DESASTRE NO JACAREZINHO. QUANDO OS ARAUTOS DA BARBÁRIE VÃO APRENDER?
Então, meus caros e caras...
DESASTRE NO JACAREZINHO. QUANDO OS ARAUTOS DA BARBÁRIE VÃO APRENDER?

Então, meus caros e caras...
Não sou do tipo que dá opiniões com os cotuvelos. Eu analiso os fatos. Demorei para me manifestar sobre a operação do Rio e todos os idiotas de dedos ágeis que vinham me questionar sobre, a resposta era a mesma: estou esperando a perícia técnica. Pronto. Hoje, 11/05, ela saiu.
Bom, “segundo consta”: 12 entre os mortos estavam com mandatos por tráfico, outros 12, desacato, 1 era polícial e os outros denunciados por crimes de outras naturezas, informa a polícia.
Primeiro: usei aspas em “segundo consta” porque, até o que se sabe, registros mostraram que 24 dos 28 corpos foram removidos do local sem os devidos procedimentos da perícia.
Segundo item que destaco aqui, é: Sim, a operação foi um desastre total!
E nem digo pela barbárie em si e pelos contrapontos da estupefaciente entrevista do governador do Estado do Rio, Cláudio Castro, mas sim pelo ponto de vista tático.
Afinal, se há inocentes mortos, a operação já é um fracasso por si só. Este é um conceito que existe (ou devia ser) e é adotado dentro da própria polícia. A vida de um inocente não vale a de 200 criminosos.
"Mas só houveram criminosos mortos, Scobar. Inocentes só sofreram estilhaços de bala", diriam.
Ora, mas e o policial civil André? Se ele não era inocente ele então era o quê? bandido?

Bom, aqui eu saio do desastre do Jacarezinho e vou para os desastres que há muito se tem no Rio.
Há muito tenho batido nesta tecla: A Política de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro precisa mudar urgentemente!
Precisamos de uma política de inteligência nos morros, não uma política de tragédia anunciada.
Não dá mais para se fazer operações num cenário onde a maioria esmagadora é formada de inocentes. É claro que haverá barbaridades como estas.

"Então vamos deixar os bandidos, a criminalidade e as drogas dominarem as favelas?".
É óbvio que não. Não sou especialista em segurança pública, mas tenho meus questionamentos e análises sobre certas medidas a serem tomadas.
Porém, antes de dar minhas opiniões sobre, queria convidá-los a ler uma brilhante entrevista que José Mariano Beltrame, ex Secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, deu à Revista Época, em Junho de 2015, direto de Portugal, onde viu que lá, drogas é assunto de saúde pública, não de polícia.
O texto já começa com um dos homens mais importantes da Segurança Pública dizendo: "Guerra às drogas é uma guerra perdida, irracional!".
Segue um trecho. Volto depois:
"Beltrame – No Rio, as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) são uma forma de reconhecer o problema da droga, mas não abordar de uma forma belicista (isto é: o confronto). Nunca foi nosso objetivo acabar com as drogas. É impossível. Parece que os brasileiros não acordam para o desperdício dessa guerra. Não existem vitoriosos. Descriminalizando o uso, um dos efeitos é o alívio na polícia e no Poder Judiciário, que podem se dedicar aos homicídios, aos crimes verdadeiros. Mas, olhe só: o governo federal está preparando um plano nacional de redução de homicídios sem consultar os Estados. Eu não fui consultado. Como não ouvir as secretarias estaduais para aprender com acertos e erros? Espero que o plano não envolva só questões policiais. Que venha com o foco de recuperar mecanismos sociais para prevenir a violência. A polícia nada mais é que a seta da ponta da flecha."
Outro trecho:
" ÉPOCA – O que o senhor aprendeu nesta viagem? José Mariano Beltrame – Fiquei encantado com a descriminalização das drogas em Portugal. De todas as drogas, inclusive heroína, cocaína. O programa começou em 2000. No Brasil, não pode passar deste governo a descriminalização do uso. A guerra à droga é perdida, irracional. Podemos começar pela maconha. Convidei os portugueses para ir ao Brasil na Semana do Policial, em novembro, e contar a experiência de seu país. Em Portugal, o assunto “drogas” não está inserido na polícia, mas no Ministério da Saúde. Com a ajuda de juízes, procuradores, psicólogos, médicos, e integrantes da sociedade civil. A polícia pega o usuário e ele é convidado a participar de encontros. São 90 clínicas em Portugal, completas com toda a assistência, voluntários e visitas. E uma comissão fiscaliza isso. Todos se juntaram para combater essa doença, porque o vício é uma enfermidade, e não um crime. Sem vaidade, sem luta de poder.
Descriminalizando o uso, um dos efeitos é o alívio na polícia e no Poder Judiciário, que podem se dedicar aos homicídios, aos crimes verdadeiros."
Voltei. Você lê o texto na íntegra aqui:

{Ex-secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame}
Ah!, lembrando aos ignóbeis de dedos rápidos, sobretudo os tarados ideológicos que vendem o vandalismo e a barbárie como solução, ou que vendem, como dizem, o " bandido bom é bandido morto". Essa entrevista/análise que trouxe aí é técnica e feita por um especialista que ficou na segurança do Estado do Rio por 8 anos e conhece bem a geografia do lugar, não um fanático que se acha o bam bam bam na Internet.
Endosso o que disse o ex Secretário. E digo mais: as comunidades do Rio de Janeiro precisam de uma maior presença do Estado!
Não dá para se falar em segurança onde o Estado não se faz presente e a situação é de total abandono. Nas favelas não se tem saúde. Não se tem educação. Não se tem saneamento básico. Não se tem infraestrutura. É esgoto e lixo a céu aberto para todo lado, fora suas outras mazelas.

O Estado que apenas olha para o morro e joga suas tropas armadas para a guerras é o mesmo Estado que não quer entender que não é só segurança que se falta lá. Se falta Estado presente e políticas de orçamento efetivo no local também.
Olha, aqui quem vos fala é um jovem rapaz que viveu em favela carioca durante toda sua infância e sempre dirigiu um olhar observador para a geografia local que o cercava. Aliás, vejam vocês, o desastre do Jacarezinho está em 1° lugar no hanking das operações mais letais do Estado do Rio. A favela onde eu, Scobar, morei, Senador Câmara (bairro da Zona Oeste-RJ), está em 3° lugar neste hanking de operações com maiores letalidades. Ou seja, não duvide quando digo que sei do que falo.

Voltando ao assunto sobre a presença do Estado para a queda da criminalidade aqui no Brasil, queria saber se já ouviram falar na "Teoria das Janelas Quebradas"? É uma teoria surgida no final dos idos anos 60, nos EUA, para testar como a sensação de abandono propicia ao consciente coletivo a ideia de desordem.
Ah!, falando em Estados Unidos, violência, tráfico, drogas, polícia e saúde pública... deixa eu compartilhar uma Lembrança antes de apresentar a teoria:
Certa feita, debatendo sobre a morte da menina Aghatá durante operação policial no Rio, um desses arautos da égide do caos, daqueles que defendem a barbárie e a tragédia geral como solução, me disse que "quem usa drogas também ajudou a assassinar a menina, já que alimenta esse sistema criminoso".
Perguntei ao auto-intitulado "cidadão de bem" se ele sabia qual era o país onde mais se consumia drogas no mundo. Pela demora a responder, provavelmente foi dar uma googada. Enfim, ele responde: "É nos Estados Unidos".
Perguntei a ele se ele podia me responder quantas crianças se tem notícia de que morrem por lá por bala perdida, durante confronto entre polícia e bandido. E, se há, onde se morre majs: se nos EUA ou nos morros cariocas. O cara desviou a resposta.

Conclusão: lá se consome mais drogas e tem menos mortes de inocentes por causa da maior presença do Estado. Ou seja, o problema em si não são as drogas, mas sim a forma como as combatem.
Está vendo porque desde lá de cima eu digo que a Política de Segurança Pública do Rio precisa mudar para uma política de inteligência pública? É preciso tirar as drogas das mãos do tráfico para golpear sua fonte de renda e colocá-las como uma questão de Estado onde a polícia atue, mas os viciados possam sim ser integrados a políticas de saúde pública e sociais.
Para não deixar o texto mais prolixo do que já está e para que vocês tenham um aproveito melhor e mais detalhado da "Teoria das Janelas Quebradas", vou deixar o link aqui, pois este aprendizado é super interessante e valerá sem dúvidas a sua leitura.

Por fim!
ALÔ, BOLSOMINION!!! Querem saber qual foi a última vez que este pobre escriba aqui viu uma mega operação acontecer, não de inteligência nas formas como eu apontei aqui em cima, mas com grande trabalho tático, estratégico e efetivo?
Em 2010, quando a polícia fez com que vários criminosos fugissem, a pé, por estrada de barro, saindo da favela Vila Cruzeiro em direção ao Conjunto de favelas do Alemão.
Nesta operação, vários fuzis e drogas foram apreendidos. Dezenas de bandidos presos. A Globo, por sua cobertura primorosa, recebeu o prêmio ESSO (maior prêmio jornalístico do país). Sabe quantos inocentes mortos tivemos? Nenhum. Feridos? 0.

Ahhh! E lembram qual o governo que estava no poder na época? Sim, o PT. Aquele que defende bandidos.
"Mas o governo do Estado era outro, Scobar". Sim, era outro, mas era outro aliado ao petismo, não? E o que Bolsonaro fez até agora em relação ao combate ao crime organizado que foi seu trampolim de campanha?
Sai ano, vem ano e é óbvio que o crime no Rio não vai mudar ainda que se façam centenas de operações como a realizada por aliados do PT ou então como houve no Jacarezinho. Ainda acredito tanto nas ideias de modelos de outros países, como analisados pelo ex secretário Mariano Beltrame, como em todas as informações que trouxe acima.
Só assim sairemos da barbárie: com uma nova Política de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro.

메타데이터
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