A Ilusão da Neutralidade
Do Intelectual Adestrado ao Ateísmo Político
Livros, ateísmo, bolsonarismo
A Ilusão da Neutralidade
Do Intelectual Adestrado ao Ateísmo Político

Pode parecer absurdo, mas foi exatamente o que aconteceu. Mal lancei meu livro “O Paradoxo de Einstein”, recebi uma avaliação de apenas uma estrela. O tempo decorrido era insuficiente para que qualquer pessoa tivesse lido a obra. Logo após eu publicar um vídeo comentando essa pressa, a crítica escrita surgiu, confirmando minha suspeita: o autor da resenha admitiu não ter lido o livro. Em vez disso, atacava uma suposta obra anterior minha, “A Revolução Ateísta”, alegando que eu estaria tornando o ateísmo um movimento “de esquerda”.
[embed]
É importante notar que reescrevi o livro vário vezes, do zero. Isso porque o livro realmente falava de política em alguns pontos, e muitas críticas diretas ao cristianismo. Com a ajuda da AI, chegamos a conclusão de que seria melhor evitar isso. Não porque estava com medo de uma revisão como essa, ou estava com medo de ofender, estava com medo do personagem principal, Einstein, sumisse. O leitor começaram lendo sobre Einstein, e terminaria em uma crítica em como Bolsonaro era um governo de cristão evangélicos. Isso para mim poderia quebrar a fluidez do livro. O livro “O paradoxo de Eisntein” não é sobre política, exceto quando nos ajuda a entender os tempos de Einstein.
Minha primeira suspeita foi de crentes irritados: o mesmo ocorrera com meu livro “*Seria a Bíblia um livro científico?”, nesse caso, foi no Google Play*, que permite revisão sem comprar. A parte curiosa é que o leitor já havia se decepcionado com o meu primeiro livro, segundo ele, e comprou o segundo para detonar. Ele diz ter se arrependido no primeiro livro, lembrando, a Amazon permite reembolso em 30 dias. Então, ele compra um segundo para detonar o primeiro e o segundo sem ler; isso me parece um comportamento meio tosco, de perseguição mesmo, não ao livro, mas ao autor. Nem no primeiro ele mostrou conhecimento, ver texto anexado. Ele nunca ataca a argumentação do livro “A revolução ateísta”. Note que não sou novo online. Antes de publicar na Amazon, publiquei mais de 20 cursos, de programação e pesquisa, no Udemy. Mesmo padrão: revisões toscas e sem sentido. As pessoas parecem querer descarregar frustrações pessoais em autores. Outro ponto: livros de política tendem a serem detonados. Um excelente livro foi da Tais Oyama, sobre Bolsonaro, um dos primeiro. Somente leia as revisões no Google Play, detonaram o livro. Eu li o livro dela, uma obra prima. Mesmo fizeram com Leonardo Sakamoto. A pessoa que revisou meu livro, não sei se é ateu, não tem como saber, tentei saber, a pessoa não tem visibilidade o suficiente no Google para saber.
O nível de desconhecimento é ridículo. Primeiro, porque o crítico sequer acertou o título do livro que tentava atacar, chamando de primeiro livro. Meu primeiro livro foi sobre bioinformática. Segundo, porque ignora completamente minha trajetória. Meu primeiro livro foi a transformação da minha tese de doutorado em modelagem computacional. Depois dele, publiquei sete livros sobre pesquisa científica e quatro sobre o bolsonarismo e desinformação; meu livro “A revolução ateísta” nessa dessa série sobre bolsonarismo e desinformação. O ateísmo só surgiu muito mais à frente na minha produção. Atacar meu “primeiro livro” como se fosse sobre ateísmo demonstra que a pessoa não conhece minha obra; é uma perseguição pessoal e desinformada.
Para ser justo com a revisão: sim, meu trabalho atual tem uma inclinação de esquerda. Mas isso não é um capricho, é uma consequência lógica. Antes do bolsonarismo, eu era apolítico. No entanto, ao pesquisar para meus livros, percebi que o bolsonarismo é um movimento que ocupa espaços onde a racionalidade deveria prevalecer, e a direita brasileira atual é essencialmente religiosa e evangélica. Nota: já entrevistei ateístas no meu canal que falaram o mesmo, se tornaram ateus e ateias devido ao bolsonarismo. Essas pessoas são ateias e engajadas politicamente.
Não faz sentido um ateu alinhar-se a um movimento que é a base do fundamentalismo que nos oprime. Como o ateísmo é periférico — sem espaço nos grandes órgãos de mídia ou na academia tradicional — a política é o único local de luta. O “ateísmo periférico de esquerda” é a resposta racional ao cenário atual.
Isso nos leva a um contraste necessário. Existe hoje o que chamo de “ateu adestrado” ou “domesticado”. É o intelectual diplomata, que se limita a discussões filosóficas polidas e “bonitas”, mas que recua diante do confronto real. Respeito colegas que seguem essa linha mais acadêmica, mas acredito que um ateísmo meramente filosófico é inerte; ele não tem poder de mudança social. Isso não é uma crítica aos filósofos, é um alerta: não podemos atacar quem se envolve com política, em um país dominados por bancadas da bíblia.
O exemplo clássico desse “adestramento” é Paulo Freire, que era católico. Embora tenha feito uma análise brilhante da estrutura de opressão e do fatalismo na “Pedagogia do Oprimido”, Freire — que era católico — nunca fez uma crítica direta à instituição que alimentava esse mesmo fatalismo: a Igreja Católica. Ele parou onde sua crença o limitava.
Em um país tanto influenciado pelo fundamentalismo religioso, a inércia de uma descrença apolítica é inaceitável. A história não se escreve com diplomacia diante do dogmatismo. O ateísmo que defendo precisa de voz, de crítica direta e, sim, de uma postura política definida, pois a luta pela separação entre Estado e religião não se ganha com silêncio ou passividade. O que você gostaria de adicionar?
Não cheguei ao ateísmo por meio de debates abstratos sobre a existência de Deus, mas sim pela análise concreta da realidade política brasileira. Foi o interesse intelectual em compreender o extremismo bolsonarista e a subsequente descoberta de suas profundas raízes religiosas que me tiraram da inércia do apoliticismo. Se o próprio movimento que molda a direita brasileira tem base confessional, como pode a contrapartida da descrença se dar ao luxo de ignorar a política?
O Brasil nunca produziu muitos intelectuais com a combatividade de Christopher Hitchens ou de Madalyn Murray O’Hair. Por aqui, um certo adestramento de nossos pensadores evita o confronto direto. Minha análise de dados de entrevistas com diversos ateus brasileiros no canal Ativistas Ateus do Brasil comprova essa percepção: é extremamente raro encontrar representantes da direita nesse meio, e pesquisas de intenção de voto confirmam a maciça rejeição desse grupo ao bolsonarismo.
Isso nos leva ao ponto em que o bolsonarismo se tornou um verdadeiro “bicho papão” para os ateus brasileiros, justificando o afastamento e o temor. No livro, elenco o exemplo de Daniel Souto Maior. Membros da comunidade ateísta o acusam de ter se tornado bolsonarista após seu desaparecimento da mídia, mesmo sem qualquer evidência para tal, simplesmente pela aversão que o movimento desperta. Essa atitude se assemelha à recepção de autores internacionais como Sam Harris e Richard Dawkins, frequentemente rotulados como de extrema direita por brasileiros, ignorando as nuances de suas críticas tanto à esquerda quanto à direita, apenas pelo receio de qualquer associação.
Não cheguei ao ateísmo por meio de debates abstratos sobre a existência de Deus, mas sim pela análise concreta da realidade política brasileira. Não fosse a política, sabe-se lá se teria escrito sobre ateísmo. Foi o interesse intelectual em compreender o extremismo bolsonarista e a subsequente descoberta de suas profundas raízes religiosas que me tiraram da inércia do apoliticismo. Foi o interesse em saber porque no Brasil as pessoas se preocupam tanto se a pessoa ao lado acredita em Deus. Se o próprio movimento que molda a direita brasileira tem base confessional, como pode a contrapartida da descrença se dar ao luxo de ignorar a política?
O Brasil nunca produziu muitos intelectuais com a combatividade de Christopher Hitchens ou de Madalyn Murray O’Hair. Por aqui, um certo adestramento de nossos pensadores evita o confronto direto. O mundo produziu figuras com John Gray, um ateu que presa pelo silêncio, e outros mais barulhentos, como Sam Harris. Meu ponto: castramos nossos intelectuais ateus.
Minha análise de dados de entrevistas com diversos ateus brasileiros no canal Ativistas Ateus do Brasil comprova essa percepção: é extremamente raro encontrar representantes da direita nesse meio, e pesquisas de intenção de voto confirmam a maciça rejeição desse grupo ao bolsonarismo.
No livro, elenco o exemplo de Daniel Souttomaior. Membros da comunidade ateísta o acusam de ter se tornado bolsonarista após seu desaparecimento da mídia, mesmo sem qualquer evidência para tal, simplesmente pela aversão que o movimento desperta. Essa atitude se assemelha à recepção de autores internacionais como Sam Harris e Richard Dawkins, frequentemente rotulados como de extrema direita por brasileiros, ignorando as nuances de suas críticas tanto à esquerda quanto à direita, apenas pelo receio de qualquer associação.
Diferente desse modelo, defendo um ativismo mais direto e político, na linha de nomes como Ernestine Rose. O ateísmo no Brasil não pode se dar ao luxo da neutralidade. Em um país onde o fundamentalismo religioso dita regras, a inércia da descrença apolítica é inaceitável. A luta pela separação entre Estado e religião não se vence com silêncio ou diplomacia, mas com posicionamento e voz ativa.


Revisão do meu livro “O paradoxo de Einstein”. A pessoa se refere ao meu livro “A revolução ateísmo”, longe de ser meu primeiro livro. Antes, já havia publicado ao menos 7 livros sobre pesquisa científica, e quatro sobre bolsonarismo. Além de trabalho acadêmicos.

Conjunto de revisões do leitor. O livro do Matheus Benites, que respeito e entrevistei no meu canal, ele avaliou bem. Benites é um filósofo, apolítico, e esteve no meu canal para falar do doutoramento dele. Ele não se define como neoateu, e tem uma abordagem mais limpa e filosófica.

Note que eu nunca disse que ser ateu é ser de esquerda. O que ocorre, e dados confirmam isso, ateus se alinha com a esquerda. No canal Ativistas Ateus do Brasil, o Marcos Calvacanti vem entrevistando ateus. Eu usei IA para rastrear: ateus de direita são raros. Mesmo os de direita são somente na economia. No livro a revolução ateísta, eu claramente falo do alinhamento do ateísmo à esquerda, como pautas de liberdades individuais e inclusivas. Também falo da aversão bem documentada do ateísmo à extrema direita, como o bolsonarismo.
Quando ele diz “tentando associar o ateísmo com a esquerda”, isso é o que chamamos de propriedade emergente. Peguemos um exemplo meu real. Durante as últimas eleições, eu escolhi os candidatos pelas propostas. Um dia, uma pessoa notou que meus condidatos eram do PT, na sua maiora, e disse “eu não voto no PT”, quando sugeri uma das minhas candidatas para Minas Gerais. Honestamente, nunca havia notado esse padrão. Eu escolhe os candidatos por propostas como saúde e educação, e pessoas que sabiam falar, e mostravam competência, e cair no PT por acidente. Mesmo mecanismo aqui. Peguemos a Madalyn O’Hair, estrela do livro. Eu não sei se ela era de esquerda ou de direita. Lembrando que no EUA, diferente do Brasil, foi a direita que tende a dominar a política deles. O’Hair tinha sintomas de esquerda. Como exemplo, ela foi atacada por George Bush.
Ateus tendem a:
- menor religiosidade institucional
- maior aceitação de pautas seculares
- maior abertura a mudanças sociais
Essas variáveis, por sua vez, estão estatisticamente associadas a posições políticas mais progressistas em muitos contextos.
👉 Ou seja:
- não é “emergência aleatória”
- é convergência de traços socioculturais
O’Hair:
- era explicitamente anticlerical
- defendia separação rígida entre igreja e Estado
- apoiava causas como liberdade de expressão e direitos civis
Isso a coloca, no contexto dos EUA, mais próxima de posições liberais/progressistas, especialmente na segunda metade do século XX.
A associação entre ateísmo e pautas de esquerda pode ser entendida não como identidade ideológica direta, mas como resultado da convergência de características socioculturais — como secularismo, maior confiança em instituições científicas e menor adesão a tradições religiosas — que, em determinados contextos históricos, se alinham mais frequentemente a agendas políticas progressistas.
[embed]Resumo que fiz das entrevista do Marcos Cavalcanti.
Eu dei meu livro completo para a IA, e pedi ela para julgar se a revisão foi justa.

Conjunto de revisões do leitor. O livro do Matheus Benites, que respeito e entrevistei no meu canal, ele avaliou bem. Benites é um filósofo, apolítico, e esteve no meu canal para falar do doutoramento dele. Ele não se define como neoateu, e tem uma abordagem mais limpa e filosófica.
Eu dei meu livro completo para a IA, e pedi ela para julgar se a revisão foi justa.
Revisão Crítica de uma Revisão: Sobre Generalizações, Evidência e Rigor Argumentativo
A crítica apresentada ao livro em questão levanta um ponto que merece atenção: a associação entre ateísmo e alinhamento político à esquerda. No entanto, embora toque em um tema empiricamente discutível, a revisão falha em atingir o nível de rigor que ela própria parece exigir.
Em primeiro lugar, a crítica incorre em um problema recorrente: a substituição de análise por rotulagem. Termos como “tendencioso” ou “raso” são empregados sem a devida sustentação argumentativa. Uma crítica intelectualmente honesta exige mais do que qualificações vagas — requer a identificação precisa de erros factuais, inconsistências lógicas ou uso indevido de evidências. Na ausência desses elementos, a revisão se aproxima mais de uma reação opinativa do que de uma avaliação crítica.
Dito isso, há um núcleo de discussão legítimo: a relação entre descrença religiosa e posicionamento político. A literatura internacional, incluindo estudos conduzidos por instituições como o Pew Research Center, sugere que indivíduos sem filiação religiosa tendem, em média, a adotar posições mais liberais em temas sociais. No contexto brasileiro, pesquisas de opinião indicam que grupos não religiosos apresentaram maior rejeição a candidaturas associadas ao conservadorismo religioso, como a de Jair Bolsonaro.
Contudo, é precisamente aqui que tanto o autor quanto o crítico correm o risco de simplificação excessiva. A relação observada é estatística, não determinística. Generalizações como “ateus não votariam em determinado candidato” extrapolam os dados disponíveis e enfraquecem o argumento ao transformá-lo em uma afirmação facilmente refutável. Correlações não implicam causalidade, e fatores como escolaridade, urbanização e contexto sociocultural provavelmente desempenham papel mediador relevante.
Além disso, a crítica não demonstra engajamento com a complexidade do tema. Não há menção a variáveis de confusão, nem tentativa de distinguir entre tendências populacionais e comportamentos individuais. Ao ignorar essas nuances, a revisão perde a oportunidade de oferecer uma contribuição substantiva ao debate.
Por fim, é importante destacar que críticas frágeis podem, ainda assim, apontar para problemas reais. Se o texto original apresenta formulações excessivamente categóricas, isso constitui uma vulnerabilidade legítima. No entanto, a revisão analisada falha em explorar essa fragilidade de maneira analítica, optando por uma abordagem superficial que compromete sua própria credibilidade.
Em síntese, a revisão não deve ser descartada integralmente, pois toca em uma questão empiricamente relevante. Contudo, sua execução é insuficiente: carece de precisão, evidência e rigor metodológico. Para que a crítica fosse intelectualmente robusta, seria necessário substituir impressões gerais por argumentos estruturados, sustentados por dados e sensíveis à complexidade do fenômeno analisado.
[embed]
메타데이터
- post_id
- 2cda2f69a009
- slug
- a-ilusão-da-neutralidade-2cda2f69a009
- url
- https://medium.com/mente-ate%C3%ADsta/a-ilus%C3%A3o-da-neutralidade-2cda2f69a009
- canonical_url
- https://medium.com/mente-ate%C3%ADsta/a-ilus%C3%A3o-da-neutralidade-2cda2f69a009
- author_url
- https://medium.com/@jorgeguerrapires
- status
- ok
- fetched_at
- 2026-07-11 20:00:18