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Mais do que entregar: como conectar produto à estratégia da empresa

Por Eduarda Pinheiro, Group Product Manager no Grupo Boticário.

Grupo Boticário in Mulheres de Produto · 2025-11-03 21:47 · 1 claps · 9.9 min read
#produtos #liderança #tecnologia
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Mais do que entregar: como conectar produto à estratégia da empresa

#PraGeralVer: Eduarda Pinheiro sorrindo, vestindo uma blusa preta e um colar, com a mão no queixo. À esquerda, texto em português: “Mais que entregar: como conectar produto à estratégia da empresa? Eduarda Pinheiro” e os logotipos Grupo Boticário e Mulheres de Produto.

#PraGeralVer: Eduarda Pinheiro sorrindo, vestindo uma blusa preta e um colar, com a mão no queixo. À esquerda, texto em português: “Mais que entregar: como conectar produto à estratégia da empresa? Eduarda Pinheiro” e os logotipos Grupo Boticário e Mulheres de Produto.

Por Eduarda Pinheiro, Group Product Manager no Grupo Boticário.

Liderar produtos é muito mais do que só fazer as entregas acontecerem ou seguir um roteiro. É uma missão supercomplexa que pede uma visão estratégica que vai bem além do dia a dia. É como ser o chefe de cozinha de um restaurante: sua função não é seguir a receita, mas garantir que cada ingrediente escolhido resulte em uma experiência memorável para o cliente.

Um bom líder de produto se dedica a mostrar e fortalecer a conexão de cada entrega — seja um recurso novo, uma melhoria, uma correção ou até uma mudança pequena na interface — com resultados que a gente consegue ver e medir.

Resumindo, a liderança de produto é a arte e a ciência de levar a visão do produto além da criação e desenvolvimento, transformando-o em um motor de valor estratégico para todos os interessados.

É uma função que exige um olhar apurado para prever tendências e necessidades futuras, uma comunicação clara para alinhar diversas equipes e stakeholders, uma empatia profunda para entender usuários e colaboradores, e uma capacidade resiliente de alinhar esforços em um cenário de mudanças constantes, garantindo que o produto não só funcione, mas prospere e impulsione o crescimento e a inovação.

#PraGeralVer: Jovem chef de dólmã branco sorri na cozinha, com bolha de realidade aumentada exibindo ícones de gerenciamento de restaurante sobre sua mão estendida. Ao fundo, clientes comem em um restaurante movimentado.

#PraGeralVer: Jovem chef de dólmã branco sorri na cozinha, com bolha de realidade aumentada exibindo ícones de gerenciamento de restaurante sobre sua mão estendida. Ao fundo, clientes comem em um restaurante movimentado.

Para quem é este texto?

Este artigo foi pensado especialmente para líderes de produto que buscam aprofundar seu impacto estratégico. Mas ele também é para líder de engenharia, designer, ou quem atua na área de negócios e quer entender melhor como a área de produto pode e deve ser uma parceira fundamental para alcançar os objetivos da empresa. Se você está trilhando seu caminho para uma posição de liderança em produto, encontrará aqui insights.

O que você vai encontrar neste artigo?

Ao longo deste texto, compartilho reflexões e práticas concretas sobre como podemos ir além da simples entrega de funcionalidades. Vamos explorar, através de experiências reais, a importância de conectar cada iniciativa aos resultados de negócio, transformar dados em narrativas de impacto e fortalecer a colaboração entre os times, com exemplos práticos do dia a dia.

Experiências que marcaram

Nos últimos tempos, tive a satisfação e a desafiadora oportunidade de participar do go live (momento em que um novo produto, funcionalidade ou serviço é oficialmente lançado e disponibilizado para os usuários) de um dos produtos sob minha gestão.

Um Go Live é, sem dúvida, um marco significativo na jornada de desenvolvimento de qualquer produto e, este, em particular, não foi diferente. Se pensarmos em nossa analogia, foi como a grande noite de estreia de um prato principal no restaurante.

A expectativa e a empolgação eram visíveis em todas as equipes envolvidas: o time de produto, que dedicou incontáveis horas à concepção e refinamento (definindo os sabores e a apresentação); a equipe de engenharia, que transformou a visão em realidade com sua expertise técnica (a brigada de cozinha que executou a receita com perfeição); e, claro, o negócio, que vislumbrava o impacto positivo e as novas oportunidades que o lançamento traria (os donos do restaurante, esperando um salão cheio e clientes satisfeitos). Todos estavam unidos por um objetivo comum.

Porém, essa experiência me proporcionou uma das maiores chances que tive para aprofundar minha percepção e refletir sobre o verdadeiro significado de um lançamento de produto. E, ao reparar atentamente nos desdobramentos, me dei conta de que se eu parasse no “o produto foi entregue”, algo ficaria faltando.

Era como se o trabalho do chefe de cozinha terminasse assim que o prato deixasse a cozinha. A entrega, por si só, é apenas uma parte da equação. Foi então que o verdadeiro valor do nosso esforço começou a surgir de forma clara: a capacidade de, efetivamente, demonstrar o impacto do nosso produto no ponteiro de um objetivo estratégico fundamental para o Grupo, provando que aquele prato não era apenas saboroso, mas que traria mais clientes e reputação para o restaurante.

#PraGeralVer: Chef sorridente segura tigela de comida fumegante. A fumaça forma uma seta para cima, com festa ao ar livre visível através de uma janela em arco ao fundo.

#PraGeralVer: Chef sorridente segura tigela de comida fumegante. A fumaça forma uma seta para cima, com festa ao ar livre visível através de uma janela em arco ao fundo.

O período pós-go live revelou-se tão importante quanto a entrega em si. Através da análise criteriosa de dados concretos (como observar os pratos que mais saem e ouvir o feedback dos clientes) e de uma comunicação transparente e constante com os stakeholders (pessoas, grupos ou organizações que têm algum tipo de interesse, influência ou são impactados pelas ações e pelo sucesso de um produto), conseguimos evidenciar não apenas o que fizemos — a funcionalidade, a tecnologia, a interface — mas por que aquilo realmente importava.

Isso solidificou a compreensão de que o sucesso de um produto vai muito além do seu lançamento; ele reside na sua capacidade contínua de entregar valor e impactar positivamente os objetivos estratégicos.

Prática no dia a dia

No meu dia a dia como GPM — Group Product Manager, isto é, uma pessoa líder de outros Product Managers (PMs) — , percebi que algumas práticas são fundamentais para construir pontes de conexão e garantir a clareza em todas as interações. Consegui identificar e aprimorar algumas dessas estratégias que fazem toda a diferença:

1 — Rituais de Alinhamento Constantes e Estruturados:

Realizo rituais de alinhamento com os Product Managers (PMs), o time de Engenharia e a Gerência de forma regular e com uma pauta bem definida.

O objetivo principal é assegurar que tanto o backlog (uma lista priorizada e dinâmica de tudo o que precisa ser feito para desenvolver, manter e evoluir um produto) quanto o roadmap (guia estratégico que descreve a visão, a direção, as prioridades e o progresso de um produto ao longo do tempo) de produtos estejam conectados aos OKRs (Objetivos e Resultados-Chave, é uma metodologia ágil e de gestão de metas usada para focar os esforços do time, alinhar a equipe com a estratégia da empresa e impulsionar o desenvolvimento) e às metas estratégicas da empresa.

Essa conexão garante que todos os esforços estejam direcionados para os objetivos maiores, evitando dispersão e otimizando o uso de recursos. Esses rituais servem como um fórum para discutir progressos, roadblocks (um obstáculo que impede ou atrasa o progresso) e ajustar rotas, promovendo uma cultura de transparência e colaboração.

2 — Comunicação de Entregas Através de Histórias Acessíveis:

A forma como comunicamos as entregas é extremamente importante. Busco transformar os detalhes técnicos complexos em narrativas simples e focadas no impacto concreto para o negócio e para o usuário.

Em vez de termos técnicos específicos do universo de produto, utilizamos exemplos claros e tangíveis, como “aumento da satisfação do cliente”, “redução significativa de reclamações” ou “ganho de eficiência operacional”. Essa abordagem visa “sair da bolha” do nosso universo técnico e usar uma linguagem que alcance os stakeholders, facilitando o entendimento do valor gerado e a tomada de decisões estratégicas.

A capacidade de contar uma história sobre o “porquê” e o “como” uma entrega é relevante é um diferencial para engajar e obter suporte.

Um exemplo que demonstra a importância da colaboração e do alinhamento é a padronização do processo de homologação, construída em conjunto com o time de negócios.

A homologação consiste no processo de aprovação que garante que a entrega realizada está em conformidade com as especificações descritas, que o comportamento não alterou outras funcionalidades pré existentes.

Antes, o processo era fragmentado e gerava atritos. Através de um alinhamento profundo, conseguimos entender as dores e as oportunidades tanto do ponto de vista técnico quanto negocial. Essa colaboração resultou na criação de um fluxo de homologação mais eficiente, claro e, acima de tudo, que entregou um valor significativo para o usuário final.

#PraGeralVer: Diagrama de validação de especificações: mão preenche checklist, lupa destaca especificações aprovadas, polegar para cima, e diagrama de Venn mostra a interseção de “Entrega Realizada” e “Funcionalidades Pré-existentes” com um ‘X’, indicando sucesso.

#PraGeralVer: Diagrama de validação de especificações: mão preenche checklist, lupa destaca especificações aprovadas, polegar para cima, e diagrama de Venn mostra a interseção de “Entrega Realizada” e “Funcionalidades Pré-existentes” com um ‘X’, indicando sucesso.

Aprendizados do caminho

Na nossa caminhada, a gente aprendeu coisas importantes que viraram a base do nosso jeito de trabalhar e de falar. Vimos que, acima de tudo, ser claro é essencial. Usar palavras difíceis acaba afastando a galera em vez de aproximar. Acreditamos que uma boa comunicação tem que ser fácil de entender para todo mundo, não importa o quanto a pessoa conheça do assunto.

Além da clareza, o contexto se mostrou superimportante. Não basta só dizer “lançamos X”. Tem que ir além e mostrar o porquê e o impacto da iniciativa. Por exemplo, explicar que “lançamos X pra ajudar em Y, que por sua vez influencia Z no negócio”, dá uma visão completa e prática do valor que a gente agrega. Essa abordagem faz com que nossos parceiros entendam a relevância de cada ação e como ela se encaixa nos objetivos estratégicos da empresa.

Por último, a transparência virou um pilar pra construir confiança. Longe de ser sinal de fraqueza, ser aberto sobre riscos, limitações e até erros fortalece muito os relacionamentos. Quando a gente é honesto sobre os desafios e as falhas, mostra integridade e um compromisso com a verdade. Essa postura cria um ambiente seguro e de colaboração, onde todo mundo se sente mais à vontade pra contribuir e se engajar.

A jornada até esses aprendizados foi longa e cheia de desafios, mas cada passo nos fez ver a importância de dar autonomia aos nossos stakeholders, deixando eles à vontade para consultar e analisar os dados por conta própria. Essa autonomia não só agiliza a tomada de decisão, mas também cria um senso de responsabilidade.

Na prática

Para mostrar como esses princípios funcionam no dia a dia, vou usar um exemplo concreto: uma PM do meu time após entender uma dor dos nossos usuários, propôs e executou o desenvolvimento de um dashboard (painel visual de controle e indicadores) para acompanhamento de chamados, criado para dar suporte a todos os envolvidos em um produto. Essa ferramenta é um reflexo direto dos nossos aprendizados.

  • Clareza e Autonomia: O dashboard transforma um volume imenso de dados complexos em informações visuais e fáceis de entender. Em vez de planilhas e relatórios densos, qualquer stakeholder pode, com poucos cliques, ter uma visão clara da saúde da nossa operação. Isso dá a eles autonomia para consultar os dados sem depender de nós.
  • Contexto na Prática: A ferramenta não mostra apenas números isolados, como “10 chamados abertos”. Assim, o time de negócios não vê apenas um problema, mas entende que “o número de chamados sobre o tema X aumentou, o que pode impactar a meta de satisfação do cliente Y”. O dado vira uma conclusão acionável conectado à estratégia.
  • Transparência Total: Ao disponibilizar o acesso ao dashboard, estamos sendo totalmente transparentes sobre o desempenho do produto. Mostramos os sucessos e também os pontos de atrito, como um aumento inesperado de incidentes. Essa abertura fortalece a confiança, pois demonstra que não estamos escondendo os desafios e estamos comprometidos em resolvê-los.

Esse dashboard, portanto, é mais do que uma ferramenta de visualização; ele é a materialização da nossa forma de trabalhar, focada em clareza, contexto e transparência para construir parcerias mais fortes e gerar mais valor.

Para mostrar esses princípios na prática, apresento um exemplo concreto de um trabalho que teve como objetivo facilitar a visualização e o acompanhamento dos chamados realizados para o produto, para quem está envolvido no nosso produto.

Desenvolvemos um dashboard de acompanhamento de chamados, feito para facilitar insights claros e contextualizados sobre o desempenho e a saúde do produto. Esse dashboard é uma ferramenta poderosa que transforma dados complexos em informações úteis, permitindo que as equipes identifiquem rapidamente áreas de melhoria, monitorem o progresso e reajam de forma proativa a quaisquer desafios que possam surgir.

Por que isso faz diferença

Quando a gente entende a fundo o impacto do que se entrega, os benefícios se espalham por toda a empresa, criando um ciclo massa de engajamento e valor. Primeiro, a equipe em vez de só executar tarefas, vira protagonista. Isso significa que a galera não só entende o “o quê” e o “como” das atividades, mas também o “porquê” e o “para quê”.

Eles se sentem mais conectados com os resultados finais, o que dá um gás na proatividade, na inovação e na busca por soluções mais eficazes. A autonomia e o senso de “é meu!” sobre o trabalho aumentam, levando a mais engajamento e satisfação.

Em segundo lugar, os stakeholders — clientes internos e externos — percebem um valor maior nas ações e nos resultados entregues. Essa percepção melhor não se limita só a projetos finalizados, mas abrange a qualidade, a relevância e o alinhamento estratégico das entregas.

Quando os stakeholders entendem direitinho como cada entrega contribui para os objetivos maiores da empresa, a confiança e a credibilidade aumentam, facilitando futuras parcerias e o apoio a novas ideias.

Essa compreensão mútua do impacto das entregas é fundamental e nos permite um alinhamento estratégico mais forte com a equipe de negócios. Com essa clareza, a gente consegue colaborar de forma mais eficaz para desenvolver entregas que são reconhecidas não só como projetos bem-sucedidos, mas como movimentos estratégicos essenciais para todo o Grupo.

Isso inclui identificar oportunidades que gerem um impacto significativo, priorizar iniciativas que impulsionem o crescimento e a inovação, e garantir que cada esforço esteja totalmente ligado à visão e aos objetivos de longo prazo da empresa.

Além de impulsionar o reconhecimento estratégico, essa abordagem otimiza a operação como um todo. Ao focar em entregas de alto impacto e alinhar as expectativas com os objetivos de negócios, a gente evita desperdiçar recursos em iniciativas de baixo valor.

A comunicação fica mais clara e direta, os processos são simplificados e a tomada de decisão melhora. No fim das contas, essa sintonia entre entender o impacto, ter a equipe como protagonista, a percepção de valor dos stakeholders e o alinhamento estratégico resulta em uma empresa mais eficiente, inovadora e capaz de alcançar seus objetivos de forma consistente e sustentável.

Pra ficar na mesma página

Se pudesse resumir tudo numa dica, seria esta: a entrega é super importante, claro! Mas o que realmente faz um produto se destacar e virar um ponto estratégico de verdade é conseguir mostrar o valor do que foi entregue.

Quando a gente consegue encaixar perfeitamente com as necessidades do Grupo e transformar essa visão em algo que vai além de features, aí sim a gente atinge o objetivo maior de qualquer produto: ser um motor que impulsiona a estratégia e, consequentemente, o crescimento sustentável.

Para que isso vire realidade, cada líder de produto precisa ser um facilitador e um catalisador. Isso significa ser a ponte essencial que conecta e alinha as áreas de tecnologia, negócios e, principalmente, os clientes. Essa conexão não é só alinhar o impacto esperado com as metas; é também ter a habilidade de interligar e motivar as pessoas.

Afinal, são as pessoas que movem todo esse ecossistema, transformando ideias em realidade, funcionalidades em valor e produtos em estratégias vivas.

Referências

Effective Storytelling in Product Management — Medium / Design Bootcamp

Leia também estes textos:

  1. Mariana Oliveira: Plataforma como portfólio: uma visão estratégica para impulsionar o uso de dados no Grupo Boticário

메타데이터
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