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🥽Não vamos romantizar a blefaroplastia

Dois meses depois da cirurgia, eu descobri que a história não termina quando os pontos são retirados.

Clara & Valentim · 2026-06-04 15:16 · 0 claps · 2.5 min read
#blefaroplastia #reflexões #cirurgia #bem-estar-e-autocuidado #mulher-madura
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🥽Não vamos romantizar a blefaroplastia

Dois meses depois da cirurgia, eu descobri que a história não termina quando os pontos são retirados.

Quando, por mensagem, contei à minha médica ginecologista que precisava adiar uma consulta, porque ainda estava me recuperando da blefaroplastia quase dois meses depois da cirurgia, ela sorriu e respondeu:

– Você deve estar linda! Eu também quero fazer!

Provavelmente estou melhor do que antes.

Mas antes de falar do resultado, eu gostaria de falar do caminho.

Porque existe uma diferença enorme entre uma cirurgia que vale a pena e uma cirurgia fácil.

E a blefaroplastia, pelo menos para mim, definitivamente não foi fácil.

Antes que alguém imagine uma decisão impulsiva, preciso dizer: eu não faço nada por impulso.

A blefaroplastia foi pensada durante muito tempo.

Pesquisei profissionais.

Adiei datas.

Considerei riscos.

Planejei o período de recuperação.

Escolhi cuidadosamente quem faria a cirurgia.

Não foi uma decisão tomada diante do espelho num dia ruim.

Foi uma decisão madura, refletida e consciente.

Ainda assim, a realidade foi mais complexa do que o planejamento.

Hoje percebo que um dos meus erros foi acreditar que conseguiria conciliar plenamente recuperação e trabalho.

Não consegui.

Ou melhor: consegui tecnicamente, mas às custas de um desgaste que eu não repetiria.

Se pudesse dar um conselho a quem pretende fazer a cirurgia, seria simples:

afaste-se de verdade.

Recuperar-se também é uma atividade.

O corpo trabalha.

Os olhos trabalham.

A cicatrização trabalha.

E tentar acelerar esse processo costuma ser uma negociação perdida.

Talvez o que mais me incomode quando vejo a blefaroplastia ser tratada nas redes sociais seja a forma simplificada como ela costuma ser apresentada.

Como se fosse apenas uma cirurgia estética.

Como se fosse apenas uma questão de ficar mais bonita.

Como se estivéssemos falando apenas de pele.

Não estamos.

Estamos falando dos olhos.

Da anatomia das pálpebras.

Da lubrificação ocular.

Da adaptação dos tecidos.

Da visão.

Da forma como o cérebro interpreta um rosto que está mudando.

Estamos falando de uma região extremamente delicada do corpo humano.

E isso merece respeito.

No meu caso, a recuperação foi mais longa do que eu imaginava.

Houve inchaço.

Houve ressecamento ocular.

Houve desconforto.

Houve dias em que eu me perguntava se tudo aquilo era realmente normal.

Houve também um detalhe que raramente aparece nas propagandas: durante a cirurgia, a própria avaliação da simetria exige participação do paciente.

Não é simplesmente dormir e acordar pronta.

Existe técnica.

Existe ajuste.

Existe precisão.

E existe um corpo real reagindo a tudo isso depois.

Não me arrependo.

Essa é uma frase importante.

Eu não me arrependo.

Hoje já consigo perceber claramente que aquele aspecto de cansaço constante desapareceu.

O olhar está mais leve.

A pele está melhor.

O resultado começa a aparecer.

Mas também não romantizo a experiência.

Não foi um passeio.

Não foi uma tarde de autocuidado.

Não foi um procedimento banal.

Foi uma cirurgia.

E cirurgias, mesmo quando bem indicadas e bem executadas, cobram um preço temporário em desconforto, paciência e adaptação.

Talvez por isso eu tenha esperado quase sessenta dias para escrever este texto.

Porque agora consigo enxergar algo que não via no início.

O problema não era a cirurgia.

Era a expectativa.

Nós vivemos cercados por fotografias de antes e depois.

Mas a vida acontece no durante.

E o durante quase nunca aparece.

É no durante que existem os olhos inchados.

As compressas.

Os colírios.

As dúvidas.

O cansaço.

A impaciência.

A adaptação.

E também a confiança de continuar atravessando o processo.

Se eu pudesse resumir minha experiência em uma única frase, ela seria esta:

A blefaroplastia pode melhorar o olhar. Mas antes disso, ela exige paciência para atravessar tudo aquilo que ninguém fotografa.

Clara do Vale & Valentim


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