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Alguns dos sonhos que tenho:

Gotas de chuva salpicavam meu rosto. Não se ouvia mais nada, apenas uma leve chuva que caía sem risco de piorar e sons das gotas incidindo…

Carlos · 2024-10-09 20:19 · 0 claps · 4.0 min read
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Alguns dos sonhos que tenho:

Gotas de chuva salpicavam meu rosto. Não se ouvia mais nada, apenas uma leve chuva que caía sem risco de piorar e sons das gotas incidindo na cama. A paz que senti foi algo inexplicável. Seria perfeito se houvesse um telhado. Espere, um telhado? Foi então que acordei, estava no meio de uma clareira, olhei para o lado e percebi que não estava em casa. A grama verde formava um círculo ao redor de uma cama de casal, sem lençol ou travesseiro. Ao redor havia uma vegetação densa e escura, que era típico de um clima tropical. Céus, estava anoitecendo. Foi então que resolvi me levantar.

Ao lado da cama tinha uma cômoda pequena que tinha um belo espelho.Estava vestindo um moletom preto e um short azul, ambos encharcados. Creio que choveu muito e agora o tempo está se acalmando. Eu estava com um chinelo branco e uma regata por baixo que estava colando no meu corpo (algo que incomodava bastante). A sensação boa mudou para uma vibe triste. Eu estava de pé e completamente encharcado, com água escorrendo pelos meus dreads e descendo até os pés.

Meus dreads mal chegavam no queixo e estavam soltos, quase não dava para ver meu rosto, então peguei um elástico sobre a cômoda e os amarrei. Meu olhos estavam vermelhos e profundos, como se eu estivesse chorado por muito tempo. Estranhei o fato de estar em uma cama com essas roupas. Foi então que comecei a procurar algo em meus bolsos, e como já esperava, estavam vazios. O vento começou a se fortalecer. Ele era frio, carregava algumas gotas consigo e parecia que iria se fortalecer. Pensei em verificar a cômoda, mas desisti em seguida. O que poderia haver lá que me ajudaria? Foi então que me virei para a mata e decidi seguir.

Havia uma trilha à frente e uma mata fechada em volta. Quase como se esse caminho fora construído de forma planejada. Coloquei as mãos nos bolsos do moletom e me dirigi à trilha. Passos pesados eram dados em meio a pequenas poças de água e grama molhada. O ambiente começou a escurecer gradualmente, de acordo com que eu chegava a trilha.

Então ao chegar, fiquei surpreso. Cogumelos no meio das árvores agora brilhavam em diferentes cores mostrando um caminho. Se assemelhavam a postes de luz, porém belos e com uma iluminação encarecida. E a clareira que outrora existia, já não estava mais lá. Um lago agora tomava o que era grama e mobílias. Imaginei que estivesse sonhando, então dei uma chance para este sonho maluco. O lago até que não era tão escuro, tinha bancos ao redor e talvez até desse para pescar ali. Conseguia ver o final e toda a sua extensão, o que era estranho. Pois havia apenas escuridão onde era mata.

Me imaginei com uma vara de pesca fisgando um tucunaré. Ele era forte e insistente. Alguém me motivava ao lado. Uma pessoa pequena, pela forma uma mulher. Não consegui lembrar o rosto e nem mesmo a voz. Tinha cabelos longos e lisos, estava apenas de short e um top. Ela começou a tentar me ajudar a puxar, mas acabou se atrapalhando e ambos caímos. Risadas eram soltas enquanto a vara de pesca era carregada na água.

Então acordo dessa lembrança e começo a me questionar o do porquê das risadas. Já não bastava não ter conseguido o peixe e perdido a vara, ainda estava estirado em um chão sujo com um peso sobre mim, realmente devia ser uma pessoa muito estranha. Minha cabeça então começa a doer repentinamente. Ela começa a latejar de forma constante, até escutar uma voz e acabar com a dor:

  • Se apresse, não fique viajando sozinho toda vez que vê uma bela paisagem. Estou te esperando na enorme casa no final deste caminho. Estarei no telhado.

Foi então que uma luz se apagou atrás de mim. Era como se um anjo estivesse aqui, e após o meu despertar, sumisse. Olhei para trás tentando encontrar pistas do que acontecera, mas foi em vão. Agora já estava seco, e a noite predominou os céus. A falta de iluminação me impediu de enxergar o lago, algo que me entristeceu bastante. Havia coisas que eu queria explorar antes de seguir a trilha. Tal como o ambiente ao redor, se havia pessoas por perto ou mesmo se era frio. Então começo a viajar, me imaginando naquele lago não tão escuro.

Eu poderia me maravilhar com a bela vista de corpos celestes enquanto a água fria me cercava e me sustentava enquanto boiava. Pequenas estrelas se organizariam em minha visão formando símbolos geométricos. Após essa bela dança cometas passariam ao redor, e com suas caudas incandescentes deixariam um belo fundo com um degradê de varias cores. Cometas se chocariam em dois pontos distintos formando olhos, calma, agora a imagem se assemelha a um rosto.

Ele era lindo. Uma pequena franja suspendia sobre a testa. O rosto tinha um formato triangular, e a harmonia causada pelos olhos verdes e as sardas na bochecha me aquecia o coração. Detalhes foram surgindo junto com fenômenos físicos durante algum tempo, e quanto mais realista a imagem ficava, mais lágrimas escorriam sobre a face. Não estava triste, pelo contrário, esse rosto me despertava alegria, mas ainda chorava. Era um sentimento um tanto que incomum, meu coração acelerava ao imaginá-la, era algo difícil de descrever.

Memórias surgiam em minha mente. Lembro de alguém gritando coisas pra mim, me batendo com uma vassoura e até me mordendo. Mas estranhamente eu gargalhava nesses momentos. Lembro de ganhar algo, algo que me deixara muito feliz. Ao me deparar com ela chorando, meu mundo caía. Toda vontade de noticiá-la se esgotara e uma compaixão e empatia agora explodiam em meu peito. Só me interessava no maldito motivo que a deixara assim.

Sentimentos despertavam juntos com memórias, e agora me encontrava a deriva no lago. Chorava ao mesmo tempo que sorria, mas por que? Se era uma pessoa querida que me despertava bons sentimentos, qual o motivo do choro? Esse pensamento se encerrou quando cheguei na beira do lago. Agora estava deitado na areia olhando para cima. Estava todo encharcado e com frio. Ao me levantar, percebo que está tudo escuro ao redor. Exceto pela trilha a minha frente.

Continua…


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