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Crente pode ficar feliz quando bandido morre?

A teologia do “bandido bom…”

Bruno A. in o mundo precisa saber · 2025-10-29 21:00 · 0 claps · 2.2 min read
#pode-ou-não-pode #rio-de-janeiro #consciencia-negra
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Crente pode ficar feliz quando bandido morre?

A teologia do “bandido bom…”

Photo by Myko Makhlai on Unsplash

Photo by Myko Makhlai on Unsplash

Seria hipócrita da minha parte vir aqui e pregar luto em favor de quem coloca famílias inocentes de luto todos os dias. Seria hipócrita da minha parte ignorar o problema das facções e grupos criminosos no Brasil, e como eles subjulgam milhões de pessoas à verdadeiras prisões domiciliares em todos os cantos do país.

Mas, ainda assim, quando o estado mata centenas de pessoas num dia só, alegadamente por causa do combate ao crime, não há o que comemorar.

Ainda que partissemos do pressuposto que a polícia identificou (dados de agora, enquanto escrevo esse texto) 128 pessoas como criminosas e entendeu que matar todas elas seria uma ação inteligente e efetiva em favor da paz social, não haveria o que comemorar. Pois, quando precisamos chegar a esse extremo, isso significa que o nossos sistema social falhou miseravelmente. E diante disso, não há o que comemorar.

Agora, chegando um pouco mais próximo à realidade e lembrando do extenso histórico da polícia carioca e identificar inocentes como culpados, baseado unicamente no CEP e na cor de pele do sujeito, e matá-los, aí realmente não há o que comemorar.

Eu, negro, se morasse em uma favela carioca, talvez não estivesse vivo para escrever esse texto hoje.

Se tentarmos traçar a “teologia da morte do bandido”, ainda assim não há motivos pra felicidade. Ezequiel 33 nos diz que nem mesmo um Deus justo, santo e bom, se alegra com a morte do impio. Jesus morreu para que, idealmente, ninguém precisasse morrer. Um Deus santo, justo e bom teria, Ele mesmo, matado todos, se fosse essa a solução desejável.

Institucionalmente, a polícia não tem poder de julgamento, ainda mais quando decide julgar e executar a pena de morte contra seus réus. Qualquer pessoa minimamente entendida sabe que crime organizado se combate com inteligência, seguindo o dinheiro sujo até encontrar e punir quem, no fim do dia, coloca ele no bolso. Porque é este quem, na verdade, mantém todo o “sistema” funcionando. Este sim mereceria um julgamento definitivo.

Politicamente, estamos diante de uma esquerda que nega o problema da segurança pública em nome de uma ideologia que não traduz as ruas; e de uma direita que decide matar na favela porque isso dá voto no asfalto. Mas, em nenhum dos lados há real vontade em combater o problema como ele deve ser combatido.

E nós, cristãos, outrora pregadores em prisões, os únicos agentes que portavam a promessa de redenção num sistema falido, agora, sedentos, queremos o sangue do bandido em uma taça.

Quantos testemunhos já ouvi, de homens, outrora na “vida errada”, mas que mudaram de rumo ao conhecer Jesus Cristo? Mas, já reparou como esses testemunhos estão cada vez mais raros?

O que me preocupa quando vejo crentes rindo e comemorando a falência do sistema é o que isso significa: estamos cada vez mais longe de Deus e dá fé que redime até o pior dos homens. E se não somos mais esse sal da terra, se já não salgamos mais nada, então qual é a nossa função neste mundo?


메타데이터
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