Mulheres desafiam o ar, água e as paredes
Com muita garra e determinação, elas vêm quebrando barreiras e rompendo preconceitos. Mesmo com a desvalorização e julgamentos que recebem…
*Mulheres desafiam o ar, água e as paredes*

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Com muita garra e determinação, elas vêm quebrando barreiras e rompendo preconceitos. Mesmo com a desvalorização e julgamentos que recebem, simplesmente mostram do que são capazes.
Por Camila Bandeira e Joyce Vieira
Vencer desafios, ter a sensação de liberdade, prazer e liberar adrenalina- são uma das razões que mulheres e homens praticam esportes radicais. Além disso, a prática traz benefícios para a musculatura do corpo, mas exige mais preparo físico que outras atividades.
Outro ponto importante é a segurança. Antes de realizar algum esporte de aventura é recomendável ter conhecimento e orientações do desempenho físico e mental, boa alimentação e equipamentos adequados.
Mesmo sendo rotuladas de sexo frágil, as mulheres invadem montanhas, campos de futebol, quadras de esporte, desafios de queda livre, mostrando que qualquer categoria de esporte não é só para homens. Elas também vêm se aventurando nos esportes de risco, se destacando sem abrir mão da sua feminilidade.
Um dos objetivos do esporte, além da resistência física é a motivação. O aprendizado e superação que cada pessoa aprende no seu particular. Isso gera mais ousadia na mulher em busca de novos desafios no esporte radical.
O esporte radical está se tornando uma fábrica de realização de sonhos, transformando vidas. Nos últimos anos, ele tem mostrando seu papel social, inclusivo e de igualdade. Enquanto isso, uma galera continua lutando por esse reconhecimento e pela garantia de seu espaço (como o homem já possui).
Paraquedismo
Atualmente, filiadas a CBPq (confederação brasileira de paraquedismo) existem 3543 paraquedistas, destes, 281 são mulheres. O paraquedismo conta com várias modalidades de competições, entre elas:
Formação em Velames
Realizada com o paraquedas aberto, dois ou mais atletas realizam manobras para formar coreografia e figuras com os velames (parte superior do paraquedas), proporcionando um espetáculo para quem assiste no chão.
Formação em Queda Livre
Equipes de quatro ou oito atletas que formam figuras com seu corpo durante a queda livre.
Precisão
Essa é uma das modalidades de salto mais antiga do paraquedismo, praticada com o velame (de tecido e linhas do paraquedas) aberto. O objetivo é atingir uma “mosca” no centro de um alvo determinado com 2,5 cm de raio na hora do pouso.
Ana Lígia Pulgaci, é instrutora de paraquedismo e tem quase quatro mil saltos. Ela compete em grupo e sozinha pelo exército em várias modalidades. Aninha se tornou Campeã Absoluta Feminino Brasileira Militar em 2019, se consagrando a melhor atleta desse campeonato, também é campeã de precisão, campeã absoluta em time, estilo individual, entre outras conquistas.

Aninha se tornou paraquedista em 2011, nunca pensou que trabalharia com o esporte, porém se apaixonou e começou a treinar para se superar a cada dia. Já passou por alguns preconceitos e ganhou elogios por praticar o esporte, como pedidos de fotos e autógrafos, o que ela acha muito gratificante. Para ela é muito importante a mulher estar ganhando cada vez mais espaços- antes considerados masculinos “prova que temos as mesmas condições. Existem muitos preconceitos e a inclusão de mulheres está mostrando que realmente somos iguais, e o mais importante, incentiva as mulheres a encarem o esporte e descobrirem que não é força e sim técnica, comenta.
Mergulho
Além do mergulho como uma forma de lazer que todo mundo conhece, o mergulho também é um esporte com competições de categorias diferentes.
Lastro Constante
Praticado no mar e em lagos, o mergulhador desce a uma determinada profundidade com a ajuda do cinto-lastro e das nadadeiras, porém não pode utilizar o cabo-guia.
Imersão livre
Sem uso de cinto lastro ou nadadeiras, o atleta deve descer o máximo possível com apoio de um cabo guia e em apneia.
Apneia
Categoria em que o atleta fica o maior tempo possível submerso ou flutuando imóvel com as vias respiratórias imersas na água. Essa categoria é composta de várias modalidades diferentes, entre elas a apnéia estática com inalação prévia de oxigênio, modalidade em que a brasileira Karol Meyer entrou para o Guinness Book, batendo o recorde de 18 minutos e 32 segundos. Além do recorde, ela é a atleta que mais conquistou recordes mundiais no Brasil, sendo 8 mundiais, 2 continentais, 30 sul americanos e entre muitos outros.

Karol sempre foi apaixonada pelo mar e hoje realiza um dos seus sonhos em conhecer e viver com os seres marinhos. Por outro lado, ela também questiona a desvalorização do esporte no geral “Não vemos muito apoio e incentivo ao esporte competitivo dos órgãos oficiais, mas isso é um problema para todos os esportes exceto, futebol masculino no país. Deveria ser valorizado, ainda mais com a nossa imensa costa”,diz.
O mergulho não é só desfrutar com a beleza do fundo do mar, mas também, ficar atento com a segurança- pois é um dos esportes mais perigosos. Cada imersão exige um tempo de descanso na superfície evitando que o CO² prejudique a respiração pelo consumo do oxigênio. A pressão causada pode levar o atleta a desmaiar ou até morrer.
A mergulhadora vem superando recordes e indo mais fundo, mostrando que a força e dedicação da mulher no esporte.
Escalada
Força, concentração, técnica e adrenalina. São os princípios básicos para a prática da escalada. Muitos se confundem com o rapel, mas o mesmo é apenas uma técnica de segurança para descidas utilizada em escalada em rocha.
A escalada pode ser praticada individualmente ou em grupo, exigindo os equipamentos básicos de segurança corda, sapatilha para escalada, capacete e pó de magnésio para as mãos.
Gláucia Caldeira, 30 anos é carioca, esteticista e fascinada por altura e apaixonada por adrenalina “a escalada é um dos meus esportes favoritos. Me sinto livre, quase como se estivesse voando, ”. É assim que ela aproveita seus finais de semana.
Na escalada existem diversas modalidades inclusive competitivas.
Velocidade ou Speed
Dois atletas correm vias idênticas de 15 m ao mesmo tempo, e quem tocar no botão no final da parede primeiro vence. A via é padrão no mundo, então existe a possibilidade de bater recordes.
Dificuldade ou Lead
Essa modalidade possui uma via de 20 m de altura e gradualmente vai aumenta seu nível de dificuldade. Podendo escalar só uma vez, então se o atleta cair a pontuação é validada até onde chegou. A pessoa que terminar ou chegar mais próximo do final ganha.
Boulder
O boulder são 5 vias de escalada diferentes em paredes de até 5 metros. A altura sendo mais baixa não facilita, pois exige concentração e menos movimentos. O atleta precisa escalar os boulders em 5 minutos de escalada e 5 minutos de descanso, não podendo ver os outros participantes escalando para evitar de pegarem dicas. É a única modalidade realizada sem cordas, com colchões para auxiliar na queda.
Nas olimpíadas de Tóquio 2020, será o formato Combinado que abrange as três modalidades, e a atleta de escalada Thais Makino já está se preparando para o Campeonato Pan-americano de Escalada em Los Angeles, pois quem levar o prêmio é selecionado para as olimpíadas em Tóquio. Sua rotina de treino é intensa e acontece 6 vezes por semana com combinação de exercícios específicos de escalada, séries de boulder, simulados de campeonatos, treino funcional entre outros.
Em entrevista, a atleta Thais Makino conta sobre a dificuldade e desvalorização da escalada no Brasil. “O esporte no país nunca teve o investimento que existe em outros países, o que resultou num abismo de diferença entre o número de praticantes de outros países e no desempenho competitivo”.

Além disso, outro desafio encontrado é a falta de patrocínio com os atletas. Hoje Thais possui patrocínio da Fábrica Escalada e apoio de lojas, mas nem sempre foi assim. “Em 2018 eu ainda tinha um trabalho paralelo que ajudava em me manter, porém dificultava nos treinos, cheguei a competir sem escalar nenhuma vez no mês”, conta.
Thais Makino é Campeã Brasileira de Boulder, Campeã Brasileira de Dificuldade, Campeão de Velocidade e Campeã Brasileira Combinado, e vem marcando essa geração mostrando a força da mulher no esporte radical.
Matéria realizada para a Agência Experimental Revista Gabrielle em 2019
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