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“O Morro dos Ventos Uivantes”: obsessão por esvaziado despertar sexual adolescente sequestra…

Título original: “Wuthering Heights” Países de origem: Estados Unidos e Reino Unido (2026) Duração: 134 minutos Gênero: drama; drama…

Thainá Campos Seriz · 2026-04-21 20:21 · 0 claps · 2.2 min read
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“O Morro dos Ventos Uivantes”: obsessão por esvaziado despertar sexual adolescente sequestra crítica brontëana às raciais hierarquias de classe da Inglaterra vitoriana em novo longa de Emerald Fennell

Pôster promocional de “O Morro dos Ventos Uivantes” (título original: “Wuthering Heights”) (Warner Bros. Pictures, 2026), longa dirigido e roteirizado por Emerald Fennell em adaptação livre do clássico romance homônimo de autoria de Emily Brontë (1847). Foto: reprodução.

Pôster promocional de “O Morro dos Ventos Uivantes” (título original: “Wuthering Heights”) (Warner Bros. Pictures, 2026), longa dirigido e roteirizado por Emerald Fennell em adaptação livre do clássico romance homônimo de autoria de Emily Brontë (1847). Foto: reprodução.

Título original: “Wuthering Heights” Países de origem: Estados Unidos e Reino Unido (2026) Duração: 134 minutos Gênero: drama; drama histórico; romance Direção e roteiro: Emerald Fennell História original: Emily Brontë (1847) Produção: Emerald Fennell, Josey McNamara e Margot Robbie Direção de elenco: Kharmel Cochrane Fotografia: Linus Sandgren Montagem: Victoria Boydell Direção de arte: Suzie Davies Trilha sonora original: Anthony Willis Música: Charli XCX Figurino: Jacqueline Durran Distribuição (Brasil): Warner Bros. Pictures Elenco: Margot Robbie, Jacob Elordi, Hong Chau, Shazad Latif, Alison Oliver, Martin Clunes, Ewan Mitchell

Símbolo do teatro do poder em “O Morro dos Ventos Uivantes” (título original: “Wuthering Heights”) (Warner Bros. Pictures, 2026), a violência compreende espetáculo cuja performance inflexiona no sexo dispositivo de controle pela civilização (ver sentido de Elias, 1939) do desejo. No caso da (diminuta) família Earnshaw, o não refreamento das pulsões etílicas ou infantis transformou pai (Martin Clunes) e filha (Charlotte Mellington e Margot Robbie) em espelhos da histeria de classe tornada decadente ao ranço de precedências nobiliárquicas antiburguês. Cassada em autonomia e em direitos, a presença de Heathcliff (Owen Cooper e Jacob Elordi) reafirmaria assimetrias racigenderizadas e de nascimento como liberais ao castismo imperial vitoriano e, porque decaídos à injustiça das diferenciações intergrupos, os jovens amantes fariam da memória do romance irrealizado miséria por que a artificialidade relacional transposta na trilha sonora de Charli XCX e em figurinos anacrônicos moldaria a dupla obsessão manifesta enquanto delírio fingidamente sedicioso.

Instrumento do sádico prazer superexploratório de Cathy (Mellington e Robbie), Heathcliff (Cooper e Elordi) transforma-se em epicentro do despertar sexual da adolescente que, por interdições de classe, desposa Edgar Linton (Latif) para salvaguardar a casa Earnshaw da bancarrota. Fotos: reprodução.

Instrumento do sádico prazer superexploratório de Cathy (Mellington e Robbie), Heathcliff (Cooper e Elordi) transforma-se em epicentro do despertar sexual da adolescente que, por interdições de classe, desposa Edgar Linton (Latif) para salvaguardar a casa Earnshaw da bancarrota. Fotos: reprodução.

O esvaziamento gótico da leitura de Emerald Fennell para o clássico homônimo de 1847 interioriza o dilema subjetivo das mulheridades à mera psicologia do despertar sexual adolescente entre a plenitude a atingir-se orgástica com o parceiro de predileção, mutilando-o ao debate vinculativo de interdições morais e sistêmicas. Se a cambiável paleta de cores da disposição cênica registra os ascendentes e descendentes estados emocionais da protagonista de Margot Robbie, a síntese em rosa da prisão no próprio corpo originada do ambivalente pertencimento ao ímpeto libertário pró-vida saturado em vermelho ou ao assédio femista patriarcal maculado em branco dilui-se na expressão todavia verborrágica do confesso, porém vazio amor. Fetichistas, os abusos partilhados subtraem da crítica brontëana comentário sobre o caráter degenerativo dos racismos classistas e, porque fiel às cristalizadas visões fennellianas, “Wuthering Heights” infantiliza-se na reprodução pouco (ou nada) nuançada daquela fantasia juvenil.

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