A premissa, em minha ótica, é simples. Se investe em base para benefícios do clube. Benefícios, na ordem: técnico, comercial e financeiro.
Primeiro de tudo, você investe para ter retorno técnico, ou seja, títulos. Aí, vem para o time profissional o menino que tem mais condições, não o menino cujo o empresário prometeu mais. Com isso, se tem retorno comercial, de imagem. Na prática, o clube cresce. Aí sim, depois desse processo, de curto, médio ou longo prazo, o clube busca o retorno de seu investimento. Não acredita? Olha o Santos.
Aí chegamos num ponto que me incomoda muito. Dois, especificamente. As joias de Xerém. O Robert, lembram? Surgiu lá atrás, com status de craque. O Neymar tricolor, o Robinho de Xerém. E aí?
E o Toró então? O desenvolvimento dele como jogador, já após o profissionalismo, foi surreal. Virou volante de time pequeno. Violento, e inútil. Não deu nem meio jogador. Como que enxergam joia nisso?
E a prospecção? Lembro, rapidamente de três nomes, todos em países vizinhos. Lanzini, Alexis, e Bryan Oliveira. Ah, mas o Lanzini joga na seleção argentina, joga no West Ham! Bom saber que nossos scouts trabalham para a AFA e para o West Ham. Para o FFC, não trabalham. Qual retorno, ainda que mínimo, esse empréstimo deu para o clube? Dos outros dois citados, nem vale estender discussão. Caso de má avaliação técnica. Os scouts são preparados? O Clube dá a devida importância a isso?
Em resumo, penso, honestamente, que a base do Flu não é nem metade do que pintam por aí. A estratégia, ao meu ver, é errada, e a base de formação e jogadores é, na verdade, um grande projeto de mercado, uma máquina construída para ganhar dinheiro. E, claro, como tem todo projeto de mercado, o sucesso depende muito de um marketing bem feito.
E nesse caso específico (e só nele — assunto para outro texto), parece que o FFC sabe fazer marketing.
메타데이터
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