Design e artesanato: A Importância da Correspondência no Design Antropológico
Neste artigo digital, exploro trazendo alguns conceitos como a produção artesanal reflete a interação entre cultura, design e antropologia…
Design e artesanato: A Importância da Correspondência no Design Antropológico

Neste artigo digital, exploro trazendo alguns conceitos como a produção artesanal reflete a interação entre cultura, design e antropologia, destacando a crescente colaboração entre designers e artesãos, impulsionada pelo conceito de Design Antropologia, que promove uma abordagem participativa e única na criação.
A relação cultural intrínseca na produção artesanal é como uma dança silenciosa entre um povo e o seu ambiente. Imagine um habitante de uma terra desértica tentando criar objetos a partir de árvores seringueiras — Em tempos em que as trocas de informações é realizada em uma velocidade não antes imaginada, às vezes tendemos a atrair nossos olhares para fora de contextos um tanto físicos, o que é uma ampliação de recursos, mas historicamente, utilizar o que estava disponível no ambiente foi um aspecto fundamental para que as populações pudessem se adaptar ao seu entorno e sobreviver, e esse conhecimento era transmitido entre as gerações com o intuito de preservar saberes que formulam os aspectos culturais dessas comunidades. As obras geradas pela produção manual são, de fato, o resultado da dança íntima entre um povo e o seu território. No entanto, essa relação não se limita a fronteiras geográficas.
Relação entre Artesanato e Design:
A história do Brasil nos conta que, ao contrário de alguns países, o design e o artesanato sempre tiveram uma separação. A influência da colonização europeia fez com que o Brasil se afastasse das raízes nativas, valorizando a produção industrial em detrimento da produção manual, considerada um símbolo de atraso.
No entanto, hoje em dia, estamos testemunhando uma reconciliação entre artesanato e design. Os designers estão descobrindo os aspectos multifacetados de seu campo, onde o artesanato e a produção industrial se entrelaçam. Essa interconexão é essencial para o processo criativo, pois as mãos habilidosas dos artesãos oferecem uma perspectiva única e prática.
Em vez de enxergar o artesanato apenas como uma produção manual de objetos úteis, é hora de reconhecer o papel fundamental dos artesãos na concepção e construção de artefatos. Designers e artesãos podem aprender uns com os outros, criando uma sinergia valiosa que impulsiona a inovação.
Adélia Borges autora do livro Design + artesanato: o caminho brasileiro (p. 59, 2011), elucida que não existe um receituário para as ações de revitalização do artesanato, mas como poderia existir sendo que contextos diversos exigem respostas diferentes? O que deve haver é o contato direto com o lugar e com as pessoas por meio de oficinas de desenvolvimento de produtos artesanais, podendo gerar assim uma constatação e análise do que é preexistente em determinado lugar, são essas condições indispensáveis no traçado de estratégias de trabalho para cada caso.
Design e Antropologia: Criatividade e Observação
A designer, professora e pesquisadora Maria Ibarra (2021) autora do livro Design e correspondência nos desafia a ir além do intelecto e a nos envolvermos fisicamente com o mundo à nossa volta. Ela argumenta que, muitas vezes, valorizamos demais a mente e negligenciamos a importância do corpo na nossa interação com a realidade. Essa abordagem se alinha perfeitamente com o que chamamos de Design Anthropology (DA).
Design Anthropology: Uma Experiência Intensa
Não é apenas uma abordagem convencional; é uma experiência rica e envolvente. Não é uma sobreposição, mas a contribuição de ambos, uma sinergia de algo novo, o design e a antropologia. É uma resposta ativa ao mundo que nos cerca, não se limitando apenas à sua descrição. Nas palavras de Caroline Gatt pesquisadora no Instituto de Antropologia Cultural e Etnologia Europeia da Universidade de Graz, uma antropóloga e artista e o antropólogo e professor Tim Ingold (2013) design anthropology, é a capacidade de corresponder ao mundo, não apenas observá-lo passivamente.

Livro que traz diversas discussões sobre o design anthropology como a citada
Correspondência: O Diálogo com o Mundo
A correspondência é o coração pulsante do DA. Significa mais do que apenas observar; é participar ativamente do diálogo com o mundo que nos cerca. Não estamos mais apenas descrevendo o mundo; estamos coexistindo e co-criando com ele.
[embed]
Conclusão
Nossa jornada pelo mundo do design, da antropologia e da cultura artesanal nos traz descobertas. O Design Anthropology não é apenas uma abordagem; é uma experiência vibrante de correspondência e colaboração. Portanto, percebo também na metodologia de Design Anthropology diretrizes para um projeto transdisciplinar e a experimentação de diferentes processos que não se guiam pelo fim em si próprios, mas aberto às oportunidades que surgem diante os encontros, com atenção aos seus contextos e singularidades. Existe ainda muito a discutir quanto a essas temáticas. Para ampliar ainda mais o interesse recomendo o podcast @sentipensante.podcast que traz entrevistas com designers de diferentes campos e nos amplia os conceitos de design participativo e correspondência. Para os temas refletidos aqui indico o epsódio 6 — Design Pluriversal com a designer brasileira Renata Marques Leitão que trás conexões entre o campo do design e o artesanato, além de se aprofundar nas possibilidades de um design pluriversal. Assim como os livros Design como correspondência: Antropologia e participação na cidade, e Design Anthropology: Theory and Practice
Referências:
BRANDT, Eva; BINDER Thomas e SANDERS Elizabeth. Tools and Techniques: Ways to engage telling, making and enacting. In: SIMONSEN, Jesper; ROBERTSON, Toni. (Ed.) Routledge International Handbook of Participatory Design. Nova Iorque: Routledge, 2013. p. 145–181
GATT, C.; INGOLD, T. From Description to Correspondence: Anthropology in Real Time. In: GUNN, W.; OTTO, T.; SMITH, R. C. (Ed.). Design Anthropology: theory and practice. London, New York: Bloomsbury, 2013. p. 139–145
IBARRA, María Cristina. Design como correspondência: antropologia e participação na cidade. Recife: Ufpe, 2021.
메타데이터
- post_id
- 2d58a2f31d5c
- slug
- design-e-cultura-artesanal-encontro-de-tradições-e-inovações-2d58a2f31d5c
- url
- https://medium.com/@claricesantanacsantos/design-e-cultura-artesanal-encontro-de-tradi%C3%A7%C3%B5es-e-inova%C3%A7%C3%B5es-2d58a2f31d5c
- canonical_url
- https://medium.com/@claricesantanacsantos/design-e-cultura-artesanal-encontro-de-tradi%C3%A7%C3%B5es-e-inova%C3%A7%C3%B5es-2d58a2f31d5c
- author_url
- https://medium.com/@claricesantanacsantos
- status
- ok
- fetched_at
- 2026-07-26 10:01:04