Inflação dos alimentos: Temer, Bolsonaro e Lula
A escalada dos preços dos alimentos no Brasil nos últimos anos não é um fenômeno natural, aceitável ou inevitável. Ela é o resultado direto…
Inflação dos alimentos: Temer, Bolsonaro e Lula
A escalada dos preços dos alimentos no Brasil nos últimos anos não é um fenômeno natural, aceitável ou inevitável. Ela é o resultado direto de políticas deliberadas que priorizaram o lucro do agronegócio e do capital financeiro, principalmente internacional em meio ao abandono das necessidades básicas da população.
Os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, cada um à sua maneira, seja por ação ou omissão, contribuíram decisivamente para o desmantelamento de todas as políticas de segurança alimentar, deixando um rastro gigantesco de fome e miséria que ainda assola milhões de famílias brasileiras, apesar de quase 9 milhões de pessoas terem saído da miséria em 2023, cerca de 50 milhões de pessoas ainda vivem com menos de 665 reais por mês.
O Desmonte da Política de Estoques Reguladores: Acabando com a única coisa que funcionava.
Diversos governos ao redor do mundo adotam a política de estoques reguladores de como forma a garantir o abastecimento interno e controlar os preços tanto para que não caiam demais e prejudiquem os pequenos e médios produtores, quanto para que os preços não disparem e tragam o fantasma da fome e da miséria para a classe trabalhadora.
O Vietnã, por exemplo, impôs limites à exportação de arroz durante a pandemia para priorizar o mercado interno, outros países como China, União Europeia, Japão, Coreia do Sul, Canadá e México também tomaram medidas para garantir o abastecimento interno durante o choque das cadeias produtivas na pandemia de COVID 19, esses exemplos indicam que, embora não haja um sistema universalmente padronizado e nenhuma experiência seja igual, a prática de intervenção estatal para equilibrar oferta e demanda e proteger os consumidores é comum em várias nações, evidenciando que a política de estoques reguladores não é uma ideia abstrata, mas sim uma prática real em diversos lugares, até os Estados Unidos utilizam essa prática com o petróleo, comodity que impacta em outros diversos preços, mas no Brasil qualquer medida.
O governo Temer iniciou um processo de fragilização da política de estoques, abrindo caminho para o descontrole total dos preços dos alimentos, a lógica do “Estado mínimo” e da “austeridade fiscal”, imposta pelo capital financeiro que alegando que o estado “gasta demais e de forma ineficiente, impôs um teto de gatos que congelou os investimentos públicos, levou ao sucateamento de órgãos como a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e à redução dos investimentos na agricultura familiar, isso somado ao PPI da Petrobrás, que mantinha os preços dos combustíveis em dólar, uma moeda bem mais forte que a nossa, que junto com o choque de produção causado pela pandemia, produziu um efeito cascata que desembocou na maior inflação dos alimentos da história registrada em 2022, ano que METADE da população brasileira se encontrava em insegurança alimentar, ou seja, só tinham UMA refeição por dia.
Bolsonaro, por sua vez, acelerou esse processo, entregando o mercado de alimentos e a Petrobrás à sanha do capital interno e externo. A política de livre mercado, combinada com a desvalorização do real e a falta de regulamentação das exportações, criou um cenário em que a comida se tornou um produto de especulação financeira, com preços subindo vertiginosamente e o povo passando fome.
Dados da Conab e da UOL demonstram que os estoques de arroz, que já foram de quase um milhão de toneladas, caíram para 21 mil toneladas. O feijão, alimento básico na mesa dos brasileiros, desapareceu dos estoques públicos, alimentos básicos do brasileiro entregues para que o agro fizesse o que queria.
A Petrobrás foi uma das empresas mais vilipendiadas pelos dois últimos presidentes, seja com privatizações, distribuição de dividendos criminosos, troca de refinarias por joias, enfim, por muito pouco não perdemos a maior empresa brasileira e uma das mais estratégicas (Bolsonaro vendeu a eletrobrás, um patriota que vende uma das empresas mais estratégicas do pais e quase doou a outra, muito patriota)
Temer instituiu a Politica de Paridade de Importação, que na prática igualava os preços do mercado interno com o internacional, o que não faz o menor sentido já que o brasil é (era) soberano na extração e refino de petróleo, importando menos de 10% de sua produção, até o governo Temer, a empresa era “do poço a bomba” tendo toda a sua cadeia produtiva na empresa, ela conseguia a hegemonia dos preços dos combustíveis e mantendo os preços baixos mesmo com uma crise internacional.
A política de preços da Petrobrás, que atrelava os combustíveis ao preço internacional do petróleo, provocou uma escalada do preço do diesel, impactando toda a cadeia produtiva de alimentos, essa crise só foi aprofundada por Bolsonaro, que manteve o PPI e ainda privatizou duas refinarias, perdendo o controle sobre os preços dos combustíveis e deixando nas mãos do mercado.
falta de estoques reguladores e o descontrole dos preços deixaram os pequenos e médios produtores à mercê das oscilações do mercado, sem um preço mínimo garantido, muitos agricultores familiares foram forçados a abandonar a produção de alimentos para o mercado interno e migrar para a monocultura de exportação
O resultado dessas políticas foi um aumento brutal da inflação dos alimentos, corroendo o poder de compra da classe trabalhadora e aprofundando a desigualdade social.
A inflação dos alimentos atingiu 57% durante o governo Bolsonaro, enquanto a inflação geral no mesmo período foi de 30%. Isso significa que a comida ficou muito mais cara do que outros produtos, impactando diretamente o orçamento das famílias mais pobres.
O desmonte das políticas públicas, em especial do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que comprava alimentos da agricultura familiar, aprofundou a crise, todo o ecossistema da CONAB que mantinha a soberania alimentar brasileira foi destruído pelos governos de direita em menos de 10 anos.
O Governo Lula e a Lenta Retomada: Entre a Necessidade e as Amarras do Capital
O governo Lula, que ascendeu ao poder em 2023 com a promessa de combater a fome e reconstruir o país, tem enfrentado dificuldades para reverter o quadro de insegurança alimentar, apesar de ter prometido a retomada dos estoques reguladores e do programa PAA, o governo Lula demorou a implementar medidas eficazes. A reconstrução da Conab e a retomada da política de estoques têm sido lentas e insuficientes, revelando a dificuldade de romper com a lógica do livre mercado que ainda domina a economia.
Algumas medidas foram tomadas, como a compra de 500 mil toneladas de milho e a destinação de recursos para a compra de arroz e trigo. O governo também retomou o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos), que tem como objetivo fortalecer a agricultura familiar, destinando 500 milhões de reais para o programa, no entanto, essas ações são insuficientes para resolver o problema estrutural da falta de estoques e do descontrole dos preços.
O governo também reconheceu a necessidade de revisar as normas que limitam a compra de alimentos apenas quando os preços estão abaixo do mínimo, essa revisão é fundamental para permitir que a Conab forme estoques mais robustos e atue no controle dos preços, mas o processo ainda é lento e burocrático, além da dificuldade de lidar com o congresso, o governo ainda se amarrou com um novo teto de gastos que limita o investimento em todas as áreas.
O governo Lula também erra ao manter o foco no agronegócio exportador, destinando a maior parte dos recursos do Plano Safra para a produção de commodities, como soja, milho e cana-de-açúcar. A agricultura familiar, responsável pela produção da maior parte dos alimentos para o mercado interno, quem realmente alimenta o brasileiro, ainda não recebe a atenção e os investimentos necessários, não tem suporte tecnológico, nem de crédito, tudo vai para os grandes produtores que exportam, as vezes, toda a produção, sem pagar imposto e sem gerar muitos empregos de qualidade.
A crise alimentar no Brasil é um problema complexo, mas não é insolúvel. É preciso romper com a lógica do capital, retomar o planejamento estatal, fortalecer a agricultura familiar e priorizar a produção de alimentos para o mercado interno, já que a principal e mais efetiva medida de combate a insegurança alimentar, que é a reforma agrária, não é colocada em prática.
O governo Lula tem a oportunidade de liderar esse processo, mas precisa ir além das medidas pontuais e superficiais. É preciso um verdadeiro enfrentamento, mas isso passa por etapas que o petismo já não quer mais combater, como os juros altos, a enorme dívida pública que consome mais de 70% do orçamento, o congresso que depois de Eduardo Cunha não sabe mais trabalhar sem uma quantia descomunal de emendas, a Faria Lima que cada vez avança com mais fome sob o estado, enfim, não vejo uma saída a curto prazo, que é o que esse governo tem.
A luta pelo direito à alimentação é uma luta de todos e todas que sonham com um futuro sem fome, sem miséria e sem desigualdade. A classe trabalhadora precisa estar mobilizada e organizada para exigir políticas públicas que garantam o direito à alimentação e a construção de um Brasil soberano e justo para todos.
A escalada dos preços dos alimentos no Brasil nos últimos anos não é um fenômeno natural, aceitável ou totalmetne inevitável. Ela é o resultado direto de políticas deliberadas que priorizaram o lucro do agronegócio e do capital financeiro, principalmente internacional, em meio ao abandono das necessidades básicas da população.
Os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, cada um à sua maneira, seja por ação ou omissão, contribuíram decisivamente para o desmantelamento de todas as políticas de segurança alimentar, deixando um rastro gigantesco de fome e miséria que ainda assola milhões de famílias brasileiras. Apesar de quase 9 milhões de pessoas terem saído da miséria em 2023, cerca de 50 milhões ainda vivem com menos de 665 reais por mês.
O Desmonte da Política de Estoques Reguladores: Acabando com a única coisa que funcionava
Diversos governos ao redor do mundo adotam a política de estoques reguladores como forma de garantir o abastecimento interno e controlar os preços, tanto para que não caiam demais e prejudiquem os pequenos e médios produtores, quanto para que os preços não disparem e tragam o fantasma da fome e da miséria para a classe trabalhadora.
O Vietnã, por exemplo, impôs limites à exportação de arroz durante a pandemia para priorizar o mercado interno. Outros países, como China, União Europeia, Japão, Coreia do Sul, Canadá e México, também tomaram medidas para garantir o abastecimento interno durante o choque das cadeias produtivas na pandemia de COVID-19. Esses exemplos indicam que, embora não haja um sistema universalmente padronizado e nenhuma experiência seja igual, a prática de intervenção estatal para equilibrar oferta e demanda e proteger os consumidores é comum em várias nações. Isso evidencia que a política de estoques reguladores não é uma ideia abstrata, mas sim uma prática real em diversos lugares. Até os Estados Unidos utilizam essa prática com o petróleo, commodity que impacta diversos outros preços. No Brasil, porém, qualquer medida nesse sentido foi abandonada.
O governo Temer iniciou um processo de fragilização da política de estoques, abrindo caminho para o descontrole total dos preços dos alimentos. A lógica do “Estado mínimo” e da “austeridade fiscal”, imposta pelo capital financeiro, que alegava que o Estado “gasta demais e de forma ineficiente”, impôs um teto de gastos que congelou os investimentos públicos, levou ao sucateamento de órgãos como a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e à redução dos investimentos na agricultura familiar. Isso, somado ao PPI da Petrobrás, que mantinha os preços dos combustíveis em dólar, uma moeda bem mais forte que a nossa, e ao choque de produção causado pela pandemia, produziu um efeito cascata que desembocou na maior inflação dos alimentos da história, registrada em 2022. Naquele ano, metade da população brasileira se encontrava em insegurança alimentar, ou seja, só tinha uma refeição por dia.
Bolsonaro, por sua vez, acelerou esse processo, entregando o mercado de alimentos e a Petrobrás à sanha do capital interno e externo. A política de livre mercado, combinada com a desvalorização do real e a falta de regulamentação das exportações, criou um cenário em que a comida se tornou um produto de especulação financeira, com preços subindo vertiginosamente e o povo passando fome.
Dados da Conab e da UOL demonstram que os estoques de arroz, que já foram de quase um milhão de toneladas, caíram para 21 mil toneladas. O feijão, alimento básico na mesa dos brasileiros, desapareceu dos estoques públicos. Alimentos básicos do brasileiro foram entregues para que o agro fizesse o que quisesse.
A Petrobrás foi uma das empresas mais vilipendiadas pelos dois últimos presidentes, seja com privatizações, distribuição de dividendos criminosos, troca de refinarias por joias. Enfim, por muito pouco não perdemos a maior empresa brasileira e uma das mais estratégicas (Bolsonaro vendeu a Eletrobrás, um patriota que vende uma das empresas mais estratégicas do país e quase doou a outra. Muito patriota!).
Temer instituiu a Política de Paridade de Importação, que, na prática, igualava os preços do mercado interno com o internacional, o que não faz o menor sentido, já que o Brasil é (era) soberano na extração e refino de petróleo, importando menos de 10% de sua produção. Até o governo Temer, a empresa era “do poço à bomba”, tendo toda a sua cadeia produtiva na empresa. Ela conseguia a hegemonia dos preços dos combustíveis e mantinha os preços baixos, mesmo com uma crise internacional.
A política de preços da Petrobrás, que atrelava os combustíveis ao preço internacional do petróleo, provocou uma escalada do preço do diesel, impactando toda a cadeia produtiva de alimentos. Essa crise só foi aprofundada por Bolsonaro, que manteve o PPI e ainda privatizou duas refinarias, perdendo o controle sobre os preços dos combustíveis e deixando-os nas mãos do mercado.
A falta de estoques reguladores e o descontrole dos preços deixaram os pequenos e médios produtores à mercê das oscilações do mercado. Sem um preço mínimo garantido, muitos agricultores familiares foram forçados a abandonar a produção de alimentos para o mercado interno e migrar para a monocultura de exportação.
O resultado dessas políticas foi um aumento brutal da inflação dos alimentos, corroendo o poder de compra da classe trabalhadora e aprofundando a desigualdade social. A inflação dos alimentos atingiu 57% durante o governo Bolsonaro, enquanto a inflação geral no mesmo período foi de 30%. Isso significa que a comida ficou muito mais cara do que outros produtos, impactando diretamente o orçamento das famílias mais pobres.
O desmonte das políticas públicas, em especial do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que comprava alimentos da agricultura familiar, aprofundou a crise. Todo o ecossistema da Conab, que mantinha a soberania alimentar brasileira, foi destruído pelos governos de direita em menos de 10 anos.
O Governo Lula e a Lenta Retomada: Entre a Necessidade e as Amarras do Capital
O governo Lula, que ascendeu ao poder em 2023 com a promessa de combater a fome e reconstruir o país, tem enfrentado dificuldades para reverter o quadro de insegurança alimentar. Apesar de ter prometido a retomada dos estoques reguladores e do programa PAA, o governo Lula demorou a implementar medidas eficazes. A reconstrução da Conab e a retomada da política de estoques têm sido lentas e insuficientes, revelando a dificuldade de romper com a lógica do livre mercado que ainda domina a economia.
Algumas medidas foram tomadas, como a compra de 500 mil toneladas de milho e a destinação de recursos para a compra de arroz e trigo. O governo também retomou o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos), que tem como objetivo fortalecer a agricultura familiar, destinando 500 milhões de reais para o programa. No entanto, essas ações são insuficientes para resolver o problema estrutural da falta de estoques e do descontrole dos preços.
O governo também reconheceu a necessidade de revisar as normas que limitam a compra de alimentos apenas quando os preços estão abaixo do mínimo. Essa revisão é fundamental para permitir que a Conab forme estoques mais robustos e atue no controle dos preços, mas o processo ainda é lento e burocrático. Além da dificuldade de lidar com o Congresso, o governo ainda se amarrou a um novo teto de gastos que limita o investimento em todas as áreas.
O governo Lula também erra ao manter o foco no agronegócio exportador, destinando a maior parte dos recursos do Plano Safra para a produção de commodities, como soja, milho e cana-de-açúcar. A agricultura familiar, responsável pela produção da maior parte dos alimentos para o mercado interno, quem realmente alimenta o brasileiro, ainda não recebe a atenção e os investimentos necessários. Não tem suporte tecnológico, nem de crédito. Tudo vai para os grandes produtores que exportam, às vezes, toda a produção, sem pagar imposto e sem gerar muitos empregos de qualidade.
A crise alimentar no Brasil é um problema complexo, mas não é insolúvel. É preciso romper com a lógica do capital, retomar o planejamento estatal, fortalecer a agricultura familiar e priorizar a produção de alimentos para o mercado interno. Já que a principal e mais efetiva medida de combate à insegurança alimentar, que é a reforma agrária, não é colocada em prática.
O governo Lula tem a oportunidade de liderar esse processo, mas precisa ir além das medidas pontuais e superficiais. É preciso um verdadeiro enfrentamento, mas isso passa por etapas que o petismo já não quer mais combater, como os juros altos, a enorme dívida pública que consome mais de 70% do orçamento, o Congresso que, depois de Eduardo Cunha, não sabe mais trabalhar sem uma quantia descomunal de emendas, a Faria Lima que cada vez avança com mais fome sobre o Estado. Enfim, não vejo uma saída a curto prazo, que é o que esse governo tem.
A luta pelo direito à alimentação é uma luta de todos e todas que sonham com um futuro sem fome, sem miséria e sem desigualdade. A classe trabalhadora precisa estar mobilizada e organizada para exigir políticas públicas que garantam o direito à alimentação e a construção de um Brasil soberano e justo para todos.
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