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DISCREPÂNCIA MAIOR QUE O TÍTULO

O Racing Club de Avellaneda é o grande campeão da Recopa Sul-Americana de 2025! Com mais uma vitória por 2 a 0 sobre o Botafogo, desta vez…

Jonathan da Silva · 2025-02-28 05:45 · 0 claps · 7.7 min read
#futebol #recopa #conmebol #botafogo #racing
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DISCREPÂNCIA MAIOR QUE O TÍTULO

O Racing Club de Avellaneda é o grande campeão da Recopa Sul-Americana de 2025! Com mais uma vitória por 2 a 0 sobre o Botafogo, desta vez com um “banho de bola” em pleno Estádio Nilton Santos, a Academia conquistou seu segundo título internacional em poucos meses, logo após encerrar um jejum de 36 anos sem. O campeão da Sul-Americana subjugou o da Libertadores. Expôs como o alvinegro está à deriva. O placar ficou muito barato, mas certamente não ofusca o levantamento da taça. Festa argentina no Rio de Janeiro!

A forma como o Racing amassou o Botafogo já na primeira meia hora de partida faz o 0 a 0 daquele período ser quase inconcebível e incompreensível. E, de certa forma, é um bom recorte para entender por que o massacre não terminou em goleada. Desde o início estava claro que só havia um time de futebol em campo, enquanto o outro era apenas uma caricatura mal desenhada que não existia como coletivo. A Academia dominava no físico, no técnico, no tático e no mental. Na defesa, com bom posicionamento no 5–4–1 e imposição total nos duelos individuais, facilmente anulava o previsível alvinegro. Incomodava desde a saída de bola e não deixava Arias trabalhar. Na frente, envolvia o Glorioso com muita facilidade. Trocava passes rápidos desde a origem das jogadas, com zagueiros e volantes muito bem; tinha em Vietto um armador de não sentir saudades de Quintero; os pontas destruíam marcadores; Maravilla Martínez atraía marcação e fazia pivôs excelentes. O conjunto de Avellaneda chegava com perigo em cruzamentos, inversões, diagonais e tabelas. O Fogão não conseguia nem pressionar, nem recompor. Ficava em dúvida do que fazer, sem treinador que está, e era engolido, sem conseguir acompanhar o ritmo rival. Com a pelota, apesar de tentar tomar a iniciativa, era distante, lento e estático. A equipe argentina é que empilhava chances, objetivamente, com entrosamento e aceleração. Teve pelo menos cinco oportunidades claras de gol. O goleiro John e a falta de pontaria racinguista evitaram a abertura de placar. Insano.

Nos 15 minutos finais do primeiro tempo, naturalmente o Racing cansou. Não teve fôlego para manter a pressão na marcação e o dinamismo dos contra-ataques. Recuou bastante no campo e permitiu ao Botafogo avançar mais. Foi o único momento de todo o jogo que a Academia não esteve com total domínio e acumulando chances de perigo. Entretanto, apesar de ter liberdade para se adiantar, o alvinegro não criou nada coletivamente. Só procurou cruzamentos e jogadas individuais com os dois pontas. Não teve uma movimentação inesperada nas variações previsíveis de seu habitual 2–4–4, tampouco conseguiu se compactar para viabilizar uma troca de passes produtivas. Com os espaçamentos e a pouca mobilidade, o Glorioso não teve como realmente tramar algo de forma elaborada. Até levou certo perigo no chuveirinho porque o conjunto se mostrou inseguro pelo alto naquele momento, especialmente pelo dia ruim de Di Césare. Ainda assim, finalmente exigido, o goleirão Arias salvou a equipe no cabeceio perigoso de Barboza. As outras pelotas foram para fora do alvo. Assim, o duelo foi ao intervalo com o placar zerado, impensável diante da superioridade acadêmica.

No retorno para o segundo tempo, o Racing retomou a postura dos melhores momentos da etapa anterior e não demorou a finalmente abrir o placar no Rio de Janeiro. Voltou a pressionar o Botafogo desde a saída de bola, voltou a acelerar as transições, voltou a fazer combinações de passes com uma naturalidade invejável proveniente do entrosamento. A diferença entre os dois períodos, além da eficiência, esteve na incisão. Zaracho, que substituiu o descontado Vietto, é um meia menos armador e mais explosivo do que o colega. Deu uma cara ainda mais ágil a um ataque que é muito mais pulmão e coração do que cadência. Muito em função disso, aos 4 minutos, a superioridade arrebatadora da Academia nos duelos individuais parou de “passar impune”. Com uma forte presença no terço final de campo, o conjunto argentino aproveitou de duas espanadas equivocadas de Barboza e criou mais uma chance de perigo. Só que desta vez, com o recém-ingressado meio-campista ex-Atlético Mineiro, enfim teve uma finalização precisa. Mais que isso, um chutaço que John não teve como fazer milagre. Com justiça, o campeão da Sul-Americana saía à frente do placar também na partida de volta da Recopa, também fora de casa. O óbvio se tornou matemático.

Logo após o gol racinguista, ainda aconteceram mais alguns minutinhos de pressão e perigo por parte dos já praticamente campeões. Os visitantes já esboçavam até mesmo reter a pelota para fazer o tempo passar. O Botafogo só foi tentar uma mudança de perspectiva já aos 11 minutos, quando tentou se adiantar mudando do 4–2–3–1 ao 4–1–3–2, com o atacante Rwan Cruz no lugar do volante Gregore, de má partida. Com a pelota, o alvinegro saiu do 2–4–4 habitual para um 2–3–5 que chegava a virar 2–2–6. Mas, fora dos números telefônicos, pouco mudou. A falta de movimentação, de combinações de passes, de compactação e de vitória pessoal persistiu. Os cruzamentos seguiam sendo a única arma do Glorioso no ataque. Quem seguia mais perigoso, mesmo já bem mais recuado e apenas procurando contra-ataques, era o Racing. Parecia que talvez o time de Gustavo Costas fosse voltar àquela fase do final do primeiro tempo, mais calmo, mas esperou atrás e apoiou com um bom volume de gente e o entrosamento de sempre. Não parou de jogar e, merecidamente, ampliou o placar aos 23 minutos. Após furada de Alex Telles no campo de defesa, a Academia fez grande jogada pela direita, terminada em uma finta e um cruzamento lindos de Martirena para o volante Zuculini infiltrar na área e definir como um bom atacante. Um dos melhores laterais do continente e um “movimento surpresa” castigaram o Fogão novamente. No resultado agregado, já era “goleada”. A festa argentina no Nilton Santos só aumentava.

Com o 2 a 0 estabelecido no Engenhão, o Racing controlou totalmente a reta final de partida. Com confiança e diante da completa derrocada anímica do Botafogo, o time de Gustavo Costas inclusive teve mais posse da bola que em qualquer outra fase do jogo. Completamente aleatório em campo, mais espaçado do que nunca, o Glorioso não conseguia nem conectar um setor ao outro, nem fazer a pelota ficar longe de sua área. E o pior, a Academia não parava de tentar criar. Até pelas peças que entraram querendo mostrar serviço, a equipe argentina seguia com combinações, diagonais, cruzamentos, enfiadas, chutes de média distância. Se o duelo fosse no Cilindro, certamente estaríamos ouvindo “olé” àquela altura. A circulação da esfera era tão natural diante da inexistência botafoguense e superioridade racinguista era tão grande que nem parecia se tratar de uma final continental. O goleiro John evitou mais e mais gols com defesaças. Em meio a um monte de fatores para se condenar, o torcedor alvinegro deve agradecer ao arqueiro por impedir um fiasco inesquecível. Foi ele quem manteve a situação dentro do “razoável”. Mas não pôde evitar a confirmação da vitória mais do que merecida da Academia.

A diferença de desempenho entre as duas equipes, ainda mais se somadas a ida e a volta, foi maior até do que o próprio título. E olha que a Recopa Sul-Americana é grande, mas a discrepância foi gigantesca. Houve o choque entre um timaço e um nada coletivo. Com “apenas” 30% de posse de bola, o Racing criou oito chances perigosas de gol diante de apenas duas do Botafogo, uma delas em falta e outra em um lance aleatório já nos acréscimos. A distância na estratégia, na organização, na precisão técnica e, principalmente, na intensidade foi dez vezes o tamanho da pista atlética do Estádio Nilton Santos. O placar ficou muito barato. John evitou uma goleada histórica da Academia. Todavia, não escondeu a humilhação. Não escondeu a forma como o atual vencedor da Libertadores, entre erros e mais erros, foi posto na roda pelos ganhadores da Sul-Americana. Poucas vezes este encontro entre campeões teve tão grande desigualdade. Portanto, título inquestionável para a equipe de Gustavo Costas! Superior na ida, esmagadora na volta. Melhor em Avellaneda e no Rio de Janeiro. Enquanto o torcedor botafoguense não consegue sair da ressaca pós-2024, o racinguista segue em um conto de fadas!

BOTAFOGO

Um jogo desastroso que já não é nenhuma novidade em meio a este começo de temporada claramente à deriva do glorioso. John Textor abriu mão dos primeiros meses do ano, parte pelo esdrúxulo calendário brasileiro, parte por falta de noção do tamanho do clube que comanda, e a consequência é mais um título perdido. A atuação em si foi constrangedora. Em uma clara representação de um time sem treinador, o alvinegro foi dominado de forma retumbante pelo Racing. Não viu a cor da bola na defesa, inclusive com Barboza sendo comprometedor de novo, e não teve qualquer fluência no ataque, estático, isolado e dependente de chuveirinho e individualidades. No fim das contas, John foi o único nome botafoguense que realmente se salvou e ainda salvou o clube de um vexame histórico. É inacreditável, mas o 2 a 0 sofrido parece até decente diante do massacre sofrido. No entanto, não diminui em nada a frustração de ver o campeão da América tão subjugado. Recopa Sul-Americana, Supercopa Rei e Campeonato Carioca já se foram. O treinador confirmado nesta noite, Renato Paiva, adota um jogo de posição que só traz más memórias ao torcedor pelos tempos de Bruno Lage. É… que começo de 2025 esquecível para o Botafogo.

RACING

A Academia fez jus ao apelido e deu uma aula de futebol no Rio de Janeiro. Com uma marcação bem ajustada e ataques fulminantes, o clube de Avellaneda não só garantiu o título continental como também amassou o Botafogo. O time de Gustavo Costas dominou absurdamente a partida mesmo tendo ficado menos de um terço do tempo com a pelota nos pés. Soube se posicionar bem, ser agressivo e exalar dinamismo e velocidade no ataque. O coletivo sólido e a confiança dos jogadores faziam quase todo duelo individual ser vencido com trocas de passes que pareciam automáticas de tão entrosadas. A quantidade de chances de gol criada pelos argentinos foi absurda e, ainda que seja excelente, ter feito “apenas” dois parece muito barato. Era para ser goleada. Sobretudo, uma conquista inquestionável do Racing. Após uma longa seca de 36 anos sem taças internacionais, levanta logo duas em poucos meses. A Sul-Americana em 2024, a Recopa em 2025. Gustavo Costas, que já era ídolo da torcida pelo que fez como jogador, vai aumentando seu tamanho, agora como treinador. Já tem o nome escrito na história do clube. Avellaneda em festa, com muita justiça!

ARBITRAGEM

Apesar de não ter influenciado diretamente no resultado, a equipe arbitral comandada pelo renomado venezuelano Jesús Valenzuela não teve desempenho convincente no Estádio Nilton Santos. Primeiro, se escondeu atrás de cartões amarelos, sem capacidade para administrar o jogo e coibir entradas duras. Depois, com essa sanha por levantar o canário belga, deixou de expulsar Barboza por solada dura na canela de Nardoni. Mesmo sendo uma disputa de bola, foi algo muito desproporcional. Quiçá teve “pena” de aumentar ainda mais o prejuízo botafoguense, mas isto não é papel do juiz. Desta forma, arbitragem longe de convincente no Rio de Janeiro.

FICHA TÉCNICA

🗒️ BOTAFOGO: John; Vitinho (Mateo Ponte), Jair, Barboza e Alex Telles; Gregore (Rwan Cruz), Marlon Freitas, Savarino (Newton), Artur (Jeffinho) e Matheus Martins (Kayke Queiroz); Igor Jesus. Treinador: Cláudio Caçapa. 🗒️ RACING: Arias; Di Césare (Conti), Colombo e Quirós; Martirena (Mura), Nardoni, Zuculini (Almendra) e Gabriel Rojas; Maximiliano Salas, Vietto (Zaracho) e Adrián Martínez (Solari). Treinador: Gustavo Costas. 🧮 Resultado: Botafogo 0×2 Racing Gols: Zaracho e Zuculini (Racing) 👟 Assistência: Martirena (Racing) 🟡 Cartões amarelos: Gregore, Jair e Barboza (Botafogo) | Vietto, Adrián Martínez, Nardoni e Arias (Racing) 🔴 Cartões vermelhos: ❌ 👨‍⚖️ Árbitro: Jesús Valenzuela (Venezuela) 🏟️ Local: Estádio Nilton Santos, Rio de Janeiro-RJ

BOLA DE OURO DO JOGO: Maximiliano Salas/Racing | FOTO: Racing Club/Reprodução

BOLA DE OURO DO JOGO: Maximiliano Salas/Racing | FOTO: Racing Club/Reprodução


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