O Abdutor de Alianças 1/6
“Bem… pela primeira vez saquei minha pena de pavão, mergulhei a ponta na tinta magica e resolvi escrever um conto. Apesar de estar trêmulo…
- O Abdutor de Alianças 1/6
“Bem… pela primeira vez saquei minha pena de pavão, mergulhei a ponta na tinta magica e resolvi escrever um conto. Apesar de estar trêmulo na hora de postar, me sinto aliviado por ter dado o meu máximo. Deve ser normal essa sensação mista. Se tiver alguma opinião construtiva pra oferecer, meu consagrado, pode meter o pé na porta, pegar a pena e deixar registrado aí que lerei de coração”

Capítulo 01 - Luzes
Tomas arregalou os olhos quando leu a notícia no jornal. Finalmente revelaram qual era o objetivo das aparições extraterrestres por aqui. Eles não vieram pra nos eliminar, nos dominar, nos estudar, nem nos roubar. Foi revelado que os ETs vieram pra comer mulher casada.
Sim, as mulheres eram abduzidas, a coisa acontecia e elas voltavam pra terra confusas sem saber explicar direito pros maridos o sumiço repentino. Na vizinhança de Tomas, três casamentos já haviam acabado por intervenções extraterrestres.
O governo não mandava míssil, não mandava exército, não mandava nada pra acabar com esses pestes. Afinal, não havia como prever aonde apareceriam. Quando a coincidência acontecia, eles decolavam pro espaço deixando nossas melhores aeronaves para trás.
Tomas estava tranquilo no escritório, degustando um café quando de repente seu telefone tocou e ele quase derrubou a xícara no susto. Era seu vizinho, avisando aos berros, que viu luzes rodando pelos céus da vizinhança. Tomas já com a pulga atrás da orelha, jogou o paletó nas costas entrou no carro velho e dirigiu frenético destino a sua casa.
Faltando um quarteirão de onde morava, da sacada, um dos moradores gritou para Tomas:
— Vi um dos OVNIs voando de mansinho na direção da sua casa, Tomas!
O motorista pisou fundo no acelerador, girou o volante, sua aliança brilhou no anelar, o carro curvou a esquina e viu!
Um objeto voador não identificado circulava no silencio e na maldade, por cima da sua casa.
O casado estacionou o carro, subiu as escadas, a porta estava trancada. Ele deu um, dois, três chutes épicos e a porta escancarou. Estava tudo escuro, tentou ligar o interruptor, mas continuou escuro. Pela janela olhou as casas vizinhas, entendeu que só a sua estava sem energia. E sua esposa onde estava? Encucou o homem.
Não avistou Carol naquele cômodo, queria chamar por ela, mas não fez, precisava ter cautela, não sabia como o famoso evento acontecia. Caminhou silenciosamente por cômodo a cômodo; sala, cozinha, quarto, banheiro; ela nunca estava, ele se agitava a cada ausência.
Foi no quarto de visitas, que ficava no andar de cima que encontrou sua amada. Ela olhava pra fora com as mãos na murada da janela, fascinada com a luz que vinha do outro lado.
— Carol, sai da janela! — ordenou Tomas.
— Amor, vem ver isso! — disse ela.
O casado se aproximou e viu no céu. A nave tinha formato de disco e planava imóvel sobre o terraço, por baixo havia um atraente festival de luzes acendendo e apagando. Carol apertou os lábios e disse:
— É lindo né, Tomas?
Ele se espantou com a esposa, segurou seu braço e a puxou para fora do cômodo e para fora de casa. No carro, ele a pôs no banco carona e sentou no banco da direção. Foi aí que reparou que sua mulher estava soluçando num choro confuso, não era hora de puxar assunto. O homem colocou o carro em movimento. Numa distância segura, olhou por cima dos ombros e viu a nave pilantra alçando voo, as luzes das casas em volta, tremeram e normalizaram.
Tomas, em alta velocidade virava as esquinas desgovernadamente, os veículos abriam caminho em respeito, como se fosse uma ambulância, pois entendiam a emergência da situação. O motorista nem sabia pra aonde ia, só queria despistar a nave que se mantinha calma atrás dele. O piloto de fuga colocou a cara pra fora do carro apontou pra uma casa e gritou para os ETs:
— Aí, essa casa aí! Eles têm um casamento de anos no Instagram. Toma um café aí pô, me esquece! — e a nave não deu bola.
Numa curva precipitada, Tomas cometeu o erro de entrar numa estrada de barro com arvores pra cá e pra lá. Enxergava apenas o que seu farol deixava, e atrás a nave insistia, e suas luzes azuladas, agora ficaram vermelhas de excitação. Havia uma casa ou outra no meio das arvores, mas a cada avanço na estrada elas foram desaparecendo e as arvores também.
Sobrou um enorme campo aberto, agora era quase impossível despistar os talaricos.
Sua esposa limpou as lagrimas como liberta de um transe e olhou pra trás dizendo:
— É lindo né?
— Lindo?
— Olha o tamanho disso! Quantos lugares eu poderia conhecer dando uma volta nisso? E as fotos que dar pra tirar em tantos lugares inimagináveis.
— Pra depois ser despejada na a terra com a reputação ferrada?
— Pode dar certo… Não que eu tenha interesse, mas acho que eles vêm buscar as mulheres aqui porque lá as garotas devem não prestar, só estão atrás da mulher certa.
— Do que você ta falando Carol?
O carro deu algumas quicadas no chão de barro, o para-choque despencou e dois parafusos caíram, o veículo se esforçou pra continuar, mas engasgou e parou. Pela janela, Tomas viu que um pneu traseiro estava torto, ele pegou a pistola no porta-luvas, saiu do carro e avisou para que Carol ficasse. A nave parou planando nos céus a metros dali observando o movimento da presa, ela era a única fonte firme de luz no meio daquele imenso breu. Tomas admitiu pra si que o disco tinha até um brilho bonito, admirou por alguns segundos e voltou sua atenção para a lata velha.
Achou os parafusos sujo de barro com auxílio da iluminação alienígena e começou a reparação improvisada do carro. Prestava atenção na respiração pra evitar o nervosismo e encaixar corretamente os parafusos. Já o para-choque ficaria pra outro dia.
Escutou a porta do outro lado do carro abrir e fechar e a voz veio do outro lado também.
— Tomas você vai demorar muito aí? — disse sua mulher fingindo tranquila.
— Carol, pro carro!
De repente um zunido veio da nave e Tomas olhou, viu uma forte luz branca saindo de baixo do OVNI até o chão, e uma sombra humanoide descia flutuante por dentro dela.
Tomas se levantou e viu Carol indo a passos tímidos na direção do maldito que acabou de pisar no solo. Ficou chocado ao refletir se era o ser quem enfeitiçava a mulher numa espécie de magia, ou se aquilo era algo que existia nela e ele apenas a revelasse. Se fosse a primeira opção, ela seria vítima. Mas caso fosse a segunda, não passaria de uma… deixa pra lá.
Enquanto refletia, Carol já estava meio caminho do estranho ser. Tomas pegou sua pistola, foi do lado da esposa e mirou a arma no alienígena que vinha no meio do breu com a luz da nave oscilando nas costas. O casado disparou três vezes, os rápidos projeteis alaranjados mostrou que nenhum acertou e Carol continuou caminhando:
— Ah Tomas, larga de ser chato. Não pode tratar os outros assim — e ela continuou caminhando.
Quando a mão da humana e o extraterrestre se tocaram, ela sem graça olhou para o marido e a luz se apagou:
— Calma, não é isso que você tá pensando — disse ela no meio do apagão — só um momentinho que já te expli… — A esposa parou a fala no meio, e aos poucos foi ouvido sons excitantes. Tomas não conseguiu ver nada, mas infelizmente imaginava.
O esposo encarou com fúria a escuridão de onde vinha o som. Só via a incomoda silhueta dos corpos, e o seu paralisou sem saber o que fazer, mas a centelha de fogo que ardia dentro de si, rugia pra se mover. Apertou o punho da pistola, ela tremeu com a força que fez impedindo os impulsos da centelha.
Os sons quentes se acalmaram pouco a pouco e silenciaram na sua frente. Influenciado pelo fluxo, Tomas se acalmou junto. O marido sentia um vazio enquanto absorvia o evento libertino que ocorreu ali. Sabia que as luzes da nave iam acender alguma hora e sua esposa se embolaria pra explicar aquilo. Tomas esperou, queria ver o que ia dar.
As luzes se acenderam, o casado alvejou sua mulher com as perguntas, mas só viu terra e grama, ela não estava lá. Ele estava sozinho, no meio do nada. Um zunido voltou a surgir, um jato de luz voltou a sair da nave e agora duas sombras subiam até o objeto.
O disco tremeu no ar, as luzes em volta ficaram mais fortes e ele disparou rumo aos céus, Tomas o acompanhou com os olhos até o OVNI se misturar as estrelas. A brisa tocava seu suor gelado, deixando suas reflexões mais frias. Era engraçado enquanto acontecia com os outros, mas quando experimentou, viu que não era esse o tom. Encarou sua pistola decepcionado, respirou fundo e ficou ali, absorvendo o corrido.
메타데이터
- post_id
- 2a2065a37fef
- slug
- o-abdutor-de-alianças-1-6-2a2065a37fef
- url
- https://medium.com/@Pidokka/o-abdutor-de-alian%C3%A7as-1-6-2a2065a37fef
- canonical_url
- https://medium.com/@Pidokka/o-abdutor-de-alian%C3%A7as-1-6-2a2065a37fef
- author_url
- https://medium.com/@Pidokka
- status
- ok
- fetched_at
- 2026-06-09 15:37:30