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O GAMBITO DO REI DOS REIS

SERMÃO PREGADO NO DIA 03 DE MAIO DE 2026 EM BALNEÁRIO CAMBORIÚ

Boa Nova - Igreja Reformada · 2026-05-03 19:52 · 0 claps · 11.2 min read
#jesus #xadrez #espiritualidade
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O GAMBITO DO REI DOS REIS

SERMÃO PREGADO NO DIA 03 DE MAIO DE 2026 EM BALNEÁRIO CAMBORIÚ

²⁷ Então regressaram para Jerusalém. E enquanto Jesus andava pelo templo, os principais sacerdotes, os escribas e os anciãos vieram ao seu encontro ²⁸ e lhe perguntaram: — Com que autoridade você faz estas coisas? Ou quem lhe deu esta autoridade para fazer isto? ²⁹ Jesus respondeu: — Eu vou fazer uma pergunta a vocês. Respondam, e eu lhes direi com que autoridade faço estas coisas. ³⁰ O batismo de João era do céu ou dos homens? Respondam! ³¹ E eles discutiam entre si: — Se dissermos: “Do céu”, ele dirá: “Então por que não acreditaram nele?” ³² Se, porém, dissermos: “Dos homens”, é de temer o povo. Porque todos pensavam que João era realmente um profeta. ³³ Então responderam a Jesus: — Não sabemos. E Jesus, por sua vez, lhes disse: — Então eu também não lhes digo com que autoridade faço estas coisas. (Marcos 11:27–33)

Palavra do Senhor, Graças a Deus por ela.

Boa noite irmãos, como vimos anteriormente, Marcos, não organiza esse capítulo de forma aleatória. Ele constrói sua narrativa com intencionalidade, como alguém que sabe exatamente o que está fazendo.

Na teologia, chamamos isso de “sanduíche marcano”, uma forma de contar uma história dentro de outra, onde ambas se interpretam mutuamente, ou seja, ao escrever essas palavras, o autor sagrado, as faz, como um chapeiro profissional, bastante experiente. Portanto, para entendermos melhor o contexto dessa passagem, o faremos, como alguém que está preparando um sanduíche.

Tudo começa com o pão. Algo comum, quase despercebido, é a entrada de Jesus no templo, onde por alguns minutos, talvez horas, ele observa tudo em silêncio, permanece ali, como um juiz que analisa uma sentença, e depois, vai embora. Nada aparentemente extraordinário, contudo, é estabelecido a base do lanche.

No dia seguinte, a cena da figueira entra como uma camada de manteiga, que sela o pão, e que começa a dar sentido ao todo. Cheia de folhas, bela aos olhos, com todos os sinais de vida. Mas, ao ser examinada, não há fruto. Apenas aparência.

Então chegamos ao centro, o recheio. Aquilo que revela o sabor real do sanduíche. Jesus entra no templo novamente, mas agora não apenas observa, Ele confronta. Ele expõe um sistema religioso que preserva a forma, mas perdeu o coração. Um lugar que deveria conduzir pessoas a Deus havia se tornado um obstáculo no caminho delas.

Por fim, a narrativa se fecha, voltamos à figueira, agora seca. Aquilo que antes parecia vivo revela o que sempre foi: estéril, e é exatamente aqui que o autor quer nos levar.

A figueira nos ajuda a entender o templo, e o templo nos ajuda a entender a figueira. Ambos revelam o mesmo problema: uma vida baseada em aparência, mas vazia de significado. Uma religião do espetáculo, do comércio, mas sem frutos verdadeiros.

Ou seja, meus amados irmãos, essa introdução deve nos conduzir a um auto-exame. Porque, no fim, essa história não é sobre figos, cambistas, fariseus ou o templo em Jerusalém. É sobre nós. E, quando Deus olha para a nossa vida, o que Ele encontra? Uma fé que apenas parece viva… ou uma vida que, de fato, foi transformada por Ele?

O mesmo filme, em um cenário diferente

²⁷ Então regressaram para Jerusalém. E enquanto Jesus andava pelo templo, os principais sacerdotes, os escribas e os anciãos vieram ao seu encontro ²⁸ e lhe perguntaram: — Com que autoridade você faz estas coisas? (verso 27–28)

No dia seguinte aos acontecimentos, isto é, na quarta-feira, Jesus retorna ao templo em Jerusalém. O cenário é o mesmo, mas o clima é outro, sua presença já não pode ser ignorada. Afinal, trata-se daquele que, no dia anterior, expulsou comerciantes dali, virou mesas, e confrontou a todos que faziam parte daquele espetáculo no templo. E agora, Ele entra pelas mesmas portas novamente, com a mesma liberdade, como se tivesse pleno direito de estar ali.

Isso provoca uma indignação naqueles que erma responsáveis por aquele sistema religioso. Afinal: quem esse Nazareno pensa que é? Que tipo de autoridade alguém precisa ter para agir daquela forma… e ainda voltar como se nada tivesse acontecido?

E é exatamente nesse cenário de pura tensão que meditarmos nessa noite.

Quem ali, tinha autoridade, ou direito de definir o que acontecia ou não na casa de Deus? Quem poderia ali ensinar, corrigir e confrontar? Foi aí que Cristo, ao pisar no templo, Jesus foi confrontado por um grupo composto pelos principais líderes religiosos da época, a saber, os sacerdotes, escribas e alguns anciãos.

Não se trata de uma abordagem receptiva, trata-se de um interrogatório formal, carregado de motivações políticas e religiosas, além de um nítido instinto assassino.

“E os escribas e principais sacerdotes, tendo ouvido isto, buscavam ocasião para o matar; pois eles o temiam, porque toda a multidão estava admirada acerca da sua doutrina. (verso 18)

Esses homens eram, por lei, os representantes do corpo religioso do judaísmo, eram os responsáveis pela preservação da lei, pela administração do culto e pela manutenção da ordem religiosa. Em outras palavras, eram a autoridade religiosa, reconhecida e estabelecida em Israel. E é exatamente por isso que eles se dirigem até aquele que tinha causado problemas suficientes no dia anterior, sendo assim, a pergunta que dirigem a Jesus não é neutra.

Quando questionam: “Com que autoridade fazes estas coisas?”, estão carteirando suas prerrogativas religiosas, e levantando uma questão institucional. Não estão apenas pedindo esclarecimento; estão exigindo com legitimidade, uma resposta pública. Eles querem saber quem autorizou Jesus a ensinar, agir e, sobretudo, intervir no funcionamento do templo.

No contexto judaico, autoridade legítima não era algo subjetivo.

Ela estava vinculada a critérios bem definidos, era necessário ter uma ordenação reconhecida, estar inserido na tradição rabínica ou possuir linhagem sacerdotal. Esses elementos funcionavam como garantias de autenticidade de qualquer rabino.

Contudo, meu irmãos, Jesus não se enquadra em nenhum desses parâmetros, para muitos, ele era apenas um caipira metido a rabino, ou coach de Jerusalém, ele não tinha sido formado em nenhuma escolas rabínicas relevante, não pertencia à nenhum tipo de elite sacerdotal e muito menos tinha recebido alguma comissão oficial das autoridades religiosas.

E, ainda assim, ele ensina publicamente, não como alguém que falava a partir das tradições como era esperado de um rabino, mas como quem fala a partir de si mesmo. Ele se apresenta como o Filho de Deus, seus ouvintes o reconheciam como rabi.

Por isso, a pergunta era simples: Com que autoridade você faz estas coisas?

Uma nota teológica sobre a autoridade de Jesus

Certa vez, Tim Keller disse algo que ficou gravado em mim: “A autoridade de Cristo não precisa de validação humana para ser real. O sol não precisa da nossa permissão para brilhar. A questão não é se Cristo tem autoridade sobre sua vida. Ele tem. A questão é se você está disposto a reconhecê-la. E essa disposição não é intelectual. É moral. É espiritual. É o que a Bíblia chama de fé.”

Duas palavras gregas são traduzidas como “autoridade” no Novo Testamento e estas podem nos ajudar a compreender o alcance do domínio de Cristo sobre todas as coisas.

  • A primeira é dunamis, que se refere ao poder ou capacidade.
  • A segunda é exousia, que aponta para o direito, a prerrogativa, a autoridade legítima para agir.

Jesus não apenas possuía poder, ele possuía o direito de exercer esse poder.

Isso significa que, em todo o seu ministério terreno, Jesus nunca agiu como alguém que precisava de permissão para fazer algo. Ele precisava de autorização de nenhum homem, mestre religioso, político para cumprir a vontade do Pai.

Ele agia com a consciência plena de que toda autoridade lhe havia sido concedida. Ele mesmo afirmou isso de forma clara. Em Mt 28:18, declara: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra.”

Em outro momento, ele disse que todas as coisas lhe foram entregues pelo Pai (Mt 11:27).

O apóstolo João reforça essa verdade ao afirmar que o Pai entregou tudo nas mãos do Filho (João 3:35), concedendo-lhe autoridade sobre toda a humanidade (João 17:2).

Todos os apóstolos compreenderam isso profundamente, em suas cartas, eles afirmam que Cristo está acima de toda autoridade, poder e domínio, que ele reina soberanamente sobre todas as coisas, e essa autoridade é absoluta e é uma evidência clara de sua divindade.

Contudo, essa autoridade não é apenas declarada, ela era demonstrada em seu ensino e percebida por seus ouvintes.

Jesus ensinava com autoridade, de forma que as pessoas reconheciam que havia algo diferente nele. (Mateus 7:28–29)

Meus irmãos, ele também agia com autoridade divina. Ele perdoava pecados, algo que seus ouvintes sabiam que somente Deus poderia fazer.

Quando perdoou o paralítico, os líderes religiosos reagiram imediatamente: “Quem pode perdoar pecados, senão Deus?” (Lucas 5:21). E, sem perceber, estavam reconhecendo exatamente o que estava diante deles.

Jesus também exerceu autoridade sobre as forças do mal. Ao expulsar demônios, não houve resistência final. Os espíritos imundos o obedeciam. As pessoas viam e perguntavam: “Que é isto? Uma nova doutrina com autoridade!” (Marcos 1:27).

Sua autoridade se estende também à salvação. Ele não apenas aponta o caminho. Ele é o caminho. Ele concede o direito de se tornarem filhos de Deus àqueles que creem (João 1:12).

Ele recebe todos os que vêm a Ele e jamais os rejeita (João 6:37). Ele convida os cansados e sobrecarregados a encontrarem descanso nele (Mateus 11:28–30).

E mais do que isso, Ele tem autoridade para julgar. O Pai confiou ao Filho todo o julgamento (João 5:22). Isso significa que aquele que hoje convida é o mesmo que, um dia, julgará.

Por fim, sua autoridade alcança o ponto mais profundo da existência humana: a vida e a morte. Jesus declara que ninguém tira sua vida. Ele a entrega voluntariamente e tem autoridade para retomá-la (João 10:18).

E, após a ressurreição, afirma ter as chaves da morte e do inferno (Apocalipse 1:18).

Isso nos leva a uma conclusão inevitável. Como bem disse C.S. Lewis, em sua obra, Cristianismo Puro e Simples, em seus famoso trilema:

“Qualquer homem que dissesse as coisas que Jesus disse teria de ser uma de três coisas: ou um Grande Mentiroso, pois sabia que não era Deus e enganou a todos deliberadamente; ou um Lunático, pois afirmava ser o próprio Deus encarnado enquanto sofria de um distúrbio mental; ou, finalmente, Ele era de fato o Filho de Deus, falando a mais pura verdade.”

Por isso meus irmãos, reconhecer a autoridade de Jesus, não é apenas uma afirmação teológica, é um chamado à rendição, à conversão, e ao seu senhorio.

O check mate de Jesus

²⁹ Jesus respondeu: — Eu vou fazer uma pergunta a vocês. Respondam, e eu lhes direi com que autoridade faço estas coisas. ³⁰ O batismo de João era do céu ou dos homens? Respondam!

Meus irmãos, Jesus conhecia o coração daqueles homens. Ele sabia exatamente o que os motivava a questioná-lo. Não eram perguntas nascidas de um desejo sincero de aprender, como vimos em Pedro, a quem Jesus responde com cuidado e atenção nos versos anteriores.

Aqui é diferente, eles eram homens maus, queriam colocar Jesus a prova, pressioná-lo, colocá-lo em em cheque. Mas é justamente nesse movimento que percebem, tarde demais, que eles mesmos tinham se colocado em xeque-mate.

Essa é, sem dúvida, uma das respostas mais sofisticadas e, ao mesmo tempo, mais devastadoras de todo o ministério de Jesus. Diante de uma pergunta carregada de intenção e armadilha, Ele não recua. Não se esquiva. Ele entra no jogo, mas, ele joga em outro nível, tipo Ronaldinho Gaúcho, ele diz:

“Também eu vos farei uma pergunta” (verso 28). No contexto rabínico, responder uma pergunta com outra era extremamente comum, tipo, uma lógica dialética de Platão, essa uma forma legítima de conduzir um debate.

Mas, Jesus fez mais do que isso, com essa inversão ele não apenas responde, ele traz um diagnóstico, que revela que o problema central ali não era a falta de informação, mas falta de disposição má, não é ignorância, e sim, de resistência. Então, ele coloca o dedo na ferida daqueles religiosos, afinal, dependendo de como eles responderem, isso iria revelar quem eles realmente eram.

³¹ E eles discutiam entre si: — Se dissermos: “Do céu”, ele dirá: “Então por que não acreditaram nele?” ³² Se, porém, dissermos: “Dos homens”, é de temer o povo. Porque todos pensavam que João era realmente um profeta. ³³ Então responderam a Jesus: — Não sabemos. E Jesus, por sua vez, lhes disse: — Então eu também não lhes digo com que autoridade faço estas coisas.

João Batista não era uma figura qualquer, ele havia sido reconhecido amplamente pelo povo como profeta, seu ministério não foi pequeno e insignificante naquele contexto, ele era muito famoso, multidões iam até ele para ouvir sua mensagem e receber seu batismo.

Ele foi levantado por Deus para preparar o caminho do Messias. Logo, reconhecer João não era apenas validar um pregador importante do passado que foi morto. Era dar um passo inevitável em direção a Cristo. Afinal, o próprio João o tinha apontado como: “Vejam! É o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!”. (João 1:29)

Por isso a pergunta de Jesus é tão assertiva: “Do céu ou dos homens?” Não há meio termo aqui, ou João Batista veio de Deus (no contexto judaico, dizer “do céu” era o mesmo que dizer “de Deus”, com autoridade divina), ou foi apenas mais um homem.

Jesus não está propondo um debate aberto. Ele exige uma resposta clara e objetiva. “Respondei-me.” Ele é direto, sem rodeios, e nesse momento, ele acabava de alugar um triplex na cabeça daqueles fariseu.

Eles começam a conversar entre si, ponderando até que ponto vale a pena entrar ou não naquela discussão. Mas perceba com cuidado: não é uma busca sincera pela verdade. Em nenhum momento a pergunta é “o que é verdadeiro?”.

A pergunta real, ainda que não dita, é outra: “o que nos custa menos?”

Se disserem “do céu”, a consequência vem imediatamente. Terão que encarar a própria incredulidade. Por que não creram em João? E, mais profundamente, por que rejeitaram aquele para quem João apontava?

Mas, se disserem “dos homens”, surge outro problema. O povo. João era estimado, respeitado, reconhecido como profeta. E eles sabem disso. Então recuam. Não por convicção, mas por cálculo. Eles temem a multidão. E aqui está algo profundamente revelador: não temem a Deus, não temem estar errados diante da verdade. Temem perder influência.

A pergunta de Jesus, desloca o debate, tira ele da superfície e leva para o centro do problema humano, o coração corrupto. Já não se trata de discutir sobre autoridade ou não de Jesus em termos religiosos ou institucionais.

Trata-se do coração humano diante da verdade, a mesma verdade que endurece o barro, e derrete a neve. Diante da revelação de Deus, não há neutralidade. Não existe um terceiro caminho. Há apenas um caminho, e duas respostas possíveis.

A primeira é a humilhação que conduz ao arrependimento. É quando o homem, confrontado pela verdade, reconhece sua condição, abandona suas defesas e se rende. A verdade, nesse caso, o quebra, mas, o faz, para curá-lo, o fere, mas o faz, para restaurá-lo.

A segunda reação diante da verdade, é o endurecimento que conduz à rejeição, como vimos neste caso. É quando o homem, mesmo diante da evidência, resiste.

Não por falta de clareza, mas por falta de submissão. A verdade, então, não transforma; ela expõe sua corrupção, e aquilo que poderia salvar passa a revelar ainda mais profundamente a dureza do coração.

A Escritura é consistente nesse ponto: A mesma palavra que ilumina o entendimento, também julga, a mesma verdade que salva, também condena.

Portanto, a questão nesse texto, nunca foi “qual é a verdade?”, mas o que fazemos quando somos confrontados por ela.

Porque, diante de Deus, não somos apenas informados, somos expostos. E a resposta que damos a essa verdade não revela apenas o que pensamos, mas quem somos.

Conclusão

Existe uma jogada no xadrez, chamada de “Gambito da Rainha” que envolve um movimento estratégico no qual se abre mão de uma peça menor com o objetivo de alcançar uma posição mais decisiva no tabuleiro.

O que parece concessão, na verdade, é um caminho para o controle. Algo semelhante ao que ocorreu neste texto.

Jesus responde à pergunta das autoridades com outra pergunta, e isso, não se trata de evasão, mas de um método, ele não buscava com isso evitar o problema; ele redefine a lógica do capítulo.

Jesus entra em Jerusalém como Rei, entra no templo como Senhor, e amaldiçoa a figueira como Juiz, ele ensina sobre fé, oração e perdão como Mestre. E, ao final, é confrontado diretamente: “Com que autoridade você faz essas coisas?” Essa não é apenas a pergunta das autoridades religiosas, é a pergunta que sustenta toda a narrativa.

Essa resistência se torna ainda mais clara quando observamos sua progressão dentro da narrativa expressa no capítulo 11. A figueira possuía folhas, mas não fruto. O templo tinha atividade, mas não verdadeira adoração. Os líderes religiosos detinham conhecimento, mas não submissão. Tudo parecia funcional, mas, na essência, estava vazio.

Como aqueles homens, hoje, estamos diante do rei, dos reis, a grande questão aqui é: qual é a nossa resposta à verdade?

Que Deus tenha misericórdia de nós.

SDG. Bruno Lima, V.D.M.

03 de Maio, Balneário Camboriú. 2026.


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