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HERDEIROS DE TRALDAR: ÁGUA RUBRA

Saudações viajantes,

Luis Oliveira · 2026-01-15 21:27 · 6 claps · 6.7 min read
#ttrpgs #dungeons-and-dragons #old-school-renaissance #karameikos #rpg
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HERDEIROS DE TRALDAR: ÁGUA RUBRA

“Burning Castle”; artista: Selene Crezzini

“Burning Castle”; artista: Selene Crezzini

Saudações viajantes,

Hoje após um longo hiato, venho atualizar vocês da campanha dos Herdeiros de Traldar. Essa segunda partida foi um jogo “quase solo”, já que devido a alguns empecilhos apenas o camarada Hiram apareceu para jogar (jogador do elfo Yuukale Flecha Fantasma). Então em vez de fazer uma sessão prosseguindo a história, aproveitamos para jogar um flashback da batalha da Água Rubra, que deu o estopim na campanha.

A partida começou alguns dias antes da batalha da Água Rubra, com Yuukale retornando de uma longa jornada nos ermos, onde ele ouviu sobre a aproximação dos exércitos de Karameikos e do fato que os elfos Calarii haviam se aliado a eles. Decidindo que não queria tomar parte no massacre de pessoas inocentes, ele resolve por avisar o Barão Rugalov sobre o ataque iminente, viajando o mais rápido possível até o forte.

No forte também habita um de seus seguidores (o personagem pode ter até 12 pelo seu Carisma, e nós determinamos previamente que como ele já começou no nível 4, já teria 4 seguidores de aventuras prévias, que lhe servem de contatos). Este seguidor em questão é um humano combatente que foi um antigo romance de Yuukale e que agora serve como guarda pessoal e amante do Herdeiro Rugalov.

Chegando ao forte, o elfo descobriu que seu contato não estava presente, tendo sido enviado pelo barão numa missão nas florestas ao leste. Mesmo assim, devido sua proximidade com um membro da guarda, e avisando ter notícias de um ataque, os soldados do forte o levam para uma audiência com os Rugalov.

Chegando ao salão principal da fortaleza, o elfo percebe que o Barão Rugalov já é um homem idoso e quem lidera de facto a defesa do lugar é o seu herdeiro, já um guerreiro veterano chegando à meia idade. O elfo também nota que o exército local é nem um pouco formidável, sendo composto por camponeses voluntários e poucos soldados armados com escudos e lanças, um adversário fraco em comparação ao que ouviu sobre as forças do duque Karameikos.

As notícias do elfo foram recebidas com gratidão pelos Rugalov, já que negariam um ataque surpresa aos invasores, ganhando tempo para que os defensores se preparassem para a batalha. Imediatamente o Herdeiro Rugalov começou a organizar a defesa, despachando ordens aos homens e traçando a estratégia de guerra. Yuukale também conseguiu a promessa de uma audiência particular com o Herdeiro após o entardecer e a possibilidade de se hospedar no castelo para ajudar na defesa.

Quando a noite caiu e o elfo começou a se preparar para a audiência, o som de armas e gritos chamou sua atenção. Deixando seus aposentos deparou-se com os soldados correndo até a muralha enquanto civis desesperados começavam a procurar abrigo. A batalha chegara antes do esperado.

Subindo à muralha sul, o elfo enxergou no horizonte a armada de Karameikos, cinco enormes navios de guerra munidos de balistas e que reluziam com um brilho vermelho. No oeste, pralém do rio, ele podia ouvir o brado de guerra dos Calarii se lançando das florestas sobre os aldeões do vilarejo. A guerra começara.

Yuukale começou a se juntar aos soldados na defesa da muralha, preparando seu arco longo e aguçando os sentidos para tentar perceber algum ponto fraco na armada. Seus olhos élficos detectaram o brilho de fogo arcano nas balistas, alguma munição mágica trazida pelos thyatianos.

Imediatamente ele gritou para os soldados que trouxessem alguém com conhecimento de magia, já que não possuía nenhum meio em sua arte élfica para fazer frente aquela feitiçaria de guerra. Já a par de quem se tratava aquele elfo (e impressionados de ver um elfo em primeiro lugar, qualquer que fosse sua origem), correram a obedecer a ordem.

Logo chegou a muralha uma anã trajando mantos grossos e um elmo de aço, portando um longo bastão de ferro que chamuscava com faíscas verdes. Ela se apresentou como Valka, a conselheira do barão e ao perceber a ameaça que o elfo apontava seu semblante pareceu apreensivo.

“Estamos mortos…” murmurou ela num tom seco. “Mas talvez eu tenha algo que venda nossas vidas a um preço mais caro para eles…”

Com gestos e sinais rúnicos que o elfo não compreendeu, ela soltou um brado sobre a muralha e das águas profundas da baía, cinco enormes tentáculos se ergueram entre a fortaleza e os navios, uma besta das profundezas chamada pelos poderes ctônicos de Valka.

Ou pelo menos foi o que pareceu aos soldados, e certamente aos homens nos navios, que pararam de avançar. Mas Yuukale notou se tratar de uma mera ilusão… “qualquer porto numa tempestade”. Desde que fizesse os thyatianos hesitarem, era o suficiente. Dois dos navios começaram a recuar enquanto os homens sob o comando do elfo lançavam flechas sobre os três que restaram.

Por algum momento parecia que iriam resistir, e então os navios começaram a disparar suas balistas, bolas de fogo rubro chocaram-se contra o “monstro marinho”, desfazendo a ilusão e então os navios thyatianos avançaram rumo à muralha.

Brava foi a defesa imposta pelos soldados Rugalov, mas as bolas de fogo alquímico vareram a muralha, se prendendo à própria pedra que começou a rachar e queimar como palha diante daquela feitiçaria profana. Os homens corriam queimando e gritando, enquanto água parecia ser inútil para apagar o fogo rubro.

Ainda assim, o elfo continuava disparando suas flechas, uma após outra, diminuindo como podia os números da força inimiga. Valka parecia preparar algum novo feitiço e então um grito de pavor cortou o ar, uma sombra alada desceu da escuridão das nuvens sem lua e arrebatou contra a torre oeste, que desabou com sua investida.

O desmoronamento lançou Yuukale da muralha, e não fosse sua graça élfica teria sido destroçado na queda. De Valka ele não viu mais nenhum sinal e recuperando seus sentidos, seguiu a retirada dos soldados na direção do castelo, agora que a muralha parecia perdida.

Conseguiu alcançar o portão, Valka juntou-se a ele no meio da retirada desesperada, quando um novo grito de horror ecoou do céu. A sombra alada desceu sobre o forte e então com um estrondo, o teto do castelo explodiu em chamas, desabando sobre si mesmo. Os soldados que já tinham a batalha como quase perdida começaram a debandar, procurando qualquer rota de fuga possível.

“O Barão Rugalov! Temos que resgatar meu senhor!” Valka gritou correndo rumo ao castelo. Yuukale se viu seguindo seus passos, embora no calor da batalha não pudesse pensar direito o porquê.

Ao chegarem no salão, encontraram um verdadeiro inferno, o teto desmoronara e cobrira todo o local com escombros, o fogo profano que consumia carne, madeira e pedra se espalhava por todos os lados. Valka puxou algo de suas vestes e entregou ao elfo.

“Use isso, veja se encontra alguém vivo! Eu vou abrir nossa rota de fuga!” disse a anã enquanto corria para uma passagem lateral. Yuukale viu então que ela lhe dera um anel de cobre, adornado com rubis. Quando o colocou, imediatamente o calor do fogo, que o queimava como uma fornalha, tornou-se não mais que uma brisa morna de verão.

Usando o artefato ele avançou através das chamas, desviando das rochas que desabavam enquanto as próprias fundações começavam a ser devoradas pelo fogo alquímico. No tablado onde ficavam os tronos ele encontrou uma cena quase inacreditável: ainda ileso, preso num círculo de chamas, um jovem agarrava-se a uma espada negra, ao lado de um corpo esmagado pelas vigas. Yuukale reconheceu no menino a semelhança com o Herdeiro Rugalov, e a espada não deixava dúvidas, tratava-se da lâmina portada pelo herdeiro do Barão. Seria aquele menino o filho do Herdeiro?

Outra viga desabou do teto e o elfo não perdeu mais tempo com conjecturas. Agarrou o rapaz e saltou com ele e a espada sobre as chamas, correndo em direção a passagem em que Valka entrara.

Conforme o teto desabava atrás deles, avistaram a anã de pé ao lado de um portal. As pedras acima pareciam estar derretendo mas o arco do portal mantinha-se firme, um conjunto de runas anãs traçadas sobre ele. Valka parecia manter o encantamento enquanto urgia que os dois se apressassem.

Enfim atravessaram a porta, que liberada do encanto, desabou detrás deles, selando a passagem. A anã os guiou por um túnel subterrâneo que parecia se abrir para várias galerias que corriam para as profundezas. Valka parecia conhecer bem o caminho, e após duas ou três voltas, chegaram a um ancoradouro, onde um pequeno barco aguardava junto a um arco de pedra, fechado com uma grade de ferro.

“Sigam por ali, proteja-o, o último Rugalov deve viver!” disse Valka ao elfo, enquanto manobrava a manivela para erguer a grade. Yuukale partiu no barco com aquele que parecia ser o último da linhagem Rugalov, que algum tempo depois, como vimos no relato anterior, tratava-se de Lince, o personagem do camarada Guilherme.

Com os dois rumando no barco a remo rio acima e as labaredas rubras iluminando as ruínas do forte Rugalov, encerramos o nosso flashback.

Conclusão

Foi uma partida curta, e bem interessante. Acho que foi a primeira vez que conduzi um flashback com um jogador em separado do resto do grupo. Quando começamos a combinar a partida e ficou claro que apenas parte do grupo poderia participar, eu já tive alguma ideia de jogarmos como os membros do grupo se encontraram após a Água Rubra. No final acabou sendo uma partida mais intimista, mas não menos divertida.

Houve momentos em que o Yuukale quase morreu, como a queda da muralha, mas uma vez que era um flashback sabíamos que ele ia sobreviver, o que não tornou a coisa menos tensa para o jogador. Caso ele “morresse” eu teria interpretado que ele ficaria desacordado e então a forma como se reuniria com o resto do grupo teria mudado.

Felizmente ele sobreviveu e aproveitei para justificar de onde veio seu anel mágico contra o fogo, o que ajuda a incorporar resultados aleatórios à trama ficcional.

Também gerou vários futuros ganchos: a criatura alada que foi vista no outro relato, o novo contato de Yuukale, a maga anã Valka, uma personagem que eu certamente vou utilizar novamente. Agora é aguardar para ver como esses pontos vão se desenrolar no jogo.

Até o próximo post,

Memento Mori.


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